Capítulo 07
Alisando sua barba farta, Landon soltou um suspiro resignado.
“Se esse é o seu desejo, então não há nada que eu possa fazer. Você pode voltar para seus aposentos com seus esboços. Eu encontrarei outro novato para ocupar seu lugar.”
Os olhos de Maxi se arregalaram. “Você está… me removendo da competição?”
“Que escolha eu tenho? Já que você não tem a intenção de apresentar aquela runa, eu terei que encontrar outro candidato.”
“Eu posso trabalhar em uma nova-“
“Agora você está sendo egoísta”, disse Landon, franzindo suas sobrancelhas espessas. “Eu não posso deixar uma submissão feita precipitadamente arruinar a reputação da Sala Nome. Ou você apresenta sua runa de golem, ou se retira.”
Maxi mordeu o lábio. Quando pensou em todas as noites sem dormir que investira na esperança de ser selecionada, a desolação que sentia era indescritível. Por que não havia ocorrido a ela se certificar de que sua runa escolhida não ia contra os dogmas da igreja? Seus olhos arderam em lágrimas. Mesmo assim, ela sabia que o Mestre Landon estava certo. Não adiantaria ser teimosa sobre isso.
Ela baixou a cabeça. “Eu… vou me retirar da competição.”
Um novato chamado Armin Dolph foi escolhido para apresentar no lugar de Maxi. O jovem de vinte e cinco anos era bastante alto e chamativo em aparência para um mago da tribo Umri. Ele era bem conhecido entre os novatos por suas habilidades e por ser um homem de poucas palavras.
Maxi capturou seu olhar perplexo quando Landon o convocou. Meio segundo depois, Armin aproveitou a oportunidade com sua expressão habitualmente impassível. Maxi soltou um suspiro amargo. Só podia culpar a si mesma. Afinal, fora seu julgamento ruim que a tinha colocado nessa situação.
“O que diabos aconteceu?”, disse Anette, se aproximando de Maxi. “Você fez algo para irritar o Mestre Landon?”
Sentindo-se envergonhada, Maxi rapidamente inventou uma desculpa. “Houve… um sério defeito na minha runa. O Mestre Landon e eu discutimos extensivamente, e ambos concordamos que seria melhor se eu desistisse.”
“Mas você é a melhor de todos nós em runas. O que havia de errado com ela? Deixe-me dar uma olhada. Tenho certeza de que não é irreparável.”
“N-Não!”
Surpresa, os olhos de Anette se arregalaram.
Maxi passou a mão pelo rosto cansado, lutando para parecer calma. “O Mestre Landon já deu uma boa olhada por mim. Eu… prefiro não falar mais sobre isso.”
As bochechas de Anette tremeram antes dela se virar. Embora fosse óbvio que ela estava chateada, Maxi já estava tendo dificuldade suficiente em controlar suas próprias emoções sem ter que se preocupar com as de mais ninguém.
Perdida em seus pensamentos, ela escapou da oficina comunal para sua próxima aula. Sua cabeça parecia confusa. O que ela faria agora? Para receber uma runa elemental antecipadamente, era preciso alcançar um feito significativo. A maneira mais segura para um novato era mostrar seu talento na competição de runas ou duelos realizada em Urd todos os anos. Maxi já havia perdido sua chance de ganhar o concurso de runas, e ela não sonharia em competir em combate. Magia ofensiva não era o seu forte, para dizer o mínimo.
Ela roeu o lábio. Custasse o que custasse, ela tinha que encontrar uma maneira. Ela entrou no salão no térreo de Urd no momento em que Sidina estava descendo as escadas. A garota correu até ela assim que a avistou.
“Max, o que aconteceu? É verdade que você desistiu da competição de runas?”
Maxi repetiu com meio coração a explicação que havia dado a Anette. Embora Sidina não parecesse convencida, ela se absteve de investigar mais quando viu o rosto abatido de Maxi. Os outros, no entanto, foram mais insistentes. No momento em que Maxi colocou os pés na sala de aula, uns quinze novatos se aproximaram dela e exigiram saber por que ela não estava mais competindo. Repetir a mesma desculpa várias vezes esgotou toda sua energia.
Foi um alívio imenso quando o professor finalmente entrou na sala e começou a lição. Maxi tentou se concentrar na voz suave que enchia a sala enquanto fazia anotações em uma pequena tabuinha de pedra. No entanto, sua agitação tornou impossível se concentrar, e ela acabou passando metade da aula corrigindo seus erros de ortografia. Um impulso violento de atirar sua tabuinha no chão se apoderou dela.
Por que ela estava tão descontrolada? Metade de um ano desperdiçado em uma runa que ela não podia apresentar, e agora ela nem sequer conseguia acompanhar uma aula.
Quando a aula terminou, Maxi saiu da sala de aula, completamente desanimada. Embora alguns dos novatos tentassem conversar, ela não estava com humor para conversa fiada. Depois de responder bastante friamente, ela passou apressadamente por eles e seguiu pelo corredor.
No térreo, ela estava prestes a sair da torre quando avistou um grupo de novatos olhando para o jardim próximo. Ela seguiu o olhar deles para ver cinco homens de capas pretas marchando em fila única através de pilhas de folhas vermelhas.
Maxi semicerrou os olhos para estudá-los melhor. Embora seus rostos estivessem ocultos sob os capuzes, era evidente que eles eram estranhos.
“São novos magos?”, sussurrou um dos novatos.
“Provavelmente mercadores. Aqui para comprar contratar magos ou comprar dispositivos mágicos.”
“Isso é incomum. Não é hora dos navios chegarem.”
Não demorou muito para Maxi perceber que suas suposições estavam incorretas. O padrão prateado bordado na barra das vestes dos estranhos parecia familiar, e levou um segundo para ela identificá-lo — apenas os paladinos dos Cavaleiros do Templo tinham permissão para usar aquele motivo em suas vestes.
Como eles conseguiram entrar na ilha?
A Torre dos Magos guardava inúmeros segredos da igreja. Sua biblioteca estava repleta de livros controversos sobre magia e publicações radicais do sul, e suas oficinas abrigavam inúmeros instrumentos que, sem dúvida, seriam considerados suspeitos pela igreja.
Ela observou os homens de longe, imaginando se estavam ali para uma inspeção não anunciada. Sua especulação logo foi descartada quando viu os magos de Urd saírem para cumprimentar os paladinos. Era evidente, pela maneira tranquila como os magos recebiam os convidados, que a visita não era uma surpresa.
Embora a visão tenha diminuído um pouco sua apreensão, outra pergunta surgiu. Que negócio os Cavaleiros do Templo tinham com a Torre dos Magos? Com que propósito os magos da Torre permitiram essa visita?
Isso não é problema seu.
Um suspiro amargo escapou de seus lábios. Ela não estava em posição de se preocupar com tais assuntos. O futuro da Torre dos Magos era para os magos superiores se preocuparem. Maxi desviou o olhar e começou a se dirigir para os alojamentos.
O tempo fluía como água, rumo a Paxias.1 A ansiedade de Maxi crescia à medida que o tempo passava. Após o fracasso de seu plano de impressionar os magos superiores na competição de runas, ela visitou as oficinas dos magos mais antigos para se oferecer como assistente.
Infelizmente, ela não era a única novata disputando o favor dos magos de alto escalão. A competição acirrada garantia que ela nunca tivesse a oportunidade de provar suas habilidades. Sua única chance agora era uma recomendação do Mestre Landon. No entanto, como cada torre tinha um excesso de talento, ela se perguntava se a recomendação do chefe dos magos seria suficiente para dar-lhe vantagem sobre os outros para receber uma runa elemental dentro do ano.
Todo novato em Nornui compartilhava o mesmo objetivo. Não apenas tal runa lhes permitiria armazenar de cinco a dez vezes mais mana dentro de seus corpos, mas também lhes permitiria lançar livremente feitiços que atualmente só praticavam na teoria. Acima de tudo, isso elevaria seu status dentro da Torre dos Magos.
Embora Maxi soubesse que seria preciso mais do que uma boa avaliação para superar sua concorrência, ela não conseguia pensar em uma maneira de chamar a atenção dos magos mais antigos. Ela se preocupava com o dilema enquanto olhava para o fogo crepitante dentro da fornalha. Se ela não conseguisse elaborar um plano antes da cerimônia de concessão, seria forçada a ficar nesta ilha por mais um ano. A simples ideia já era suficiente para deixá-la louca. Na primavera, ela teria estado aqui exatamente por três anos. Como ela seria capaz de suportar mais um quando os outros já haviam sido tão insuportáveis?
Lágrimas brotaram em seus olhos, e ela as enxugou rapidamente na manga. A saudade de Riftan pesava sobre ela como uma dor física. Ela sentia falta de se aconchegar contra o peito largo dele e ouvir sua voz rouca e baixa pela manhã. Sentia falta do toque de seus cabelos lustrosos envolvendo seus dedos e da forma como ele acariciava gentilmente seu rosto e suas costas.
Era tamanha sua necessidade desesperada de vê-lo que ela até sentia falta dos momentos em que ele estava furioso com ela. Ela se agachou diante do forno e enterrou o rosto entre os joelhos, escondendo seus olhos vermelhos. Foi então que uma voz alta chamou por trás.
“Max!”
- inverno[↩]
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