Capítulo 2
Após um tempo considerável andando pela floresta de Kant, o fim do outono de 1818 estava chegando ao fim. Monika, agora adotando alcunha de Chapeuzinho de sangue, continuou a vagar pela enorme e densa floresta. Ela vagou por incansáveis dias e tenebrosas noites, descansando apenas o suficiente para ter energia para o próximo dia. Quando a fome batia, ela resolvia caçar alguns animais da floresta para prepará-los na fogueira para não acabar comendo os pães de mel antes de alcançar seu objetivo. Às vezes os pratos eram deliciosos, hora e meia ela abatia um javali, uma ave, e até mesmo alguns peixes; mas quando a situação não era favorável ela se virava com o que tinha disponível na enigmática floresta. Todavia, após tanto andar, Chapeuzinho de sangue resolveu parar para descansar sobre um enorme pedregulho em meio uma área aberta próximo a um córrego, ela olhou para o céu cinza e começou a conversar consigo mesma:
— Será que vou encontrá-lo antes de enlouquecer de vez? E se eu nunca o encontrar, o que será de mim? Poxa vida… pobre de mim, nem ao menos sei o caminho certo para achá-lo. — Ela começa a se abraçar forte, fomentando cada vez mais seu raciocínio mórbido enquanto continuou: — Eu queria poder tocá-lo com minhas mãos, agarrar seu pescoço e o sufocar de maneira que seu ar fique preso em seus pulmões; só de pensar nas mil e uma maneiras de torturá-lo para fazer ele pagar pelo que fez, faz com que meu corpo e mente deseje cada vez mais prosseguir com a minha deliciosa vingança! Contudo, para onde vou? Onde devo ir? Estou tão perdida…
Nisso, se aproximando devagar em passos sorrateiros enquanto um forte rosnado era emanado, uma criatura misteriosa olhou para a jovem do capuz vermelho e disse:
— Para quem não sabe onde ir, qualquer caminho serve, não acha?
Ao se levantar curiosa, Monika viu a figura de um lobo negro com uma cicatriz no olho esquerdo, o qual estava sentado olhando para ela.
— Nossa! Que inesperado a sua visita! Não sabia que lobos podiam falar, pensava que só rosnavam, uivavam e latiam! Talvez seja delírio meu, mas se não for, que mal faz ter a sua companhia, não é mesmo? — Respondeu a garota.
— Está totalmente certa, minha jovem! Agora me diga, o que uma garotinha tão linda como você faz por estas bandas carregando essa enorme cesta?
Com uma carinha triste com as mãos em seu rosto segurando a cabeça, Chapeuzinho diz:
— Oh caro lobo… Estou numa empreitada para entregar deliciosos pães de mel para minha amada vovozinha. Porém, decidi que visitaria um velho amigo para lhe dar um carinhoso presente antes de chegar na casa da velha.
— Humm… que intrigante! Me diga, esse seu velho amigo, seria ele o lenhador?
A jovem então arregalou os olhos como se estivesse escutado a melhor notícia de sua vida. Ela então deu um leve sorriso maquiavélico e perguntou com entusiasmo:
— Você o conhece, Senhor lobo?!
Abanando o rabo, o lobo respondeu:
— Claro que eu o conheço, Chapeuzinho! Eu e ele somos velhos inimigos de longa data. Inclusive, está vendo essa cicatriz em meu rosto? Pois bem, foi o velho Jack quem fez isso, não tem como esquecer de uma figura tão deplorável como ele!
— Jack… esse é o nome dele! — Os olhos brilhavam enquanto uma expressão de encanto era feita — Lobo! Diga-me, como posso chegar até ele?
Após uma pausa dramática para lamber as bolas, o lobo respondeu:
— A questão mocinha, é que mesmo que eu diga onde ele vive, você provavelmente não ficará viva para contar sua história. O velho Jack é um homem ardiloso, ele conhece muito bem a mata, além do mais, chegar até sua moradia sem cair em suas armadilhas me parece o tanto quanto perigoso para uma jovem como você.
— Poxa vida… Quanto mais eu avanço o caminho, mais pedras aparecem para me atrapalhar… Será que não podemos planejar um jeitinho de visitar nosso velho amigo, senhor lobo?
O lobo totalmente pensativo, se deitou no chão e começou a rolar sobre as folhas; após tanto pensar, eis que uma ideia mirabolante surgiu em sua mente:
— Já sei! Tive uma grande ideia, Chapeuzinho!
— Sério? Então diga logo! Estou ansiosa para ouvir o plano!
— Em vez de visitá-lo, vamos planejar uma surpresa ao velho Jack, convidarei alguns colegas para participarem também, contudo, escute com atenção para não estragar a surpresa!
— Certo! Estou lhe escutando! — Disse a jovem, com um sorriso de orelha a orelha.
Assim uma longa conversa então se iniciou. Chapeuzinho que antes estava perdida, parecia que havia encontrado um novo grande amigo para conversar. Agora, perto de concretizar seu desejo, ela junto ao lobo ficaram horas debatendo o grande plano para dar cabo de uma vez com o lenhador. Nisso, após um certo tempo, os dois juntos tentaram reunir outros lobos que pela floresta andavam em prol de um objetivo em comum: matar Jack, o lenhador! Todavia, após horas de explicação e planejamento, todos resolveram se preparar para dar início de vez ao plano diabólico, que naquela altura do campeonato, parecia ser a última coisa que fariam caso fracassassem.

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