Capítulo 111
“E-Eu tenho certeza de que você sabe mais do que isso. Mesmo comigo, você…”
“Mesmo comigo, o quê?” Riftan perguntou, erguendo uma sobrancelha.
Maxi mordeu o lábio, então soltou algo que normalmente nunca teria coragem de dizer em voz alta.
“Antes de m-me casar com você… e-eu não sabia… n-nada do… meu próprio corpo, mas você… j-ja sabia. Foi você… q-que me e-ensinou… c-como se fazia,” ela disse, tropeçando nas palavras.
Ela estava o acusando de usar as habilidades que havia aprendido com outras mulheres com ela? Poderia haver algo mais absurdo? Nem mesmo ela conseguia entender por que estava discutindo sobre tal assunto.
Riftan parecia perplexo, como se não conseguisse entender a intenção por trás de sua pergunta.
“Noventa por cento das palavras ditas por mercenários são obscenidades”, ele disse, parecendo excepcionalmente desconcertado. “Sempre que abrem a boca, tudo o que falam é onde e como tocar em uma mulher para deixá-las frenéticas, como se fosse algo para se gabar. Eu tinha que ouvir esse tipo de conversa desde os doze anos. Tudo o que sei são vulgaridades, e, como se vê, metade delas nem sequer eram verdadeiras…”
Ele a encarou antes de desviar o olhar. Ele limpou a garganta e mudou de assunto, aparentemente tentando se livrar do assunto constrangedor.
“De qualquer forma, fico feliz que você não esteja machucada. Está doendo?”
“Eu tenho uma leve dor de estômago… e sinto-me sem energia… mas é suportável.”
“Você parece pálida.”
Ele acariciou sua bochecha antes de se dirigir ao banho com um suspiro.
“Vou tomar banho sozinho. Você deveria se deitar e descansar.”
Maxi fez como ele disse e se enfiou sob os lençóis. Ela ouviu a água do banho batendo atrás dela. Enquanto Riftan se banhava, ela ficou encolhida na cama lutando contra a dor latejante.
Um tempo depois, Riftan terminou seu banho e vestiu um par de calças de algodão. Ele se deitou atrás dela e a puxou para perto, massageando gentilmente seu baixo ventre com sua mão quente.
Maxi gemeu aliviada. Com o calor de seu corpo recém-banhado pressionado contra suas costas, ela sentiu seus músculos tensos relaxando. Ele deslizou o outro braço sob sua cabeça e pressionou os lábios contra seu ombro e bochecha.
“Me incomoda que você tenha que passar por isso. Com que frequência acontece?”
“E-Ela tende a acontecer de forma intermitente”, Maxi respondeu vagamente.
Ela rezou para que ele não percebesse que seu ciclo era diferente das mulheres comuns. Sua ignorância era uma bênção de certa forma. Sentindo-se aliviada e odiando-se por isso, ela se aconchegou mais em seus braços.
O doce e refrescante aroma que era exclusivamente dele mexia com todos os seus sentidos. Ele enterrava o rosto em seus cabelos e respirava fundo como se quisesse inalar tudo dela.
Um suspiro baixo escapou de seus lábios. “Espero que termine logo.”
Era óbvio que seu desejo por ela o afligia. Maxi podia perceber que o sentimento não era por causa de sua necessidade não satisfeita, mas porque ele não queria vê-la sofrendo.
Riftan continuou a acariciar seu estômago tenso e a acariciar o contorno de sua bochecha. Seu toque era leve, como se ela fosse um botão delicado que poderia ser esmagado pela menor força. Maxi traçou as veias proeminentes em seus braços enquanto lentamente caía no sono.
A chuva continuou intermitentemente nos próximos dias. Chuviscava como neblina, encharcando as folhas verdes. O sol dourado ocasionalmente se filtrava pelas nuvens pálidas e pairava sobre o jardim úmido. A beleza revigorante da vista levantou o ânimo de Maxi.
Nos primeiros dias, Maxi sentou-se perto da janela que dava para os jardins e estudou os símbolos que Ruth havia preparado para ela. Quando a dor em seu estômago diminuiu, ela desceu para colher ervas e passou pela torre de Ruth para ler um novo livro ou misturar remédios curativos.
Aprender coisas novas por si só não era tarefa fácil. Era exaustivo ler pergaminhos cheios de texto até que seus olhos ficassem vermelhos, e praticar feitiços sem a orientação de um mago estava se mostrando mais difícil do que ela imaginava.
Ela mal entendia o que estava fazendo, mas avançava desesperadamente com as tarefas que Ruth havia deixado para ela. Embora os dias até agora tivessem sido pacíficos, não havia garantia de que isso duraria.
Anatol era uma terra se preparando para mudanças turbulentas. Coisas novas aconteciam todos os dias, e seu rápido crescimento significava que problemas surgiam o tempo todo. Maxi tinha experimentado mais durante seus seis meses em Anatol do que durante toda sua vida anterior combinada. Esses incidentes a fizeram perceber a importância de estar preparada.
Não seria bom para ela perder tempo. Seus dias começavam cedo para que pudesse estudar runas ou ervas. De vez em quando, também tratava dos feridos no lugar de Ruth. Atualmente, até os soldados que inicialmente desconfiavam dela gradualmente se acostumaram com sua presença.
Suas visitas à enfermaria se tornaram sessões diárias em que tratava de cinco a dez pessoas por dia. Com o tempo, ela começou até a tratar de pequenos problemas como resfriados, dores de cabeça e insônia com vários remédios herbais. Isso se tornou um compromisso em larga escala, a ponto de ser impossível para Riftan não perceber.
Maxi estava na enfermaria em seu horário habitual quando sentiu um arrepio percorrer seu corpo. Virou-se para encontrar Riftan bloqueando a entrada, olhando silenciosamente para ela.
Ao ver sua expressão séria, Maxi engoliu em seco. Atrás dele, Hebaron balançava a cabeça como se o momento da verdade tivesse chegado. Gabel parecia sentir-se culpado por manter em segredo suas visitas; ele estava com a boca cerrada e os ombros curvados.
Riftan se aproximou dela como um tigre à espreita. “Quer explicar o que está fazendo aqui?”
“E-Eu fui informada de que alguém estava ferido… então estava no meio de tratá-lo.”
Maxi olhou nervosamente ao redor antes de adotar um ar de inocência e tratar o tornozelo torcido de seu paciente atual. Os olhos de Riftan se estreitaram ainda mais.
Maxi ofereceu um sorriso tenso enquanto se levantava. “Acho que… meu trabalho aqui está feito. Bem, então… por favor, continuem.”
Com isso, ela tentou sair, mas Riftan não era alguém que desistisse facilmente.
Ele segurou seu braço. “Me disseram que você vem à enfermaria como curandeira há algum tempo… por que não fui informado disso antes?”
“V-Você tem estado ocupado. Não quis… t-te incomodar… com assuntos tão triviais.”
Seu rosto endureceu. “Para de ser ridícula. Você escondeu isso de mim de propósito!”
“E-Eu não escondi de você. Apenas… não mencionei.”
“Essa é sua justificativa? Droga. Eu fui a única pessoa neste castelo que não tinha ideia do que minha esposa estava fazendo o dia inteiro. Me sinto como um tolo! Como você pôde fazer isso pelas minhas costas quando sabe muito bem o quanto me preocupo com você?”
As costas de Maxi se arrepiaram com suor frio enquanto murmurava suas desculpas antes de franzir subitamente a testa para a reprimenda de Riftan. O que ela havia feito para merecer tal crítica? A raiva ardia dentro dela enquanto recordava todos os esforços que havia feito até então.
Ela olhou desafiadoramente para Riftan. “O-Que… exatamente fiz de errado?”
Houve um breve silêncio.
“O quê?”
“Tudo o que fiz… foi tratar dos feridos. I-Isso é algo tão ruim? Ajudar os feridos é… algo para ser criticado?”
“Por Deus, não mude o assunto! Você me prometeu da última vez, lembra? Você prometeu que não iria se sobrecarregar—”
“E-E eu não fiz! Durante as últimas duas semanas, não fiquei sem mana n-nem me senti tonta.”
Quando Maxi se recusou a recuar, uma expressão de desconcerto passou pelo rosto de Riftan.
Maxi continuou: “E-Eu também não fiz nada perigoso. Eu apenas… c-cuidei dos feridos na s-segurança dessas paredes.”
“Por Deus, você é a dama deste castelo! Por que diabos você também precisa assumir o papel de curandeira?”
“P-Porque eu sou capaz!” Maxi exclamou, surpreendendo até a si mesma.
Durante toda sua vida, ela foi dominada pela crença de que era incapaz de fazer qualquer coisa. No entanto, ali estava ela, afirmando sua capacidade miserável e desafiando a vontade de seu marido a quem estava obrigada a obedecer. Teria enlouquecido?
Maxi conseguiu engolir o nó em sua garganta. Ela continuou em um tom mais respeitoso: “Eu sou… atualmente a única pessoa neste castelo que é capaz de magia de cura. Eu não vou… me esforçar demais como da última vez. Minha mana… aumentou… então você não precisa se preocupar comigo desmaiando novamente.”
Mudando sua tática também, Riftan tentou persuadi-la.
“Contratarei um curandeiro o mais rápido possível. Não gosto que você faça isso. Por que insiste em se preocupar quando não precisa?”
“P-Por que… n-não posso me preocupar? Você faz isso… R-Ruth faz isso… e os cavaleiros se submetem a todos os tipos de perigo… então, por que eu sou a única que n-não pode fazer isso?”
“Por Deus! Você não é como nós. Você é filha de um duque!”
O rosto de Maxi ficou vermelho. Pela primeira vez em sua vida, ela foi tomada subitamente pelo desejo de bater em alguém.
“O-O que i-isso tem a ver? A-Até a Princesa Agnes… faz todo tipo de tarefa árdua e arriscada! Então… p-por que a filha de um duque não pode fazer o mesmo?”
Incapaz de pensar em uma resposta, Riftan apenas lambeu os lábios. Hebaron, que estava observando tudo de longe com os braços cruzados, assobiou baixo.
“O comandante está perdendo.”
Riftan lhe lançou um olhar fulminante e voltou a encarar Maxi.
“A princesa é uma grande feiticeira com uma vida inteira de experiência! Como você pode se comparar a ela?”(MDS)
Um suspiro coletivo soou na sala. Hebaron, que estava assistindo à discussão com um sorriso de canto, cobriu a testa com a mão.
O rosto de Maxi empalideceu enquanto olhava para cima antes de abaixar a cabeça. Para sua vergonha, seus olhos ardiam em lágrimas. Mesmo que isso fosse verdade, ele precisava dizer isso na frente de todos? Angústia cresceu dentro dela.
“Droga. O que eu quis dizer foi…”
Maxi friamente afastou a mão dele de seu ombro, e os lábios de Riftan ficaram rígidos de choque. Ela o encarou com raiva antes de sair pela porta.
“Eu não… q-quero falar com você por um tempo!”
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