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    Maxi quase se engasgou com a sopa. Os olhos cinzentos geralmente letárgicos de Ruth a observavam com expectativa, deixando-a nervosa. Se ela admitisse que aritmética não era seu ponto forte, os cavaleiros, que já a olhavam com pouco respeito, a considerariam ainda menos competente. Mas se ela dissesse que podia fazer cálculos básicos, estava certa de que Ruth lhe atribuiria uma tarefa extenuante. Incapaz de decidir, ela evitou os olhos de Ruth ao engolir apressadamente sua sopa.

    Ruth se inclinou para ficar no campo de visão dela, estreitando os olhos como se estivesse tentando cutucar sua consciência.

    “É assim que você retribui a bondade, minha senhora?”

    “E-Eu não sou s-suficientemente habilidosa para ajudar um feiticeiro—”

    “Eu sei que você não é matemática! Eu pergunto apenas porque preciso de toda ajuda que puder obter!”

    Com isso, Maxi perdeu qualquer inclinação que tivesse para ajudar Ruth. Notando a mudança em sua expressão, Ruth começou a fazer beicinho como uma criança magoada.

    “Espero que não tenha esquecido da ajuda que lhe dei em seu momento de necessidade, minha senhora.”

    “E-Eu realmente n-não acho que estou q-qualificada…”

    O que Maxi mais temia eram os comentários cáusticos que teria que suportar se concordasse em ajudar; ela nunca tinha conhecido alguém tão crítico quanto Ruth. Sua determinação de evitar os olhos dele, no entanto, não parecia desencorajá-lo.

    “Você estará lidando com registros e cálculos simples. Diria que você está mais do que qualificada para isso.”

    “Chega disso.” Um dos cavaleiros que estava fingindo não ouvir a conversa interveio. “Você está sendo desrespeitoso com a sua senhoria.”

    Ruth o ignorou e continuou a olhá-la suplicante. Maxi sabia que se recusasse, o feiticeiro mal-humorado provavelmente a acusaria de ingratidão em todas as oportunidades. Com esse pensamento em mente, Maxi concordou relutantemente, e o rosto de Ruth se iluminou com um sorriso.

    “Você tem minha eterna gratidão.” Ele passou uma batata do seu prato para ela em agradecimento.

    “Vejo que vocês se tornaram bem próximos”, disse Sir Hebaron, coçando a cabeça. O cavaleiro robusto tinha estado ouvindo a conversa em silêncio.

    Maxi hesitou antes de dizer: “R-Ruth forneceu conselhos v-valiosos sobre as r-renovações do castelo.”

    “Entendo…” Sir Hebaron disse vagamente, dando uma grande mordida no pão.

    O coração de Maxi afundou com seu desinteresse.

    “O castelo não está tão ruim”, ele acrescentou após um longo silêncio.

    “Oh… O-Obrigada.”

    Hebaron desviou o olhar incerto. Evidentemente, ele achava a conversa tão desconfortável quanto ela. Embora se conhecessem há muito tempo, nunca haviam feito apresentações formais, e ela sabia o nome dele apenas porque ouvira trechos de conversa entre os cavaleiros. O silêncio caiu sobre a sala mais uma vez, e os olhos de Maxi se deslocaram inquietos. Mas um momento depois, os cavaleiros se levantaram, acenaram suas saudações e deixaram o salão de jantar. Maxi olhou desanimada para sua sopa.

    “Não podemos fazer muito sobre a atitude deles”, disse Ruth. “Os Dragões Brancos sofreram muito por causa do Duque Croyso.”

    Maxi deu um salto e se virou. Ruth mergulhou languidamente um pedaço de pão no ensopado rico e o levou à boca antes de continuar.

    “A Campanha do Dragão trouxe grande fama e honra à ordem. Mas se a sorte não tivesse estado do nosso lado, ou se não fosse pelo Sir Riftan, teríamos perdido muitas vidas. O Dragão Vermelho era um inimigo formidável, e muitos quase não voltaram com vida. Sir Riftan estava na linha de frente de tudo, dançando com a morte.”

    O sangue de Maxi gelou, mas a voz de Ruth permaneceu calma como se estivesse apenas comentando sobre o clima.

    “O duque empurrou a campanha para Sir Riftan apesar de estar totalmente ciente dos perigos. Sir Riftan recebeu uma esposa em troca de seus problemas, mas até ela não conseguiu cumprir seus deveres.”

    “M-Mas eu—”

    “Assim é como os cavaleiros têm visto até agora.” Ruth abaixou a colher com uma expressão impassível.

    Os lábios de Maxi tremeram. Até aquele momento, ela tinha permanecido convencida de que era ela quem tinha sido abandonada. Na sua visão, Riftan tinha sido obrigado a se casar com ela, e ele a deixou sem uma palavra porque nunca a quis. Mas Maxi sabia que isso só soaria como uma desculpa para os cavaleiros. A cor sumiu do seu rosto.

    “E-Eu r-realmente n-não sabia q-que ele q-queria que eu estivesse aqui.”

    “Os cavaleiros que foram enviados para escoltá-la foram impedidos na entrada.”

    “N-Ninguém m-me disse nada s-sobre isso.” Sua voz saiu num sussurro.

    “Nunca ocorreu a você vir para Anatol com os cavaleiros de seu pai?”

    Seu pai nunca teria permitido; nem seus cavaleiros teriam concordado em acompanhá-la. Na verdade, nunca lhe ocorreu que ir para o castelo de seu marido fosse uma possibilidade. Sem palavras, Maxi baixou a cabeça. Ruth deu de ombros e deixou o assunto de lado.

    “Bem, não adianta lamentar o que já passou. Você é a esposa do Sir Riftan, independentemente do que os cavaleiros pensem. Não lhes dê atenção a menos que a insultem.”

    Ruth se levantou da cadeira. Não ficava claro em seu tom indiferente se ele pretendia consolá-la ou se simplesmente queria encerrar a conversa, e Maxi apenas fez um leve aceno.

    “Então aguardarei a ajuda de Vossa Senhoria na biblioteca nos próximos dias” disse Ruth levemente, rolando os ombros para frente e para trás antes de sair do salão.

    Deixada a sós, Maxi se sentiu isolada e ansiosa. Ela mexia distraidamente na sopa, perguntando-se se todos a viam como uma mulher sem escrúpulos que negligenciara seus deveres depois que o marido partira para uma campanha mortal. Se o faziam, provavelmente ressentiam sua farsa de agir como a senhora do castelo agora que ele havia retornado como um herói.

    Ao recordar como Rob Midahas a havia zombado abertamente nos portões, qualquer confiança que ela havia ganhado nas últimas semanas foi abalada. Como os Anatolianos poderiam respeitá-la após o espetáculo miserável que ela havia feito de si mesma? Incapaz de suportar esses pensamentos, ela colocou a colher na mesa e deixou o salão.

    “Minha senhora!”

    Maxi virou-se ao ouvir a voz educada de Rodrigo. Ele acabara de entrar no grande salão carregando um grande baú de madeira.

    “O lorde chamou por você.”

    “E-Ele não está nos p-portões norte?”

    “Ele acabou de retornar. Está no jardim—”

    Maxi correu para fora antes que o mordomo pudesse terminar a frase. Ela passou pelo pavilhão para chegar às escadas, de onde podia ver o jardim cheio de servos movendo baús para dentro do castelo. Seus olhos se arregalaram diante do interminável fluxo de baús sendo descarregados da enorme carroça puxada a cavalo parada na entrada do jardim.

    Ela passou pelos servos e fez seu caminho cautelosamente pelas escadas. Na frente da carroça, Riftan conversava com dois mercadores vestidos com trajes do Continente Sul. Sentindo sua presença, ele olhou por cima do ombro.

    “Maxi.”

    Maxi correu até ele como um filhote respondendo ao chamado de seu mestre. Com um leve sorriso nos lábios, Riftan pegou as rédeas de uma égua esplendidamente bela do mercador e puxou levemente. A égua trotou obedientemente para frente.

    “Aqui.”

    Afagando o pescoço longo e gracioso da égua, ele entregou as rédeas a Maxi. Maxi ficou piscando em surpresa.

    “Você não gosta dela?”

    “D-Desculpa?”

    Riftan colocou as rédeas nas mãos de Maxi. “Eu disse que traria presentes, não disse?”

    De olhos arregalados, Maxi olhou do rosto impassível de Riftan para o rosto gentil da égua. Sentindo sua perplexidade, Riftan a puxou para mais perto e colocou sua mão no focinho da égua. Maxi acariciou sua crina dourada com mãos trêmulas. Em resposta, o cavalo esfregou gentilmente o focinho contra sua mão.

    “Meus cavalos são grandes e selvagens demais para você, mas você deve ser capaz de lidar com este. Ela é jovem, mas bem treinada.”

    “Ela é l-linda”, murmurou Maxi, encantada.

    “Ela é sua agora.”

     Os lábios de Riftan se curvaram num sorriso.

    “Este é o m-melhor presente que eu já r-recebi.”

    A égua deu um bufar encantador enquanto continuava a esfregar o focinho contra a palma da mão de Maxi. Maxi acariciou suas orelhas enquanto admirava suas pernas longas e esguias e seus olhos negros brilhantes. Suas proporções equilibradas e sua crina reluzente indicavam que era de uma raça fina.

    “P-Posso realmente f-ficar c-com ela?”

    Riftan franzio levemente a testa. “Eu te disse, ela é sua. Ninguém mais aqui cavalgaria um cavalo tão delicado.”

    A égua deu um grande bufar como se tivesse entendido ele. Maxi riu suavemente e acariciou suas orelhas. Riftan inclinou a cabeça, mantendo seu olhar ardente em Maxi.

    “Você gosta dela?”

    “Eu… Eu gosto muito.” Maxi não conseguia encontrar as palavras para expressar o quanto ela adorava a égua. Ela tentou manter sua voz firme.

    “Eu r-realmente gosto. M-Muito obrigada, Riftan.”

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