Índice de Capítulo

    O Cavaleiro do Templo deslizou pela encosta íngreme atrás da pedra. Maxi observou vagamente sua descida ágil antes de subir atrás dele de mãos e joelhos. Depois do que pareceu uma eternidade, finalmente chegou ao fundo.

    Um suspiro de alívio escapou enquanto ela olhava ao redor da ravina. Enormes paredes de rocha cinza se erguiam dos dois lados. Mais à frente, pedras lisas estavam empilhadas como uma escada improvisada que descia mais adiante. Mesmo à primeira vista, era claro que os degraus não eram obra da natureza.

    Sempre vigilante, Elliot examinava cautelosamente o entorno. “É aqui que você sentiu a dissonância, minha dama?”

    Colocando as mãos em uma das faces da rocha, Maxi liberou sua mana nela. Ela assentiu. “S-Sim. Estou sentindo a mesma sensação novamente.”

    Ruth estava dobrado, tentando recuperar o fôlego. Ele tocou na parede quando viu Maxi, seguido por um sutil arquear de sobrancelha.

    “Parece que a negação mágica que circunda esta área está interferindo com a nossa magia. É por isso que meu feitiço de rastreamento não conseguiu detectar nada. Claro, um espírito da terra seria mais sensível a esse tipo de interrupção no fluxo de mana.”

    O rosto de Maxi escureceu. Por que os magos das trevas haviam estabelecido um lugar assim? O local bem poderia ser um campo de testes para feitiços perigosos — ou um esconderijo para algo. Enquanto ponderava, Kuahel observava cuidadosamente os degraus.

    “Não sinto nenhuma outra presença”, disse ele. “Vamos descer e verificar.”

    Ele desceu os degraus de pedra, e os outros o seguiram um por um. Maxi fez todo o esforço para pisar levemente, cuidando para não fazer barulho. Apesar da garantia de Kuahel, ela não conseguia sacudir o medo de que algo pudesse estar à espreita. Ela prendeu a respiração enquanto seus olhos inquietos vasculhavam as grandes rochas e os cantos sombrios.

    Foi então que Kuahel virou-se e fez um gesto com a mão para que eles se mantivessem junto às paredes. Maxi prontamente obedeceu enquanto Kuahel descia a ravina sinuosa primeiro. Após verificar que o caminho estava livre, ele sinalizou para que se juntassem a ele.

    Maxi inspirou profundamente e seguiu pelo caminho sinuoso. A passagem apertada, que mal tinha espaço para uma pessoa, subitamente se abriu em uma área espaçosa coberta de seixos redondos. Ela olhou ao redor do espaço misterioso com uma mistura de cautela e curiosidade. Uma névoa turva rodopiava sobre o chão, e o ar estava espesso de umidade. Um leve cheiro de enxofre vinha de algum lugar.

    Kuahel marchava pela névoa sem medo. Parando para apontar para a face rochosa alta, ele disse: “Há uma abertura aqui.”

    Ruth foi até ele primeiro e espiou dentro da caverna escura.

    “V-Você vê alguma coisa?”, perguntou Maxi.

    Ruth balançou a cabeça. “Parece bem profundo. Talvez você possa usar seu feitiço de rastreamento?”

    Maxi caminhou pelo campo de seixos e parou diante da caverna. Quando colocou a mão em uma das paredes e iniciou o feitiço, não conseguiu sentir nada. Era como se uma cortina negra obscurecesse sua visão.

    “Não consigo. Minha magia não está funcionando.”

    “Isso significa que teremos que explorar lá dentro”, disse Kuahel.

    Ele suspirou antes de entrar na caverna. Maxi olhou para ele, surpresa. Como ele poderia entrar sem ter a menor ideia do que poderia estar à espreita dentro? Ela agarrou sua capa por instinto.

    “P-Pode ser perigoso!”

    Kuahel franziu o cenho.

    “Por isso precisamos verificar”, disse ele, inclinando a cabeça com perplexidade. “Para nos prepararmos para futuras batalhas, precisamos descobrir o que há dentro desta caverna.”

    “Mas só temos cinco pessoas. Podemos nos encontrar em desvantagem”, disse Elliot.

    O olhar frio de Kuahel pousou sobre ele. “Você não preparou para essa possibilidade antes de começarmos esta investigação? Não estamos aqui para um passeio agradável, e sempre haverá riscos.”

    O Cavaleiro do Templo parecia não temer as consequências de algo dar errado. Enquanto Maxi estava chocada com sua indiferença, Ruth surpreendentemente concordou com ele.

    “Sir Kuahel tem razão.”

    Maxi olhou para o feiticeiro, chocada.

    Ruth examinou cuidadosamente o interior da caverna e acrescentou: “Tenho certeza de que todos se lembram da Batalha do Castelo Eth Lene. Se quisermos evitar uma catástrofe semelhante, precisamos descobrir para onde leva esse caminho. Uma emboscada de monstros por meio de uma passagem secreta enquanto estamos sitiando significaria um grande problema para nossas forças.”

    O rosto de Maxi empalideceu de medo, e um suor frio percorreu suas costas ao lembrar dos horrores daquele dia. Era um lembrete da importância de toda essa empreitada. As informações que reunissem poderiam determinar o resultado da guerra.

    Ela assentiu, determinada. “Muito bem. Vamos entrar.”

    Os lábios de Elliot se moveram como se estivesse prestes a dissuadi-la, mas logo ele concordou com um aceno resignado.

    O grupo passou pelo corredor estreito e escuro em fila única. As chamas azuis invocadas pelos Cavaleiros do Templo iluminaram as paredes da caverna com uma luz fraca, lançando sombras longas pelo chão. A atmosfera sinistra fez Maxi encolher os ombros. O cheiro de enxofre ficava cada vez mais forte, tornando a caverna ainda mais sufocante.

    “As paredes estão quentes”, murmurou Ruth de repente.

    Maxi virou-se para olhá-lo intrigada. “S-Será que é magia?”

    “Não, acho que não”, respondeu ele, franzindo o cenho. “Parece ser geotérmico…”

    Algo estalou sob os pés de Maxi, e ela deu um salto para trás. Ruth parou abruptamente de falar. Quando Kuahel ergueu sua chama para iluminar o chão, ela recuou atrás dele e olhou para o ponto onde havia pisado. No chão da caverna, havia pedaços de vidro preto quebrados.

    “O que diabos…?”

    Enquanto ela olhava para baixo, perplexa, Kuahel se inclinou e pegou um fragmento escuro. Maxi viu seu rosto se endurecer um pouco.

    “É um casco de ovo.”

    Sem entender suas palavras de imediato, Maxi piscou vacilantemente. Atirando o fragmento no chão, Kuahel se endireitou e ergueu a chama. A luz iluminou pilhas de algo que pareciam ser tigelas quebradas no canto do corredor.

    Um calafrio percorreu a espinha de Maxi. Eram ovos — ou melhor, cascas de ovos de alguma criatura desconhecida. Seus instintos lhe diziam que precisavam sair imediatamente daquele lugar, mas o Cavaleiro do Templo fez exatamente o oposto e continuou marchando pelo corredor. Congelada de medo, Maxi teve que reunir toda a sua coragem para segui-lo.

    Um salão espaçoso surgiu no final do longo caminho. A visão horrível deixou Maxi sem palavras. As paredes altas da caverna pareciam os favos de uma colmeia, cada uma pontilhada com alcovas hexagonais. Agachados dentro de cada alcova estavam grandes aves de quase cinco kevettes de tamanho.

    Não, não eram aves. Eram monstros com asas de pássaro, mas o corpo de um réptil. Suas escamas reluziam vermelho mesmo à luz azul da chama.

    “Basiliscos”, murmurou Elliot sombriamente. “Deve ser aqui que eles os criam.”

    “Que interessante”, comentou Kuahel com raiva e desprezo. Maxi vasculhou a caverna horrorizada. Pelo menos trinta basiliscos estavam dormindo dentro de seus nichos.

    Isso significava que os magos das trevas haviam domado até mesmo monstros de alto grau como o basilisco? Pelo que ela sabia, eram necessários quarenta ou mais cavaleiros experientes para caçar um basilisco adulto. Ela não conseguia imaginar o horror do que esses monstros perigosos poderiam desencadear se usados em batalha.

    Ruth parou após passar os dedos pelas grades de ferro que confinavam os monstros em seus recintos. “Eles foram forçadamente colocados para dormir. Acho que as runas para suprimir magia pretendiam impedir que crescessem além de um certo tamanho.”

    “Isso significa… que o exército de monstros também não tem controle sobre essas criaturas?”, perguntou Elliot.

    Ruth deu de ombros levemente. “Eles não teriam criado jaulas tão complicadas se tivessem. Mais provavelmente, eles estão criando as criaturas para suas pedras mágicas.”

    Os ombros de Maxi se curvaram com alívio. “E-Então… isso significa que não precisamos nos preocupar com basiliscos sendo usados em batalha.”

    “Você tem certeza absoluta? Porque eu já vi um homem-lagarto montado em um drake”, disse Kuahel gelidamente, enquanto espiava dentro de um recinto.

    Ruth fez um som de desprezo. “Apenas alguns drakes foram levados para a batalha. Se o inimigo pudesse dobrar a subespécie do dragão à sua vontade, nada os teria impedido de enviar um verme, um basilisco ou qualquer outra espécie de alto grau. O fato de não o terem feito significa que há limitações para os tipos de monstros que podem controlar.”

    Kuahel examinou o rosto de Ruth antes de voltar seu olhar para os basiliscos adormecidos. Seus olhos brilharam na escuridão, vasculhando cada centímetro da caverna. Um sentimento arrepiante dominou Maxi. Parecia que ele estava procurando por algo.

    “Eu sugiro que saiamos daqui primeiro. Este lugar pode ser administrado por um monstro. Fique muito tempo, e nós podemos…”

    O aviso ansioso de Elliot foi interrompido, e os Cavaleiros do Templo desembainharam suas espadas quase no mesmo instante. Maxi conteve um grito.

    Uma figura sombria avançou na direção deles. O brilho do aço reluziu no escuro, e uma lâmina irradiou azul enquanto cortava o monstro ao meio.

    Antes que qualquer um pudesse identificar o atacante, a voz de Kuahel ecoou pela caverna. “Há mais um! Não deixem ele escapar!”

    Outra figura correu em direção ao corredor por onde haviam vindo. Por puro instinto, Maxi agarrou o monstro enquanto ele tentava passar por ela.

    Ela sentiu o pelo áspero e quebradiço. Apesar da repulsa, ela se agarrou à criatura. Esse demônio alertaria o exército de monstros se escapasse, o que iniciaria uma caçada aos intrusos. Isso colocaria Riftan em perigo. Estes eram os pensamentos que passavam por sua mente enquanto ela apertava o monstro.

    “Minha senhora!”

    O monstro provou ser forte e ágil. Ele a arrastou para o corredor, onde finalmente conseguiu jogá-la de lado. Tudo isso aconteceu em um piscar de olhos.

    Apenas alguns passos atrás deles, Elliot cravou sua espada no monstro. Infelizmente, não foi um golpe fatal, talvez por causa de sua preocupação com ela. Um grito arrepiante encheu a caverna, seguido por um estrondo alto. Maxi olhou por cima do ombro com terror.

    Atrás dela estava uma nova abertura na parede, e de pé nela estavam dois goblins carregando tochas. Quando ela viu que eles puxaram a escultura de cabeça de cobra na parede, ela se jogou instintivamente na entrada e conseguiu pousar do outro lado antes que ela deslizasse para fechar.

    Ela lançou um escudo para bloquear os ataques dos goblins e puxou a cabeça da cobra. O gatilho se recusou a ceder. Seu rosto empalideceu de decepção quando ela olhou para trás.

    Uma voz fria ressoou com um toque de incredulidade. “Eu não consigo decidir se você é medrosa ou corajosa.”

    Os olhos de Maxi se arregalaram. Ela não era a única pessoa que havia pulado na passagem secreta. Para sua surpresa, os dois goblins estavam em uma poça vermelha. Kuahel Leon os dominava, limpando o sangue de sua espada.

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