Pov do Riftan - Capítulo 26
“É mais benéfico para o Sir Calypse estar acompanhado por mim. Ter um mago vai te render mais comissões, e é muito mais seguro do que andar sozinho.”
“Qual dos dois é mais seguro?”
Os olhos de Riftan se abriram de repente, lançando um olhar gelado ao mago. Ruth apenas encolheu os ombros e admitiu francamente.
“Eu não quero ficar sozinho em um lugar como este! Não gosto de como tratam os magos aqui. Para ser honesto, tenho medo de que me arrastem para o júri da igreja a qualquer momento e não acho que mais alguém vá me proteger.”
Riftan apertou os dentes. Quantas vezes tenho que deixar claro para esse cara que não tenho intenções de protegê-lo?
“O que isso tem a ver comigo?”
O rosto de Ruth ficou vermelho com sua resposta brutal.
“Se eu tentar atravessar a fronteira sozinho, não sobreviverei. Serei roubado por ladrões, sequestrado por traficantes para ser abusado por nobres pervertidos, ou devorado por um monstro! Você tem certeza de que ficará bem se eu acabar assim? Eu salvei a vida do Sir Calypse algumas vezes e mesmo assim como você pode agir assim com seu salvador?!”
Riftan cobriu os ouvidos com uma expressão de nojo. O mago, que estava tagarelando com uma voz aguda, agora começava a lamentar, agarrando-se à bainha de suas calças.
“Sou um mago de primeira linha. Um mago genial aclamado pela Torre dos Magos! Vou estar ao seu lado, então qual é o seu problema com isso? O que é tão ruim para você rejeitar tão cruelmente?”
“V-você não vai deixar isso pra lá?!”
“Não posso deixar você ir mesmo que morra aqui! Para ser honesto, não confio nos outros mercenários! Se eu não tivesse me gabado de que você cuidaria de mim, eles teriam levado toda a minha parte. Faço coisas loucas e inimagináveis para as pessoas ganharem dinheiro quando tenho tempo, mas ninguém me paga tanto quanto você!”
Riftan pressionou a parte de trás do pescoço com a palma da mão e praguejou baixinho. Verdadeiramente, os truques e talento do cara eram úteis de muitas maneiras, ele mostrava reflexos louváveis em momentos de crise, especialmente em magia de cura e defensiva, graças à sua experiência. No entanto, a irritação que o sujeito barulhento provocava nele era insuportável. Riftan tentou afastar o mago sem dó.
“Olha aqui, já te disse muitas vezes que estou confortável ficando sozinho. Se você precisa de alguém para te proteger, procure outra pessoa. Com sua habilidade, não apenas uma ou duas pessoas estarão mais do que dispostas a te contratar, então por que você está tão apegado a mim? Qualquer lorde que ouça que você é um mago de primeira linha vai te receber de braços abertos!”
“Você pode dizer isso, mas não é verdade!” O mago exclamou amargamente, puxando seus cabelos encaracolados em frustração. “Estou vagando porque estou me escondendo da Torre dos Magos. Nenhum lorde terá coragem de me manter ao seu lado quando descobrir que eu me rebelava e outros magos me desprezam.”
Foi a primeira vez que ele ouviu sobre isso. Ele já havia sentido que Ruth estava envolvido em uma situação vaga e complicada, mas pensar que ele virou as costas para a Torre dos Magos… ele nem conseguia imaginar o que ele poderia ter feito.
Riftan pressionou os polegares contra suas têmporas latejantes.
O mago parecia extremamente lamentável e persistente também, com certeza ele o seguiria mesmo assim, então seria difícil afastá-lo a menos que o nocauteasse inconsciente, mas ele não queria ir tão longe. Eventualmente, Riftan proferiu sua resposta em resignação.
“Tudo bem. Vou deixar você se juntar a mim. No entanto, haverá algumas condições.”
“Condições?”
Ele assentiu. “Não fale comigo a menos que seja absolutamente necessário.”
O lábio inferior de Ruth se projetou para fora. Riftan estreitou os olhos para ele e falou firmemente, enfatizando cada palavra de seu discurso.
“Não faça perguntas inúteis. Não seja irritante, não me incomode, e se apenas me seguir quieto como se não existisse…”
O mago resmungou. “Por que você simplesmente não cola minha boca?”
Riftan falou com aspereza entre os dentes. “Se você não pode fazer isso, então desça da maldita carroça agora!”
“… quem disse que não posso?” Ruth imediatamente baixou o tom. “Tudo bem. Vou ficar tão calado que você nem vai perceber que estou bem ao seu lado.”
Riftan o observou desconfiado e soltou um pequeno suspiro.
Quando a atmosfera mudou completamente, Ruth começou a cantarolar suavemente e se enrolou em um cobertor para se proteger do vento gelado. Era óbvio que a viagem seria incrivelmente irritante. Riftan cerrou os dentes e fechou os olhos.
Contrariando suas expectativas, o mago não era o pior companheiro que ele poderia ter tido. Na maior parte do tempo, ele estava deitado, enrolado em um cobertor, tirando uma soneca despreocupada.
E quando estava acordado, ele também fazia a sua parte diligentemente, como montar e acender uma fogueira ou preparar uma refeição.
Às vezes, ele era irritante quando resmungava consigo mesmo ou incomodava Riftan, mas quando o guerreiro lhe lançava um olhar sério, ele imediatamente calava a boca. Afinal, era algo que ele conseguia tolerar.
Eles viajaram em uma carroça puxada por cavalos por um dia inteiro e descansaram em uma pequena vila. Felizmente, conseguiram se juntar a mercadores que seguiam para a região sul. No início, os mercadores relutaram em contratá-los, mas a maioria dos mercenários já havia partido para o norte em preparação para a guerra civil, então não tiveram escolha.
Riftan recebeu seis moedas de prata por escoltar os mercadores até Osiriya. Era uma quantia ridiculamente baixa, mas ele não se incomodou em negociar, já que seu objetivo não era realmente o dinheiro, mas sim uma forma de viajar. Além disso, encontrar um mercador que contratasse um homem de origem mista como ele na região norte era como procurar uma agulha em um palheiro.
“Aqui está, esse é o pagamento”, disse Riftan, entregando três moedas de prata para Ruth.
O mago pegou-as friamente e lhe lançou uma expressão decepcionada. “É assim que vamos viajar por milhares de milhas?”
“Se tiver alguma reclamação, volte para os Mercenários do Chifre Negro agora. Conseguir trabalhos que paguem assim é comum se você não tiver um intermediário.”1
Riftan respondeu de forma direta e carregou sua bagagem na sela. Ele não teve escolha senão comprar dois cavalos para que pudessem escoltar as carroças adequadamente. Riftan olhou para o cavalo, que parecia fraco demais para ele montar, e depois para o grupo de comerciantes se preparando para a viagem.
O grupo deles consistia em doze mercenários e catorze comerciantes. Embora os comerciantes parecessem ter boa compleição física, como a maioria dos nortenhos, ele não podia ter certeza se seriam úteis caso encontrassem uma horda de monstros ou ladrões.
Riftan avaliou as habilidades dos mercenários com seus olhos perscrutadores e foi para o meio do comboio. Quando todas as preparações para a jornada foram concluídas, eles partiram da vila e começaram a se mover para o sul.
A viagem correu mais suavemente do que ele esperava. Embora uma tempestade de neve os atingisse no meio do caminho, havia um aspecto positivo nisso, já que havia menores chances de encontrar ladrões ou monstros em um dia ruim. Eles conseguiram chegar a uma pequena cidade ao sul através da terra congelada sem nenhum contratempo. Lá, descansaram e seguiram direto para as fronteiras.
Após cerca de duas semanas de viagem, Riftan finalmente pôde ver um pouco de pastagem. As planícies de Osiriya, que marcavam a estação das chuvas, estavam cobertas por um verde fresco, e um grupo de veados bebia tranquilamente água cristalina de um riacho de fluxo rápido. Eles estacionaram suas carroças perto do riacho e deixaram os cavalos pastarem na grama.
“Acho que chegaremos à capital em uma semana mais ou menos.”
Um comerciante, que estava sentado no assento do cocheiro, olhou para o mapa e depois se virou para Riftan para perguntar. “O que você planeja fazer quando chegarmos ao nosso destino?”
Riftan olhou para ele com uma expressão confusa. Ele sempre estava desconfiado quando as pessoas falavam com ele, pois sempre mantinha uma aura inacessível. Ele mastigou um pedaço de carne seca e respondeu com um tom azedo.
“Vou descansar por alguns dias e depois procurar uma nova missão.”
O rosto do comerciante de repente ficou visivelmente mais animado. “Vamos ficar por cerca de 10 dias, comprar alguns produtos e depois voltaremos para Balto. Você ainda será minha escolta? Vou pagar o dobro do preço na volta.”
Os lábios de Riftan se curvaram no canto. Eles encontraram uma matilha de filhotes de lobisomem duas vezes enquanto cruzavam a fronteira. Ele supôs que o comerciante gostou dele depois de ver suas habilidades durante o ataque. Riftan enfiou o restante da carne seca na boca e limpou as mãos.
“Agradeço pela oferta, mas tenho que recusar. Estou planejando ficar em Osiriya por enquanto.”
Uma expressão leve de decepção nublou o rosto do comerciante. “Talvez, você esteja planejando participar do torneio de espadas organizado pela igreja?”
Riftan franziu a testa para a pergunta, que foi feita do nada.
“Torneio de Espadas?”
“Você não ouviu falar? É um grande torneio onde espadachins exibem suas habilidades e competem, enquanto os nobres e a realeza de todos os países assistem. É o lugar perfeito para um espadachim errante como você se tornar conhecido.”
“Essas competições geralmente são limitadas para cavaleiros participarem, não são?”
“Isso não é verdade, mesmo em torneios de justa, qualquer um pode participar livremente. O torneio de espadas é organizado pela alta igreja e a taxa para participar é apenas de dois denários.”
- Nota – Os intermediários são pessoas que encontram clientes para os mercenários trabalharem, por exemplo, Samon[↩]
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