Índice de Capítulo

    “R-Riftan…!”

    “Fique quieta. Você disse que precisava descansar.”

    “E-eu consigo andar! D-deixe-me descer!”

    Ignorando os protestos de Maxi, Riftan continuou a subir as escadas. No topo, havia um salão vasto com um tapete avermelhado e marrom escuro, ricamente decorado, que levava a uma pesada porta de carvalho. Riftan atravessou o salão e, ao chegar à porta, a apoiou com um braço e girou a maçaneta com o outro.

    “Pelo menos o quarto está em melhor estado” ele disse, colocando-a na cama.

    Maxi olhou curiosamente ao redor do quarto de dormir arrumado e aconchegante. O chão estava coberto com um tapete estampado, e uma coluna de madeira elegantemente gravada ficava no centro do quarto. Ao lado da cama havia uma lareira e uma grande janela arqueada. O brilho do fim de tarde que entrava pela janela iluminava o longo divã e a prateleira que havia sido colocada perto da janela.

    Maxi passou os dedos pelo véu pendurado no canto da cama de cerejeira luxuosa, que estava coberta por espessa roupa de cama de lã. O quarto, pelo menos, parecia ter recebido atenção especial dos servos.

    “Tudo aqui deve parecer tão precário aos seus olhos” disse Riftan, observando Maxi inquieto.

    Ela o olhou confusa. Ele passou a mão pelo rosto e soltou um palavrão.

    “Malditos idiotas. Eu claramente disse a eles…”

    “N-Não. E-esse quarto é adorável. O c-castelo também… e a c-cama é m-maravilhosa.”

    “Não se incomode. Eu já vi o Castelo de Croyso o suficiente para saber. Comparado ao castelo de seu pai, este lugar é um estábulo miserável.”

    “N-Não! I-Isso não é verdade.”

    Mas a exclamação de Maxi deve ter soado vazia, pois não conseguiu dissipar sua carranca. Ela baixou os olhos, ressentindo-se de sua língua tola. De repente, Riftan lhe lançou um olhar irritado.

    “É seu trabalho decorar nossa casa! O castelo não teria caído em tal estado de deterioração se você tivesse vindo aqui mais cedo. Na ausência do senhor, é dever da dama administrar o castelo!”

    “Eu… eu s-sinto muito.”

    “Maldição. O que eu quero dizer é… por que você não decora este lugar como quiser? Eu te darei tanto ouro quanto precisar para comprar o que desejar. Ornamentos caros, novos tapetes…”

    Maxi piscou diante da sugestão inesperada.

    Riftan continuou animado. “As mulheres adoram decorar e escolher móveis, não é? Posso arranjar mais servos para ajudar.”

    Ao ver a expectativa no rosto de Riftan, Maxi começou a suar frio. Ela havia prestado pouca atenção quando sua ama de leite a havia ensinado sobre os deveres de uma dama, duvidando que alguma vez teria a oportunidade de realizá-los. Nunca tendo colocado seu conhecimento em prática, ela não tinha um pingo de confiança em suas habilidades.

    “Você não quer?”

    Riftan estreitou os olhos quando não obteve resposta. Maxi balançou apressadamente a cabeça, relutante em fazer qualquer coisa que pudesse acabar com a generosidade de seu marido.

    Dias de viagem lhe ensinaram uma coisa: Riftan Calypse não tinha a menor ideia do tipo de tratamento que ela sofrera no Castelo de Croyso. Aos olhos dele, Maxi era uma nobre cultivada que havia crescido no luxo e era o centro das atenções de todos. E embora ele fosse pouco refinado, ele estava se esforçando ao máximo para tratá-la assim.

    Maxi sentiu a boca secar. Seu pai provavelmente estava na raiz desse mal-entendido. Envergonhado pelo tropeço de sua filha mais velha, o Duque Croyso nunca a apresentara à alta sociedade. Em vez disso, ele a confinara ao castelo, desempenhando o papel do pai carinhoso que procurava proteger sua filha doente. O público a conhecia como a filha querida, mas enferma, do duque, e Riftan parecia ter aceitado esse rumor como verdade.

    Riftan tinha visto com seus próprios olhos o quão simples e sem brilho ela era. Maxi não conseguia entender por que ele não percebera seu erro1, mas decidiu manter o equívoco pelo maior tempo possível. Se ele descobrisse que, longe de ser uma nobre, ela havia sido tratada como nada além de um incômodo, ele se sentiria enganado.

    Riftan já havia sofrido por três longos anos por causa de seu casamento indesejado. Ele ficaria desanimado ao descobrir que sua esposa havia sido apenas um incômodo para sua família. Isso seria o suficiente para conter sua generosidade.

    Maxi segurou ansiosamente sua saia, incapaz de suportar a ideia de Riftan desprezá-la ou até mesmo ter pena dela. Ela queria que ele a visse como uma dama nobre que nunca conheceu necessidades. Então, em vez de admitir que tinha pouca experiência em administrar um castelo desse tamanho ou em dar ordens aos servos, ela apenas assentiu, desconfortavelmente.

    “Se é isso que você d-deseja…”

    O rosto de Riftan se iluminou.

    “Vou dizer ao administrador para preparar os livros de finanças” ele disse. “Não se preocupe com o dinheiro. O castelo é seu para decorar.”

    E acariciando levemente seus cabelos bagunçados, ele acrescentou: “Este é o seu lar agora.”

    Lar. A palavra se alojou em seu coração, e ela teve que parar de respirar para acalmar as batidas aceleradas em seu peito.

    Ele não quis dizer nada com isso. Não devo pensar demais.

    Maxi respondeu com desinteresse fingido: “V-vou f-fazer o m-melhor para d-deixar este lugar aconchegante.”

    “Ótimo.”

    O rosto de Riftan se abriu em um sorriso satisfeito, e ele plantou um beijo em sua bochecha. Maxi recuou, de repente consciente de que estava sozinha com ele. Seu corpo cheirava agridoce por dias de viagem sem um banho ou troca de roupas. Ela deu um passo para trás.

    “Eu g-gostaria de tomar um b-banho…”

    “Ah. Claro.”

    Riftan virou-se para cheirar a si mesmo e levantou-se com uma expressão mortificada. “Vou dizer às criadas para prepararem sua água de banho.”

    Ele então saiu do quarto para dar instruções à criada. Maxi se levantou da cama e tirou suas roupas sujas no canto do quarto. Quatro criadas logo entraram com um biombo e uma banheira de madeira. Enquanto despejavam água quente na banheira, Riftan tirou sua armadura e a colocou em uma mesa próxima.

    “Nos deixem agora” ele disse às criadas. “Vocês serão chamadas se forem necessárias. Enquanto isso, preparem algo para nós comer.”

    “Sim, meu senhor. Deixaremos suas roupas aqui.”

    Depois que as criadas saíram, Riftan tirou sua túnica suja de suor e sujeira sobre a cabeça e desfez as correias de suas calças. Envergonhada, Maxi virou-se para longe dele. Riftan se aproximou dela para soltar as correias nas costas de seu vestido.

    “R-Riftan…!”

    “Vamos tomar banho juntos.”

    Sentindo sua mão quente deslizando por suas costas nuas, ela soltou um pequeno grito. Ele penteou seus cabelos emaranhados com as mãos e depois os arrastou sobre o ombro para expor sua nuca. Maxi tremeu com a sensação dos lábios macios dele roçando sua nuca.

    “Está salgado.”

    “N-Não… Está s-sujo…”

    Ele a virou para encará-lo e puxou suas roupas para baixo. Ela fechou os olhos, incapaz de olhar diretamente para o corpo nu dele sob a luz.

    “Você não poderia parar de fazer essa cara?” ele exigiu friamente, de repente agarrando seu queixo. “Eu sei que não tenho a aparência bonita de um filho de nobre, mas sou tão horrível de se olhar assim?”

    “Eu n-nunca disse q-que você era h-horrível!”

    Ela abriu os olhos surpresa. Olhando descontente, Riftan a encarou com seus intensos olhos negros. Será que ele era inconsciente de sua própria beleza?

    “Eu só n-não estou a-acostumada a i-isso. E-Estou envergonhada…”

    “É normal para casais casados tomarem banho juntos.”

    “N-Normal…?”

    “Em todos os castelos que visitei, o senhor toma banho com sua esposa” ele comentou friamente, puxando mais uma vez seu vestido.

    Maxi queria perguntar como ele sabia disso, mas fechou a boca quando sentiu uma brisa em sua pele nua. Ela concentrou sua atenção na luz da lareira que suavemente iluminava seu corpo.

    “Isso não é estranho” ele a tranquilizou. “No norte, é costume a dama do castelo servir os nobres e cavaleiros visitantes enquanto eles tomam banho.”

    Ele massageou suavemente seus ombros enquanto falava. Os olhos de Maxi se arregalaram.

    “E-Espera-se isso de mim também?”

    “Você está brincando.”

    Um sorriso selvagem se espalhou pelo rosto de Riftan.

    “Se algum idiota se atrever a fazer esse pedido, eu o banharei no Rio Stemnu2. Você não precisa se preocupar com mais ninguém além de mim. Venha.”

    Seus braços musculosos envolveram sua cintura, e eles entraram na banheira. Água transbordou pelas bordas. Maxi sentou-se abraçando os joelhos na beira da banheira. Riftan, por outro lado, relaxou sem vergonha seu corpo imponente na água e encostou a cabeça na banheira.

    “A água está muito quente?”

    “Está t-tudo bem.”

    Afundada até o queixo na água, ela se encolheu em uma bola e tentou evitar tocar em suas pernas compridas. Riftan, que a observava, puxou o braço dela em sua direção e a colocou em seu colo.

    “R-Riftan…!”

    “Deixe-me te lavar.”

    Ele pegou um sabonete de uma prateleira próxima. Ela tentou se libertar de seu colo, mas ele estava segurando sua cintura tão firmemente que ela não conseguiu se mexer. Então, ele começou a esfregar o sabonete em seus ombros e pescoço.

    “E-Eu c-consigo f-fazer isso sozinha!”

    “Você pode me lavar depois.”

    1. Porque ele é um abestado[]
    2. Um rio que, segundo se diz, flui no submundo[]
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