Índice de Capítulo

    Riftan comeu o pão quase queimado em silêncio. Depois de observá-lo sem expressão por um momento, Maxi timidamente baixou os olhos. Ele estava atento mesmo quando ela achava que não estava prestando atenção nela. Animando-se, ela terminou sua refeição mergulhando o pão duro no ensopado.

    Quando a escuridão completa os cercou, os cavaleiros colocaram os cavalos no estábulo temporário e foram se acomodar em suas tendas, um por um. Era a vez dos Dragões Brancos ficarem de vigia naquela noite.

    O rosto de Maxi caiu quando Riftan estendeu um colchão sobre uma pele de couro ao lado do fogo. Doía-lhe o coração que seu marido tivesse que dormir do lado de fora, no frio. Será que era realmente necessário que um dos comandantes agisse como guarda quando havia tantos outros cavaleiros presentes? Absorta em seus pensamentos egoístas, Maxi foi pega de surpresa quando Riftan lhe lançou um olhar penetrante.

    “Por que você não vai descansar dentro da tenda?”

    “O comandante está certo, minha senhora,” Ulyseon interveio com um sorriso radiante enquanto estendia seu colchão ao lado de Riftan. “Você deveria descansar agora. Afinal de contas, deve estar cansada.”

    Maxi hesitou antes de se arrastar para uma das tendas. Os outros magos já estavam dormindo no espaço escuro e apertado, envolvidos como casulos em seus cobertores. Maxi deitou ao lado de Sidina. Apesar de estar completamente exausta por ter passado o dia todo cavalgando no frio cortante, o sono não chegava.

    Depois de encarar silenciosamente o teto escuro da tenda, ela voltou sua atenção para os sons do lado de fora. Eventualmente, as vozes fracas cessaram e uma sensação de solidão tomou conta da noite. Por um longo tempo, os resmungos e roncos roucos foram os únicos sons.

    Maxi virou-se de um lado para o outro sob seu cobertor por um tempo antes de desistir. Ela se sentou e colocou a cabeça para fora da aba da tenda. Seus olhos imediatamente pousaram em Riftan, que estava sentado junto ao fogo. Uma perna estendida à sua frente, ele mexia nas chamas com um galho.

    Quando ela percebeu que nem Elliot, nem Ulyseon estavam por perto, ela se enrolou em um cobertor e caminhou até lá. Os olhos de Riftan estavam serenos enquanto ele observava as chamas. Quando a viu, virou a cabeça e ergueu uma sobrancelha.

    “Por que você ainda está acordada?”

    “Eu acordei com sede. Onde estão os outros?”

    “Estão lá dentro,” ele disse, apontando com o queixo para a tenda dos cavaleiros. “Eu disse a eles que os acordaria quando fosse a vez deles. Não quis que ficassem aqui sentados, já que nenhum deles dormiria comigo acordado.”

    Maxi se agachou ao lado dele com um sorriso amargo, e Riftan a olhou desaprovadoramente.

    “Volte para dentro e durma. Outra jornada exaustiva nos espera pela manhã. Você deveria descansar enquanto pode.”

    “M-Mas… eu não consigo dormir,” murmurou Maxi.

    A testa de Riftan se franziu. Ele a observou pensativamente, depois pegou um frasco pendurado em seu cinto de couro. Abriu a tampa e entregou-lhe o recipiente.

    “É forte. Alguns goles devem te ajudar a pegar no sono.”

    Aceitando o frasco, ela cheirou o conteúdo com expressão cética. Quando deu um gole, o licor amargo queimou sua garganta enquanto descia. Ela fez careta e começou a tossir. O gosto horrível não durou muito, e de fato ela se sentiu muito melhor conforme o licor aquecia seu estômago. Abraçando os joelhos, deu mais alguns goles.

    Depois de observá-la em silêncio, Riftan arrancou o frasco de suas mãos. “Chega. Mais um pouco e você acordará com dor de cabeça.”

    Ela olhou para o frasco com desejo, mas a expressão severa de Riftan logo a desencorajou. Ela passou a língua pelos lábios e abaixou a cabeça contra os joelhos.

    “Você deveria voltar para dentro agora,” ele disse bruscamente, olhando para baixo para ela.

    “D-Deixe-me ficar um pouco mais com você.”

    Ele franziu a testa, mas não disse mais nada. Maxi, sentindo-se mais tonta a cada minuto, manteve a cabeça nos joelhos enquanto o observava. Na luz da fogueira, seu rosto parecia perigosamente bonito e assustadoramente frio ao mesmo tempo.

    Hesitante, ela perguntou, “V-Você… ainda está irritado comigo?”

    Riftan congelou com a pergunta repentina.

    “Não,” ele disse eventualmente.

    Ela o encarou com desconfiança. “Mas… você tem sido tão frio desde que nos juntamos à patrulha de reconhecimento novamente.”

    Sem responder, Riftan quebrou o galho em sua mão e jogou os pedaços na fogueira. As chamas crepitaram enquanto engoliam a madeira. Ele encarou silenciosamente o fogo por algum tempo antes de finalmente abrir a boca.

    “Se eu for honesto, ainda não sei como devo te tratar.”

    “O que… você quer dizer?”

    “Depois de deixar você partir daquela forma, não consegui me perdoar… e a você.”

    Subitamente sóbria, Maxi olhou para ele, seu rosto pálido. Parecia estar usando aquela máscara familiar e impassível.

    Com os olhos fixos no fogo, ele acrescentou secamente, “Eu ressenti você tanto quanto desejei você. Essas emoções não desaparecem tão facilmente.”

    Um sorriso auto-depreciativo curvou seus lábios antes de desaparecer fraca e rapidamente.

    “Embora eu ainda não consiga suportar ficar longe de você mesmo assim.”

    Maxi sentou-se abruptamente e disse apressadamente, “e-eu só fui embora porque—”

    “Eu sei,” ele disse. “Até mesmo eu sei que você estava certa… e que eu estava errado.”

    “…”

    “Mas mesmo sendo a decisão errada, eu ainda queria que estivéssemos juntos, e estava disposto a desistir de tudo para te manter ao meu lado.”

    Maxi olhou para ele, sem saber o que dizer. Riftan encontrou seu olhar, algo faiscando em seus olhos.

    “Você, por outro lado, sem dúvida faria o mesmo se estivesse naquela situação novamente. Por meu bem ou pelo seu, você faria o que é certo enquanto diz que é a única maneira. Você é capaz de tomar decisões que eu nunca ousaria fazer.”

    Ele fez uma pausa e apertou a mandíbula como se para suprimir suas emoções.

    “E isso me assusta,” ele confessou depois de um tempo.

    Maxi ficou atordoada. Será que o homem que enfrentava monstros sem medo acabara de admitir que tinha medo dela?

    Quando continuou a encará-lo incrédula, Riftan esfregou impacientemente a boca. Ele acrescentou amargamente, “eu não quero passar por isso novamente.”

    “Eu… eu nunca—”

    Antes que pudesse terminar, ouviu-se um barulho de batida, e Ulyseon saiu da tenda dos cavaleiros. Esfregando a nuca para afastar o sono, ele caminhou até o fogo.

    Ao ver Maxi, os olhos do jovem cavaleiro se arregalaram de surpresa. “O que você está fazendo acordada, minha senhora?”

    Ela abriu e fechou a boca, mas não conseguiu falar.

    “Você deveria dormir agora,” Riftan disse de maneira impessoal.

    Seu rosto estava mais uma vez sem emoção, como se seu momento de vulnerabilidade nunca tivesse acontecido. Depois de olhar de um lado para o outro entre os dois homens, Maxi voltou timidamente para a tenda dos magos. Só quando estava cercada pela escuridão, seus olhos começaram a arder com lágrimas. Rapidamente se enfiou debaixo de seu cobertor.

    Agora era óbvio que a raiva não era a única razão pela qual Riftan tentava desesperadamente mantê-la à distância. Ele estava tentando se proteger de se machucar novamente. Maxi enxugou as lágrimas que escorriam por suas bochechas e puxou o cobertor sobre a cabeça. Ele era como ela.

    Não, ele estava até mais assustado do que ela de se machucar.

    A realização partiu seu coração.

    O tempo no dia seguinte foi tão rigoroso quanto Riftan havia previsto. As rajadas eram cortantes como facas, cortando-os de todos os lados. Até nevava intermitentemente. As bochechas de Maxi estavam dormentes de frio, seus ouvidos pareciam estar sendo picados por agulhas, e suas mãos e pés estavam lentamente congelando.

    Quando o vento se tornou mais violento, o grupo ergueu quebra-ventos para descansar por um curto período e partiram novamente quando os cavalos descansaram. Agora só tinham comida para durar quinze dias. Não podiam se dar ao luxo de perder tempo.

    Eles cavalgaram de norte a oeste sem parar, depois de oeste a norte. Os suprimentos de lenha diminuíam rapidamente. À medida que avançavam, os magos pareciam mais e mais exaustos.

    Maxi não era exceção. Embora tentasse parecer destemida, os longos dias no frio extremo a faziam lutar contra o desejo de implorar para voltar. Mas essa tinha sido sua escolha. Ela endureceu sua vontade enfraquecida cem vezes por dia enquanto seguia silenciosamente os cavaleiros.

    Ela não fazia ideia de quanto tempo vagaram pela montanha nevada antes de finalmente encontrarem uma pista.

    Geoffrey, que tinha estado explorando a região com magia ao longo da jornada, apontou para um cume coberto de neve. “Há uma quantidade considerável de mana concentrada ali atrás daquele cume.”

    Os cavaleiros que estavam na frente pararam seus cavalos ao mesmo tempo.

    “É a base dos monstros?”

    “Não posso ter certeza, mas há algo lá. Sinto uma forte barreira ao redor.”

    Depois de olhar na direção apontada por Geoffrey com uma expressão pensativa, Kuahel virou-se para os cavaleiros. “Como não temos outras pistas, vamos investigar.”

    “Um reconhecimento precipitado seria imprudente,” Riftan disse friamente. “Poderíamos ser descobertos pelos monstros Ayin. Seria melhor esconder os cavalos e a carroça em algum lugar e enviar alguns homens para investigar.”

    Kuahel franziu a testa como se fosse contestar, mas logo pareceu concordar com o ponto de Riftan. Ele assentiu. “Muito bem. Primeiro vamos procurar um lugar para nos abrigar.”

    Ele virou o cavalo e os outros cavaleiros o seguiram. Sabendo que Rem sempre estava atrás, Maxi tentou encorajá-lo. Sentia os olhos de Riftan sobre ela de vez em quando, mas evitava encontrar seu olhar. Não achava que poderia enfrentá-lo tão cedo. Agora que sabia quão profunda era a ferida que causara, encontrava difícil se aproximar dele.

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