Capítulos 06
Indjaya rompeu o espaço entre eles com uma presença agressiva, abrindo ambos os palmos em uma postura predatória que expunha o busto de forma provocante, enquanto suas unhas, obscuras e brilhantes como obsidiana, refletiam a luz difusa do ambiente como lâminas prontas para dilacerar carne e metal, e sua voz ecoou carregada de fúria enquanto desafiava o oponente sem qualquer hesitação. — Vem pra cima, filho da puta! — bradou ela, mantendo o olhar fixo em Rover com uma intensidade brutal. — Acha mesmo que vai conseguir sair vivo daqui depois do que você fez? — completou, deixando claro que não havia espaço para recuo ou negociação.
Rover respondeu com um deboche frio, permitindo que um sorriso cínico surgisse enquanto se erguia completamente, ajustando o corpo em uma guarda alta e perfeitamente estruturada, seus punhos posicionados de forma estratégica para proteger tanto o torso quanto o maxilar, enquanto seus pés deslizavam levemente sobre o asfalto em um movimento calculado para testar o equilíbrio e preparar o terreno para o confronto direto. — Tá fraca, hein. — provocou ele, mantendo a voz baixa e controlada, ainda que por trás da postura relaxada estivesse plenamente consciente da gravidade da situação, pois entendia que precisava eliminar Indjaya o mais rápido possível, já que cada segundo prolongava o risco de Eleonor encontrar a abertura necessária para invadir sua mente.
Sem perder tempo, Indjaya avançou novamente, desferindo cortes rápidos e precisos que visavam diretamente os olhos de Rover com a intenção clara de cegá-lo e encerrar o combate de forma brutal, mas seus ataques foram neutralizados por bloqueios rígidos e esquivas milimétricas, enquanto Rover recuava o corpo em perfeita sincronia e, aproveitando o contrafluxo do movimento, estendia a palma da mão direita para frente, socando o ar com força suficiente para disparar uma onda de choque à queima-roupa.
Indjaya reagiu no limite, desviando por um triz enquanto sacrificava seu próprio impulso, utilizando sua habilidade de clonagem para recuperar o equilíbrio no asfalto, e essa fração de segundo abriu uma brecha que Rover explorou imediatamente ao transicionar da defesa para um ataque implacável, avançando com uma sequência frenética de socos direcionados ao rosto da mulher, que passou a bloquear com dificuldade diante da mudança abrupta no estilo de luta, até que a pressão se tornou insustentável e um golpe potente atingiu seu estômago, expulsando todo o ar de seus pulmões e fazendo com que seu corpo se dobrasse.
Com a guarda de Indjaya finalmente comprometida, Rover não hesitou em aprofundar o ataque, invocando a técnica que representava o ápice destrutivo de seu domínio sobre as ondas de choque. — Técnica do Manto Auror: Dispersão Molecular. — bradou ele, liberando o poder contido em sua estrutura.
No instante seguinte, a realidade ao redor de Rover pareceu colapsar antes de se expandir violentamente em uma explosão esférica de ar comprimido, cuja força era capaz de repelir matéria e vida com brutalidade absoluta, e posicionada no epicentro da detonação, Indjaya sofreu danos críticos instantâneos, sendo arremessada pelo asfalto como um corpo sem controle enquanto suas duas pernas eram quebradas e seu rosto completamente desfigurado pelo impacto.
A onda de choque se expandiu além do ponto inicial, atingindo o Motor Home dos irmãos Rossi com violência suficiente para fazê-lo estremecer como um objeto leve, sendo bombardeado por destroços e veículos arremessados pela pressão, e em seu interior, Emma foi lançada contra as paredes metálicas repetidas vezes, incapaz de resistir à sequência de impactos, acumulando hematomas e lesões graves enquanto lutava para não perder a consciência em meio ao caos que se intensificava ao seu redor.
Do lado de fora, Bruno observava tudo sem conseguir compreender plenamente o que estava acontecendo, pois seu estado físico era crítico a ponto de distorcer sua percepção da realidade, fazendo com que o espetáculo de luzes azuladas e explosões sônicas fosse interpretado como um delírio criado por sua mente para suportar a dor insuportável, enquanto permanecia imóvel, preso sob os destroços que esmagavam seu corpo contra o asfalto, transformando seus últimos momentos em um pesadelo estático do qual não podia escapar.
Foi então que Eleonor surgiu ao lado de Indjaya, materializando-se com a mesma presença espectral que marcava sua existência, enquanto a companheira começava a se recuperar lentamente graças ao seu fator de cura acelerado, e permanecendo imóvel, a Cigana manteve o olhar fixo em Rover com uma frieza absoluta, como se sua simples presença fosse suficiente para garantir que Indjaya não sucumbiria naquele confronto, irradiando uma ameaça silenciosa muito mais profunda do que qualquer manifestação explosiva de poder.
Eleonor era uma figura impossível de ignorar, uma mulher alta de cabelos longos, cacheados e ruivos, cuja beleza transcendia qualquer descrição convencional e se aproximava de um ideal absoluto de perfeição estética, enquanto seus olhos verdes-jade brilhavam em contraste com a fuligem que dominava o cenário, tornando sua presença ao mesmo tempo hipnotizante e perturbadora.
O rádio preso ao peito de Rover vibrou com a chegada de uma nova comunicação, e em meio aos chiados provocados pelas interferências energéticas do campo de batalha, a frequência se estabilizou o suficiente para que uma voz autoritária emergisse com clareza relativa. — Crshht… Rover… Crshht… Na escuta? Crshht… — chamou o comando francês, tentando estabelecer contato em meio à instabilidade.
Rover respondeu de forma imediata e objetiva, sem desviar o olhar das duas mulheres à sua frente enquanto recuava lentamente, mantendo a guarda alta e os músculos tensionados, preparado para reagir a qualquer movimento inesperado. — Positivo. — confirmou ele, aguardando as próximas instruções enquanto avaliava cada detalhe da postura da díade feminina através da névoa.
A resposta veio em seguida, agora mais estável, indicando que sua retirada estava sendo preparada naquele exato momento. — Sua volta ao QG está quase pronta. A Equipe de Inteligência está trabalhando neste exato momento para garantir que sua retirada seja a mais efetiva possível. Mantenha o sinal de baliza ativo. — informou o comando, mantendo o tom firme e objetivo.
Rover encerrou a comunicação de forma sucinta, mantendo o foco total no campo de batalha enquanto o som do rádio cessava. — Copiado. — respondeu ele, deixando que o silêncio voltasse a dominar o ambiente, quebrado apenas pelo som distante de metal retorcido e pelo vento carregando poeira e destruição, enquanto permanecia imóvel por um instante, plenamente consciente de que o silêncio de Eleonor não era ausência de ação, mas sim o prenúncio de algo muito mais perigoso.
Foi então que Eleonor finalmente se manifestou, sua voz calma contrastando com a tensão do momento enquanto avaliava a situação com precisão cirúrgica, sem desviar o olhar de Rover. — Não é prudente insistir em um combate individual contra esse sujeito. Mesmo com sua clonagem, ele se provou mais ardiloso do que prevíamos — declarou ela, mantendo a postura serena.
Enquanto a Cigana permanecia imóvel, Indjaya sentou-se pesadamente no asfalto, permitindo que seu corpo realizasse o processo brutal de regeneração, e sob o olhar atento de Rover, suas pernas se reconstruíam de forma grotesca, com músculos, ossos e tecidos sendo refeitos em segundos através de estalos secos e movimentos antinaturais, até que ela finalmente recuperou a mobilidade e voltou a se erguer, mantendo o olhar fixo no inimigo.
— É verdade… mas, pelo menos, você é mais forte que eu e deve dar conta — admitiu Indjaya, sua voz carregada de frustração contida enquanto retomava sua postura de combate.
Eleonor não respondeu com palavras, mas seu silêncio carregava uma confirmação absoluta, e sem pressa, começou a avançar em direção a Rover com passos curtos e perfeitamente controlados, enquanto sua silhueta se transformava gradualmente, revelando dez faixas metálicas que emergiam de suas costas como extensões vivas de seu corpo, movimentando-se com fluidez quase orgânica, como se fossem tecidos pertencentes à própria morte, prontas para rasgar o ar e tudo o que estivesse em seu caminho.

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