Índice de Capítulo

    “O que você está olhando?” Riftan perguntou ao se aproximar por trás dela.

    Passando o braço em volta dos ombros dela, ele a levou para longe da janela como se estivesse tirando uma criança distraída de perto do fogo.

    Maxi olhou para ele enquanto ele fechava as cortinas, sentindo uma sensação peculiar de déjà vu. O quarto escuro lembrava uma pequena caverna. Suas sombras tremeluzentes dançavam pelo chão, e o aroma intoxicante de sua união se misturava ao doce sabor do vinho.

    Franzindo o cenho, ela inspirou o aroma calmante e íntimo que deixava sua mente nebulosa. Eles já estiveram presos em uma caverna semelhante antes. Assim como agora, eles se perderam em seu próprio mundo. E Riftan estava escondendo algo dela até então também.

    Maxi mordeu o lábio enquanto ele a guiava de volta para a cama. Sua suspeita de que ele estava tentando desviar sua atenção de algo se fortaleceu. Ele a envolveu em seus braços, superando sua capacidade de pensar com carícias doces e cuidados meticulosos.

    Apesar do desejo ardente de descobrir a fonte de sua inquietação, ela resolveu ser paciente desta vez. Esperaria que ele confiasse nela.

    “V-Você consegue ouvir isso?” ela perguntou, forçando um sorriso. “Eles devem estar realizando outro banquete.”

    Seus olhos escuros, tingidos de cautela, estreitaram-se. Será que ele achava que ela estava pedindo para sair? Após examiná-la em silêncio, Riftan virou-se com aparente desinteresse.

    “Eles não se cansam disso? É impossível dormir com todo esse barulho.”

    Ele pegou o cobertor da cama bagunçada e o espalhou habilmente. Os olhos de Maxi se arregalaram. Ela sentiu irritação em sua voz.

    “V-Você não tem dormido?”

    Foi só então que Maxi percebeu que nunca o tinha visto dormir profundamente. Sua expressão nublou de preocupação.

    “D-Desde quando? Não me diga—”

    “Eu não preciso de muito mesmo, então não se preocupe.”

    Interrompendo-a com um toque de irritação, Riftan fez um gesto para que ela se deitasse. Maxi mordeu o lábio. Apesar de sua resolução de obedecer aos seus desejos, tolerar seu comportamento dominador não era tarefa fácil.

    “N-Nós estamos na cama o dia todo. Estou cansada de ficar deitada.”

    “Suas pernas estão tremendo. Pare de ser teimosa e venha se deitar.”

    Maxi corou sob o olhar desaprovador de Riftan quando ficou de pé desajeitadamente, oscilando como um potro recém-nascido. Será que ele não sabia a razão de ela estar naquele estado?

    Olhando para ele com um olhar severo, Maxi se aproximou. “Não seja assim… v-venha aqui por um momento.”

    Pegando o cobertor dele, ela o jogou na cama. Quando começou a guiá-lo pela mão, Riftan recuou como se tivesse sido queimado.

    Desde que a havia levado embora como uma mulher presa em uma tempestade, ela estava presa em seu redemoinho. Assim, Maxi olhou para o rosto ligeiramente confuso de Riftan com satisfação enquanto o posicionava diante da janela. Ao abrir as cortinas, a suave melodia de flautas e bandolins flutuou para dentro do quarto junto com uma brisa fresca e o farfalhar das folhas.

    “O que você quer que nós façamos?” Riftan perguntou após uma pausa.

    Seu cenho franzido enquanto a observava cautelosamente, uma expressão que ele usava sempre que ela tentava discernir seus pensamentos mais profundos.

    Escondendo a dor surda em seu coração, Maxi fingiu estar calma. “E-Eu gosto dessa música. Eu não sei como se chama… mas sempre quis dançar com ela.”

    “O quê?” Riftan perguntou, com o rosto inexpressivo.

    Maxi puxou gentilmente sua mão, repetindo os passos de uma valsa. Depois de olhar atordoado para ela, Riftan imitou timidamente seus movimentos, permitindo que ela liderasse em vez de dançar de verdade.

    Maxi o encarou. “E-Eu só dancei isso uma vez, sabe. Você deveria estar me liderando.”

    Sem aviso, um brilho perigoso passou pelos olhos de Riftan. Enroscando os braços em volta de sua cintura, ele abaixou o rosto bem acima dela.

    “Aquela foi a sua primeira dança?” ele rosnou ameaçadoramente.

    Ficando tensa, Maxi conseguiu sorrir de maneira desajeitada. Ela sentia os braços dele apertando ao redor dela, e olhou para cima para ver sua expressão — a de um homem prestes a cometer um assassinato.

    “Você escolheu compartilhar sua primeira dança… com outro homem… bem na minha frente.”

    Ao tom sombrio dele, os olhos de Maxi vasculharam furiosamente ao redor, como um rato encurralado procurando uma saída. O medo de reacender brasas moribundas enviou calafrios pela espinha dela.

    Desesperadamente, ela vasculhou seu cérebro, expulsando: “V-Você, também, dançou com outra mulher na minha frente no passado.”

    Riftan estreitou os olhos. “Não invente mentiras. Eu nunca fiz isso.”

    “F-Fez sim! V-Você—”

    Embora ela tivesse dito isso apenas como uma distração, uma onda de raiva a dominou. Relembrando a velha memória, ela o repreendeu com um olhar feroz.

    “Você dançou… com a irmã do Sir Hans.”

    Riftan parecia perplexo. “Sir Hans?”

    Maxi não conseguia dizer se ele realmente não se lembrava ou estava apenas fingindo.

    “Você não se lembra?” ela perguntou, fixando um olhar sério nele. “Sir Hans… é um dos vassalos leais do meu pai. Eu vi você dançando… com a irmã dele em um banquete no Castelo de Croyso. Ela tinha cabelos escuros em uma trança coroa… e um vestido vermelho fluindo. E-Ela era bastante bonita.”

    Os olhos de Riftan se arregalaram quando a memória ressurgiu.

    Mordendo o lábio na desagradável recordação, Maxi apontou sarcástica: “V-Você até… d-desapareceu com ela… depois da dança.”

    Um ruído estrangulado, uma exclamação ou um gemido, escapou de seus lábios.

    Erguendo o queixo altivamente, Maxi manteve seu olhar hostil. Contrariando suas expectativas, porém, ele não parecia nem envergonhado, nem culpado. Em vez disso, ele a encarou com uma expressão pensativa.

    “Você estava me observando?” ele murmurou.

    O calor subiu nas bochechas de Maxi. “T-Todo mundo no banquete estava te observando.”

    Riftan manteve o olhar como se estivesse tentando decifrar seus pensamentos. Irritava-a que ele tentasse ler sua mente quando estava determinado a esconder a dele.

    “Q-Quando os Dragões Brancos visitaram o castelo… as criadas só falavam de você. E não apenas elas. Até as nobres visitantes sussurravam sobre você. V-Você entende… p-por que eu ficaria curiosa.”

    “Para mera curiosidade, você parece se lembrar com grande detalhe, apesar de ter sido há tanto tempo.”

    Algo em seu tom contemplativo deixou Maxi nervosa. Na verdade, ela também estava surpresa com o quanto se lembrava vividamente daquela noite. Ainda assim, não era tão surpreendente se ela pensasse sobre isso.

    Ele não apenas se destacava entre os cavalheiros robustos, mas Riftan sempre fora o centro das atenções. Mesmo as mulheres que o criticavam por sua origem humilde coravam enquanto o observavam de longe. Maxi até testemunhara duas criadas puxando o cabelo uma da outra pela chance de servi-lo.

    Seu rosto endureceu involuntariamente enquanto memórias desagradáveis inundavam sua mente uma após a outra.

    “C-Como eu poderia esquecer?” ela disse, empurrando o peito dele. “V-Você desapareceu com uma mulher que nem era sua noiva. N-Não apenas isso, você voltou descaradamente para o salão do banquete parecendo bastante desalinhado.”

    Um toque de frustração surgiu nos olhos de Riftan.

    Maxi o encarou. “Você, libertino.”

    “Ela se jogou em cima de mim!” Riftan exclamou, magoado. “Eu fui uma vítima involuntária.”

    Maxi bufou, os olhos passando pelos ombros largos e braços de aço dele. “Já tive o bastante. Dançar com você… não é nada divertido.”

    Ao tentar se afastar, Riftan a segurou pela cintura e a levantou do chão. Maxi soltou um pequeno grito. Apoiando suas nádegas com o braço, ele alinhou sua palma com a dela. Fixando um olhar intenso nela, ele sibilou: “Então eu vou te entreter.”

    Com isso, ele girou abruptamente, forçando Maxi a se agarrar ao pescoço dele. Ele os girou pela sala ao ritmo da música fraca, seus movimentos longe da dança elegante e graciosa que ela havia imaginado.

    Maxi o encarou com mau-humor. Mas quando pegou o sorriso travesso em seus lábios, a raiva fervente dentro dela se dissipou. De repente, seus passos se transformaram nos movimentos precisos de uma dança de salão habilmente executada. A sala girava ao seu redor, e ela explodiu em risos.

    Girando como crianças no brilho do sol poente parecia mais íntimo do que qualquer dança de casal formal.

    “Você… homem bobo,” ela disse, rindo contra sua nuca.

    Ela sentiu ele congelar. Seu coração batia sob a fina camada de robe entre eles. Baixando-a para o chão, Riftan ajeitou os cabelos bagunçados atrás da orelha.

    Maxi espiou por cima do ombro dele para o céu, tingido de roxo. Envolto na luz sutil, ele já não parecia um estranho. O homem bonito diante dela era o marido que adorava pregar peças ocasionais nela antes de se abrir em um sorriso.

    Seu coração transbordou de felicidade. Ela afastou sua mente do segredo que ele escondia dela e dos muitos problemas que os aguardavam além desta sala. Nos últimos três anos, nenhuma experiência tinha sido tão dolorosa quanto a falta deste homem.

    Ela envolveu os braços em torno de sua cintura e pressionou a bochecha contra seu peito largo. Sua dança se transformou em um balanço lento. Puxando-a para perto, Riftan descansou a bochecha no topo de sua cabeça.

    “O que você espera alcançar me cativando ainda mais?” ele perguntou, suas palavras se transformando em um gemido no final.

    Sua respiração fez cócegas em sua testa, e Maxi sorriu contente. Era uma delícia saber que tinha tal efeito sobre ele.

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