Índice de Capítulo

    Ruth massageou as têmporas enquanto examinava o livro-caixa. Maxi buscou o rosto dele, com a cabeça baixa como a de uma criança que acabara de ser repreendida. Depois de inspecionar os recibos cuidadosamente, Ruth suspirou alto e passou a mão pelo rosto.

    “Eu nem sei por onde começar, minha senhora. São todos estes os recibos?”

    “S-Sim, são!” ela conseguiu responder apesar de querer se enfiar em um buraco no chão.

    Ele estreitou os olhos para a pilha de pergaminho e fechou o livro-caixa com um baque.

    “Está tarde. Vamos continuar amanhã” disse ele, sombriamente.

    “V-Você podia me m-mostrar agora…”

    “Olhe para o estado deste livro-caixa. Não é algo que podemos resolver em um dia.”

    Maxi ouviu os dentes dele rangerem. Não havia mais nada que ela pudesse dizer. Desanimada, ela assentiu.


    Na manhã seguinte, Maxi correu para a biblioteca assim que acordou. Lá, foi recebida por Ruth bocejando.

    “Você veio cedo” ele disse.

    Maxi pôde perceber pelo visual desarrumado que ele tinha dormido no canto da biblioteca novamente. Ela estreitou os olhos. Ela havia saído de seu quarto ao amanhecer para evitar ser humilhada pela língua afiada de Ruth na frente dos serviçais, mal tendo tempo suficiente para lavar o rosto. Mas eis que o homem que a assustara noite anterior estava relaxando sem se preocupar com o mundo.

    “Vamos dar uma olhada na lista de compras primeiro. Devemos cancelar os pedidos desnecessários imediatamente.”

    Ruth se levantou do canto e sentou-se à mesa. Maxi se sentou do outro lado, passando os dedos pelo cabelo despenteado.

    “O c-comerciante v-vai v-vir esta t-tarde. D-Diga o que e-eu d-devo c-cancelar, e e-eu f-farei.”

    “Muito bem” ele disse, organizando os papéis por data.

    Maxi segurou sua saia enquanto ele inspecionava os papéis.

    “Vinte derham por uma laje de mármore com um kevette de comprimento e largura… Você escreveu a moeda errada. Era vinte liram, e isso é um preço barato.”

    Ela suspirou aliviada, mas Ruth não havia terminado. Batendo na mesa com a ponta dos dedos, ele suspirou e continuou a explicar minuciosamente.

    “É realmente necessário trocar o piso de ambos os salões por mármore? As pedras estão a apenas alguns anos de idade. Suponho que não há nada que possamos fazer agora, já que a construção já começou. Bem, Lord Calypse merece um pouco de luxo, então vamos deixar assim mesmo.”

    “M-Mas a c-construção do s-salão g-gigante não c-começou a-ainda… ainda h-há t-tempo para c-cancelar…”

    “Se assim desejar, minha senhora”, ele respondeu secamente e virou a página. “Nada mais parece errado. Corrimões, grades para a varanda, molduras de janela, cortinas e tapetes, tapeçarias, móveis, lustres, esculturas, uma fonte… fonte?!”

    Sua voz plana subiu abruptamente. Maxi recuou como se tivesse sido chicoteada nas costas. Ele virou a cabeça, os olhos estreitos. Maxi não conseguiu olhá-lo e começou a gaguejar desculpas em uma voz quase inaudível.

    “O-O comerciante d-disse que f-ficaria es-esplêndido no j-jardim…

    “Você sabe quanto trabalho dá manter uma fonte? A canalização sozinha requer uma construção em grande escala! E a fonte será feita de mármore e cristal! Este maldito comerciante está tentando enganar a propriedade Calypse!”

    Maxi encolheu-se diante do grito de indignação dele. Mas a reprimenda dele não terminou ali.

    “E de quem foi a ideia de usar vidros de alta qualidade para todas as janelas? Apenas os imperadores roemianos da era passada pagariam por tal extravagância! Você tem ideia de quanto custa vidro?”

    “O-Os v-vidros do C-Castelo d-de C-Croyso eram t-todos d-vidro…”

    “Seu pai é facilmente um dos homens mais ricos dos Sete Reinos! Mas não é apenas uma questão de acessibilidade. As janelas de vidro são impraticáveis porque não isolam. Seria o mesmo que deixar as janelas abertas.”

    Ruth bateu no peito em frustração e continuou.

    “E lembre-se, minha senhora, que os terrenos de treinamento dos cavaleiros estão no pátio. O dia chegará em que esses tolos errarão sua aura de lâmina em um show de força e quebrarão o vidro caro. Além disso, o vidro risca facilmente, e os serviçais terão que trabalhar o dobro para mantê-lo polido. Já estamos com pouca mão-de-obra como está.”

    Esses pontos nunca haviam passado pela mente de Maxi. Ela permaneceu em silêncio.

    O rosto de Ruth amoleceu apenas quando ele terminou de examinar os recibos.

    “Vejo que nem tudo listado aqui foi encomendado ainda. Vamos substituir as janelas do grande salão, do salão de banquetes e de algumas suítes de hóspedes por vidro. Vidro Balt ou uma cobertura dupla podem ser usados para os quartos restantes. Adicionar persianas seria prático para o inverno, para que as janelas possam ser abertas ocasionalmente para a circulação de ar. Isso deve ser mais do que suficiente para mostrar aos visitantes nossa riqueza.”

    Ele tirou um novo pedaço de pergaminho e desenhou uma planta do castelo, indicando os salões e quartos que mencionara. Maxi olhou fixamente e assentiu.

    “Eu c-compreendo. V-vou d-dizer ao c-comerciante.”

    “E aquela fonte de cristal nem vale a pena ser discutida” disse ele, descartando o pedaço de pergaminho em sua outra mão. Ele então mergulhou uma pena no tinteiro para ela e abriu o livro-caixa em uma página em branco.

    “Agora, minha senhora. Vamos tentar registrar as compras novamente com cuidado, sem os itens com preços exorbitantes desta vez.”

    Maxi olhou nervosamente para a pena. Ela estava esperando que Ruth tomasse as rédeas.

    “E s-se eu c-cometer m-mais e-erros…”

    “Você terá que cuidar das contas no futuro. Se você cometer um erro, eu ajudarei a corrigi-lo. Mas você deve tentar primeiro, minha senhora.”

    Sua mente ficou em branco ao olhar para o livro-caixa. Incapaz de se lembrar de uma única coisa que havia aprendido, ela começou a vasculhar os recibos em pânico. Ela tinha que anotar qualquer coisa que conseguisse.

    Quando conseguiu se recompor, começou a copiar nomes de itens e despesas, começando pelo recibo mais antigo. Desta vez, seus registros incluíam não apenas a quantidade e o custo dos itens comprados, mas também o número de trabalhadores contratados, seus salários e o período de seus contratos.

    À medida que os cálculos se tornavam mais complicados, gotas de suor frio brotavam em sua pele. Ela adicionava, adicionava e adicionava novamente. Mas quanto valia cada moeda? Quanto mais ela pensava nisso, mais profunda era sua confusão.

    Depois de assistir a sua luta em silêncio, Ruth interveio com um franzir de sobrancelhas.

    “Perdoe-me se estiver errado, mas parece que você não conhece as conversões de moeda.”

    “E-Eu sei!” Maxi respondeu apressadamente, apertando mais a pena.

    Ruth a olhou com dúvida. Ela sentiu a boca ficar seca.

    “É s-só que… E-Eu n-nunca c-comprei nada p-por mim mesma… então eu fiquei um p-pouco c-confusa…”

    “Quanto são sessenta liram em soldem?”

    “Q-Quatro?”

    Ela soltou a primeira resposta que veio à mente depois de contar apressadamente com os dedos. Vendo os olhos de Ruth estreitarem, ela inspirou profundamente e se corrigiu.

    “T-Três!”

    “Quanto são vinte e quatro denar em soldem, então?”

    “Um…”

    “Quantas moedas de derham você receberia por dez liram?”

    Ruth continuou a escrutiná-la. Ela estava à beira das lágrimas, com o rosto queimando de vergonha.

    Ele descobriu que sou incompetente além da esperança. E se ele contar para Riftan que sou uma tola estúpida e gaga?

    Enquanto abaixava a cabeça com medo, Ruth agarrou a cabeça e gemeu.

    “Nem mesmo a Princesa Agnes era tão ignorante sobre assuntos mundanos! Sua vida foi tão protegida assim?”

    Ela mordeu os lábios. Ruth, também, ficou em silêncio. Finalmente, ele quebrou a quietude com um grande suspiro e tirou uma pequena bolsa de dentro de sua túnica.

    “Olhe atentamente.”

    Ele tirou duas moedas de prata da bolsa. Uma era uma moeda espessa, com um diâmetro aproximado do comprimento de seu dedo médio. Uma imagem de um pássaro abrindo as asas estava impressa nela. A outra moeda era pequena e fina, e tinha apenas dois terços do comprimento de seu dedo mínimo de largura. Ruth bateu na moeda maior com a ponta do dedo.

    “Esta grande moeda de prata é uma liram. A moeda foi cunhada durante o tempo do Império Roemiano e circulou amplamente por todo o continente. E esta pequena moeda de prata aqui é um dehram. Doze dehram fazem uma liram.”

    Ele apontou para a moeda menor antes de continuar.

    “O dehram tem origem em Lakazim, no Continente Sul. O comércio com os reinos do sul tem sido mais ativo nos últimos anos, então estamos vendo uma maior entrada dessas moedas. Elas podem ser pequenas, mas são estáveis e têm muito valor.”

    Ela examinou a pequena moeda. Era a primeira vez que ela via dinheiro real de perto. Depois de colocar a moeda na palma da mão para poder ver seus detalhes, Ruth retomou sua explicação.

    “Em uma balança, é preciso exatamente doze dehrams para equilibrar o peso de uma liram. É por isso que doze dehrams podem ser trocados por uma liram.”

    As próximas moedas que saíram de sua bolsa eram de ouro. Uma tinha o tamanho de uma liram e a outra o tamanho de um dehram.

    “A moeda grande é chamada de soldem, e está em circulação desde a era Roemiana. A menor moeda de ouro é chamada de denar, e é de Lakazim, assim como a menor moeda de prata. Um soldem pesa tanto quanto doze denar, o mesmo que o valor de uma liram para um dehram.”

    “P-Por que eles p-produzem m-moedas tão p-pequenas no C-Continente S-Sul?”

    “O comércio no Continente Sul é muito mais desenvolvido do que o nosso. Se as moedas tivessem muito valor, o comércio em pequena escala entre indivíduos não seria possível.”

    Ele franzia o nariz com irritação por ter que dar explicações tão detalhadas. Maxi não estava totalmente certa se tinha entendido, mas optou por não perguntar mais. Ruth colocou as moedas de volta e continuou sua lição.

    “O ouro é vinte vezes mais valioso do que a prata. Um soldem pode ser trocado por vinte lirams, e um denar por vinte dehrams.”

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