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    Ursuline estava de volta ao campo de treinamento bem cedo na manhã seguinte. Não havia sinal de Riftan nem de Triton. Ele vasculhou a área com o olhar e franziu a testa. Não conseguia entender por que estava procurando por eles. Afinal, eles não tinham nada a ver com ele.

    Sacudindo a cabeça para afastar aquela curiosidade inútil, Ursuline caminhou até os bonecos de treino. Parou diante de um deles e começou a balançar a espada de madeira, prestando atenção especial ao movimento do punho para controlar a força. Não queria repetir o erro do dia anterior.

    Enquanto mirava pontos específicos no boneco, Ursuline sentiu uma mudança no ar. Olhando em volta, percebeu um grupo de cavaleiros se reunindo perto da arena de duelos.

    “Será que aqueles dois estão duelando de novo?”

    Ele hesitou por um instante antes de largar a espada e atravessar o campo de treinamento. Quando chegou à arena, viu Triton e Arthus frente a frente, conversando seriamente. Seus olhos se arregalaram ao ver aquele par inesperado.

    “O que está acontecendo?” perguntou Ursuline a um cavaleiro próximo. “Por que o Sir Arthus está com…?”

    “Eles decidiram fazer uma sessão de treino conjunto entre os cavaleiros reais e os Dragões Brancos” respondeu o cavaleiro com irritação.

    “Por que fariam isso?”

    “Alguns homens começaram a discutir sobre quem teria direito à arena. A discussão esquentou, e o Sir Arthus e o Lorde Triton intervieram para mediar” explicou o cavaleiro com um suspiro. “Agora eles concordaram em fazer um exercício conjunto.”

    Ele parecia aborrecido com a ideia de ter que cruzar espadas com os Dragões Brancos, e era compreensível. Sabia-se que a maioria dos Dragões Brancos era formada por cavaleiros de casas nobres caídas em desgraça ou ex-mercenários. Ursuline, no entanto, sentiu uma estranha centelha de expectativa. Os cavaleiros quase nunca lhe davam atenção, mas talvez algum escudeiro aceitasse treinar com ele.

    Instintivamente, Ursuline procurou por Riftan Calypse, que estava sentado nos degraus, concentrado em cuidar de sua espada. Parecia completamente desinteressado no treino conjunto. Mesmo assim, Ursuline se aproximou e parou bem na frente dele.

    “O que você quer?” perguntou Riftan, levantando a cabeça e o encarando.

    Ursuline recuou ligeiramente. Encarar aqueles olhos negros como carvão tão de perto fez sua coluna se enrijecer. Nunca se sentira tão intimidado na vida, nem mesmo diante do rei.

    Engolindo em seco, Ursuline respondeu:

    “Gostaria de duelar com você.”

    “O quê?” Riftan o avaliou de cima a baixo e então soltou uma risada de descrença.

    Sentindo-se ofendido, Ursuline disparou:

    “Também serei cavaleiro dentro de duas estações. Sou mais do que capaz de enfrentar—”

    “Não estou interessado. Procure outra pessoa” interrompeu Riftan, voltando a cuidar de sua espada.

    Ursuline sentiu o rosto queimar. Era humilhante ser tão completamente ignorado por alguém que considerava um possível oponente. Rangendo os dentes, ele retrucou:

    “Está com medo de ser humilhado?”

    Riftan olhou para ele, mais surpreso do que irritado. Respirou fundo como se reunisse paciência antes de lançar um olhar penetrante. Nesse momento, uma gargalhada estrondosa ecoou atrás deles.

    “Bom, vou te contar, isso é uma cena divertida.”

    Ursuline se virou bruscamente e se encolheu ao ver um homem gigantesco parado ali. Incrivelmente, ele era ainda maior que Riftan Calypse, enorme mesmo para os padrões do Norte. Ursuline ficou paralisado diante do tamanho do homem enquanto ele subia os degraus com passos lentos e jogava um braço sobre os ombros de Riftan.

    “Por que não recompensa a coragem dele com uma luta?” disse o gigante.

    “Cai fora.”

    “Ah, vamos, seja legal. Ouvi dizer que você prometeu ao comandante que ia se comportar por enquanto.”

    Riftan lançou um olhar fulminante ao brutamontes, que apenas sorriu com desdém.

    “Está com medo de ser humilhado? Quer que eu lute com ele no seu lugar?” provocou o homem.

    “Se você não tirar a mão de mim agora mesmo, vai se arrepender pelo resto da vida, Hebaron Nirtha.”

    O homem ergueu os braços em rendição fingida.

    “Minha nossa, que assustador. Estou tremendo de medo.”

    Riftan lançou um olhar gelado ao gigante antes de estalar a língua e se levantar. Enquanto se afastava, olhou para Ursuline e chamou:

    “Venha. Vou lhe dar o que quer.”

    Ursuline engoliu em seco e o seguiu até o campo de treinamento. Os cavaleiros que duelavam em pares os observaram com interesse. Parecia que, querendo ou não, também estavam atentos ao cavaleiro promissor de quem tanto se falava.

    Não era surpresa. A presença intimidadora, mas única, de Riftan Calypse era suficiente para deixar qualquer um nervoso.

    Encontrando um espaço vazio, Riftan se virou para Ursuline.

    “Agora, saque sua espada.”

    Ele então puxou sua própria lâmina da bainha. Pelo visto, pretendia duelar com espadas de verdade.

    O coração de Ursuline batia tão forte que parecia ecoar em seus ouvidos. Ele sacou sua espada da cintura e se preparava para atacar quando uma voz estrondou pelo campo.

    “O que vocês pensam que estão fazendo?”

    Ursuline se virou e viu Wolfgar Ricaydo, vestindo um perponte carmesim sob a armadura prateada, marchando em direção a eles. Seus homens vinham logo atrás. Ao ver o fogo nos olhos de Wolfgar, Ursuline se enrijeceu, confuso com a fúria do irmão.

    Embainhando a espada, Ursuline endireitou as costas.

    “O que o traz aqui—”

    Sua pergunta foi interrompida por uma mão impiedosa agarrando sua garganta. O rosto de Ursuline se contorceu de dor.

    Wolfgar sacudiu o irmão violentamente, sufocando-o.

    “Não tem orgulho como nobre? Você ousa cruzar espadas com esse bruto insignificante e manchar o nome da nossa família?”

    A multidão soltou um suspiro coletivo. Wolfgar ignorou as expressões atônitas ao redor, soltando Ursuline com um gesto de nojo, como se quisesse se livrar de algo sujo.

    “Escute bem, seu imbecil,” rosnou ele. “Nós não duelamos com animais. Sabe por quê? Porque animais são criaturas que criamos e abatemos, não seres com quem se luta.”

    Ursuline tossiu, lançando um olhar desafiador ao irmão.

    Wolfgar devolveu o olhar com raiva.

    “Arrume suas coisas. A partir de agora, você vai acompanhar meus homens. Vamos recomeçar seu treinamento.”

    “Eu pertenço aos cavaleiros reais. Pai quer que eu treine aqui com—”

    Ursuline ofegou com o impacto pesado de algo atingindo seu crânio. Sua visão ficou momentaneamente turva.

    Wolfgar agarrou-o pelos cabelos e sibilou:

    “Você ousa me desafiar? Eu sou o futuro conde, e você é membro da Casa Ricaydo. Você obedece às minhas ordens.”

    “Mas você… ainda não é o conde.” Ursuline encarou o irmão com olhos injetados de sangue e acrescentou: “Você não tem o direito de me dar ordens.”

    Um brilho perigoso cintilou nas íris azuis de Wolfgar. Ele ergueu o braço musculoso. Ursuline arregalou os olhos, mas estava decidido a não demonstrar medo. No entanto, antes que o golpe pudesse atingir seu rosto, Evan Triton se colocou entre eles, agarrando o pulso de Wolfgar.

    “O que significa isso?!” exigiu o visconde.

    “Isto é um assunto de família. Não se intrometa,” rosnou Wolfgar.

    “Prometi a seu pai que ajudaria este rapaz da melhor forma possível caso ele enfrentasse problemas.” O visconde apertou ainda mais o pulso de Wolfgar. “Solte-o.”

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