Capítulo 141: Expectativas quebradas
Um gemido, bocas abertas e olhos de volta ao normal. O feitiço havia sido quebrado e novamente, olhavam de um lado para outro como se estivessem buscando algo que estivesse faltando: sua memória. Estavam confusos. Já era a segunda vez que acontecia: mas dada as memórias que haviam obtido na primeira vez, chegaram a pessoa que havia feito isso e voltaram aos seus afazeres.
Como se nada tivesse acontecido. Não era como se eles pudessem fazer alguma coisa, visto que era uma aventureira rank S que mal respeitava seus colegas e saia em pune, quem diria eles?
— Droga, Íris! Dessa vez, você foi longe demais!
Luvru bateu na mesa com o cenho franzido, a fazendo tremer, os copos vazios dando um pequeno salto.
— É só agora que você notou que ela vai costuma ir longe demais? — Zestas entornou um pingo do que havia sobrado na garrafa, criando pequenas poças naquela madeira.
— O que será que ela fez agora? Até abandonou seus guardas….
Ao revirar os olhos, Eskilo encontrou aqueles homens zelando pelo trono como cães fiéis a sua dona, aguardando que ela voltasse a qualquer momento, com quem sabe, um osso.
— Q-Que mulher cruel… — murmurou Fémur, tremendo, enquanto se abraçava.
— Quer que eu vá atrás dela? — questionou Zestas, girando a garrafa.
— Não. Deixa estar. Ela não fará nada demais. Apesar de infantil e compulsiva, ela sempre age conforme o ordenado.
— É mesmo, não é? — Zestas sorriu. — Mas acho que até é bom ela estar com eles, pode facilitar muito o trabalho deles. Apesar de ter minhas ressalvas, já que aquela mulher é uma mimada…
— Então vocês sabem a localização deles? — Eskilo perguntou com as sobrancelhas cerradas. Fémur tremeu com gemido. — Porque não abriu logo o jogo?
— Calma aí, Eskilo. A razão de estarmos falando disso naturalmente é porque estamos abrindo o jogo, não acha? Nós só não queríamos falar sobre isso para não provocar um alarde entre os demais aventureiros…. — disse Zestas, revirando um dos seus olhos para aqueles aventureiros que estavam observando o quadro de missões como se tivessem alheios a conversa daquele grupo. — Mas agora acho que eles podem ter ouvido tudo.
— Para começo de conversa, por que estamos fazendo reunião aqui onde tem gente, se essa reunião deveria ser super secreta?
— É uma boa pergunta — disse Zestas, olhando para o mestre dos aventureiros.
— Eu não planejava revelar nada mais do que o necessário. A única coisa que eu queria era que houvesse testemunhas sobre o que estou dizendo. Desse jeito, as pessoas vão saber da verdade. Mesmo que seja por fofoca.
— Hum, faz sentido — anuiu Eskilo. — Assim você coloca as pessoas para repensarem sobre o manipulador charlatão e sua corja? Não esperava menos do Luvru!
— Mas é uma faca de dois gumes… — Fémur tremeu enquanto sussurrava com uma voz quase inaudível. Como se fosse um ratinho. Como ninguém o percebeu, ninguém o questionou.
— Dito isso, estamos encerrados. — Luvru levantou. Zestas também. — Agora estamos indo para capital real.
— Boa sorte aí. — Eskilo levantou a mão.
— Se cuidem e não partam os ossos… — sussurrou Fémur, acenando a mão em um estalo.
Assim, Luvru e Zestas deixaram a Guida e foram para a oficina do Alexodoro, onde a encontraram fechada. Foram depois a sua casa, mas também estava fechada.
Ninguém dos que eles haviam encontrado pelo caminho sabiam dizer alguma coisa sobre o paradeiro do sr Alexodoro e o Xavier.
— O que será que aconteceu? É como se tivessem sumido do mapa…
— Por outro lado acho isso bom — disse Zestas entrando de volta na carruagem. — Pelo menos estão vivos… Só que em algum lugar.
Mestre dos aventureiros não respondeu nada, apenas entrou na carruagem com o destino ao palácio de Hengracia.
(…)
Depois de uma boa viagem, pausa numa pousada para comer, beber e dormir, aqueles dois aventureiros finalmente chegaram ao palácio real. Foram recebidos pelos guardas, que os conduziram até a sala do trono onde o rei os aguardava ansiosamente na companhia da sua esposa e do seu filho. Ambos ao lado do seu trono como se fossem seu braço direito e esquerdo.
Príncipe estava em sua armadura como um soldado em prontidão. Depois da traição do Alecrim, não confiava em mais ninguém. Qualquer um era suspeito: principalmente aqueles dois aventureiros. Para começo de conversa, nunca gostou de aventureiros. Eram imundo e sujos que ganhavam a vida lutando contra monstros das masmorras por migalhas.
Diferentemente, daqueles que ele tanto admirava: soldados. Aqueles conquistavam território. Sua missão era proteger o reino e não sair em aventuras banais e triviais.
Se um dia fosse rei: eliminaria de vez a profissão de aventureiro. Soldados poderiam muito bem se encarregar das masmorras sem a necessidade.
Mas isso não era o mesmo que uma aventura? o garoto entrou em um dilema. Não queria admitir que aventureiros eram necessários. Na sua cabeça vinha: soldados são mil vezes melhores e superiores que aventureiros.
Já sua mãe vestia a vermelho. Gostava da cor de sangue. Estava batendo seu leque vermelho enquanto observava aqueles aventureiros.
Zestas estava bem apresentado. Vestia como um nobre. Trazia consigo um terno preto renascentista com bordados dourados em contraste ao Luvru que não tinha bordado algum. Não tinha bafo de bebida, o cabelo estava raspado na régua. Tudo graças ao mestre dos aventureiros, que o obrigou a fazê-lo se não quisesse que sua cabeça fosse parar na guilhotina.
Até ele sabia que não dava para afrontar o rei. Mesmo agora, seu olhar sobre eles era desagradável, tinha a cara de quem havia acabado de sair de um pesadelo. Eram olheiras e rugas que não saiam por nada, não importava quantas vezes lavava a cara ou aplicasse algum produto real.
— Vossas majestades….
Ambos encurvaram a cabeça e então levantaram.
— Luvru… Você é o amigo da minha filha Istar, não é?
Luvru não esperava que as primeiras palavras do rei fossem essa. O que sua filha Istar tinha a ver com o assunto a qual tinha mencionado: sobre o andamento da missão captura do manipulador charlatão e sua corja.
— Sim, meu senhor.
— Então, por que ela me traiu?! — Os olhos do rei se arregalaram.
— Senhor?
— Minha filha fugiu com o bobo da corte. Minha filha me abandonou!
Ele pegou a cabeça como se estivesse sentindo pontadas. E enrugou o rosto em desdém. Sempre foi indiferente à filha, mas agora que ela o havia abandonado não parava de pensar nela.
— O Alecrim?
— Não mencione o nome desse imundo!
— Perdão, senhor! — Luvru encurvou a cabeça com a mão no peito, puxando o Zestas ao colocar a sua mão nas suas costas para o mesmo pedido de desculpas. Ele se perguntava o que ele também tinha a ver com isso.
— Meredith também me abandonou para fugir com o manipulador charlatão… — Arregalou os olhos, como se tivesse feito uma descoberta que mudaria o mundo. — Espera, é isso! Estão todos amaldiçoados!! Minha filha foi amaldiçoada pelo Alecrim, que foi amaldiçoado pelo manipulador charlatão!
— Também concordo — disse o príncipe. — Não há justificativa para minha irmã fugir com um imundo como aquele…
— Aquela menina é tonta, mas não o suficiente para abandonar a vida de luxo para fugir com um zé ninguém. — Abriu o leque agressivamente e começou a soprar vento para o seu rosto excessivamente maquiado.
Por fim, tudo o que aqueles dois aventureiros queriam dizer para inocentar o manipulador charlatão caiu por terra. O ódio daquela família pelo manipulador charlatão havia crescido ainda mais. Eles sabiam só pelo olhar: Qualquer palavra que dissessem em sua defesa, resultaria em prisão por acusação de também terem sido amaldiçoados.
— E então, me falem?! Como andam as buscas?! Já ouvi boatos de que tiveram uma luta em Ahrmanica!
Se tal fofoca havia chegado aos ouvidos do rei, então a da conversa que tiveram na guilda não demoraria a chegar aos ouvidos do rei, o que significa que se eles não quiserem ser presos sob acusação de apoio ao manipulador charlatão, mesmo que fosse o mais racional, tinham de sair dali o mais rápido possível.
— Sim, mas não conseguimos capturar eles! Foram muito astutos! Fugiram com o rei dos bandidos!
Zestas acabou tendo que mentir para o rei, já que o Luvru não havia respondido imediatamente.
— Hum, então quer dizer que eles se aliaram a este homem? Entendo. Isso ficou ainda mais perigoso. — O rei então pegou seu ceptro e levantou para cima. — Ordeno que não há mais missões para aventureiros, retirem tudo. A única missão, para todos os ranks é exclusivamente capturar o manipulador charlatão e sua equipe!
Aquelas palavras eram um absurdo quando haviam masmorras para serem finalizadas, mas o rei não estava nem aí para isso. Seu ódio havia alcançado proporções alarmantes. E contra a palavra de um monarca, aqueles dois aventureiros só puderam assentir com a cabeça e se retirar da sala do trono com todas as expectativas quebradas.

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