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    Riftan parecia arrependido de ter revelado seus sentimentos para ela também. Isso era evidente pelos seus olhos baixos e expressão sombria.

    “Pode haver monstros escondidos na área, então fiquem atentos,” Kuahel avisou em voz baixa enquanto liderava os cavaleiros entre duas rochas cobertas de gelo.

    Maxi tentou afastar seus pensamentos de Riftan e observar o entorno. Por toda a colina coberta de neve havia grandes rochas irregulares em forma de ganchos. Seus contornos eram tão artificiais que não pareciam resultado da erosão pelo vento, mas também não eram feitos pelo homem. Fascinada, ela estava encarando as estruturas massivas quando a voz grave de Riftan interrompeu seus pensamentos.

    “Isso deve ser um habitat de basilisco.”

    Os olhos de Maxi se voltaram surpresos para ele.

    Parando seu cavalo, Riftan examinou a área antes de acrescentar: “Os basiliscos constroem seus ninhos empilhando rochas assim. A forma provavelmente vem do hálito do monstro, que derrete parte da pedra.”

    “É seguro estarmos aqui?” perguntou Ulyseon, olhando ao redor com cautela.

    Riftan assentiu. “Não há indicações de que o monstro ainda habite aqui. Considerando o quão espessa está a camada de gelo nas rochas, deve ter saído daqui a muito tempo.”

    Kuahel parecia pensativo enquanto murmurava: “Que sorte.”

    Riftan virou-se para o Cavaleiro do Templo com uma expressão franzida. “O que quer dizer com isso?”

    “Se estiver correto, deve haver uma caverna próxima que o basilisco usava como toca. Podemos fazer dela nossa base.”

    “É prudente? Pode ser que ele ainda esteja lá,” disse um dos Cavaleiros do Templo que seguia Kuahel como uma sombra.

    O rosto de Ulyseon se contorceu de raiva. Claramente irritado com a audácia do cavaleiro em duvidar da avaliação de Riftan. Antes que pudesse expressar sua ira, porém, Kuahel falou primeiro.

    “Quando se trata de monstros, você pode confiar no julgamento deste homem. Ele chegou ao seu posto atual caçando dragões, afinal.”

    “Que gentil da sua parte dizer isso,” brincou Riftan antes de cutucar levemente o lado de Talon. “Vamos encontrar esse abrigo, então.”

    Ainda apreensivos, os magos olharam ao redor das rochas irregulares antes de seguir relutantemente os cavaleiros. Rem parecia nervosa, vapor saindo de suas narinas a cada bufada. Maxi a guiou em torno das rochas atrás dos outros.

    Eles seguiram pelo trilho sinuoso por um tempo antes de encontrarem uma abertura em um penhasco com pelo menos trinta kevettes de altura. Os cavaleiros desmontaram e inspecionaram a caverna primeiro, então deram o sinal para os magos entrarem.

    Eles seguiram cautelosamente a luz dos cavaleiros. As paredes de pedra eram lisas como se estivessem cobertas de gesso, e o chão era nivelado. Mesmo com quinze cavalos dentro, a caverna ainda tinha bastante espaço. Maxi suspirou aliviada. Encontrar um lugar para se abrigar do vento e da neve era extremamente difícil nesse deserto, e ela estava aliviada que o espaço fosse mais hospitaleiro do que esperava.

    “Então, é assim que uma toca de basilisco parece. É magnífico!” exclamou Sidina enquanto olhava ao redor da caverna.

    Maxi franziu a testa enquanto desmontava Rem. “Eu prefiro nem pensar nisso.”

    “Ah, qual é! Por que não? Não é todo dia que se põe os pés dentro de um habitat de monstros.”

    Maxi balançou a cabeça diante da despreocupação de Sidina. Ela quase admirava Sidina, cujo otimismo nunca parecia falhar mesmo durante uma jornada tão árdua. Enquanto o estômago de Maxi estava em nós por causa do cansaço e da ansiedade, Sidina continuava sendo ela mesma como se estivesse de férias.

    Maxi maravilhava-se com a destemida amiga enquanto colocava suas bagagens na parede da caverna. Em seguida, ela foi até a carroça para ajudar os outros magos a acender as tochas.

    Enquanto eles acendiam as fogueiras e derretiam a neve para dar água aos cavalos, os cavaleiros construíam um estábulo improvisado. A estrutura improvisada de tábuas e tecido perto da entrada da caverna abrigaria e alimentaria seus animais. Quando cada equipe completou suas tarefas, o grupo se reuniu ao redor das fogueiras e comeu um almoço tardio de pão e carne seca.

    Embora a comida escassa mal pudesse ser considerada uma refeição, a fome de Maxi a fez devorar sua ração. Ela compartilhava amigavelmente seu meio copo restante de cerveja com Sidina quando Kuahel deixou seu grupo de Cavaleiros do Templo no canto para se aproximar delas.

    “Precisamos de três pessoas para permanecerem nesta caverna guardando a carroça e os cavalos. Um mago e dois cavaleiros devem ser suficientes. Alguma recomendação?”

    Os magos o olharam vazios antes de trocar olhares. Enquanto hesitavam, Ruth ergueu a mão de sua posição agachada perto da fogueira.

    “Eu ficarei para trás.”

    “Ruth Serbel,” Riftan disse suavemente sem tirar os olhos do mapa aberto em seu colo. “Sugiro que abaixe essa mão enquanto ainda estou sendo gentil.”

    Ruth resmungou baixinho, mas abaixou o braço mesmo assim.

    Elliot, que estava observando silenciosamente a situação, sugeriu cautelosamente: “Por que não escolher entre as mulheres? Estaremos viajando a pé daqui em diante. Pode ser muito exigente fisicamente para elas.”

    “Também será exigente fisicamente para mim,” murmurou Ruth, relutante em desistir.

    Os magos da Torre olharam furiosamente para ele antes de se afastar com desdém para deliberar.

    “Acho que deveríamos deixar Sidina ou Maximilian para trás, como sugeriu o cavaleiro.”

    “Mas nenhuma delas pode usar magia ofensiva. Se apenas um de nós ficar, não deveria ser alguém mais versátil? E se um monstro de alto grau atacar?”

    “Aqueles de nós que precisam sair da caverna enfrentam o mesmo risco, e precisamos de magos capazes para investigar a base do monstro também.”

    “É por isso que devemos levar a maga da terra conosco. Ela será de grande ajuda com a magia de busca.”

    Albern, Geoffrey e Nevin olharam sombriamente um para o outro antes de se virarem para Sidina e Maxi.

    “O que acham?” disse Albern. “Deixamos a decisão com vocês.”

    Maxi estudou o rosto de Riftan. Sua expressão era sombria como se estivesse ponderando se seria melhor deixá-la para trás ou levá-la consigo. Incapaz de tomar uma decisão, Maxi mudou nervosamente o olhar.

    Vendo sua hesitação, Sidina interveio. “Eu gostaria de ajudar na investigação. Certamente será fisicamente exigente, mas prefiro isso a ficar aqui sem saber quando vocês voltarão. Além disso, estou bastante confiante na minha resistência.”

    Sidina flexionou o braço enquanto falava.

    Maxi olhou pensativa para a fogueira. Momentos depois, ela ergueu a cabeça. “E-Eu também gostaria de ir. Tenho certeza de que minha habilidade com o feitiço de rastreamento será útil.”

    “Isso significa que um de nós terá que ficar para trás,” disse Geoffrey, coçando a cabeça. Ele olhou de Albern para Nevin antes de fixar o olhar em Nevin. “Deveria ser você, já que é o mais frágil entre nós. Tenho certeza de que não será tarefa fácil carregar essa barriga flácida.”

    “Você pensou que esses insultos me fariam recusar?” Nevin retrucou com um resmungo. “Como não me importo de ficar para trás, aceitarei grato sua consideração.”

    Kuahel, que estava ouvindo pacientemente a deliberação deles, desdobrou os braços. “Então está decidido. Dois paladinos ficarão para trás com vocês.”

    Ele então virou-se para Riftan como se desafiando a objetar. “Algum problema?”

    Riftan olhou para Maxi de forma desconfortável antes de balançar a cabeça com um suspiro. Provavelmente estava hesitante em deixá-la em um lugar assim.

    “Nenhum.”

    “Ótimo. Então vamos começar a fazer as malas. Não iremos longe, mas ainda devemos levar comida suficiente para dois ou três dias de reconhecimento completo. Certifiquem-se de levar comida o suficiente.”

    Maxi se levantou rapidamente para começar a fazer as malas. Embora só tenha enchido sua mochila com o essencial para manter sua bagagem leve, ainda acabou pesando tanto quanto um conjunto de barras de ferro. Bufando, ela usou uma corda para amarrá-la na cintura. Foi então que Riftan se aproximou e pegou a mochila dela.

    “Só coloque comida extra.”

    “M-Mas é a minha—”

    Maxi parou de falar quando ele lhe deu um olhar frio.

    “Subir a montanha sozinha já será desafiador o suficiente, então pare de ser teimosa,” Riftan retrucou bruscamente.

    Ele jogou a mochila sobre o ombro como se não pesasse nada e saiu da caverna. Embora ela fizesse um bico, Maxi secretamente soltou um suspiro de alívio.

    Na verdade, ela estava aliviada por não ter que escalar a montanha com uma bagagem tão pesada. Com sua resistência, sabia que teria que dar o seu máximo para acompanhar o ritmo constante dos cavaleiros. E não parecia ser apenas ela, uma das magas também recebeu ajuda dos cavaleiros. Enquanto seus companheiros magos agora estavam sem mochilas, os cavaleiros carregavam bagagens adicionais em suas costas. Maxi os observava com um sorriso irônico quando Kuahel sinalizou a partida deles.

    Logo estavam atravessando a colina nevada. Enquanto se esforçava para acompanhar os passos firmes dos cavaleiros, Maxi ficou contente por ter pedido a Nevin que lançasse magia restauradora sobre ela antes da partida. Embora viajar a cavalo fosse difícil, a pé era incomparavelmente mais exigente.

    Maxi concentrou seu peso nas pernas para não escorregar enquanto avançava pelas rochas congeladas. Eventualmente, a inclinação ficou mais íngreme, levando-os a uma trilha de montanha acidentada coberta de gelo.

    Riftan devia estar preocupado que ela tropeçasse. “Segure isso,” ele disse, estendendo uma corda para ela.

    Ela aceitou prontamente, e ele a levou silenciosamente pelo caminho. Como resultado, ela conseguiu subir a montanha com relativa facilidade.

    Eles estavam subindo a trilha por um tempo indeterminável quando Kuahel, na frente do grupo, abruptamente virou-se e fez um gesto para que se escondessem. Meio exausta da subida, Maxi não percebeu imediatamente o sinal. Riftan a puxou para perto dele e a fez se deitar plana em cima de uma rocha.

    Surpresa, ela prendeu a respiração. O vento uivante abafava seus ouvidos. A única coisa clara era o som de seu coração batendo forte pela escalada extenuante. Por causa disso, ela não percebeu imediatamente o que estava acontecendo. Só muito tempo depois que ouviu os passos suaves e o tilintar das rodas giratórias. Sentiu o coração gelar no peito.

    Concentrando-se, ela ouviu os ruídos se aproximando. Quando sua curiosidade a dominou, ela levantou lentamente a cabeça e viu Riftan olhando furtivamente pela encosta íngreme de trás de uma rocha saliente. Lá embaixo no vale, dezenas de trolls se moviam em uma longa procissão, puxando quinze ou mais carroças.

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