Índice de Capítulo

    A investigação das ruínas estava indo bem, mas os magos não conseguiam encontrar pistas que pudessem apontar para a base dos monstros. Atualmente, eles estavam em uma sala gravada em élfico. Anette estava decifrando os caracteres enquanto Maxi estava ao seu lado, copiando a língua antiga em um pedaço de papel.

    “Acho que este lugar é uma sala de aula”, disse Anette, coçando a cabeça.

    Maxi estreitou os olhos. Embora fosse menos proficiente em élfico do que Anette, até ela conseguia discernir que a escrita nas paredes era para fins educacionais. Estavam divididas em três seções, cada uma contendo a história do assentamento, convenções e leis. Como Anette apontou, esta câmara provavelmente foi criada como uma sala de aula para educar as gerações futuras.

    Aumentando o brilho de sua lâmpada, Maxi olhou ao redor da sala espaçosa. Pilhas de tábuas de pedra esculpidas estavam espalhadas por toda parte. Como a terra da região era muito estéril para cultivar plantações ou grama para o gado, seria difícil para as pessoas que viveram ali adquirir pergaminhos. Portanto, eles só podiam registrar coisas gravando-as em pedra.

    Algumas salas continham diários, poemas e até rabiscos aleatórios. Parecia que gravar palavras em pedra era parte da vida diária dos magos. Havia simplesmente muitos registros, tornando difícil para a equipe de expedição filtrar informações pertinentes.

    “Tudo isso vai levar anos para traduzir”, Anette disse com um suspiro, baixando uma tábua de pedra no chão.

    Sidina estava copiando registros alguns passos de distância. Ela deu de ombros ao comentário de Anette.

    “Não deve demorar mais do que alguns meses se mais Serbels nos ajudarem.”

    Maxi balançou a cabeça. “Ruth me disse… ele acha difícil decifrar os textos também porque não está familiarizado com este dialeto específico de élfico.”

    “Isso não é só uma desculpa?” Anette disse com acidez. “Já se passaram mais de dez anos desde que esse homem deixou a Torre. Ele poderia ter esquecido o élfico.”

    Rindo, Sidina respondeu: “Duvido muito. Ouvi dizer que ele já foi considerado tão promissor que alguns até o sugeriram como o próximo Chefe da Torre.”

    Anette e Maxi olharam para Sidina com ceticismo. Pela forma como Calto olhava para Ruth — como se ele fosse um inseto sob os pés —, era difícil imaginar que Ruth já tivesse sido uma figura tão importante em Nornui.

    “Bem, suponho que sua habilidade em magia avançada de fogo, apesar de ser um mago de Sigrew prove seus talentos, mas…” Anette se interrompeu enquanto escalava a parede usando os ossos salientes como apoios. Com um pincel, ela retirou uma grossa camada de poeira que cobria um bloco de texto específico.

    “Eu não acho que ele seja bom o suficiente para ser o próximo Chefe”, ela continuou de forma cínica. “Quero dizer, nada nele transpira dignidade.”

    Incapaz de negar seu ponto, Maxi riu constrangida. Independentemente da verdade, Ruth ainda era seu primeiro mentor. Era doloroso para ela falar mal dele com os outros. Ela rapidamente tentou mudar de assunto.

    “E-Eu não acho… que vamos encontrar pistas do exército de monstros nesta sala. Deveríamos ir para outra?”

    “Vamos descansar um pouco primeiro. Estou faminta”, disse Anette, pulando da parede.

    As mulheres se sentaram no centro da sala entre as luzes oscilantes. Enquanto beliscavam suas rações de pão e carne seca, elas folheavam os textos antigos que haviam copiado em pergaminho.

    Os cavaleiros se recusaram a deixar o lado dos magos nos primeiros dias. Uma vez que ficou claro que a caverna estava livre de perigo, eles mudaram sua atenção para explorar as ruínas. Embora fornecessem uma escolta sempre que os magos mudavam de local de investigação, eles saíam para realizar suas próprias tarefas assim que todos estavam instalados, gravando textos ou estudando os dispositivos mágicos.

    Afinal, que mal poderia advir de horas sentados no mesmo lugar, copiando textos e examinando ossos? Sem dúvida, os paladinos pensavam que era mais produtivo explorar as ruínas do que ficar de guarda sobre as tarefas dos magos. Em última análise, o objetivo dos Cavaleiros do Templo era localizar a base do exército de monstros, não estudar relíquias.

    Maxi mordeu o lábio enquanto lutava para passar por um dos registros. Ela desejava desesperadamente encontrar uma pista também. Embora investigar as ruínas fosse certamente interessante, pensar na ameaça pairando sobre o Continente Ocidental a deixava cada vez mais inquieta a cada dia.

    Depois de dar uma mordida em seu pão duro e gelado, Sidina perguntou: “O que vai acontecer se não encontrarmos nada antes de acabarem nossos mantimentos?”

    Anette deu de ombros enquanto pegava uma pedra de fogo de sua bolsa para acender uma pequena fogueira. “Bem, certamente não podemos morrer de fome aqui. Teremos que sair bem antes disso. Não estamos copiando todos esses registros antecipando essa possibilidade?”

    Ela sacudiu as cópias que tinham feito até agora.

    “Enquanto tivermos esses documentos, podemos continuar nossa pesquisa sobre os magos das trevas. Estou te dizendo, todos na Torre ficarão pulando de excitação quando virem isso. Já consigo imaginar os magos de Urd salivando para serem os primeiros a estudá-los.”

    Sidina esfregou as mãos juntas e disse com malícia: “Então, vamos pegar algumas páginas para nós?”

    Maxi riu da brincadeira da garota antes de voltar sua atenção para os registros.

    Depois de observá-la silenciosamente, Anette perguntou: “E você, Max? O que pretende fazer?”

    Parando de embeber pequenos pedaços de pão duro e gelado em sua cerveja gelada, Maxi olhou para Anette perplexa.

    “Quero dizer, depois da investigação”, Anette elaborou.

    “O-O-Oh, eu voltaria para Anatol, é claro.”

    “Eu sei o quanto você está desesperada para ir para casa, mas…” Anette hesitou, franzindo as sobrancelhas escuras. “O que você acha de voltar para Nornui conosco?”

    Quando Maxi olhou para sua amiga surpresa, Anette coçou o coque bagunçado e acrescentou: “Eu sei que você está encantada pelo Matador de Dragões, mas não acho que ele seja tão legal com você1. Pensei que ele a adorasse quando veio correndo até aqui… mas pelo modo como ele tem te tratado ultimamente, não acho que seja o caso.”

    “A-Ah, isso não é verdade! O-O Riftan—”

    Surpresa, Maxi estava prestes a argumentar quando pressionou os lábios juntos. A memória de seu comportamento impessoal feriu sua confiança. Ele tinha sido devoto a ela, mas isso foi há três anos. Embora continuasse a protegê-la e a cuidar dela, a paixão que ele uma vez teve havia desaparecido. Como Anette apontou, seu relacionamento atual parecia muito unilateral.

    Vendo Maxi sem palavras, Anette disse com um suspiro profundo: “Apenas pense sobre isso. Se você voltar para Nornui, será tratada com respeito enquanto continua seus estudos. Não seria uma pena perder uma oportunidade dessas por causa de uma estátua fria de um homem?”

    O rosto de Maxi corou. Seria tão óbvio até para os outros que ela estava sozinha em querer que o relacionamento deles funcionasse? Dominada pela desolação, seus ombros se curvaram quando uma voz familiar chamou pela sala.

    “Aqui estão vocês.”

    O mago da água Royald entrou carregando uma lanterna.

    “Estive procurando vocês, magos da Salão dos Gnomos, por um tempo. Venham, me sigam. Joel descobriu uma sala que não está no mapa. Gostaríamos que vocês a examinassem com magia antes de entrarmos.”

    “Uma sala que não está no mapa?” Anette perguntou, arqueando uma sobrancelha.

    Royald assentiu. “Isso mesmo. Uma câmara secreta, talvez. Vamos nos apressar.”

    A pedido dele, as mulheres juntaram suas coisas e saíram da sala. Coincidentemente, encontraram Elliot no corredor. Surpreso, o cavaleiro correu até o grupo.

    “Já terminaram de investigar aqui, minha senhora?”

    Maxi assentiu. “Quase. Estamos a caminho de ver uma sala recém-descoberta.”

    “Pode ser perigoso”, disse Elliot, franzindo a testa. “Vou trazer mais homens para nos acompanhar. Vocês podem esperar um momento?”

    Royald tentou dissuadi-lo. “Isso é realmente necessário quando os cavaleiros lá fora também precisam de toda ajuda possível? Não se preocupe conosco. Vamos pesquisar a sala com magia antes de entrarmos.”

    “Mas…”

    Elliot franzia o cenho, então concedeu com um aceno e um pequeno suspiro. “Muito bem. Então, por favor, permita-me acompanhá-las.”

    Royald deu de ombros em um gesto para dizer que o cavaleiro poderia fazer o que quisesse, então começou a liderar o grupo pelo longo corredor. Ao subirem uma escadaria estreita, Maxi observou os entalhes irregulares ao longo das paredes. Provavelmente havia texto gravado aqui também.

    Ela convocou uma pequena luz sobre sua palma e a ergueu. Um entalhe estendido de serpentes mordendo o rabo da que estava antes dela se entrelaçava ao longo da parede ao lado da escada. O que poderia significar? Ela estava franzindo os olhos para os entalhes quando Royald mudou abruptamente de curso.

    “É por aqui”, ele disse, apontando para o lado.

    Uma entrada circular ficava ao lado do pilar que sustentava o teto.

    Anette a encarou com desconfiança. “Não me lembro de ter visto uma abertura assim aqui antes.”

    “Pressionamos aquela estátua ali quando estávamos investigando a parede, o que abriu este corredor”, explicou Royald, avançando.

    Ele apontou para a pequena estátua de uma cobra.

    “Abriu quando puxamos bem aqui. Há outra no outro lado. Acho que seria prudente verificar o que há dentro da sala antes de entrarmos.”

    “Então, vamos lá.”

    Anette entrou, e Maxi a seguiu cautelosamente. Continuaram por cinco minutos até chegarem a um beco sem saída. Joel e um Cavaleiro do Templo estavam lá inspecionando uma parede.

    “Acho que descobrimos algo”, Joel exclamou animado, virando-se para encará-los.

    Ele ergueu sua lanterna sobre a cabeça, derramando luz sobre uma intrincada runa mágica na parede.

    “Deem uma olhada nisso! Isso não lembra a runa usada para suprimir a magia? Não há dúvidas. Há um laboratório secreto atrás desta parede. Imaginem só! Um laboratório usado por magos das trevas!”

    Elliot estava a uma distância atrás do grupo. Ele disse abruptamente: “Não será perigoso?”

    Joel deu de ombros. “É por isso que pedimos a presença dos magos da Salão dos Gnomos aqui. Eles podem verificar o interior com sua magia de rastreamento sem afetar o mecanismo da porta.”

    “Eu farei isso.”

    Anette empurrou Royald de lado e se posicionou na frente da parede circular. Ela tirou suas luvas e colocou suas mãos ásperas na pedra. Enquanto ela lançava o feitiço, Maxi estudava a runa. De fato, parecia similar a runa usada para suprimir a magia.

    Ela franziu a testa. Tal runa só poderia significar que esta sala havia sido usada para testar magias perigosas. Não seria mais sábio pedir a presença de mais cavaleiros para se juntar a eles? Ela lançava olhares nervosos pelo corredor quando Anette retirou suas mãos da parede.

    “A sala é bem ampla.”

    “Alguma armadilha ou feitiço perigoso?” Royald perguntou.

    Anette balançou a cabeça. “Não senti fluxo de mana ou algo que parecesse uma armadilha.”

    “Ótimo. Então, vamos entrar.”

    A antecipação de Joel era palpável enquanto ele puxava a estátua de cobra montada. A parede de pedra tremeu ao deslizar para baixo, revelando uma sala escura. Maxi espiou cautelosamente para o fundo.

    “Vou entrar primeiro.”

    Elliot passou pelo grupo e entrou na câmara secreta. Ele ergueu sua lâmpada no ar, iluminando mais estátuas, desta vez de monstros. Maxi deu um pulo e encolheu os ombros. A sala inteira estava cheia delas. Uma criatura gigante e serpenteante se enrolava em uma parede.

    Avançando mais, Elliot tocou levemente um goblin de pedra. “Eles não parecem ser gárgulas.”

    Ele olhou ao redor da sala, então assentiu para os magos.

    “Não sinto nenhum monstro ou morto-vivo. É seguro para vocês entrarem.”

    Com a autorização do cavaleiro, os magos entraram cautelosamente. A câmara era mais ampla do que eles esperavam. A ponta do teto abobadado estava a pelo menos vinte kevettes de altura, e a sala circular tinha pelo menos quarenta kevettes de diâmetro.

    Caminhando com cautela, Maxi inspecionou as estátuas alinhadas nas paredes. Esculturas realistas de monstros da raça Ayin, como goblins, ogros, trolls e lobisomens, ficavam entre aquelas das subespécies de dragão, como serpentes, wyverns e drakes.

    “Que gosto grotesco”, Royald disse, estalando a língua.

    Maxi concordou silenciosamente. Ela parou na frente da serpente gigante. Embora soubesse que era apenas pedra, ainda lhe dava arrepios. Os criadores dessas estátuas eram claramente escultores fenomenais de rocha.

    Por que diabos eles fizeram essas coisas? Poderia haver alguma conexão com o exército de monstros aliado? Maxi estava olhando pensativamente para as estátuas quando ouviu Sidina falar.

    “Dê uma olhada nisso. Não é uma runa?”

    Maxi foi até o local no chão para onde Sidina estava apontando. Verdade, um diagrama intrincado que parecia ser uma runa mágica estava gravado na pedra. Depois de estudá-lo de perto, Royald bagunçou o cabelo e gemeu.

    “Caramba! É tão complicado que não consigo dizer para que serve.”

    Sidina se virou para Maxi. “O que acha, Max? Você é a melhor de nós com runas.”

    Já agachada para traçá-lo com o dedo, Maxi se levantou lentamente. A runa parecia estranhamente familiar. Depois de seguir seus padrões, ela convocou uma luz em sua mão e a ergueu para iluminar as partes ocultas na sombra.

    De repente, um estrondo soou, e o chão tremeu levemente. Enquanto seu punhado de magia era sugado para dentro da sala, Maxi sentiu uma quantidade imensa de mana sair dela junto. Ela gritou.

    “Afastem-se daqui!” gritou Royald, empurrando-a para fora do perímetro da runa.

    Maxi ofegava por ar enquanto rolava pelo chão. A sala girava ao seu redor como se tivesse perdido uma grande quantidade de sangue de uma vez.

    1. sensata[]
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