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    No momento em que entrou no prédio, Elliot ouviu uma grande torcida vindo de perto. Ele tirou sua capa encharcada de chuva e a entregou a um atendente antes de virar a cabeça na direção do som.

    Em um canto do salão bem iluminado, havia um grupo de cavaleiros reunidos. Parecia que a chuva os havia deixado sem nada para fazer, fazendo-os se entreter com jogos para passar o tempo.

    Elliot riu baixinho enquanto atravessava o salão. Quando subia as escadas em direção à sala do conselho, viu Hebaron Nirtha e Ulyseon Rovar no centro dos cavaleiros reunidos.

    Ele parou para observar os dois com mais atenção. Parecia que estavam no meio de uma disputa de quebra de braço, ambos inclinados sobre a mesa com as mãos entrelaçadas, os rostos tensos de esforço.

    “É um evento bom demais para perder,” pensou Elliot.

    Acariciando o queixo em contemplação, ele deu meia-volta, desceu as escadas e se juntou ao grupo.

    Contrariando suas expectativas, Ulyseon estava se saindo surpreendentemente bem. Demonstrando uma força bruta incompatível com sua aparência esguia, o jovem cavaleiro estava em um empate quase total com Hebaron, provocando gritos empolgados da plateia.

    E não sem motivo. Quando se tratava de pura força, ninguém na ordem conseguia superar Hebaron Nirtha. Até Sir Riftan cederia o campo em uma disputa dessas. No entanto, Ulyseon mantinha sua posição enquanto Hebaron tentava forçá-lo para trás, centímetro por centímetro.

    Um dos cavaleiros, observando com o fôlego preso, gritou: “Sir Nirtha! Você deveria estar se saindo melhor que isso!”

    Hebaron bufou alto com o comentário. “Não me apresse. Estou só me divertindo um pouco.”

    “Pare com a farsa, Sir Nirtha. Seu braço está tremendo como uma folha,” Ulyseon zombou, um sorriso malicioso se estendendo por seu rosto bonito. “Parece que você não é mais o homem que costumava ser. O tempo realmente chega para todos, não é?”

    A provocação acertou em cheio. Uma veia pulsou na testa de Hebaron enquanto ele se inclinava para frente, tensionando os músculos de seus bíceps já volumosos.

    “Eu estava tentando ajudar nosso pequeno a manter a dignidade, mas vejo que só está inchando sua cabeça.”

    “Vamos ver por quanto tempo você consegue manter isso—”

    Ulyseon parou abruptamente no meio da resposta. Sua mão, que estava flutuando precariamente no meio do caminho, começou a descer. O sorriso confiante desapareceu do rosto do jovem cavaleiro com a súbita explosão de força vinda do homem mais velho, como se ele estivesse apenas brincando até então.

    Com os dentes cerrados, Ulyseon lutou desesperadamente para resistir, mas sua mão inevitavelmente bateu na mesa com um estrondo. Gritos de desapontamento se ergueram da plateia enquanto o vencedor era decidido em um piscar de olhos.

    “Maldita seja!” exclamou Ulyseon, batendo na mesa.

    Depois de olhar para o jovem cavaleiro com uma expressão triunfante, Hebaron levantou o punho vitorioso no ar.

    “Viram isso, rapazes?”

    Claramente pouco impressionados com a sua fanfarronice, os cavaleiros ao redor da mesa vaiaram e zombaram.

    Observando a cena com os braços cruzados, Elliot balançou a cabeça em reprovação silenciosa. Era claro que o homem não conseguia se livrar do hábito de cutucar o orgulho de seus subordinados.

    Elliot se virou com um suspiro silencioso. Ele mal deu alguns passos quando Hebaron o alcançou e o agarrou pelo ombro.

    “Ei, onde você estava com esse tempo?” perguntou Hebaron em seu tom característico e vagaroso.

    “Eu estava encontrando nossos informantes para saber o que está acontecendo no leste,” respondeu Elliot, com a expressão sombria e um ar de desespero.

    “Oh! Alguma novidade?”

    “Nada de substancial. Apenas que uma longa batalha legal começou entre a família real e a Casa de Croyso sobre a decisão de ceder algumas terras do ducado para Dristan. E que o Duque de Croyso ainda está conseguindo se segurar à vida.”

    Uma gargalhada estrondosa escapou de Hebaron diante da resposta ácida de Elliot. “Que boas notícias! Como eu estava preocupado que aquele malfeitor fosse fechar os olhos em paz. Eu queria que ele caísse depois de ver suas terras preciosas entregues a Dristan.”

    Elliot soltou uma risada. “De qualquer forma, parece que o leste logo será mergulhado no caos. A Casa de Croyso efetivamente lidera os nobres conservadores, mas com eles tão enfraquecidos assim… e parece que o Conde de Loverne já começou a atrair os nobres conservadores do leste para o seu lado, provavelmente aproveitando a oportunidade para expandir sua influência. Devemos também…” Hebaron fez um gesto de desgosto ao mencionar a política.

    “Ah, chega disso tudo! Eu quero um dia tranquilo, sem preocupações.”

    Desde que retornara a Anatol, Hebaron havia sido encarregado de fortalecer os laços com os nobres em sua aliança em nome de seu comandante. Era evidente que ele estava tendo dificuldades com os astutos nobres, pois logo mudou de assunto, torcendo a expressão de desgosto.

    “Agora chega de conversa chata. Sente-se e me faça companhia com um jogo.”

    Elliot imediatamente levantou as mãos em sinal de rendição. “Vou passar. Prefiro não desperdiçar minha energia em uma luta que eu não posso ganhar.”

    Hebaron lançou-lhe um olhar desaprovador. “E você se chama de cavaleiro?”

    “E você some rapidinho quando eu proponho um jogo de arco e flecha ou uma corrida a cavalo. Se você está tão ansioso para se vangloriar, Sir Nirtha, sugiro que encontre outro. Tenho que relatar meus achados para o comandante—”

    Elliot estava acenando com a mão como se estivesse espantando uma mosca quando, de repente, parou. A porta se abriu sem aviso, revelando a Senhora de Anatol.

    Ele sorriu para ela com uma expressão satisfeita. Ela estava em seu vestido de linho simples e uma longa capa solta, típica das vestes de magos, com seus cabelos ondulados presos no alto e caindo por um dos ombros.

    Ele sorriu levemente para o traje ao qual todos estavam tão acostumados, mas logo percebeu a expressão séria e rígida em seu rosto.

    Aconteceu alguma coisa?

    Parece que ele não era o único a notar o mau-humor dela, pois o salão barulhento caiu imediatamente em silêncio. Só Ulyseon, alheio como sempre, correu até ela e quebrou a tensão com uma saudação alegre.

    “Minha senhora! O que a traz aqui a esta hora?”

    Maximilian Calypse parou de caminhar pela sala e lançou-lhes um olhar feroz. Elliot engoliu em seco. Chamas de raiva brilhavam em seus grandes olhos cinzentos enquanto ela analisava cada um dos cavaleiros.

    Com uma voz gelada, ela perguntou: “O senhor de vocês está na sala do conselho?”

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