Capítulo 1
Era uma vez uma jovem menina alegre e contente que brincava acompanhada de seu cão de estimação, o nome dela? Monika de Almeida Portinari, ou como era mais conhecida entre os aldeões do vilarejo: Chapeuzinho Vermelho.
Ela tinha cabelos negros como a noite, tinha a pele branca e macia, e também usava um óculos redondo. De acordo com os aldeões da época, ela era uma jovem sorridente de semblante sereno e radiante. Por onde passava sempre impactava as pessoas pelo seu carisma e poemas os quais ela dedicava a amigos e vizinhos próximos.
Junto ao seu cão apelidado carinhosamente por ela de Bóris, Chapeuzinho costumava brincar e criar aventuras enquanto seu pai trabalhava na lavoura e exercia a profissão de carpinteiro nas horas vagas. Contudo, apesar de uma criança obediente, seu velho sempre dizia e deixava bem claro:
“Menina, de forma alguma vá brincar longe de casa, principalmente se aventurar na mata! Não faça o capricho de uma simples brincadeira virar uma tragédia iminente.”
Apesar de curiosa em explorar a densa e enigmática floresta de Kant, a jovem garota sempre seguiu fortemente os conselhos dados por seu pai, o qual ela sempre demonstrava admiração e respeito profundo. Entretanto, num certo dia de outono, cujo as folhas mortas caiam aos montes das árvores deixando o chão coberto delas, a jovem que brincava alegremente de jogar gravetos ao dócil cãozinho para que ele fosse buscar, decidiu dar uma pequena pausa para ir ao banheiro realizar suas necessidades básicas; dentro do banheiro que ficava do lado de fora da residência, ela se sentou no vaso; até que em dado momento após terminar de urinar, a pequena e ingênua Monika, curiosa em perceber que estava começando a crescer, começou a reparar em detalhes do seu corpo diante do espelho:
— Nossa? Mas que olhos lindos eu tenho!
Disse a menina enquanto se aprofundava em seu olhar penetrante.
— E essa pele? Mas que macia e sedosa!
Disse a menina enquanto tocava levemente seu rosto.
— E esses seios? Por que estão ficando tão fartos a cada dia?
Disse a menina enquanto apalpava seus seios em total tom de ironia.
Todavia, enquanto se olhava no espelho, a jovem olhou para sua cintura e decidiu explorar as partes íntimas do seu corpo pela primeira vez. Com vergonha e bochechas coradas, a pequena mocinha começou a tocar em sua parte íntima de forma despretensiosa sem nenhuma malícia iminente; eis que então, ela fez um questionamento inocente e genuíno que qualquer garota de sua idade faria a si mesmo:
“Como é possível uma criança sair por um buraco tão pequeno? Além disso, se há de sair um ser de dentro de uma mulher, então como há de entrar uma criaturinha tão frágil e desprotegida? O que é preciso na relação entre um homem e uma mulher para que uma vida possa ser gerada em 9 meses?”
Sem respostas (e muitas dúvidas na cabeça) Ela se vestiu e saiu do banheiro para brincar com Bóris, que naquela altura do campeonato já estava roendo o graveto se questionando se a dona havia desistido de sua companhia. Porém, enquanto brincavam e gozavam aquela vida plena de alegria e felicidade, algo misterioso ocorria fora dos bastidores. Espreitando nas sombras, algo havia demonstrado um interesse perverso sobre a pobre menina. Em meio a mata, uma figura sombria começou observar os dois de longe atentamente, era como se a misteriosa figura estivesse analisando meticulosamente cada passo e movimento que a jovem e seu cachorro realizavam, algo que no futuro, poderia se provar perigoso… O tempo passou, mais precisamente 3 semanas, Monika que acabava de completar 12 anos de idade no dia 13 de agosto daquele ano de 1812, presenciou sua primeira menstruação após acordar de um longo sono. Preocupada, ela resolveu levantar da cama para contar ao seu pai o que acabara de acontecer. Paciente e surpreso com a situação, Emílio, o pai da jovem, decidiu ter uma conversa com a filha sobre o ocorrido.
Apesar de saber que aquilo um dia iria ocorrer, ele pensava não ser a melhor pessoa para explicar a sua filha sobre o começo do período hormonal e a transição para o início da puberdade. Como não havia uma figura materna além da avó para explicar a situação para a garotinha – Considerando o fato de que a mãe de Monika havia morrido durante o parto – o velho disse a filha que, após realizarem os preparativos para receber os novatos na grande noite de fraternização da lavoura, eles iriam até a casa de sua avó levar uma cesta de pães de mel para que ela pudesse conversar melhor com a chapeuzinho e comemorar seu aniversário. Eis que noite chegou, Emílio decidiu sair por um instante para dar uma mão a um comerciante de tecidos que acabava de atolar a carroça na estrada; Enquanto isso na residência, Monika se preparava para sair do banho e se arrumar para a confraternização da lavoura. Porém, após um banho quente, a mocinha foi até a cozinha para embrulhar e preparar uma cesta de pães de mel que ela havia feito durante a tarde para sua vovozinha.
Mas, percebendo que o clima estava estranho e que algo de errado estava acontecendo devido ao estranho silêncio e a calmaria amedrontadora daquela noite, a chapeuzinho começou a sentir uma sensação de insegurança e desconforto. Nisso um certo medo pairou sobre o ar, gerando calafrios intensos na pequena garota. Diante daquele cenário silencioso e sereno, a jovem que estava trajada com seu icônico capuz vermelho, começou a sentir uma preocupação que cada vez mais fazia com que seu coração batesse cada vez mais forte; no fundo, ela sabia que estava faltando algo, mas não tinha noção do que era, foi quando ao ver um tufo de pelo cinza rolando pelo piso de madeira que ela se virou para trás e gritou:– B-BÓRIS!? Ao exclamar o nome de seu fiel amigo, uma cena chocante a impactou profundamente. Lá estava ele, o pobre e moribundo cão, seu fiel companheiro ensanguentado com diversos cortes, morto de forma brutal e sendo usado como um casaco de pele para um homem horrendo e medonho que empunhava um machado sujo de sangue. Ele era grande, tinha cerca de um metro e noventa de altura, seu corpo era robusto e largo como um armário; ele tinha um sorriso torto e amarelado cheio de dentes afiados; A cor de seus olhos eram vermelhos como sangue fervente, sua pele era pálida como a neve e grossa como couro de javali.
Diante tal cena horrenda e perturbadora, o medo se instaurou rapidamente na pobre menina a qual não conseguiu movimentar nenhum músculo diante tamanha monstruosidade. O cheiro forte de cigarro de palha do homem junto ao odor do cadáver recém-esfolado do pobre animal, impregnava a casa em que a jovem ali residia.— Nossa? Mas que olhos lindos você tem! Disse o homem olhando no fundo dos olhos amedrontados da garota enquanto se aproximava dela.
— E essa pele? Mas que macia e sedosa!
Disse o homem enquanto segurava e apertava o rosto da garotinha com sua mão grande.
— E esses seios? Por que são tão fartos?
Disse o homem apalpando os seios da pequena enquanto a deitava sobre o chão da cozinha…
…Dor, choro e desespero, naquele dia uma tragédia infelizmente aconteceu…
Naquele dia, a cesta de pães de mel que tinha sido preparada com tanto amor, estava totalmente destruída e já não podia mais ser entregue.
Naquele dia, o melhor amigo, aquele que estava lá nos momentos importantes de sua vida, havia sido morto como um pobre inseto, mesmo sendo o mais forte dos cães do vilarejo.
Naquele dia, o que era para ser uma festa acabou se tornando uma noite de tormento de um pai, que por um simples descuido teve a vida arruinada em uma data comemorativa.
E naquele dia, o que era uma jovem menina inocente, que vivia a vida de forma poética e ingênua, que era radiante pelo seu sorriso e carisma contagiante, teve sua inocência e castidades tiradas brutalmente por um monstro cruel e horrendo o qual seria incapaz de ser reconhecido como um homem por alguém, cujo transformaria a vida daquela pobre garotinha para sempre. Alguns anos se passaram após as investigações e processos da época, a garota ficou internada em observação num convênio de freiras destinado a pessoas com transtornos mentais. Ao que tudo indicava, aquela situação estressante despertou o desenvolvimento de distúrbios psíquicos graves como insônia; depressão; ansiedade; estresse pós-traumático e uma leve psicose, a qual levou a jovem de capuz vermelho a desenvolver uma fixação bizarra por canídeos, além de uma certa obsessão pelo desejo intenso de vingança. Apesar do longo período de tratamento, ele infelizmente se mostrou ineficaz com o tempo. Depois de uma grande análise, os médicos concluíram que após a garota ter tido contato com o sêmen do criminoso, o conselho junto às pesquisas rudimentares da época, indicou que ela contraiu uma doença grave que estava aos poucos agravando a psicose da garota. Após a conclusão das análises, foi decretado que dentro de alguns anos, a pobre chapeuzinho perderia totalmente a sanidade, onde no fim ela chegaria num estado crítico de total irracionalidade.
Anos se passaram… Chapeuzinho já estava com 18 anos, ela já não era mais a mesma garotinha de antes; enquanto estava internada por todos aqueles anos, decidiu fugir do convênio e foi parar nas ruas, onde ela dedicou tempo e esforço em um árduo treinamento para encarar o que vinha pela frente. Agora, destinada e decidida a se vingar antes que sua condição neurológica piorasse, ela então tomou sua primeira iniciativa para dar início ao seu plano. Após retornar a sua residência, a garota começou os preparativos para sair de casa e explorar a vasta floresta que tanto sonhava em desbravar durante a infância, mas que diferente do objetivo original, estava prestes a ser realizada por conta de um outro objetivo: encontrar e aniquilar o responsável por transformar sua vida em um pesadelo. Mas antes de partir, ela começou a organizar alguns itens essenciais para a viagem, dentre eles estavam: Uma cesta de palha transversal, onde dentro dela havia muita munição, uma faca afiada, alguns medicamentos e pães de mel. Como itens de combate, a chapeuzinho optou em carregar uma pistola e uma espingarda curta, ambas de cano duplo, conhecidas por serem extremamente eficazes e mortais para os padrões de artilharia daquela época. E para finalizar, o último e não menos importante item! Um grande capuz vermelho sangue, o qual seria essencial para dar contexto a sua jornada e ajudá-la a se lembrar de suas origens. Com tudo pronto, ela foi em direção a varanda para se despedir do seu pai, o qual já estava debilitado devido ao vício em álcool e que até aquele momento, sabia que não podia mais controlar e impedir a insanidade da filha. No fim, ele apenas a aconselhou a tomar cuidado com sua busca por vingança, disse para a jovem que não transformasse aquele desejo doentio em pretexto para se tornar um monstro pior que aquele que ela conheceu. Apesar de cega pelo ódio e não possuindo mais a mesma sanidade de antes, a Chapeuzinho decidiu que iria acatar aquele que poderia ser o último conselho que ela iria ouvir do seu amado velho. No fim, ela partiu pela estrada afora, mas dessa vez levando consigo um contexto macabro que só a sua mente debilitada e febril poderia ter imaginado para aquele cenário. Para ela, abraçar aquela fantasia perturbadora em adentrar a floresta com o pretexto de entregar doces a sua vovozinha (que já havia falecido de infarto durante os eventos ocorridos durante a infância da jovem) fazia parte de dar um certo tempero no seu plano brutal de vingança contra o homem que tirou tudo dela.

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