Capítulo 99 - Por um triz
A última lufada de sol pendia no horizonte feito um dia cansado, tingindo os altos vidros fumês da U.E.C. de um laranja agonizante.
Darcy cruzou um corredor até a porta do elevador e pressionou o botão que a levaria à sua cobertura.
As portas deslizaram abertas. Ela entrou no cubo de aço e luz fria, virando-se para enfrentar as portas que se fechavam.
— Pera! Espera aí, por favor!
Um estagiário, que não devia ter mais de dezenove anos, uniformizado com um jaleco branco sobre roupas casuais e um crachá de visitante pendurado no pescoço, apareceu na abertura, visivelmente constrangido.
Ele carregava uma pequena gaiola de aço reforçado e selada, de onde vinham arranhões metálicos e agônicos.
Darcy, sem uma palavra, estendeu a mão e bloqueou o fechamento da porta com os dedos. O gesto foi puramente funcional, sem cortesia. O jovem entrou aos tropeços.
— Obrigado! Obrigado, vice-líder! — Encolheu-se no canto oposto do elevador. Ele baixou a gaiola com cuidado, e um som de asas batendo contra o metal ecoou brevemente dentro do espaço confinado. — Sou o estagiário N. Evans, do Departamento de Contenção de Mephistos de Baixa Ameaça. Tô levando um Mephisto para, hã, bem, a análise pós-morte, na verdade. Coitado. O protocolo de contenção falhou.
O longo silêncio que se seguiu era abafado apenas pelo zumbido do elevador e o fraco ranger da criatura moribunda. Evans, por sua vez, travava uma batalha interna.
— É um grande privilégio, senhora. Um grande privilégio. Eu, uhm… assisti a todos os seus briefings sobre a contenção do Mephisto do Cais Leste. A forma como você coordenou a equipe, a calma sob pressão… foi… — Ele engasgou ao procurar a palavra, e seus olhos brilhavam com uma admiração genuína, embora desajeitada. — Foi linda.
A palavra pairou no ar, estranha e inadequada. O arranhar na gaiola foi interrompido, como se o próprio Mephisto estivesse escutando.
Evans percebeu o deslize e corou mais ainda.
— Quero dizer, impressionante! Estratégica! Uma obra de arte tática, é isso! — corrigiu-se, desesperado. — Não linda no sentido… comum. Embora você seja, claro. Obviamente. Todo mundo comenta… não comenta, mas… sabe? Percebe.
Ele fechou os olhos por um segundo, pedindo em pensamento para ser engolido pelo Mephisto.
Darcy, que até então olhava para seu próprio reflexo na porta, virou devagar a cabeça. Seus olhos percorreram o estagiário da cabeça aos pés, concentrando-se em sua gaiola por um momento, antes de voltarem para seu rosto avermelhado.
A temperatura no elevador pareceu cair vários graus.
— O PH, Evans. — disse ela. — Você vai passar.
Ele deu um salto, olhou para o painel e viu que, de fato, havia pressionado o botão para o seu próprio andar, vários níveis abaixo da cobertura.
— Oh, céus! Desculpe! Desculpe, vice-líder!
As portas se abriram com outro ding. Evans pegou a gaiola e se atirou para fora do elevador.
Ele se virou, fazendo um aceno desastrado.
— Foi um honor… um prazer! Conhecê-la! Professionalmente!
As portas começaram a se fechar. Através da fresta que diminuía rapidamente, Darcy o viu parado no corredor, agarrado à gaiola, com o terror pós-traumático social estampado no rosto.
“Profissionalmente, ele quis dizer.”
As portas se selaram. Darcy tensionou-se apenas um minúsculo músculo ao lado de sua mandíbula.
As portas se selaram. Darcy tensionou apenas um minúsculo músculo ao lado da mandíbula.
O painel indicou o último andar com um ding. As portas se abriram, deixando à mostra um corredor cheio de tubulações expostas que serpenteavam pelo teto baixo, pintado de um cinza industrial opaco.
No final do corredor, havia uma porta de metal reforçado, sem qualquer identificação além de uma placa de manutenção oxidada. Um mecanismo de alavanca exigia o peso completo do corpo para ceder.
Ela empurrou a porta e, por fim, deu de cara com o topo do mundo.
O vento a açoitou imediatamente. Era um vendaval gelado e enfático que arrancou-lhe a respiração e agitou seu sobretudo nas costas.
Seus passos a levaram até a mureta de concreto, onde ela apoiou os quadris, com o corpo voltado para o vazio noturno.
Os dedos mergulharam no bolso interno do sobretudo e emergiram com um maço de cigarros amassado. Selecionou um único cigarro e o bateu levemente contra o pulso para compactar o tabaco, antes de levá-lo aos lábios.
Da profundidade de outro bolso tirou um isqueiro de metal fosco, frio ao toque. Deslizou o polegar sobre a roda. Darcy protegeu a pequena labareda com a concha da outra mão e inclinou a cabeça para levar o fogo à ponta do cigarro. O papel crepitou suavemente ao acender e uma primeira baforada de fumaça grisalha fugiu de seus lábios, desfeita na hora pela brisa.
Puxou fumo para dentro até sentir o calor forte no peito. A brasa laranja brilhou com força, como um pequeno e rápido farol contra a escuridão.
Dali de cima, Eugene lhe parecia quieta demais. O tráfego fluía calma e uniformemente, as luzes urbanas piscavam como pulsações de uma criatura viva. Aquele aspecto entorpecido sempre caracterizara a cidade, com sua podridão escondida sob camadas de silêncio bem-educado. Darcy sabia disso. As piores coisas não se abrigavam na escuridão; ocupavam a superfície, fingindo civilidade.
O cigarro crepitou. Ela virou o rosto para o céu e exalou uma nuvem de fumaça pálida, que se desfez contra o crepúsculo. Era nesses momentos, em que estava sozinha, longe dos protocolos e das câmeras, de que tinha lembranças. Mesmo sem querer, porque os flashes sempre vinham.
Antes da U.E.C., da sigla no peito como um peso e um escudo, Darcy era apenas uma sombra num sistema falho. Sua infância era um borrão cinza de lares provisórios, vozes desconhecidas e castigos desproporcionais. Nunca foi filha de ninguém por muito tempo. Cresceu nos interstícios, entre um lugar e outro, entre um nome e outro. O Estado a alimentou e lhe deu abrigo, não um rosto.
Adolescente, se enfiou no que podia para sobreviver. Usou sua inteligência em seu favor, pois era a única coisa que ninguém podia levar embora, sequer quando apanhava calada ou era jogada no fundo de um centro de internação para menores, cujas grades transmitiam mais humanidade que os olhares ao redor. Aprendera a sufocar os gritos internos e a cultivar uma raiva disciplinada. Algo mais fino, mais cortante, não uma fúria cega. Uma lâmina embainhada atrás do sorriso.
A U.E.C. apareceu como uma oportunidade, mas também como uma armadilha. Assim como um caçador que reconhece o valor de um animal selvagem e opta por adestrá-lo em vez de abatê-lo, a U.E.C. surgiu. Com essa ideia, ela entrou. Sem patriotismo ou redenção. Não havia mais nada, e pelo menos ali o caos tinha nome, os monstros tinham rosto para que pudesse atirar neles sem ter que se explicar para ninguém.
Darcy olhou para a ponta do cigarro, consumida até restar apenas uma pequena brasa. Deu uma última tragada e o esmagou contra o concreto com a sola da bota. O cheiro agridoce da fumaça persistia no ar, como um fantasma pairando no silêncio.
Por um momento, seus olhos se desviaram do horizonte, vindo a focar em seu interior quando, de repente, o céu noturno pareceu puxar um fio preso à base de sua nuca, levando sua mente de volta a algo.
— Fumar não resolve porra nenhuma, nega. Mas acalma a cabeça o suficiente pra cê não meter ela na cara errada.
Era uma voz soprada no fundo da memória. Grave e rouca. Ria nas pausas, rindo de uma piada triste demais para ser contada por completo.
— Quando era criança, eu achava que cigarro era tipo feitiço. Acendia e, por uns cinco minutos, tudo parava de doer.
Sempre se lembraria de como isso era dito com um sorriso ironicamente derrotado. Um sorriso que surge quando se perde tudo o que importa mais de uma vez.
— Sabe o truque? Não é o cigarro que acalma. O tempo que cê ganha enrolando o papel, riscando o fósforo, puxando o ar, isso sim é que dá a ilusão de controle. Mesmo que o mundo esteja numa zona, cê ainda pode acender o próximo.
No entanto, era difícil lembrar quando exatamente ele saíra de sua vida. Sabia apenas que, no fim, tudo ficou mais sossegado.
Por muito tempo, ela o odiou. Logo passou a entendê-lo. E agora não sentia mais nada. Essa indiferença era pior do que simplesmente odiá-lo.
Com os dedos a tremer, Darcy enfiou a mão no bolso interior do casaco. O estojo de metal surgiu entre os dedos. Abriu a tampa com um clique e retirou um maço novo e lacrado. Apenas o som do plástico ao desfazer-se dava a sensação de um ritual. Aquele era o silêncio tenso entre dois rounds.
Mas antes que pudesse tirar o primeiro cigarro da embalagem, uma voz surgiu atrás dela, baixa, familiar e irritantemente pontual:
— Então? Vai fumocar o prédio inteiro ou só decidiu ignorar minha existência?
A mão dela congelou no ar. Um suspiro pesado escapou-lhe antes de enfiar o maço de volta no bolso bruscamente.
— Merda, Arthur… Não dá pra você fazer algum barulho quando anda?
— Eu fiz. Suas antenas é que estavam sintonizadas na rádio melodrama. — Ele encostou na mureta. — Procurei você em todo lugar.
O desconfortável silêncio se instalou de vez entre eles.
— É que… pensei que você talvez precisasse conversar. — A voz dele baixou um tom. — Ou só saber que não tá sozinha nessa bagunça toda.
Ela deu as costas para a vista, encostando-se no parapeito com os braços cruzados.
— Conversar? Agora? A equipe tá desmoronando, o caso está um desastre… e você quer bater papo?
— Hã… — Encolheu os ombros, com o olhar perdido na cidade. — Quando alguém fica encarando o vazio assim, geralmente é porque quer pular… ou precisa desabafar. E torço muito que não seja a primeira opção.
Darcy desviou o olhar, contraindo os lábios. Tal observação tocara em algo profundo dentro de si, mas admiti-lo ainda lhe custava.
— Não vou pular, tô só… revirando algumas memórias. — Ouviu-se uma sirene distante, enquanto se fazia uma pausa. — Nada importante.
Arthur caminhou até o parapeito para ocupar o espaço ao lado dela.
De lá, observou o ritmo noturno da cidade iluminada por luzes de néon cintilantes, o tráfego ao longe e o trem em algum lugar nas sombras.
— Detestei este lugar quando cheguei. Agora… agora acho que se alguém precisar de ajuda aqui, essa cidade não vai ser a primeira a estender a mão.
— Ninguém estende a mão aqui. A maioria só quer sobreviver ao dia. O resto… O resto quer garantir que seja outra pessoa que se dane.
Ele emitiu uma risada baixa.
— Sabe de uma coisa? Quando te promovi a vice, todo mundo achou que eu tinha enlouquecido.
— Provavelmente tinham razão.
— Na verdade… eu já queimei a língua demais confiando em gente errada. — Apoiou os antebraços no concreto ao se inclinar para frente. — Passei anos achando que lealdade era algo que você construía com discursos motivacionais e tapinhas nas costas.
Arthur viu um pássaro cruzar entre os prédios.
— O trabalho já é difícil com gente que acredita demais em você. É insuportável com gente que só quer seu cargo. E é uma merda absoluta quando você descobre que tão enfiando a faca enquanto sorri na sua cara.
Darcy puxou o maço do bolso girou entre os dedos. Depois, guardou-o novamente.
— Eu só não tenho energia para joguinhos. Nunca tive.
— É por isso que funciona. — Ele se virou, encostando as costas no parapeito. — Quando todo mundo está ocupado tentando parecer importante, você está resolvendo o caso. Quando inventam desculpas, você assume a responsabilidade. Até quando erra. É estranho dizer que é isso que faz eu confiar em você?
— Isso não me torna uma boa vice. Só me torna… teimosa.
— Teimosia é o que mantém as portas abertas às três da manhã. Os outros podem não entender, mas eu preciso de alguém que me diga quando estou errado, não quando estou fantástico.
O vento levou um pedaço de papel do chão para o céu.
— E se eu disser que você está sendo idiota agora?
— Aí provavelmente você está certa, mas pelo menos sei que é a verdade.
Darcy riu brevemente, como um riso que esmorece nos lábios antes de se tornar audível.
O vento soprava forte o bastante para bagunçar uma mecha de seu cabelo, a qual insistia em cair sobre o rosto. Arthur viu naquele pequeno gesto algo que dizia mais do que qualquer palavra.
— Você devia parar de fazer isso
— Fazer o quê?
— Me olhar desse jeito.
— Haha, desculpa. Força do hábito.
— Hábito perigoso.
— Pra quem? — Inclinou-se levemente, falando em voz baixa.
— Pra você.
O caráter desconfortável do mutismo entre os dois não vinha do silêncio em si, mas sim do que ele sugeria quando as palavras não ditas formavam um diálogo à parte.
Lá embaixo, o som distante de um carro quebrava o vazio.
— Não sei se percebeu — ela continuou —, mas eu não sou boa em… isso.
— Isso?
Darcy respirou fundo.
— Qualquer coisa que envolva baixar a guarda.
— Não precisa ser boa. Só precisa estar aqui.
Esta arqueou uma sobrancelha.
— Isso soa ridiculamente sentimental pra um homem que passa o dia discutindo relatórios e burocracia.
— Culpa sua. Acho que você tem esse efeito sobre mim.
Ela balançou a cabeça, entre a negação e o esboço de um sorriso.
— Não me culpe pelos seus lapsos de bom senso.
— Não é bom senso. É só… raro encontrar alguém que não esteja tentando se vender como solução pra tudo.
O vento voltou, desta vez mais frio.
— Você devia parar de dizer coisas que fazem sentido demais.
— E você devia parar de fingir que não gosta quando eu digo.
Um olhar foi a forma que ela escolheu para responder. Foi rápido e cortejante. No entanto, ele tinha uma centelha de algo novo. Algo que até Darcy parecia não reconhecer.
A sensação era estranha, pois era uma mistura de leveza e incômodo que se instalava por baixo da pele, onde latejava. O tipo de coisa que ela preferia não pensar, ignorar, catalogar como distração. Todavia, o óbice das distrações residia no fato de que, por vezes, elas tinham conhecimento da rota de retorno.
Ele ainda estava ali, de pé, a poucos passos de distância. A presença de Arthur era tão intensa que poderia ser comparada a uma corrente elétrica. Sentir tensão não era novidade; isso fazia parte de seu trabalho em interrogatórios, reuniões e cada decisão difícil que tomava.
Aquilo, contudo, não se assemelhava àquilo.
Era uma tensão diferente, íntima e curiosamente vulnerável.
As muralhas que foram construídas com tanto zelo eram odiadas quando alguém as atravessava. E, ainda assim, mesmo que parte dela — uma parte que mal ousava existir — quisesse ver o que aconteceria se não fugisse, ela sabia que não poderia fazer isso.
Arthur deu um passo à frente.
— Sabe, é curioso. Quanto mais eu observo, mais entendo por que todos param para ouvir quando você fala.
Um canto da boca dela se contraía em leve sorriso.
— Foi uma cantada?
— É só uma observação profissional.
— Profissional, é? Então você faz esse tipo de comentário para todas?
— Hm… — Pensou, e então sorriu. — Só pra quem me faz perder o sono.
Darcy soltou uma risada curta e incrédula.
— Essa foi boa.
— Não foi bem o que eu quis dizer. — Ele gesticulou, constrangido, sem conseguir disfarçar o riso.. — É que… quando alguém realmente se importa, mesmo quando ninguém mais parece ligar… isso meio que… hã, fica na cabeça, sabe.
Estudou-o, com a cabeça levemente inclinada.
— Você é terrível em consertar as coisas depois que fala demais.
— Acho que funciona pra mim, de vez em quando.
Darcy olhou para o horizonte. Tinha que manter o controle mesmo com o ar diferente entre eles. Ela sentia um misto de hilaridade e inquietação, experimentando uma sensação de desconforto em relação à sua própria condição.
— Arthur… — murmurou, voltando o rosto para ele. — Você devia ter mais cuidado com o que diz.
— Sempre tenho. — O seu sorriso se suavizou. Uma expressão mais serena e genuína tomou seu lugar. — Só que, contigo, não quero ter.
Ao desviar o olhar por um instante, uma vermelhidão tomou seu semblante. O vento soprou com mais força, envolvendo seu sobretudo ao redor do corpo. Quando seus olhos se encontraram novamente com os dele, Arthur estava perto o suficiente para que Darcy sentisse o calor de seu corpo.
— Isso é uma péssima ideia…
— Provavelmente, mas você ainda não saiu correndo.
E esse era o cerne do problema, o motivo pelo qual suas pernas ficavam como que enraizadas no chão, porque, em algum lugar, por trás do medo do que poderia dar errado, existia uma curiosidade devastadora sobre o que poderia dar certo.
E se o temor que sentia não tivesse a ver com uma fragilidade, mas com algo que poderia abrir uma porta? O que se poderia dizer daquele impulso irracional, se não uma distração, mas a coisa mais lúcida que ela sentira em tanto tempo? A vida deles era feita de estimativas de risco, uma avaliação constante de ameaças e probabilidades. Todavia, como se quantifica o valor de um momento de pura incontestável veracidade?
Seu olhar desceu para os lábios dele, que ganhavam uma linha firme e agora pareciam convidativos, e então subiu para encontrar os olhos.
A cidade ao redor desapareceu, reduzida a um borrão de luzes tremeluzentes.
O ruído do tráfego transformou-se num zumbido distante, que o som do próprio sangue pulsando em seus ouvidos abafou. O peso do que não foi dito foi sentido por ela, assim como a atração que vinha sendo dançada por ambos há semanas, talvez muitos meses por meio de uma dança de olhares mantidos por um segundo a mais, de toques acidentais que não eram totalmente acidentais, de palavras de duplo sentido envoltas no manto do profissionalismo.
Aqui, agora, não havia mais disfarces.
Seu queixo se ergueu sem que se percebesse, o que poderia ter sido um movimento de rendição, assim como seus olhos se fecharam.
Foi nesse espaço que o possível se tornou inevitável.
Até que, de repente, ouviu-se um som metálico alto quando a porta da cobertura se abriu. Os dois se afastaram rapidamente.
— Opa.
Os dois se afastaram, envergonhados. Arthur ajeitou o casaco para parecer mais composto. Darcy deu um passo atrás para mostrar que já estava a meio metro dali desde sempre.
— Uau. — disse, arqueando uma sobrancelha com o canto da boca puxando num sorriso travesso. — Cheguei numa hora errada… ou certa?
Ela segurava o tablet com uma das mãos, apoiado no quadril, e olhava de um para o outro.
Arthur pigarreou para assumir uma postura de autoridade, mesmo estando em uma situação comprometedora.
— Fala logo, Monroe.
— Ligação do gabinete do senador Rowley. Tá esperando alguém responsável pra atender. Agora.
Ao engolir o constrangimento na forma de um suspiro, Darcy cruzou os braços.
— Eu vou. — disse, já andando na direção da porta.
Monroe abriu caminho, ainda sorrindo e a acompanhou.
— Isso, vice. Salva nós e depois, quem sabe, termina o que começou aqui em cima. A tensão desse terraço tá matando as plantas
Arthur coçou a nuca, visivelmente incomodado.
Quando a porta se fechou atrás das duas, o silêncio tomou a cobertura de novo.
Este olhou para o horizonte, conteve um riso e balançou a cabeça.
— Merda.

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