Capítulo 108: Expectativas
Shymphony observa seu escudo por um momento e começa a caminhar até ele.
Helvetia se vira para eles, e olha primeiramente para Adão.
— O arqueiro? — Ela o indaga.
— Não se preocupe, logo se juntara as raízes dessa floresta. — Ele também se move, indo em direção ao centro.
Sarah continua ali parada, observando os novos detalhes do ambiente com olhar vago.
— Fico surpreso que nada tenha se danificado. — Ele passa reto e encarando o saco com a comida e para ao lado do tronco com água.
— Eles evitaram propositalmente os suprimentos. — Helvetia lança um novo olhar para o homem com linhas brancas caído ao centro da clareira. — No final eram só ladrões mesmo.
— Más é estranho, por que eu ou ele dificilmente erramos a quantidade de pessoas ao nosso redor. — Shymphony explana em voz alta já carregando o escudo e se aproximando.
— Eles provavelmente estavam aqui desde antes da gente chegar, esperando por uma emboscada. O grupo que vocês enfrentaram, era só um chamariz. É uma tática bem antiga que aprendi ainda criança. — Helvetia explana olhando para algum canto da mata.
— Como assim? — Shymphony indaga olhando para ela.
— Quando eu ainda fazia parte da família, eles ensinavam alguns conceitos e táticas de emboscada. Era assim que eles capturavam aqueles que não pagavam as moedas. Essa que a gente sofreu, é uma emboscada de nível dois. Mas me lembro que já naquela época, estavam pensando em rebaixá-la para nível um, pela sua baixa eficiência contra indivíduos minimamente preparados. — Helvetia até se senta de pernas cruzadas enquanto fala.
— Sua família é barra pesada em. — Adão pensa em dar mais alguns passos, mas ao olhar para Helvetia, para instantaneamente ao encarar o olhar sério dela. Então ela aponta para baixo na direção dos pés dele. E ao olhar, se depara com alguns espinhos a centímetros de distância.
— Adão, vou ser bem honesta com você. — Helvetia ainda olha com seriedade. — Daqui para frente, não enfrentaremos só animais irracionais. Existem feras que preparam armadilhas tão mortais como essa. Sem contar os ladrões e outros que podem estar à espreita em qualquer lugar querendo nossas cargas, ou seja lá oque.
Helvetia suspira e volta seu olhar para Sarah que vem caminhando devagar olhando para o chão.
— Se você não mantiver o foco no máximo que puder, não posso garantir que irar sair vivo dessa missão. — O olhar dela agora vaga até Shymphony que está recolhendo os espinhos que encontra com cuidado. E ao lado dela, o escudo volta a chamar sua atenção. Ela sorri sutilmente ao vê-lo.
Adão fica em silêncio, com o olhar voltado para os espinhos. Então também se abaixa para pegá-los.
— Uma pergunta. — Sarah fala olhando para os três. — Vocês mataram todos?
Os três olham ao mesmo tempo para ela paralisados por um momento.
— Quantos? — Helvetia a indaga, após dar um suspiro e um sorriso.
— Eram três. Matei um e desmaiei os outros dois. — Sarah responde olhando de volta para a direção que estava.
— Eu fui com tanta força para cima, que não nem tive tempo de pensar em algo assim. — Shymphony encara os espinhos em sua mão. — Quando me dei conta, já tinha finalizado. — Então ela olha para Helvetia com olhar levemente mais sério.
— Aqui fora, esse admirável mundo cruel, sempre vai querer cobrar seu preço. — Helvetia fala com olhar calmo voltado para o céu.
— Quantos? — Adão indaga sem olhar, ainda coletando espinhos.
— Eram dois, mas por algum motivo, demoraram tanto para vir atrás de mim. Que eu tive que ir até eles.
— Comigo o mesmo. Eram três, e até já estavam correndo para longe quando os alcancei. — Ele termina de falar olhando para Sarah.
Shymphony também olha para ela. Eles veem que ela está deixando e corpo cair para trás e se deitando enquanto olha para o céu de braços abertos.
— Eles nem pensaram duas vezes, vieram com tudo para cima. — Ela fala enquanto fecha os olhos parecendo querer dormir.
— Eles devem ter reconhecido esses dois de alguma forma e desistiram no meio da emboscada. — Helvetia explana olhando para Sarah. — Como você é desconhecida, te subestimaram.
— Um arco, uma mini besta e adaga. — Sarah levanta a mão para o alto enquanto fala. — Eles se moviam com tanta sincronia… foi difícil quebrar a formação deles. Quase fui pega uma hora ou outra. — Ela solta o braço, o deixando cair esticando sobre à terra avermelhada.
Helvetia a observa com olhar sério e distante.
— O que foi? — Shymphony a indaga ao perceber tal expressão.
— Alguma coisa não está batendo. — Helvetia coloca a mão no queixo e olha para o chão.
— Por que diz isso? — Adão se aproxima para entregar os espinhos.
— Primeiro esse indivíduo aqui. As marcas no braço dele dizem que faz parte da minha família. A formação de emboscada, mesmo sendo antiga e fraca contra pessoas como nós, foi bem executada. Coisa que ladrões corriqueiros não seriam capazes de fazer, exceto rara ocasião. E para finalizar, uma formação perfeita de curta, média e longa distância. — Helvetia volta a olhar para Sarah que já está sentada a olhando de volta.
— Perfeita? — Sarah a encara de volta.
— Eu li em alguns livros, que uma das formações mais difíceis de serem vencidas quando se está sozinho, é contra oponentes que podem lutar em várias distâncias ao mesmo tempo, e ângulos variados. Uma das mais recomendadas, é exatamente essa combinação que você descreveu.
Shymphony após entregar os espinhos para Helvetia, se aproxima de Sarah e agacha bem perto.
— Me admira ter saído ilesa. — Ela estende a mão para ajudá-la a levantar. — Agora para de preguiça e bora pegar esses espinhos e dar o fora daqui.
Helvetia também se levanta enquanto estica nos braços.
— Se não saímos logo daqui, teremos outra batalha. — Adão já está entregando mais alguns espinhos.
Sarah olha para eles como se estivesse perdida em uma explicação de algum professor.
— Essa floresta é o lar de várias espécies de animais Hematófagos. — Helvetia explana enquanto pega seu pano e vai desenrolando-o com alguma pressa, e guardando os espinhos.
— Tipo, morcegos e sanguessugas? — Ela indaga ao ar já recolhendo os poucos espinhos que encontra.
— De onde você vem mesmo? — Helvetia a indaga, após uma bufa de ar.
— A pergunta certa, é de quando ela vem! — Shymphony responde já se aproximando do saco.
— O quê? — Helvetia até para e olha primeira para Sarah e depois para ela.
— Ela vem do futuro, se acredita? — Adão a responde já colocando o tronco nas costas.
— Realmente existe isso? — Ela suspira relaxando novamente enquanto espera a Sarah chegar até ela.
— Nem eu sei como, mas aqui estou. — Sarah responde e estende a mão com os últimos espinhos e um sorriso gentil.
— Esse mundo é mais loco do que eu pensava. — Helvetia pega os espinhos e já acelera para guardar tudo.
Os três fazem uma última varredura pelo ambiente com os olhos antes de seguir caminho.
— Se perderem os cantis, vão passar cede. — Helvetia murmura já assumindo a frente. — Sarah, você veio dali certo. — Ela aponta para uma direção em meio a mata.
— Sim. — Ela responde terminando de ajeitar os dois troncos médios nas costas.
— Bom! Assim a gente vê se eles ainda estão lá, e decide o que fazer com caso estejam. — Helvetia já vai adentrando a mata.
Os três a seguem, mas tudo que encontram são rastros de sangue e alguns pedaços roupas rasgadas. Sem muito o que fazer, seguem caminho evitando a trilha que vinham seguindo desde então.
— Ei Sarah, nesse teu futuro aí, nunca ouviu falar de nenhuma ferreira lendária com meu nome? — Helvetia chega bem perto dela com a cara estampada de curiosidade.
— Infelizmente não. — Sarah até faz um bico com a boca para o lado.
— Poxa! — Helvetia murmura desanimada.
— Nos humanos, vivemos isolados do resto do mundo por causa dos androides. — Sarah encara vagamente o chão tortuoso marcado por pedras e raízes à frente. — Mesmo que você tenha se tornado algo assim, seria muito difícil eu ter conhecimento de tal feito.
O olhar de Helvetia volta a brilhar como uma forja em temperatura máxima.
Já o olhar de Shymphony se perde distante para frente. Adão continua atento ao redor. Todos já estão novamente em formação
— Além do mais, uma arma ou armadura lendária, não é encontrada facilmente por aí. Então, quando fizer uma, leve ela para um lugar que seja mais difícil pegá-la do que foi de fazê-la. — Sarah termina de falar lançando um olhar de canto para Helvetia.
— Eu nunca tinha parado para pensar nisso. — Helvetia olha para Sarah por um momento e volta a olhar para frente, para o escudo de Shymphony. — Uma arma não é só lendária por que foi feita com material poderoso, mas também pela dificuldade de se consegui-lo, e até de seus feitos. Uma arma sem feitos, não passa de uma decoração em algum lugar. — Agora ela coloca a mão no queixo e fica pensativa por um momento.
— Se eu não me engano, uma das criações de Nor, tornarão um dos Hagads no Rei Deus Dragão, um título concebido exclusivamente por ter se tornado imbatível, mesmo entre sua espécie. — Sarah explana ao vento olhando para a mata ao seu redor.
— Tive uma ideia, mas é bem maluca. — A voz de Helvetia até sai mais firme e com convicção.
— Vou forjar algo que eu mesma irei usar. No que eu ainda não sei. Mas tem que ser um feito que marcará meu nome na eternidade.
— Por que não viaja para o norte ajudar os Besbedesk a enfrentar demônios? — Shymphony olha por cima do ombro por um instante.
— É uma boa, e tudo indica que não são só lendas. — Helvetia até aponta o dedo de leve para Shymphony. — De toda maneira, eu ainda preciso criar uma capaz de tais feitos.
Assim, eles seguem caminho pela floresta. E tudo indica, que as coisas não serão mais fáceis daqui para frente.
Um passo de cada vez, mas sempre para frente, é o que o mundo exige para aqueles que anseiam sobreviver e evoluir.

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