Índice de Capítulo

    Maxi, que estava ocupada anotando o pedido de Ludis, olhou surpresa para cima. Rodrigo estava parado na porta, parecendo angustiado.

    “O-Que foi?”

    “Um homem chamado Rob Midahas está em nossos portões com trinta cavaleiros. Ele diz ser um nobre do Sul de Livadon, mas não tem nenhuma identificação para provar.”

    “R-Rob Midahas?”

    Maxi franziu a testa. O nome era desconhecido. Livadon ficava a oeste e era aliado de Wedon, e como tal era o reino com o qual Wedon mais interagia. Mas os nobres de Wedon não necessariamente conheciam os nobres de Livadon. Maxi, que havia levado uma vida reclusa no Castelo de Croyso, dificilmente poderia conhecê-los. Ela deu a Rodrigo um olhar envergonhado.

    “E-Ele disse por q-que está aqui?”

    “Ele diz ter vindo até aqui para encontrar o Senhor de Anatol e oferecer sua amizade.”

    “E então p-podemos simplesmente d-deixá-lo entrar?”

    “Minha senhora, não podemos permitir que homens armados entrem em nossas terras sem confirmar sua identidade primeiro”, Rodrigo disse em um tom incomumente severo.

    “A área ao redor de Anatol é assolada por monstros, então comerciantes e mercenários que vêm para Anatol muitas vezes carregam armas, mas só são permitidos entrar se puderem fornecer uma identificação adequada ou mostrar seu brasão de família. É uma precaução caso alguém tente saquear nossas terras enquanto o senhor está ausente.”

    A cor sumiu do rosto de Maxi. Ela sentiu seus acompanhantes segurarem a respiração de medo. Ela ficou parada, nunca tendo enfrentado uma crise assim. Logo, no entanto, ela conseguiu se acalmar.

    “Quem ousaria saquear a terra sob a proteção dos Dragões Brancos?”

    “Nunca podemos ter certeza, minha senhora”, uma voz interveio.

    Maxi virou-se para ver quem era o falante. Ruth devia ter ouvido as notícias, pois estava se aproximando deles com um olhar sombrio.

    “Todos no continente sabem que nossos cavaleiros estão na capital participando das celebrações da vitória. É suspeito que eles nos visitem enquanto o senhor está ausente.”

    Maxi se sentiu enjoada.

    “V-Você também acha q-que eles estão aqui para nos atacar?”

    “É certamente possível. Como herói da Campanha do Dragão, Sir Riftan recebeu uma grande parte do tesouro encontrado no covil do dragão. Aqueles cegados pela ganância podem tentar roubá-lo, mesmo arriscando fazer um inimigo dos Dragões Brancos.”

    “P-Precisaremos lutar contra eles, então?”

    “Se ele continuar sendo irracional. Mas ele tem trinta cavaleiros com ele…”

    Ruth franziu o cenho antes de continuar.

    “Se esses homens são cavaleiros de verdade, será difícil lidar com eles. Até mesmo um cavaleiro de baixo escalão vale por dez sentinelas, então se houver um cavaleiro de alta patente entre eles, haverá problemas.”

    Maxi engoliu em seco. Ruth parecia estar antecipando um confronto sério.

    “A situação piora se esse homem realmente for um nobre de Livadon. Ele pode se ofender por recusarmos a entrada e usar sua influência política para retaliar, ou até mesmo iniciar um conflito armado. O cessar-fogo pode ter parado a guerra entre os Sete Reinos, mas continuamos a ver conflitos mesquinhos entre a nobreza.”

    “E-Então o que d-devemos fazer?”

    “O que você gostaria de fazer, minha senhora?” Ruth perguntou de volta, com seu olhar firme.

    Maxi recuou e encolheu os ombros. Como senhora do castelo, era seu dever manter Anatol seguro na ausência de Riftan.

    “Eu…”

    Para seu horror, seus dentes estavam batendo. Maxi mordeu os lábios e tentou recuperar a compostura.

    “E-Eu irei para os portões e tentarei f-falar com ele pessoalmente. Vou d-decidir o que fazer depois que t-ter determinado quem são essas p-pessoas.”

    “Sim, acho que é uma boa ideia”, Ruth concordou prontamente. “Eu vou acompanhá-la. E caso isso se agrave, devemos levar os guardas do castelo conosco. Rodrigo, vá informar ao Sir Obaron e ao Sir Sebrique sobre a situação.”

    “I-Imediatamente!” Rodrigo disse antes de sair correndo.

    “Venha comigo, minha senhora.”

    Ruth começou a se afastar. Maxi entregou o pergaminho em suas mãos para um acompanhante e correu atrás dele. Quando finalmente alcançou o jardim, viu Qenal se aproximando com dois cavalos. Ruth rapidamente pegou as rédeas dele.

    “Você sabe montar a cavalo?”

    “E-Eu sei.”

    Maxi assentiu, embora nunca tivesse montado um cavalo tão grande sozinha. Com a ajuda de um servo, ela se arrastou para cima da égua marrom magra. Ela teve que segurar as rédeas e pressionar as coxas contra a sela para evitar cair. Satisfeito com o desempenho dela, Ruth montou seu próprio cavalo.

    “Os guardas devem estar nos esperando no campo de treinamento. Siga-me.”

    Ruth galopou para fora do jardim. Maxi fez o mesmo. Quando passaram por um portão, Maxi viu cerca de trinta guardas em formação. Um cavaleiro idoso, de cabelos brancos, estava à frente deles. Quando Ruth se aproximou, o cavaleiro virou o cavalo.

    “Ouvi dizer que algum bastardo louco está causando tumulto nos portões”, ele rosnou, batendo na espada à sua cintura. “Esta velharia estava começando a sentir falta do gosto de sangue.”

    “Você não vai lutar com eles, Sir Obaron. Sua tarefa é proteger a senhora.”

    “O quê?”

    O velho cavaleiro lançou um olhar desapontado para Maxi. Maxi reprimiu o impulso de recuar e avançou com cautela.

    “O-Obrigada, S-Sir Obaron.”

    O velho cavaleiro coçou a bochecha timidamente com um dedo grosso em resposta ao cumprimento cauteloso dela.

    “Fique tranquila, minha senhora. Comigo aqui, esses caras não vão poder causar muitos problemas.”

    Ele então voltou ao seu lugar à frente dos guardas e os liderou rapidamente para fora dos portões. Ruth galopou atrás deles, sinalizando com a cabeça para Maxi segui-los. Ela os seguiu enquanto atravessavam a ponte levadiça, o som das patas dos cavalos acelerando seu coração. Sua ansiedade só aumentava enquanto galopava pelo bosque que ela havia visitado com Riftan não muito tempo antes. Ela cerrou os dentes para evitar morder a língua.

    Maxi seguiu os guardas por uma colina íngreme e através da cidade movimentada abaixo. Ela estava aterrorizada, nunca havia cavalgado a tanta velocidade antes. Suas mãos tremiam enquanto segurava as rédeas o mais forte que podia. Depois de uma eternidade, o baluarte finalmente apareceu à vista, e um dos guardas posicionados acima dos portões saiu correndo para encontrá-los.

    “Vocês chegaram!”

    Ruth e Sir Obaron desmontaram de seus cavalos. Maxi só conseguiu desmontar com a ajuda de um guarda.

    “Onde está esse homem que diz ser um nobre de Livadon?”

    “Ele está bem aqui fora dos portões. Por aqui.”

    “Por aqui, minha senhora.”

    Maxi seguiu os homens pela rampa com as pernas rígidas. Assim que chegou ao parapeito, viu trinta jovens a cavalo. Seus rostos estavam bronzeados, e eles estavam vestidos com túnicas pesadas com uma longa espada em cada cintura. Ruth olhou para baixo e os abordou em voz alta.

    “Quem entre vocês é o nobre?”

    “Sou eu, Rob Midahas!” respondeu o homem no cavalo castanho.

    Maxi olhou para o falante. Ele tinha cabelos castanhos-dourados e um porte corpulento, e parecia ter uns trinta e poucos anos. Ele franziu os olhos e encarou diretamente Ruth.

    “Você é o Senhor de Anatol?”

    “Sou apenas um servo. Nossa senhora está aqui em nome do senhor.”

    Ruth apontou calmamente para Maxi, que estava ao lado dele. Quando o olhar afiado do estranho caiu sobre ela, ela deu um passo para trás instintivamente. O homem curvou os cantos dos lábios num esgar.

    “É um prazer conhecê-la. Tenho certeza de que você foi informada de que sou Rob Midahas, o Senhor de Kaysa, uma propriedade no Oeste de Livadon. Venho fazer amizade com os Dragões Brancos após ouvir sobre a vitória deles sobre o dragão. Espero que me recebam bem.”

    Maxi olhou para Ruth, mas ele permaneceu de braços cruzados. Ele claramente não tinha intenção de responder ao homem. Tentando soltar sua língua rígida, Maxi abriu lentamente a boca para falar.

    “Ouvi… que você não tem nada para provar sua identidade. Não posso permitir… que indivíduos não identificados entrem!”

    “Perdemos tudo em nossa jornada até aqui. Seu clérigo pode confirmar minha identidade assim que nos deixar entrar.”

    “A-Anatol não recebe hóspedes não identificados. E-Esta é uma ordem de nosso senhor, e não podemos desobedecer suas ordens. V-Volte quando tiver uma nova i-identificação.”

    O homem franziu o cenho e respondeu com voz irritada.

    “Não consigo entender uma palavra do que você está dizendo. Deixe-me falar com alguém que possa falar direito!”

    Maxi empalideceu diante do insulto descarado. Ela congelou, mas logo Ruth se colocou à sua frente como se fosse defendê-la.

    “Você está falando com a Senhora de Anatol. Respeite as boas maneiras.”

    “Eu só disse a verdade! Não consigo entendê-la!”

    Maxi segurou sua túnica, reprimindo o impulso de fugir. Ela reuniu toda a coragem para falar mais uma vez.

    “C-Como eu disse… V-Volte q-quando tiver s-seus documentos de identidade! N-Não vou abrir os p-portões!”

    “Nós passamos por covis de monstros para chegar a Anatol! E vocês, viajantes cansados, querem que a gente volte sem descanso?”

    A voz do homem ficou mais ameaçadora e sua atitude mais dominadora. Maxi encolheu-se, os lábios tremendo. Com uma expressão furiosa no rosto, o homem começou a gritar ainda mais alto.

    “A Senhora de Anatol é tão desonrosa assim?”

    “E-Eu…”

    “Voltarei com centenas de cavaleiros se me negar a entrada agora. Não vou esquecer este insulto!”

    “S-Sem identificação, eu n-não posso—”

    “Seu clérigo pode confirmar minha identidade! Eu já disse isso!”

    Enquanto o comportamento do homem continuava a se tornar mais ameaçador, um familiar senso de terror paralisou Maxi. O suor frio escorria de sua testa.

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