Capítulo 162
Maxi parou nos degraus e estudou cuidadosamente seus rostos. Enquanto Riftan parecia completamente irritado, a princesa tinha um sorriso satisfeito nos lábios, como um gato que acabara de se banquetear com creme. Era impossível ouvir o que estavam dizendo, mas Riftan claramente não estava em vantagem.
“Por aqui, minha senhora”, disse Elliot.
Maxi avançou timidamente até os assentos de honra. Todos os olhos na sala se voltaram para ela. Controlando o impulso de recuar, Maxi se manteve altiva, a cabeça levemente inclinada com orgulho. Esperou que Elliot puxasse a cadeira ao lado de Riftan para ela e se sentou com graça.
Virando-se para o marido, ela disse com preocupação deliberada: “Estava te esperando em nosso quarto. Estou preocupada que não tenha tido tempo para descansar após nossa jornada cansativa.”
Como se percebesse a crítica sutil, um sorriso de deboche curvou os lábios da princesa enquanto ela girava preguiçosamente o cálice dourado na mão. “Não se preocupe. Sir Riftan e eu aproveitamos um tempo agradável juntos, não foi?”
“Fico feliz em saber que teve um tempo agradável, Alteza”, respondeu Riftan, com raiva borbulhando sob suas palavras.
A princesa pareceu não se importar. “Eu estava sob a impressão de que ambos obtivemos o que queríamos um do outro. Houve alguma parte da nossa troca que o desagradou?”
Embora a raiva fervesse em seu peito, Maxi forçou um sorriso tranquilo. Era ultrajante que a princesa insinuasse algo ilícito entre ela e Riftan. Conforme sua expressão vacilava, Maxi teve que levar o cálice aos lábios para escondê-la.
“Isso está muito forte”, disse Riftan, afastando o cálice dela. Ele colocou um prato de presunto assado e repolho em conserva na frente dela. “Você deveria comer primeiro. Sei que hoje você não teve nada além de pão e carne seca.”
Sua atenção natural acalmou um pouco da indignação de Maxi. Quando ela deu um olhar de superioridade para a princesa, uma leve ruga apareceu na testa lisa da mulher.
A princesa a observou como um gato pensando em como tormentar sua presa antes de se voltar para Riftan.
Inclinando-se para perto, a Princesa Lienna disse suavemente: “Vejo que você ainda tem esse hábito de cuidar dos outros. Lembro-me como você me atendeu com cuidado semelhante quando estava a meu serviço. Sinto falta daqueles dias. Você realmente era um guarda excepcional.”
Um silêncio gelado caiu sobre o salão. Maxi sentiu seus lábios se contorcerem enquanto lançava olhares furiosos para a princesa. Apesar de suas tentativas de se lembrar que a mulher estava deliberadamente tentando provocá-la por ser filha do Duque de Croyso, ela não conseguia afastar a suspeita de um motivo oculto. Será que eles foram amantes no passado? Será que a missão de Riftan foi seduzir a princesa para extrair informações?
Sentindo um fogo queimando em sua garganta, Maxi pegou seu cálice roubado e engoliu o conteúdo. Riftan levantou a mão para detê-la, mas abaixou novamente com uma expressão rígida.
“Faz tanto tempo que tenho medo de não me lembrar mais”, ele disse.
“Bem, eu me lembro muito claramente”, retrucou a princesa. “Estava a caminho da capital pela primeira vez em quatro anos. Isso foi depois da morte de meu marido. Você me salvou, a mim e ao meu séquito, de um ataque de monstros, e decidi naquele momento que você serviria como meu guarda.”
Uma ternura nostálgica surgiu no rosto da princesa quando ela acrescentou: “E você foi um grande conforto para mim em meu tempo de luto.”
Maxi cravou sua faca no grosso presunto em seu prato. Riftan lançou um olhar furioso para a princesa antes de olhar nervosamente para Maxi.
Ela lhe deu um sorriso para mostrar que não se importava. “A carne… está um pouco difícil de cortar.”
“Aqui, deixe-me fazer isso.”
Maxi bateu na mão dele e disse com o tom mais gentil que conseguiu reunir: “Oh, não me deixe interromper sua conversa. Como vocês dois não se veem há tanto tempo… tenho certeza de que têm muito o que conversar.”
“Minha nossa, que esposa compreensiva você tem, Sir Riftan”, disse a princesa.
Maxi começou a cortar o presunto sem dar à mulher um olhar. Ela sabia que Riftan não era o único pisando em ovos. Elliot e Ursuline, sentados ao lado e em frente a ela, também lhe lançavam olhares nervosos. Mesmo assim, Maxi não deixou que isso a impedisse de cortar sua carne em pedaços e empurrá-los mecanicamente para dentro de sua boca.
Embora essa fosse sua primeira refeição farta em sabe-se lá quanto tempo, mal sentia o gosto de alguma coisa.
Como se preocupado com a visão, Elliot cautelosamente ofereceu-lhe um cálice. “Experimente isso também, minha senhora. Não é tão forte.”
Maxi murmurou uma palavra de agradecimento e levou o vinho aquecido aos lábios.
Nesse momento, Breston virou-se da conversa com seus homens para se dirigir à princesa. “Tenho uma pergunta para Sua Alteza Real, se ela permitir.”
Lienna ergueu uma sobrancelha elegante, arqueada como a asa de uma gaivota, e assentiu com seu consentimento.
Inclinando-se sobre a mesa, Breston disse lentamente: “O que a única irmã do Rei de Dristan está fazendo em um lugar assim? Pelo que me lembro, estas terras deveriam pertencer ao Lorde Bernard.”
Pegando uma tâmara vermelha e melada, Lienna a colocou na boca antes de responder secamente: “O conde faleceu há um mês, e as terras estão temporariamente sob meus cuidados. Embora o arranjo seja apenas temporário até que o próximo conde, seja escolhido.”
“O que eu não entendo é por que uma princesa real seria enviada para um local tão perigoso, mesmo que por pouco tempo. Tenho certeza de que Dristan tem outros nobres para o trabalho.”
“Não vejo motivo para explicar os assuntos internos de Dristan para você”, respondeu a princesa gelidamente.
Mas se alguém pudesse igualar a audácia da princesa, era Richard Breston.
“Ah, então deve ser por razões que você não pode compartilhar”, respondeu ele, sorrindo. “Será que foi banida da corte após um escândalo?”
“Eu o aconselho a vigiar sua língua”, disse a princesa, fulminando o nortista com o olhar. “E seus modos, se deseja permanecer como hóspedes neste castelo.”
Breston deu de ombros como se desconsiderasse seu insulto como uma brincadeira leve. Pela primeira vez, Maxi estava grata pela falta de agradabilidade do homem. Claro, ela fez o possível para não mostrar isso.
A refeição continuou nessa atmosfera gelada por algum tempo até que os Cavaleiros do Templo, reunidos no final da longa mesa, se levantaram de seus assentos.
“Nós vamos partir primeiro”, anunciou Kuahel Leon em voz baixa.
Ele então saiu da sala de jantar sem esperar por uma resposta. Maxi aproveitou a oportunidade para se levantar também. Ela não se sujeitaria a essas desagradáveis mais tempo.
Sem olhar para Riftan, ela disse à princesa: “Peço desculpas, mas gostaria de me retirar também.”
“Mas é claro.”
Maxi deu a Lienna um aceno breve, virou-se e saiu do salão. Enquanto subia os degraus com passos firmes, Riftan segurou sua mão.
Ela o olhou furiosamente. “O que é?”
“Eu… queria ir com você.”
“Não será necessário. Você e a princesa parecem se conhecer muito bem, então não quero atrapalhar sua reunião. Garanto-lhe que não me importo nem um pouco.”
Arrancando sua mão, Maxi continuou marchando escada acima.
Riftan correu atrás dela, despejando uma explicação nervosa. “Não interprete mal. Nunca tive um relacionamento pessoal com a princesa. Só servi como sua guarda por três meses, e isso foi há mais de uma década. É só isso.”
Maxi resmungou enquanto continuava a caminho de seu quarto, mas Riftan manteve o passo com ela.
Bloqueando a porta, ele sussurrou com raiva: “É a verdade! Não nego que a princesa tenha manifestado interesse por mim, mas recusei firmemente. Ela só disse essas coisas agora por ressentimento.”
Maxi olhou para cima para ele. Sabia que ele preferiria o silêncio a inventar mentiras. Se ele dizia que nada tinha acontecido, provavelmente era a verdade.
E ainda assim, o fato de outra mulher ter tentado seduzi-lo ainda a perturbava.
“Seja como for… ainda é verdade que a princesa teve uma queda por você.”
Riftan piscou, então balançou a cabeça incrédulo. “Eu não fui mais do que um passatempo para ela. E feriu muito o ego dela ser rejeitada por um simples plebeu. Claro que ela está ressentida.”
“V-Você não entende nada das mulheres”, disse Maxi, olhando para ele com frustração. “Se ela ainda se sente tão forte por algo que aconteceu há mais de uma década, como você diz…”
Ela parou antes de mencionar que a princesa provavelmente tinha sentimentos genuínos por ele. Não havia sentido em revelar a atração de outra mulher por seu próprio marido.
Olhando para o chão com uma expressão sombria, ela murmurou: “Você… homem tolo.”
Um grande suspiro veio de cima. Erguendo a cabeça, ela fitou com descrença o sorriso largo de Riftan. A raiva instantaneamente fervilhou dentro dela.
“O-O que há de engraçado nisso?!” ela gritou, batendo os punhos em seu peito.
Riftan envolveu um braço ao redor de seus membros que se debatiam. “Não há necessidade para todo esse ciúme. Só tenho olhos para você.”
O rosto de Maxi queimou de vergonha. Ela achava o tom dele — de um homem tentando acalmar sua amante mal-humorada — extremamente irritante. Frustrava-a quando ele não percebia seu ciúme ardente, mas seus comentários insolentes a respeito só a irritavam mais.
Agora ele estava beijando sua bochecha, mas ela o empurrou friamente para longe. Sem dizer mais nada, ela entrou no quarto. Riftan continuou a se gabar enquanto a seguia.
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