Os Dragões Brancos - Capítulo 05
Com um olhar hostil para o visconde, Wolfgar finalmente soltou Ursuline.
Ursuline levou a mão à cabeça latejante enquanto recuava. A raiva de Wolfgar, então, se voltou da direção do irmão para o homem que havia o impedido. Ele se aproximou de Triton, falando em voz baixa.
“Ouvi muito sobre você se aproximando do meu pai, mas não esperava que tivesse virado uma babá também. Está tão desesperado assim para ganhar favores?”
“Como ousa!” gritou um jovem cavaleiro dos Dragões Brancos, o rosto vermelho de raiva enquanto desembainhava a espada.
O visconde ergueu uma mão autoritária para detê-lo, antes de se voltar para Wolfgar com suavidade.
“Não imaginei que prestasse tanta atenção aos rumores sobre mim.”
“Impossível não ouvir. Você ao menos tem noção do que estão dizendo? Sobre sua tentativa ridícula de formar uma ordem de cavaleiros composta de toda a escória e lixo do Continente Roviden? E de como você se rebaixou a se prostituir para os nobres reais?”
O silêncio caiu sobre o campo de treinamento com o comentário profundamente ofensivo. O ar ficou pesado, como se uma luta pudesse começar a qualquer momento.
Rompendo o silêncio, Triton disse calmamente:
“Seria bom se reaprendesse boas maneiras com seu pai.” Ele balançou a cabeça com um suspiro e estalou a língua. “Tenho dois subordinados insolentes, mas eles não chegam nem perto de você.”
“Quem é você para me repreender?” rosnou Wolfgar, avançando de forma ameaçadora.
Seu avanço foi detido quando a lâmina de uma espada longa surgiu abaixo de sua garganta. Wolfgar recuou, surpreso ao ver Riftan Calypse na outra ponta da espada, prendendo-o com um olhar gélido.
“Você deveria saber que é perigoso fazer tanto barulho com um animal às suas costas,” murmurou Riftan sombriamente. “Ele pode fazer algo imprevisível.”
“Seu… seu cão desgraçado—”
O queixo de Wolfgar tremia de fúria. Ele parecia não acreditar que um plebeu havia lhe apontado uma espada. Rangendo os dentes, agarrou o punho da própria arma. Ao perceber que os cavaleiros ao redor estavam prontos para atacar, entendeu que estava em desvantagem. Cerrou a mandíbula e deu um passo para trás.
Lançando um olhar furioso a Riftan Calypse e Evan Triton, advertiu:
“Não vou esquecer isso.”
Wolfgar rapidamente conduziu seus homens para fora do campo de treinamento.
Ursuline observou o irmão se afastar, mas se enrijeceu quando Triton se aproximou e parou diante dele.
Os olhos do visconde estavam cheios de simpatia, e sua voz soou tensa de preocupação.
“Você está bem?”
Ursuline não respondeu e fugiu dali.
Naquela noite, Ursuline trocou-se para seu traje de gala e dirigiu-se ao salão de banquetes como se nada tivesse acontecido. A dor surda do orgulho ferido persistia, mas ele não iria se trancar no quarto como um covarde. Jamais permitiria que Wolfgar tivesse tanto poder sobre ele.
Endireitando os ombros, adentrou o vasto salão. Centenas de nobres lotavam o espaço luxuoso. Ao descer as escadas e examinar o salão, viu Riftan Calypse e os Dragões Brancos sentados a uma mesa próxima da entrada.
Alguns dos homens o reconheceram, acenando sutilmente, mas Ursuline os ignorou e avançou mais para o interior do salão. Logo, avistou seu pai, Wolfgar Ricaydo e os nobres reais reunidos em torno de uma longa mesa.
Ursuline conteve um suspiro ao sentir a atmosfera carregada. Wolfgar parecia determinado a provocar problemas naquela noite. Seja lá o que tivesse dito, tinha feito os rostos dos nobres se tornarem arroxeados de raiva. Depois de um momento de hesitação, Ursuline aproximou-se lentamente da mesa.
Ao avistá-lo, os olhos de Wolfgar brilharam com fúria.
Ursuline cerrou os punhos. Já sabia que Wolfgar estaria esperando por ele. O irmão mais velho nunca tolerava ser desafiado.
Wolfgar levantou-se de seu assento assim que Ursuline se aproximou.
“Estava justamente falando com o Pai sobre você.” Um sorriso lupino curvou seus lábios. “Ele disse que respeitaria sua decisão. Ficará feliz se você quiser se juntar à minha unidade.”
Ursuline olhou para o pai, que parecia aflito. Estava claro que o conde Ricaydo havia sacrificado o filho mais novo para apaziguar seu herdeiro problemático.
“Não desejo servir a você, irmão,” respondeu Ursuline calmamente, engolindo a amargura que subia pela garganta.
“É por causa do que aconteceu hoje?” Wolfgar perguntou, apertando o ombro do irmão com força, como se quisesse esmagá-lo. “Prometo me esforçar ao máximo para levantar seu ânimo. Venha, siga-me. Meus homens ficarão felizes em recebê-lo.”
“Eu não—”
“Ursuline.”
Ursuline se virou ao ouvir a voz do pai.
O conde Ricaydo suspirou baixinho.
“Soube do que aconteceu mais cedo. Wolfgar disse que gostaria de lhe pedir desculpas.”
Quando Ursuline não respondeu, o conde continuou:
“Ouça-o, pelo menos. Você poderá decidir depois.”
Ursuline manteve a boca fechada. O conde era cego em relação ao primogênito, querendo acreditar que a brutalidade de Wolfgar não passava de ímpeto juvenil.
Reprimindo a decepção que sentia, Ursuline virou-se para seguir o irmão. Wolfgar sorriu triunfante e o conduziu por um longo corredor no final do salão, mergulhado na escuridão. Ursuline olhou ao redor com nervosismo enquanto caminhavam.
Wolfgar não disse uma palavra até chegarem a uma área deserta, onde parou e virou-se para Ursuline.
“Agora podemos conversar em paz.”
Ursuline se enrijeceu levemente.
Nesse instante, uma voz suave soou das sombras.
“Concordo.”
Wolfgar girou para trás. Ao mesmo tempo, um braço longo surgiu da escuridão e puxou o corpo enorme de Wolfgar para dentro das sombras.
Os olhos de Ursuline se arregalaram.
Riftan Calypse tinha Wolfgar prensado contra a parede, com uma lâmina afiada encostada à sua garganta.
“Finalmente, podemos conversar em paz,” repetiu Riftan, a voz tão suave quanto veludo.
Wolfgar parecia desorientado, tentando compreender o que acabara de acontecer. Ursuline também estava atônito. Um silêncio sufocante tomou conta do lugar.
Então, a voz calma de Riftan rompeu o ar.
“Você disse algo hoje que não deveria. Quero que peça desculpas por isso.”
Seguiu-se outro silêncio gélido antes de Wolfgar soltar uma risada áspera.
“Você se refere a quando o chamei de animal?”
Riftan nada disse, e Wolfgar bufou.
“Muito bem, muito bem. Peço desculpas. Agora, se acabou, tire-se do meu caminho.”
Ele empurrou Riftan de volta após o pedido vazio, como se encarasse tudo aquilo apenas como uma brincadeira.
Um sorriso cruel surgiu nos lábios de Riftan. Ele aproximou ainda mais a adaga da garganta de Wolfgar e rosnou:
“Pareço estar brincando com você?”
Uma gota de sangue escorreu pelo pescoço. Só então Wolfgar pareceu entender a gravidade da situação, e o sorriso desapareceu de seu rosto. Ele se encostou ainda mais na parede, a voz falhando enquanto dizia:
“Você acha que vai se safar disso? Ameaçar um nobre com uma arma vai levar você direto à forca!”
“Antes disso, seu corpo inútil servirá como adubo,” respondeu Riftan suavemente, lançando um olhar para o jardim coberto de rosas.
O sangue sumiu do rosto de Wolfgar. Ele gritou desesperado para Ursuline, que continuava parado, rígido, atrás deles.
“Não fique aí parado! Vá chamar os guardas antes que—”
“Silêncio.”
Riftan pressionou a adaga sob o queixo de Wolfgar.
“Eu disse que viemos conversar. Continue gritando e não terei escolha a não ser acabar com isso agora. É isso que você quer?”
Wolfgar ficou imóvel e balançou a cabeça lentamente. Só então Riftan afastou um pouco a lâmina.
Quando se sentiu seguro, Wolfgar arriscou:
“O que você quer de mim?”
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