Índice de Capítulo

    Maxi procurou o rosto do mordomo em busca de sinais de desprezo por sua gagueira. Mas Rodrigo não demonstrou nenhuma emoção enquanto colocava os talheres de prata e o copo na mesa. Aliviada, ela começou a comer a comida que o atendente lhe servia. Ela havia adormecido sem jantar na noite anterior, e comer pouco mais do que pão grosso durante a viagem a deixara faminta.

    Ela começou com uma colherada de sopa rica antes de passar para o pão macio, recém-assado, espalhando-o generosamente com manteiga e geleia. Embora geralmente comesse pouco, a visão de uma comida tão apetitosa após dias sem uma refeição adequada havia despertado um apetite voraz nela. Ela terminou a espessa sopa e uma fatia de torta de carne com prazer antes de limpar o paladar com cidra de maçã doce. Mesmo que não estivesse tão faminta, a comida tinha um sabor excepcional.

    “Gostaria de mais, minha senhora?”

    “E-Eu já c-comi bastante, o-obrigada.”

    Ela limpou a boca com um guardanapo e se levantou da mesa. Após sair do salão de jantar, Rodrigo a guiou pelo castelo enquanto contava a história de Anatol.

    “O Castelo Calypse foi construído há 150 anos por Sir Anatol, um cavaleiro Roemiano. Após a queda do império, os ataques de monstros se tornaram mais frequentes nesta área, e os Sete Reinos gradualmente perderam o controle dessa região. Há quarenta anos, a região foi incorporada a Wedon por causa de sua localização. Naquela época, esta área mal estava povoada. Era uma terra selvagem onde os monstros vagavam livremente.”

    Rodrigo continuou enquanto a conduzia pelo corredor. “Mas há dez anos, Sir Riftan Calypse, com dezoito anos na época e recém-cavaleiro, tornou-se o novo lorde de Anatol. Ele ordenou uma reforma completa do castelo, e as muralhas foram erguidas novamente. A população triplicou graças ao Senhor Calypse fortificando o castelo contra ataques de monstros.”

    A voz do mordomo estava cheia de admiração e respeito. A repreensão do dia anterior na frente dos servos não diminuíra sua lealdade.

    “Isso dito, o foco estava mais na utilidade do que na beleza arquitetônica” Rodrigo acrescentou quase que pedindo desculpas. “O castelo é bastante austero em aparência.”

    Maxi sorriu constrangida. Sua missão agora estava clara.

    “Q-Quantos cômodos há no t-todo?”

    “Mais de cem quartos só na torre principal. A torre e o anexo têm cerca de quarenta câmaras. Quando você conta os alojamentos dos guardas e os quartos dos cavaleiros, são 250 quartos.”

    Sua resposta a deixou desanimada. Como ela poderia redecorar tantos quartos?

    Mas Rodrigo não tinha terminado.

    “Cinco salas de estar, dois salões de banquetes e salas de refrescos em cada andar… mas nenhum tem sido usado há décadas” lamentou ele. “Os cavaleiros não apreciam chá. Devo confessar, faz muito tempo desde que preparei um bom bule de chá.”

    Ela imaginou Riftan segurando uma xícara de chá delicada. A imagem era terrivelmente desfavorável. Vendo Maxi rir sozinha, Rodrigo deu uma tosse discreta.

    “Você gosta de tomar chá, minha senhora?”

    “E… eu gosto.”

    “Então mandarei o pajem preparar os refrescos. Nada além das melhores folhas de chá para você, minha senhora.”

    “O-Obrigada.”

    Um sorriso suave se espalhou pelo rosto enrugado do velho, e Maxi sentiu sua ansiedade dissipar. O mordomo parecia ser uma alma gentil.

    “Vamos seguir para o próximo cômodo?”

    Rodrigo continuou sua explicação enquanto subia as escadas. “Você já deve estar ciente, minha senhora, mas a sala de jantar fica no primeiro andar ao lado do grande salão, e o quarto de dormir de Vossa Senhoria fica no terceiro andar. O estudo do Senhor Calypse está localizado na extremidade norte do mesmo andar. O segundo andar abriga o salão de banquetes e os aposentos de hóspedes, e a biblioteca pode ser encontrada no quarto andar.”

    “Há uma b-biblioteca?”

    “Sim. O lorde possui uma coleção de cerca de 8.000 livros, embora a maioria seja da época do Império Roemian. Gostaria de ver a biblioteca?”

    Ela hesitou por um momento. Livros eram caros; Riftan talvez não apreciasse que ela mexesse neles. Maxi balançou a cabeça.

    “T-Talvez d-depois…”

    “Claro. Então vamos seguir para a sala de estar e o salão de banquetes.”

    Ela concordou. As salas de estar e os salões de banquetes serviam à função vital de receber convidados, e parecia prudente inspecionar os cômodos antes de planejar sua decoração. Ela seguiu Rodrigo até o salão de banquetes.

    O quarto estava completamente vazio, não havia um único candelabro pendurado no teto abobadado. Maxi ficou boquiaberta diante do espetáculo sombrio. Um arrepio subiu do chão de pedra, e uma corrente de ar entrava pelas rachaduras nas janelas.

    “Nunca realizamos um banquete aqui, você vê…” Rodrigo se interrompeu envergonhado.

    “V-Vocês devem ter tido c-convidados…”

    “Os únicos convidados que visitam o lorde são cavaleiros que não se importam com bailes ou banquetes. O Lorde Calypse abre os barris de vinho para tais convidados de vez em quando, mas nunca realizou um jantar formal com outros lordes. A reconstrução do castelo e das muralhas exigiu tanto ouro que nenhum poderia ser poupado para o entretenimento de convidados.”

    Rodrigo suspirou. “Depois de anos sem uso, parece que o senhor esqueceu completamente a existência desses salões.”

    Maxi resistiu à vontade de agarrar os cabelos em exasperação. Riftan pode ter conseguido evitar a realização de banquetes até agora, mas agora era um homem de influência, aclamado como o cavaleiro mais forte do continente. Mais cedo ou mais tarde, os convidados iriam se reunir ao castelo. Ela não podia deixar o castelo no estado em que estava.

    “P-Por favor, peça aos comerciantes para v-virem o mais rápido p-possível.”

    Rodrigo assentiu ansiosamente, e então a conduziu para a sala de estar e os aposentos de hóspedes. A sala de estar não estava em condições melhores, mas os aposentos de hóspedes pelo menos tinham algum mobiliário básico. Havia camas sólidas e lençóis limpos em cada quarto, e elegantes prateleiras ocupavam os espaços junto às janelas. Maxi percorreu os quartos com os olhos antes de seguir Rodrigo para os alojamentos dos servos no primeiro andar.

    “Os homens vivem no anexo, e as criadas dormem no primeiro andar da torre para que possam atender aos chamados a qualquer momento. Você só precisa tocar o sino em seu quarto para chamá-los, mesmo nas pequenas horas da noite.”

    Segundo Rodrigo, um total de oitenta e sete servos trabalhavam no castelo, um número que parecia estar longe de ser suficiente para manter um castelo tão grande. Talvez, no entanto, não houvesse necessidade de mais mãos com o mestre do castelo ausente por tanto tempo. Depois de apresentar Maxi às criadas, Rodrigo a levou para a espaçosa cozinha, a última parada do passeio. Lá, ela sentiu um calor que não havia sentido em outros cômodos.

    Ela examinou o enorme forno cuspindo chamas e as lareiras que revestiam a parede. Um caldeirão do tamanho de uma banheira borbulhava sobre brasas vermelhas. Em um forno aberto sob a saída de ar, um veado assava em um espeto.

    Os criados se ocupavam amassando massa, descascando batatas, fatiando carne defumada em pratos e lavando uma verdadeira montanha de pratos e tigelas na pia. Rodrigo apontou para a agitação e começou a explicar.

    “A cozinha é o lugar mais movimentado do castelo. Os criados mal conseguem descansar, pois precisam cozinhar para os cavaleiros e soldados todos os dias. Estamos com pouca mão de obra, então todos os criados do castelo são mobilizados para preparar o almoço e o jantar.”

    “Então é p-por isso que n-não havia c-criados nos outros c-cômodos…”

    Maxi resolveu silenciosamente pedir a Riftan para contratar mais criados.

    “Vamos para o anexo, minha senhora?”

    Sob o sol, os jardins pareciam ainda mais áridos. O lugar estava cheio de ervas daninhas, e a árvore sem folhas ao lado do pavilhão poderia muito bem ter sido cortada.

    Maxi franzia o cenho. O grande salão era o orgulho de todo lorde. Os jardins que levavam à entrada da torre principal eram sempre projetados para impressionar os convidados, pois eram a primeira coisa que os visitantes veriam. Por esse motivo, seu pai garantia que os portões do Castelo de Croyso fossem decorados com flores de várias cores e árvores bem cuidadas durante todo o ano.

    Os jardins não precisam ser extravagantes, mas eu preciso melhorar o lugar para que ninguém possa ridicularizá-lo.

    Ela esfregou as têmporas, confusa sobre por onde começar as reformas.

    “N-Não há nenhum j-jardineiro?”

    “Os criados geralmente se revezam limpando os jardins…” respondeu Rodrigo, enxugando o suor na testa. “Quer dizer, não temos nenhum jardineiro.”

    Os criados não podiam ser culpados. Era responsabilidade do lorde e da dama manter o castelo apresentável. Quando Riftan partiu para a longa campanha, a tarefa deveria ter ficado com ela. Naquele momento, ela finalmente entendeu a repreensão anterior de seu marido.

    “Eu g-gostaria de ver o a-anexo agora.”

    “Certamente, minha senhora. Por aqui.”

    Ela seguiu Rodrigo pelos jardins e por um caminho estreito de terra. Alguns carvalhos de aparência antiga lançavam sombras delicadas no caminho.

    “No passado, o anexo era a residência dos parentes do Lorde Anatol, mas desde então foi renovado para servir de alojamento para os escudeiros.”

    “Há m-muitos e-escudeiros aqui?”

    “Por volta de trinta, eu diria. Após o Lorde Calypse assumir o comando dos Dragões Brancos, muitos lordes enviaram seus filhos aqui. Após um período de aprendizado, eles serão armados cavaleiros e formalmente se juntarão à ordem.”

    Rodrigo parou. Maxi fez o mesmo e parou onde estava. Em uma clareira ampla no final do caminho, um grupo de jovens que não pareciam ter mais do que quinze anos estavam em fileiras, empunhando espadas de madeira.

    “Ah, é a hora do treinamento deles. Devo anunciar sua presença, minha senhora?”

    “N-Não… eu n-não quero i-interrompê-los. P-Podemos ver o anexo d-depois…”

    Maxi agitou as mãos, então congelou. Diante dos jovens estava Riftan, alto e imponente.

    “Parece que o Senhor está supervisionando o treinamento deles” disse o mordomo, sua voz subitamente nervosa ao ver a figura imponente de Riftan de pé na sombra de uma árvore.

    “Eu acho melhor voltarmos, minha senhora. O lorde não aprova ninguém interferindo nas sessões de treinamento.”

    “V-Vamos v-voltar, então.”

    Diante da sugestão de Rodrigo, ela se virou. Estava prestes a dar um passo quando alguém segurou seu pulso.

    Ajude-me a comprar os caps - Soy pobre

    Regras dos Comentários:

    • ‣ Seja respeitoso e gentil com os outros leitores.
    • ‣ Evite spoilers do capítulo ou da história.
    • ‣ Comentários ofensivos serão removidos.
    AVALIE ESTE CONTEÚDO
    Avaliação: 100% (5 votos)

    Nota