Índice de Capítulo

    “Vem, vamos embora.”

    Maxi corou e assentiu enquanto Riftan a ajudava a calçar um par de sapatos de couro até os tornozelos. De mãos dadas, eles saíram e desceram uma escada de madeira. Lá embaixo, cavaleiros de armadura circulavam por uma taverna apinhada de mesas e cadeiras, tornando difícil se movimentar.

    Um dos cavaleiros cruzou os braços. “Pensei que íamos passar o dia todo aqui, Comandante. Estamos indo embora agora?”

    Riftan o ignorou e conduziu Maxi para fora.

    Outro cavaleiro se aproximou deles pela porta e reclamou em voz alta. “Vamos lá, Comandante. Não vamos devorar a dama. Não há necessidade de protegê-la tanto—”

    “Feche a boca. Não te avisei para controlar sua língua?”

    Maxi olhou para o cavaleiro com uma expressão perplexa. Ele era um jovem de cabelos cacheados, alto e bem construído. Seu olhar afiado era desaprovador, sem nenhum traço de amizade. Ela se escondeu atrás de Riftan, ganhando um resmungo alto do homem loiro que estava atrás do cavaleiro de cabelos cacheados.

    “É ridículo! Tudo isso só por ser filha do Duque de Croyso…”

    “Já disse para calar a boca!” rosnou Riftan.

    Vendo que ele estava falando sério, os homens ficaram quietos. Riftan virou-se para Maxi e a empurrou para dentro da carruagem.

    “Não ligue para eles.”

    Depois de tranquilizá-la, ele fechou a porta da carruagem com força.

    “Eles não têm amor pelo seu pai, mas você não é mais uma Croyso. Agora você é Lady Calypse — minha esposa. E vou garantir que nunca mais desrespeitem você depois de hoje.”

    Filha de Croyso. Essas duas palavras eram um lembrete vívido de como o relacionamento deles havia começado. Incapaz de pensar em uma resposta adequada, ela manteve os olhos fixos nos joelhos.

    “Meus homens te magoaram?”

    A voz de Riftan estava tingida de preocupação. Com um sobressalto, ela olhou para cima, incrédula. Ninguém nunca se preocupara com seus sentimentos, ainda assim ele estava agindo com cautela diante dela — quase dava para ver o rabo de cachorro nele. Ela sorriu apesar de seu pensamento.

    “Sabe…” começou Riftan, olhando para ela com uma expressão indescritível no rosto.

    “P-P-Perdão?”

    “Esta é a primeira vez que você sorri para mim.”

    Enquanto ele estendia a mão para acariciar sua bochecha, ela sentiu o fôlego prender na garganta. Seus lábios tremiam como se ele quisesse dizer algo, mas em vez disso, ele retirou a mão e gritou pela janela da carruagem como se nada tivesse acontecido.

    “O que vocês estão esperando? Disseram que estávamos com pressa!”

    Alguém do lado de fora resmungou, e a carruagem começou a se mover. No silêncio constrangedor, Maxi lançou olhares furtivos para Riftan. Ele estava apoiando a cabeça contra a janela com os olhos fechados, como se tivesse esquecido de sua presença. Ao ver isso, ela sentiu seus nervos se acalmarem e logo se viu apoiando a cabeça na parede.

    Cansada após dias de tensão e medo, Maxi mal percebeu o violento sacolejar da carruagem. Ela adormeceu, sentindo-se como se estivesse sendo suavemente embalada em um berço.


    A carruagem deixou a vila e passou por vastas terras agrícolas, movendo-se lentamente pelas estradas de terra não pavimentadas. Estava escuro quando chegaram a uma pequena vila perto da Floresta de Eudychal. Maxi nunca tinha viajado tão longe de carruagem, e estava exausta. Riftan, que havia desembarcado para se identificar na entrada da vila, voltou para buscar um saco de dormir e uma lamparina.

    “Vamos passar a noite aqui. Está frio lá fora, então agasalhe-se.”

    Maxi apertou as correias de seu manto e puxou o capuz sobre a cabeça antes de sair da carruagem. Riftan colocou um braço em volta de seus ombros e se foi em direção a seus homens. O cavaleiro que estava conversando com o guarda da vila virou-se ao ouvir os passos de Riftan.

    “Aqui não há habitações adequadas, Comandante.”

    Riftan ergueu a lamparina na mão e rapidamente examinou a área. Quatro ou cinco chalés apagados estavam agrupados no final de um caminho de terra sinuoso. Seguindo o olhar de Riftan, o cavaleiro acrescentou apressadamente uma explicação.

    “Aqueles cinco chalés estão todos ocupados por fazendeiros que foram chamados para a colheita, mas há um celeiro vazio.” O cavaleiro lançou um olhar para Maxi, sua voz se perdendo. “Talvez possamos ficar lá por esta noite…”

    Riftan franziu o cenho e virou-se para falar com o guarda. “Não há uma hospedagem adequada para a dama?”

    “Apenas chalés para abrigar os fazendeiros durante a temporada de colheita, senhor. Poderíamos esvaziar dois deles a seu comando, mas receio que não sejam adequados para sua senhora.”

    “Ainda assim, melhor do que um celeiro. Você será recompensado generosamente se puder providenciar um.”

    Maxi se agarrou ao braço de Riftan, surpresa. “E-Eu estou bem…”

    Ela não se sentia certa em expulsar os servos que haviam trabalhado o dia todo sob o sol. Nem desejava passar a noite sozinha em um chalé escuro e assustador.

    Ela franziu os olhos na escuridão e puxou a manga de Riftan. “Eu n-não quero ficar s-sozinha…”

    No desconfortável silêncio que se seguiu, Maxi percebeu como suas palavras foram recebidas. Ela soltou a manga de Riftan como se estivesse em chamas, o sangue subindo pelo pescoço. Riftan não deu resposta, talvez chocado com sua falta de vergonha. Ela segurou seu vestido, sem ousar olhar nos olhos dele. Os cavaleiros trocaram olhares constrangedores, mas, para seu alívio, logo mudaram de assunto.

    “Está decidido, então? Estou faminto. Vamos descansar!”

    “Você aí! Onde podemos encontrar água? Devemos cuidar dos cavalos primeiro.”

    “Há um riacho perto do moinho. Por aqui.”

    Somente depois que os homens se dispersaram que Riftan segurou a mão de Maxi.

    “Nós também deveríamos ir.”

    “S-Sim…”

    Ela quase teve que correr para acompanhar os passos largos de Riftan. Se não fosse pela rápida reação de Riftan, ela teria tropeçado no terreno irregular inúmeras vezes. Eles seguiram o caminho e pararam diante de uma grande estrutura de madeira que emergia na escuridão.

    Alguns cavaleiros entraram primeiro e penduraram suas lamparinas. Maxi seguiu Riftan para dentro e estudou o ambiente. Onde a luz alcançava, teias de aranha reluziam como o emaranhado cabelo branco de um fantasma. Ela não teria ficado surpresa se um fantasma aparecesse de repente. As tábuas de madeira rangiam sob uma espessa camada de poeira.

    Maxi caminhou na ponta dos pés pelo chão, temendo pisar em insetos ou em um rato. Os homens, por outro lado, colocaram seus sacos de dormir no chão com indiferença e começaram a se despir peça por peça de suas armaduras volumosas. Riftan não foi exceção. Ele espalhou uma quantidade generosa de feno no canto da sala para amaciar seu saco de dormir.

    “Aqui.”

    Mas Maxi não conseguiu se deitar. Certa de que a cama improvisada estava infestada de percevejos, ela só conseguiu se sentar na beira. O celeiro não era pequeno, mas com dezoito pessoas dentro, parecia apertado.

    Riftan tirou sua couraça e grevas. Depois de empurrar a armadura descartada para um canto, ele se esticou e estalou o pescoço.

    “Não vamos encontrar uma cama confortável por dias. Você precisa aguentar até chegarmos a Anatol.”

    Maxi assentiu, abraçando seus joelhos. Ela nunca tinha estado no mesmo cômodo com tantos homens, e estava nervosa. Os cavaleiros, no entanto, estavam ocupados demais acendendo o braseiro e preparando comida para prestar atenção nela.

    Um dos cavaleiros que tinha voltado de dar água aos cavalos colocou a cabeça dentro do celeiro.

    “Comandante! Não há comida suficiente para os cavalos!”

    “Então pergunte ao guarda onde podemos comprar algum grão” respondeu Riftan com um tom prático enquanto desprendia seu cinto de couro.

    “Já tentamos negociar, mas ele diz que o grão não é dele para vender. Os celeiros desta região pertencem todos ao Duque de Croyso.”

    Maxi estremeceu com a menção inesperada do nome de seu pai. Riftan puxou o cabelo para trás e estalou a língua.

    “Parece que ele quer que paguemos mais.”

    “Suas ordens, Comandante?”

    “Apenas pague o que ele quer.”

    “Talvez possamos assustá-lo para que não tenhamos que—”

    Mas a voz do cavaleiro se calou quando ele notou Maxi.

    “Pensando melhor, não devemos dar ao duque motivo para nos criticar. Muito bem, negociarei conforme sua ordem. Só não me repreenda depois quando descobrir que nossa bolsa está mais leve.”

    Com isso, o cavaleiro partiu. Maxi murchou, percebendo que os cavaleiros eram muito mais hostis ao seu pai do que ela havia imaginado. Talvez isso explicasse a atitude indiferente deles em relação a ela.

    Se ela tivesse nascido com os encantos de Rosetta, as coisas teriam sido diferentes? Maxi murchou ainda mais ao pensar na meia-irmã se deleitando com os presentes e cartas de amor trazidos pelos cavaleiros que visitavam regularmente o Castelo de Croyso. Ela só foi tirada de seu auto-tormento quando Riftan saiu da lareira e se aproximou dela. Ela levantou a cabeça para ver uma tigela cheia de batatas quentes, queimadas em alguns lugares por assarem no fogo.

    “Cuidado. Ainda estão quentes.”

    Riftan ignorou seu próprio aviso. Ele pegou uma batata fumegante com uma mão grande e calejada e deu uma mordida. Maxi fez o mesmo, embrulhando cuidadosamente uma batata quente em sua manga antes de descascar a pele queimada para revelar a polpa macia e amarela.

    Ao dar uma pequena mordida, ela foi dominada por uma onda de fome que a ansiedade havia mantido à distância. O céu da boca queimava, mas ela continuou a mastigar e engolir pedaço após pedaço de batata quente. Mesmo os pedaços meio cozidos e mastigáveis pareciam um raro deleite. Ela percebeu que tinha devorado uma batata do tamanho de um punho num piscar de olhos.

    Riftan, que a observava comer, tinha uma batata descascada pronta para ela. Maxi acenou freneticamente com as mãos.

    “Eu já c-comi a m-minha. Você d-deveria ficar com essa, R-Riftan…”

    “Só pegue.”

    Ele pressionou a batata em suas mãos e depois pegou outra da tigela. Sem nem mesmo descascá-la direito, ele deu uma grande mordida. Depois de olhar para sua própria batata, que estava descascada, ela a levou à boca e começou a comer com vontade, soprando de vez em quando.

    Com o estômago cheio, ela se sentiu sonolenta. Seu medo de percevejos foi esquecido, ela deitou a cabeça no saco de dormir. A chama do braseiro no centro do celeiro lançava uma luz fraca nas paredes e no teto. Um por um, os cavaleiros terminaram de comer e arrumaram suas camas.

    Foi ela quem recusou a privacidade da casa, mas ela ainda estava envergonhada com a ideia de dormir entre tantos homens. Ela puxou o cobertor até o queixo. Ao vê-la se mexer, Riftan deixou de lado a espada que estava polindo e deitou-se ao lado dela. Ele envolveu um braço em torno dela firmemente, mas Maxi o afastou.

    “R-Riftan… T-Tem outras p-pessoas aqui…”

    “Ninguém se importa, então fique quieta. Você está com frio, não está?”

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