Índice de Capítulo

    Enquanto apreciam uma noite privada só deles, a maioria das pessoas está em bares flertando, em festas dançando ao som das mais diversas músicas.

    Abraçados compartilhando o calor um do outro em um banco de uma praça, ou deitadas dormindo em suas camas aconchegantes.

    Seja uma cama de papelão, acompanhada de seu fiel companheiro, seja feita de espuma acompanhada de um amor casual ou para vida toda.

    Já Leila, encontrou no travesseiro, sua companhia.  

    Assim mais uma noite se esvai.

    Aos poucos os raios de sol invadem o quarto e iluminam sua face sem sua permissão. Despertando aos poucos, ela se espreguiça.

    Depois de pegar o celular escondido atrás do travesseiro. Procura onde marca as horas enquanto briga para abrir os olhos em definitivo. Ao ver que já são mais de oito da manhã. Ela se força a levantar.

    Leila decide ir preparar o café da manhã com várias guloseimas que sua filha ama. Assim, poderão aproveitar esta manhã onde nenhuma delas precisa fazer nada.

    E desfrutar do luxo da preguiça.

    O café foi servido e rapidamente devorado. Entre muitas conversas e brincadeiras, a manhã vai se despedindo sem ser percebida. Exceto pelo astro rei, que assume seu posto no centro de tudo, acima de todos que ousam o encarar.

    O almoço é marcado por uma caprichada lasanha e arroz com batatas.

    Leila não perde a oportunidade de desfrutar uma bebida amanteigada com um leve toque alcoolizado.

    Sarah até tenta beber um pouco escondida. Mas a única coisa que realmente consegue, é um bom e tradicional copo d’água.

    É claro que o café da tarde não poderia ser esquecido. Pão caseiro comprado de uma senhora que mora ali perto foi a bola da vez.

    As duas conversam por horas. Sarah conta histórias que viveu pela semana, não todas.

    — Você acredita que eles ficam fingindo que eu não sei de nada? — Sara murmura.

    — O primeiro amor é assim mesmo, íntimo, secreto e incompreensível. — Sua mãe até respira fundo ao lembrar um pouco de seu primeiro amor. — Pena que na minha terra natal, tinha tantas barreiras para se amar.

    “Como será que eles estão?” Ela se perde em pensamentos.

    Sarah só a observa encarar a parede com aquele olhar saudosista.

    Leila aproveita para contar uma de suas histórias também. Dessa vez ela conta sobre quando esteve no arquipélago de Fiore e depois junto aos monges nas Montanhas da Redenção. Sobre seus hábitos estranhos, e até a sensação de que ali existia algo mais do que se podia imaginar.

    Sarah aprecia a empolgação de sua mãe a cada palavra. Enquanto explica, seus gestos são tão vivos e animados, que até derruba uma garrafa que estava sobre a mesa.

    Leila lembra Sarah, que um dia pretende levá-la para conhecer pessoalmente sua maior descoberta. Que se tornou seu maior presente. Ela diz que os monges não querem que seja removido de lá. Eles ficam de guarda para evitar que alguém que não mereça, alcance aqueles segredos.

    Essas palavras em especial, tocam no fundo do ponto fraco de Sarah, que já se imagina no meio de monges meditando e explorando montanhas, e descobrindo um pouco mais sobre o mundo e sobre si mesma.

    A noite chega, e Leila está à beira do fogão terminando de preparar uma janta especial para seu marido que volta hoje de viagem.

    — Que cara é essa mãe? Parece que viu algo na parede.

    — Acho que estou esquecendo de alguma coisa.

    — Normal, não sei como ainda não perdeu a cabeça por aí.

    Leila olha para Sarah com os olhos serrados enquanto pensa em maneiras de torturá-la. Aproveitando que Sarah se virou em direção a geladeira, a ataca por trás.

    Gargalhadas são arrancadas de sua filha, que revida. As duas conhecem os pontos fracos uma da outra.

    Nesse momento, a porta se abre, e após alguns segundos de caminhada pela casa, a pessoa tão esperada da noite chega.

    Cabelo castanho penteado para trás, baixo nas laterais, quase raspado. Barba rala e fechada. Olhos esverdeados que observam as duas se divertindo.

    Sua expressão é a de alguém que tem seus pensamentos distantes do momento que está.

    — Que susto! — Leila é a primeira que percebe.

    — Ahnn? AAA! Pai. — Sarah corre até ele, e lhe dá um abraço. — Como foi a viagem?

    — Foi produtiva, fechamos muitos negócios. — Com sua voz firme e marcante, Júlio responde enquanto olha para Leila vindo em sua direção.

    — Que bom que tudo deu certo. Estamos terminando de preparar a janta. — Leila o cumprimenta com um beijo rápido nos lábios enquanto termina de falar.

    — Eu senti o cheiro lá da rua e estava bom, mas acho que agora está começando a me parecer que algo está queimando! — Ele termina a fala puxando um pouco de ar pelo nariz.

    — Para! — Leila dá um leve tapa em seu ombro carinhosamente enquanto fala. — Eu nunca que iria deixar minha comida quei…

    Mas é interrompida.

    — Não mãe! Acho que está queimando mesmo! — Sarah acompanha seu pai em sua constatação enquanto da passos em direção ao fogão.

    Leila dá uma puxada de ar com nariz e rapidamente se direciona para a panela de arroz. Ao abrir a tampa, o cheiro de queimado incendeia a cozinha.

    Ela relaxa o ombro em desânimo, olha para a direção de Júlio e Sarah com a testa frangida e fazendo bico puxado para o lado.

    Ao se deparar com aquela cena, nem Sarah, nem Júlio conseguem se conter e começaram a rir.

    Depois de improvisarem um pouco de carne, ovo, salada e algumas batatas. Todos ali se sentem por satisfeito com o reencontro e com a noite. Esse clima perdura pelo restante da noite e se estende pelo domingo, que agora ganhou um reforço de peso.

    Júlio também conta um pouco de suas histórias sobre pequenas intrigas entre executivos e corporações, mas elas não são lá tão animadoras. Quando ele fala sobre o jogo, e como torceu, as duas se empolgam e começam a falar juntas também, e a reclamar e até xingar. Uma família. Esse é o sentimento que toma conta de Sarah.

    Um conforto caloroso que logo se despedaçaria.

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