Índice de Capítulo

    Os dedos de Riftan congelaram. Ainda deitada em seu colo, Maxi o encarava enquanto ele observava as gotas de chuva espirrarem na janela. Parecia estar evitando seu olhar.

    “Eu estava nervoso”, ele disse abruptamente. “O Castelo de Croyso não era o lugar mais confortável para mim.”

    Maxi piscou. Mesmo como um cavaleiro de baixa patente, Riftan parecia mais imponente e confiante do que qualquer nobre. Embora sua maneira de agir tenha faltado refinamento, o ar de distância que sempre o envolvia sugeriu que ele não se importava com as opiniões dos outros.

    Maxi franziu os lábios. “V-Você está mentindo. Como uma pessoa nervosa… poderia ser tão arrogante?”

    “Eu era arrogante?” ele perguntou, franzindo o cenho.

    Inclinando o queixo para cima, Maxi assumiu a expressão mais arrogante que pôde. “Você costumava olhar as pessoas assim… sempre que alguém falava com você.”

    “Eu não fazia ideia de que parecia tão adorável”, disse Riftan, rindo.

    Ele abaixou a cabeça para dar-lhe um beijo nos lábios franzidos. Maxi franzia o cenho enquanto afastava os cabelos dele que picavam seus olhos.

    “E… você costumava… franzir a testa e olhar fixamente para mim… sempre que nossos olhos se encontravam. Era bastante aterrorizante…”

    “Suponho que minha aparência séria seja a culpada”, ele disse secamente. “Eu estava apenas olhando para você.”

    Ele então apertou suas bochechas inchadas, fazendo-a parecer um baiacu achatado. Seu rosto corou e, irritada, Maxi afastou as mãos dele. Sua maneira evasiva parecia acionar algo, e parecia que ela se arrepiava com espinhos.

    Ela o encarou, seus olhos cheios de desconfiança. “N-Não. Você parecia estar irritado com alguma coisa. É por isso que… às vezes… me fazia pensar que você não gostava de mim.”

    Seu sorriso desapareceu, e seus olhos negros se nublaram como se estivesse tentando esconder seus verdadeiros sentimentos. Maxi estudou ansiosamente seu rosto.

    Ele puxou os lábios em um sorriso amargo enquanto murmurava: “Eu achava que você me odiava. Você se enrijecia sempre que eu me aproximava, e parecia aterrorizada sempre que eu tentava falar com você. Eu me sentia como um monstro horrível.”

    Ele pegou uma mecha de cabelo dela que estava espalhada sobre seu ombro e a trouxe até os lábios.

    “Começou a me irritar depois de um tempo, então decidi te odiar também. Eu queria tirar você da minha cabeça para que pudesse ficar em paz novamente.”

    Maxi ficou momentaneamente sem palavras. Ela tentou lembrar a primeira vez que o viu e se perguntou por quanto tempo tinha estado em seus pensamentos. Olhando para trás, ela o viu entrando no castelo com os outros cavaleiros enviados pela família real para resolver uma disputa entre o ducado e Drachium.

    Mesmo no meio de centenas de cavaleiros, ele tinha sido o centro das atenções. Servas tinham disputado a chance de servi-lo, e até mesmo as mulheres nobres convidadas para os banquetes não conseguiam desviar os olhos dele. Maxi, por outro lado, achava difícil entender toda a agitação por alguém que parecia tão frio.

    Riftan estava certo — sua primeira impressão dele foi o que a fez congelar sempre que ele a olhava. Ela nunca teria pensado que alguém pudesse se interessar por ela, e Riftan era um homem extremamente habilidoso em esconder suas emoções.

    Depois de uma pausa hesitante, ela estendeu a mão para acariciar sua bochecha bronzeada. “É por isso que… você passou a não gostar de mim?”

    “Sim.”

    Seus dedos tremeram com sua resposta lacônica. Ela recuou, mas Riftan segurou sua mão e a pressionou contra sua bochecha.

    “Eu odiava como você me cativava tão completamente.”

    Seus olhos ficaram sombrios. Maxi sentou-se e subiu em seu colo.

    “E-Eu nunca… te desgostei. É verdade, eu estava com medo… mas sempre achei que você fosse encantador. É por isso que… eu ficava mais nervosa quando você estava por perto.”

    Seu olhar penetrante parecia tentar determinar se ela estava dizendo a verdade. Então, envolvendo o cobertor em seus ombros pálidos, ele a puxou para um abraço apertado. Sentir-se envolvida em seus braços fortes e quentes era incrivelmente eufórico. Ela encostou a cabeça no oco do ombro dele e exalou um suspiro trêmulo. Será que era assim que um passarinho em um ninho quente se sentia?

    Era como se toda a tristeza, dor, medo e sofrimento se dissipassem no ar confortável que os envolvia.

    Observando as sombras se movendo, Maxi perguntou abruptamente: “V-Você… já se decepcionou comigo?”

    Seus braços firmes se apertaram ao redor dela.

    “Eu…” ela disse com voz fraca, “gaguejo… e perdi nosso filho… e-estou certa de que não sou… a nobreza imponente que você pensa que sou.”

    “Você é tudo o que eu sonhei que seria,” ele disse áspero. “Não, isso não está certo. Você é além do que eu jamais imaginei. Você é incrivelmente corajosa, sufocantemente adorável. Quanto ao filho…”

    Riftan engoliu em seco como se sua garganta estivesse ressecada.

    “Para ser honesto, nem mesmo quero mais um. Você não tem ideia de quanto sangue perdeu naquele dia. Não quero correr o risco de algo assim acontecer novamente.”

    Maxi sentiu um leve tremor percorrer por ele, e ela piscou os olhos marejados. Odiava-se por sentir-se aliviada.

    Era inegável que ele precisava de um herdeiro, sem mencionar que produzir um era seu dever mais fundamental como esposa dele. Sua própria mãe havia passado por várias gestações e abortos para cumprir essa obrigação, às custas de sua própria vida. Considerando a obsessão de seu pai em garantir um herdeiro do sexo masculino, o comentário de Riftan era desconcertante.

    Maxi estreitou os olhos, tentando avaliar sua sinceridade. Riftan abaixou a cabeça para beijar sua pálpebra molhada.

    “Você é tudo o que eu preciso.”

    Suas palavras pareciam ecoar em seu coração. Enquanto se aconchegava contra seu peito, suas sombras mescladas pareciam formar um animal estranhamente moldado. Como seria maravilhoso se pudessem se tornar uma única entidade assim, nunca mais separados. Ela desejava que fossem as únicas duas pessoas no mundo.

    Embevecida pela sensação agradável de sua mão acariciando seu cabelo, Maxi fechou as pálpebras pesadas. Uma calma tranquila se estabeleceu sobre eles enquanto a chuva diminuía.


    Depois que Riftan revogou a declaração de guerra de Anatol, a tensão que envolvia o Castelo de Calypse evaporou imediatamente. Embora fosse óbvio que a segurança nas muralhas ainda estava reforçada, a entrada e saída de mercenários e carruagens carregadas de armas diminuiu perceptivelmente.

    Maxi esperou o momento certo para informar Riftan sobre o esquema secreto de seu pai. Para sua surpresa, Riftan recebeu a notícia com calma.

    “Estávamos esperando por isso. Parece que ele está pressionando os comerciantes para impedi-los de ir a Anatol.”

    O rosto de Maxi caiu. Anatol era um território pequeno cercado por montanhas e possuía pouca terra arável. Por isso, dependia do comércio para a maior parte de seu suprimento de alimentos. Se as grandes guildas de comerciantes deixassem de negociar ali, eles não conseguiriam sobreviver ao ano.

    “E-Então… o que devemos fazer?” ela perguntou, soando angustiada. “Se os comerciantes pararem de fazer negócios conosco… não conseguiremos aguentar o inver—”

    “Não há uma ameaça real,” Riftan respondeu apaticamente enquanto lubrificava sua espada. “Comerciantes do Continente Sul ainda vêm pelo porto. No futuro, grandes quantidades de especiarias e seda passarão por Anatol anualmente. Se algum comerciante parar de vir, será perda deles.”

    Embora sua explicação tranquila fosse um tanto reconfortante, Maxi sabia o quão tenaz seu pai poderia ser. Ela não pôde deixar de se preocupar.

    “E-Ele pode estar… tramando outras coisas. Meu pai n-nunca ficaria satisfeito com esse tipo de retaliação…”

    Com um suspiro, Riftan abaixou sua espada e se aproximou. Ele levantou Maxi e se sentou na beira da cama.

    “Ainda há comerciantes que querem continuar fazendo negócios em Anatol,” ele disse como se estivesse tranquilizando uma criança, “e os comissionamos para ficarem de olho nos movimentos do duque. Você não precisa se preocupar com nada.”

    Maxi baixou a cabeça sombriamente. “D-Desculpe. É tudo por minha causa.”

    “Pare com isso,” ele disse bruscamente. “Nada disso é culpa sua.”

    Ele mexeu no fio de seu cabelo que tinha enrolado em seu punho. Maxi reprimiu um suspiro enquanto estudava seu rosto sério. Parecia que Riftan estava esperando o Duque de Croyso dar o primeiro passo. Ele estaria pronto para lutar no momento em que o duque lhe desse uma desculpa. Toda a situação parecia uma represa à beira do colapso.

    Apesar de suas preocupações, o tempo passou pacificamente, e o Castelo de Calypse começou a se movimentar com preparativos de inverno. O clima ficava mais frio a cada dia, conforme Paxias se aproximava.

    Após duas semanas, até as ansiedades de Maxi diminuíram. As pessoas raramente viajavam para fora de suas propriedades quando o clima estava assim. Mesmo se o Duque de Croyso estivesse tramando algo, ele teria que esperar até o final do inverno para executá-lo. Maxi percebeu que só estaria se tornando miserável se preocupando prematuramente.

    Ela forçou os pensamentos para fora de sua mente. A verdade era que mal tinha tempo para se preocupar. Desde a retirada da declaração de guerra, Riftan estava sempre ao seu lado.

    Ela lançou um olhar rápido para ele enquanto escovava a crina de Rem. Vestido com roupas confortáveis, Riftan alimentava Talon com uma maçã de forma despreocupada. Sua vestimenta casual sugeria que ele não iria para os campos de treinamento ou sair do castelo. Maxi franziu a testa.

    Embora seus dias juntos fossem felizes, ela se preocupava que ele estivesse dedicando tempo demais a ela. Ela sabia em primeira mão como ele estava ocupado. Depois de escovar em silêncio a crina de Rem por um longo tempo, Maxi sondou cautelosamente.

    “N-Não está ocupado? Você não… precisa se sobrecarregar tentando passar tanto tempo comigo. Estou melhor agora e…”

    “A construção da estrada terminou, assim como os preparativos de inverno. A única coisa que resta para mim se preocupar são nossas defesas,” disse Riftan, parecendo ligeiramente descontente. “Minha presença está te incomodando?”

    “C-Claro que não. É só que, no ano passado… você mal tinha tempo para dormir… e agora passar todo esse tempo comigo, eu pensei…”

    “Eu acabei de voltar da campanha no ano passado. Estava ocupado cuidando de uma pilha de assuntos. Não tenho intenção de trabalhar tão duro pelo resto da minha vida.”

    “Gostaria de expressar minha objeção a isso.”

    Surpreendida pelo intruso, Maxi virou-se rapidamente. Um Hebaron descontente estava parado na entrada do estábulo.

    “Você não está planejando me fazer supervisionar todas as sessões de treinamento, está? Já estou atolado gerenciando o alojamento da guarda.”

    “Não fale como se tivesse assumido todo o fardo. Eu sei que você descarregou suas responsabilidades do alojamento da guarda no Elliot,” respondeu Riftan. Ele pegou outra maçã do cocho e a ofereceu para Talon. “Depois de toda a sua brincadeira, é o mínimo que pode fazer sem resmungar.”

    Os lábios de Hebaron se contraíram como se fosse retrucar antes de lançar um olhar para Maxi. Ele suspirou.

    “Nós vamos conversar sobre isso em breve… por enquanto, você é necessário nos aposentos dos cavaleiros. Nossos espiões retornaram do ducado.”

    Maxi estremeceu e ficou imóvel. Riftan lançou a Hebaron um olhar frio.

    “Não vou demorar. Espere por mim lá.”

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