Índice de Capítulo

    “V-Você quer dizer… que talvez não haja um julgamento?”

    “Se a mediação correr bem, sim.”

    Hebaron fitou o vazio e acariciou o queixo como se estivesse avaliando todas as possibilidades.

    “O Rei Reuben anunciou que virá pessoalmente agir como mediador, então tenho certeza de que o Duque de Croyso sentirá alguma pressão. Mas aquele duque arrogante deve estar determinado, visto que chegou tão longe. Não crie muitas expectativas.”

    “M-Meu pai… quer que minha irmã se case com um membro da família real. Se o rei apoiar Riftan… nem mesmo meu pai poderá ser tão agressivo,” disse Maxi numa tentativa de se convencer.

    Hebaron suspirou e coçou a cabeça. “Para ser honesto, não tenho certeza de até que ponto o Rei Reuben estará do nosso lado. Provavelmente ele evitará tirar o título de cavaleiro do comandante, mas duvido que fará um esforço óbvio para protegê-lo do duque. Especialmente se isso lhe custar a inimizade dos nobres. Se há algo que o rei valoriza mais, é a unidade de Wedon.”

    Uma apreensão tomou conta do peito de Maxi. “S-Se eu testemunhar… teremos chance de vencer?”

    Maxi secretamente esperava que Hebaron sorrisse e dissesse para ela não se preocupar. No entanto, quando o cavaleiro deu sua resposta, seu rosto era sóbrio.

    “Não posso garantir como isso terminará. Um julgamento sem evidências substanciais é essencialmente uma batalha de quem está certo. O lado com o argumento mais poderoso está fadado a vencer.”

    Maxi segurou sua saia com os punhos e molhou os lábios ressecados. “Quando… q-quando será a mediação?”

    “Fui informado de que, como regra, o tribunal real não julga casos durante a Paxias. Os nobres que ocupam cargos no Castelo de Drachium devem estar todos presentes para que um julgamento ocorra. Acredito que o Rei Reuben queira resolver esse assunto antes disso.”

    O cavaleiro olhou para o céu como se estivesse calculando o prazo e acrescentou lentamente: “Acho que uma data será marcada dentro de algumas semanas. O comandante partirá para Loverne com alguns dos cavaleiros antes que o duque e o rei cheguem lá.”

    “V-Você acha… que eu poderia ir também?”

    Hebaron hesitou, então soltou um longo suspiro. “Se você conseguir convencer o comandante a levá-la.”

    Maxi pressionou a têmpora. Riftan era um homem obstinado. Tanto que até a mantivera no escuro sobre algo dessa magnitude. Conversar com uma parede seria mais fácil.

    Só de pensar nas discussões que viriam, Maxi se sentiu cansada. Ela cruzou os braços frios.

    “E-Eu entendo,” ela disse gravemente. “Vou… falar com ele.”

    “Por favor, me perdoe por colocar esse fardo em você, minha senhora.”

    Um sentimento de culpa atravessou o rosto de Hebaron, e Maxi balançou a cabeça.

    “N-Não, estou grata por você ter me contado. Não saber de nada… teria sido pior.”

    Maxi voltou imediatamente para seus aposentos e esperou por Riftan. Sua cabeça estava prestes a explodir de tanto tentar pensar em uma maneira boa de começar a conversa.

    Deveria ficar brava com ele por esconder tudo isso dela, ou deveria implorar e persuadi-lo? Depois de andar de um lado para o outro na frente da lareira, ela se jogou na cama, com a cabeça latejando terrivelmente. Ela estava olhando para o dossel quando seus olhos de repente arderam em lágrimas. Ela não sabia por que estava chorando.

    Estava claro que seu pai não tinha nenhum afeto por ela, então não era que ela estava decepcionada com esse fato agora. Simplesmente a doía que Riftan fosse quem estivesse pagando o preço. Maxi apertou os olhos. Ela não podia permitir que ele fosse colocado em uma posição tão desonrosa onde seria repreendido e forçado a se defender diante de um grupo de nobres altivos.

    Sua determinação se solidificou à medida que suas lágrimas secavam. Ela não se importava mais com a vergonha ou o ridículo que sofreria. Se necessário, ela revelaria seu passado sombrio por completo. E daí se ela se tornasse o assunto de conversas sussurradas?

    No entanto, a ideia de Riftan se tornar objeto de ridículo e pena partiu seu coração. Eles não o desprezariam por ter uma mulher como ela como esposa? Cheia de vergonha, Maxi cobriu o rosto com as mãos.

    Eles teriam que fazer o duque retirar sua acusação antes que fosse a julgamento formal. Seu pai valorizava sua reputação acima de tudo; se ele soubesse da intenção dela de testemunhar, isso poderia mudar sua mente.

    Ela estava imersa em tais pensamentos quando ouviu a porta se abrir. Maxi saltou para os pés. Os olhos de Riftan se arregalaram diante de sua aparência desgrenhada, e seus lábios se curvaram em um sorriso.

    “Você estava tirando uma soneca?” Ele atravessou o quarto e passou os dedos pelo cabelo bagunçado dela. “Será que eu te cansei muito na noite passada?”

    Ele sorriu brincalhão para ela como se nada estivesse errado. Maxi olhou para ele com olhos turvos, suas esperanças de que ele pudesse explicar a visita do mensageiro evaporando no ar. Ele não ia lhe contar nada.

    Depois de morder o lábio, Maxi finalmente conseguiu encontrar suas palavras.

    “Eu vi… o mensageiro de Loverne… entrar no castelo um tempo atrás.”

    O sorriso de Riftan vacilou. “Nossos convidados vão partir em alguns dias. Eu designei servos para atendê-los, então você não precisa se preocupar.”

    “Você não vai me contar… o motivo da visita deles?”

    Segurando uma ponta de esperança, Maxi o encarou tristemente. Riftan desviou o olhar e deu uma resposta evasiva.

    “Alguns dos comerciantes estão planejando empreendimentos com Anatol como base. O conde também quer participar dos negócios.”

    O rosto de Maxi se tornou rígido. “Isso é um pouco diferente… do que eu ouvi.”

    Os olhos de Riftan imediatamente ficaram guardados. Ele se levantou e deu um passo para trás da cama.

    “Que bobagem você ouviu, e de quem?” 

    “N-Não foi bobagem. Foi… um fato que você deveria ter me contado antes.”

    Riftan estreitou os olhos. Ele balançou a cabeça e deu um sorriso frio e displicente. “Eu não sei o que você ouviu, mas quero que você esqueça.”

    Maxi se levantou e ficou diante dele. Embora desejasse parecer confiante, a disparidade entre suas estaturas a fez sentir ainda menor e mais vulnerável. Ela fortaleceu seu coração vacilante e o encarou.

    “Você não pode… me afastar de problemas como este para sempre, Riftan.” Tentando ao máximo articular cada uma de suas palavras, Maxi respirou fundo e continuou. “Principalmente quando… é meu pai que está te atacando.”

    “Quem te contou sobre isso?” Riftan rosnou ferozmente. “Foi Ruth? Hebaron? Apenas esses dois ousariam ir contra minhas ordens.”

    “I-Isso não é importante. Devemos discutir o que vamos—”

    “Eu não preciso da sua ajuda!” Rugiu Riftan. “Eu te imploro, apenas me deixe lidar com isso!”

    “C-Como eu posso?!”

    Afogada em desespero, o peito de Maxi se erguia enquanto ela lutava por ar.

    “Como eu posso… fingir ignorância?! Você teimosamente se recusa a admitir que é minha culpa… mas é! Se você perder sua cavalaria… será por minha causa! Você… q-quer que eu carregue essa culpa pelo resto da minha vida? É isso… o que você quer?”

    Ela bateu os punhos em seu peito com raiva.

    “Nada do que você diz mudará alguma coisa,” disse Riftan, segurando seus pulsos. “Se você pensou que eu permitiria que você testemunhasse em tribunal, então você não me conhece de jeito nenhum. Eu posso lidar com isso sem você se envolver!”

    Lágrimas brotaram em seus olhos. Maxi tentou contê-las e o encarou através de sua visão embaçada.

    “P-para de ser tão teimoso! Meu pai também vai apresentar uma testemunha. Você precisa de a-alguém para te defender.”

    “Mas nunca será você,” ele sibilou entre os dentes cerrados. “Se a situação piorar, terei Ursuline ou Elliot testemunhando, então fique fora disso.”

    “N-Não será tão eficaz quanto ter eu! Eu sou filha do duque… e a causa de tudo isso. Meu testemunho… t-terá mais credibilidade!”

    “Quantas vezes eu preciso dizer não?!”

    Como se estivesse encurralado, o rosto de Riftan se torceu maliciosamente.

    “Você quer que eu… te force a fazer isso para me proteger? Te colocar diante daquele povo abominável e te obrigar a revelar tudo o que você tentou desesperadamente manter escondido? Eu preferiria ser despojado da minha cavalaria!”

    Maxi desejava desesperadamente ser forte o suficiente para agarrá-lo e sacudi-lo até que ele voltasse à razão. Como sua dignidade poderia ser mais importante do que sua honra? Comparada ao seu título, propriedade e reputação, sua dignidade não era nada.

    “E-Eu… não me importo,” suplicou Maxi. “Eu… apenas estaria testemunhando sobre o que aconteceu naquele dia. N-Não seria difícil.”

    “Isso é suficiente. Eu não quero mais discutir sobre isso.”

    Empurrando sua mão para longe, ele virou-se e dirigiu-se para a porta. Maxi sentiu uma chama de raiva subir ao vê-lo se afastar. Imediatamente, ela foi atrás dele e puxou sua túnica.

    Assim que Riftan virou-se surpreso, ela gritou: “Não ouse pensar em sair! Eu vou testemunhar… não importa o que você diga! Se você não me levar… então eu irei por conta própria!”

    Os olhos de Riftan se tornaram frios.

    “Você quer que eu te prenda?” ele rosnou com uma fúria igual à dela.

    Maxi olhou de volta chocada antes de sua expressão se tornar decidida. “V-Você está dizendo que vai agir como meu pai fez?”

    O sangue fugiu do rosto de Riftan. Enfiar uma faca em seu coração não teria provocado a mesma expressão do que Maxi viu agora. A melancolia em seus olhos instantaneamente drenou toda a luta dela. Com um suspiro, ela envolveu seu corpo rígido em seus braços.

    “Desculpe. Eu não deveria ter d-dito uma coisa dessas! Você não é nada como meu pai. Eu sei que você só está t-tentando me proteger.”

    Riftan respirou fundo e olhou para baixo para ela. Ela nunca o havia visto tão vulnerável. Segurando seu rosto, Maxi beijou a ponta do seu queixo.

    “Por favor, tente entender. Assim como você quer me proteger… eu também quero fazer tudo o que posso por você. Me dói… n-não fazer nada… quando você está em apuros. Por favor… não me force a suportar tal tormento.”

    “Eu…” Sua voz saiu sufocada. Ele se libertou do aperto dela e disse: “Eu preciso de tempo para pensar sobre isso.”

    “R-Riftan…”

    Maxi estendeu a mão para impedi-lo, mas decidiu contra isso e abaixou as mãos. Ela não queria pressioná-lo ainda mais. A mediação ainda estava um pouco distante, e ela levaria seu tempo para convencê-lo. Ela olhou desanimada enquanto ele saía do quarto como se estivesse fugindo.

    Ser comparado ao Duque de Croyso deve ter sido um choque para Riftan. Desde a discussão deles, ele não levantava mais a voz ou a ameaçava. Ela aproveitou ao máximo seu momento de fraqueza e foi persistente em seus esforços para convencê-lo.

    A poucos dias da partida para Loverne, Riftan finalmente ergueu a bandeira branca. O momento de rendição foi quando Maxi ameaçou sair secretamente para Loverne sozinha se ele se recusasse a levá-la consigo. Também ajudou que a mediação fosse apenas uma pequena reunião entre o duque, o rei e algumas testemunhas — uma proposta melhor do que tê-la testemunhando em tribunal.

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