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    ❖ ❖ ❖

    Após escutar as suas palavras, Kazuki deixou de lado por um momento a sua implicância. Aquela não era exatamente a hora para brincar, visto que pensou que a situação era frágil.

    Em sua visão, enquanto estavam rindo e entrando em conversas aleatórias, havia pessoas naquela mesma região que estavam passando por experiências complicadas.

    Antes mesmo de chegarem nas carruagens, mães que perderam seus filhos, órfãos e pessoas feridas estavam sendo transportadas — suas expressões não passavam de inexpressivas, à medida que caminhavam sem um rumo em suas miseráveis vidas. 

    No entanto, ao contrário do pensamento do homem-fera, Matsuno continuou a conversar mais casualmente e com um tom mais alegre. 

    Por conta disso, Kazuki inclinou sua cabeça para o lado e ficou desconfortável com aquela cena. 

    — É sério que está brincando em uma situação dessas? 

    Após escutá-lo, o homem, em resposta, cruzou as pernas, colocando o cotovelo em cima delas e apoiando a cabeça sobre sua mão. 

    Ele deu uma pequena risada, em seguida sua expressão mudou, saindo do casual para uma semblante de seriedade. 

    — Como você espera que eu me comporte? 

    Ele simplesmente perguntou.

    A atmosfera mudou completamente com apenas uma mudança de comportamento e uma pequena indagação, foi até certo ponto surpreendente ver como tudo desapareceu. 

    Kazuki não soube responder. 

    Ele entreolhou o rosto do cavaleiro negro e o chão. Refletiu por um momento e chegou à conclusão que talvez uma atmosfera silenciosa não seria viável. 

    Sua boca até se abriu para falar, mas ele disse apenas: — Bem…

    Matsuno então declarou: 

    — O clima já é bem tenso, então por que eu deveria ficar sério? Vamos conversar numa boa. Vamos nos divertir, rir e se alegrar.

    Ele complementou em seguida, dando uma risadinha de lado e abrindo um grande sorriso. 

    — Preciso contrastar com o ambiente. Não podemos pensar sempre nos problemas, se não vamos ficar igual aos meus soldados. Não acham? Eles sempre agem de maneira tão formal e educada, chega a ser meio entediante às vezes conversar com eles.

    Assim que escutou, Kazuki virou-se para ver a reação de Rei, para saber o que o garoto achava daquela afirmação. O garoto não disse nada, mas inclinou seu olhar para o lado — como se estivesse concordando com a visão de Matsuno.

    O semblante dele parecia dizer, “Ficar em silêncio ou sério não vai adiantar nada, vamos apenas ficar estressados sem nenhum motivo. Você deveria relaxar um pouco e conversar”.

    O seu gesto disse mais do que mil palavras, então o homem-fera soltou um suspiro. Ele pensou por um momento e chegou à conclusão que talvez estivesse muito tenso e pensando demais na situação. 

    Ele olhou para o outro lado da fogueira e então finalmente notou como Mia e Takayo pareciam brincar com Tyrant e Rina. Eles estavam rindo enquanto Mia batia e dava tapinhas nas costas de Takayo.

    Nessa hora, o estudante olhou para o céu e disse: 

    — Você tem razão, não vamos ficar sérios — comentou com bastante ânimo, chamando a atenção dos dois para si. 

    — Não é?

    Matsuno concordou.

    — Por quê não participamos de um jogo então? 

    O estudante indicou com um sorrisinho no rosto, colocando as mãos no bolso. Seu olhar estava brilhando naquele momento.  

    — Hmm… Eu topo, não temos mais nada para fazer de qualquer jeito. 

    Matsuno foi o primeiro a responder, entrando de cabeça na brincadeira. 

    — E você, Kazuki? Não vai querer participar? — perguntou Rei. 

    Após ouvi-lo, o homem-fera soltou um suspiro e então balançou a cabeça para concordar. Ele não queria ser o chato, sempre sendo o do contra. 

    — Beleza. Vamos lá então. 

    Rei disse, em seguida complementou com uma voz animada: 

    — Vamos jogar verdade ou desafio. 

    No momento em que disse isso, uma garrafa de saquê com três pequenos copos em cima foram criados.

    O cavaleiro negro estranhou o motivo daquilo ter acontecido, — ele apenas viu algo sendo criado do nada — então decidiu ignorar qualquer ideia absurda que tivesse em mente. 

    — Desafio ou verdade? O que é isso? 

    Matsuno indagou com bastante dúvida em seu olhar, mas parecia animado com a ideia. Em sua visão, era ainda mais excitante jogar algo que desconhecia. Isso deixava-o ainda mais curioso e excitado com a situação. 

    — É bem simples, cara. Você só vai ter que responder algumas das minhas perguntas. Cada um vai responder e perguntar. Bem de boa, não acha? 

    O estudante deu uma pequena risada, inclinando seu rosto para o lado e oferecendo os copos de bebida para os dois homens ao seu lado, que estavam fazendo até muito contato físico com o estudante. 

    Kazuki parecia ter compreendido, e como confiava em Rei, decidiu jogar e não fazer perguntas desnecessárias. Ele pegou um copinho da mão de Rei e ficou parado, enquanto esperava que o garoto começasse. 

    Matsuno pegou o outro copo que estava nas mãos de Rei, no momento seguinte olhou para o rosto do garoto e perguntou com um pouco de dúvida: 

    — E se eu não quiser responder?

    — Então você paga as consequências. Vai ter que beber um copo inteiro de saquê, então vai ter que fazer algum desafio que vou colocar. Por que está me olhando assim? Está com medo? 

    O estudante respondeu, provocando o cavaleiro negro diante dele que parecia surpreso, mas compreendeu a essência de toda aquela brincadeira. 

    — Hahahaha! Certo! Certo! Muito bom. Muito bom. Gostei da ideia, vamos nessa.

    Ele riu com aquela provocação boba. Colocou o copo na frente de sua mão e esperou que o estudante começasse.

    Rei criou um pequeno dadinho de 6 lados em sua outra mão, entendendo-o para que os dois rapazes ao seu lado pudessem vê-lo. 

    — Não vou seguir o padrão. Vamos decidir quem será escolhido por meio desse dado, escolham um número. 

    — Gostei. Decidir por meio do destino. Isso significa que alguém pode ser escolhido várias vezes, né não? Vou ficar com o número 1 e 6 então. — Matsuno foi o primeiro a responder. 

    — 4 e 5. — Kazuki decidiu logo em seguida. 

    — Então vou ficar com o que sobrou, 2 e 3. 

    Após dizer isso, o estudante esticou o seu braço para arremessar o dado no chão. 

    — Vamos apostar. 

    …  

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