Índice de Capítulo

    Shymphony corre até Adão, e com pressa, vai pegando o tronco das costas dele, e se distância um pouco para dentro da moita por onde passaram. Segundos depois ela volta já sem ele e os troncos menores

    Adão já está terminando de passar a Sarah pela abertura. Então ela se lança após seu escudo e o saco de carne. Adão sofre um pouco, mas passa quase por completo, antes de entrar, ele ajeita as folhas pro lado de fora para disfarçar os rastros que eles deixaram ao se arrastar para dentro.

    Já lá dentro, os três ainda prendem a respiração por mais alguns segundos, até irem se acalmando.

    — Adão, faz um buraco e enterra o saco por favor. — Helvetia fala enquanto vai estendendo o pano no chão.

    Ele está agachado para caber ali. Shymphony está sentada em um canto, toda encolhida e olhando para seu escudo deitado sob os pés de Sarah.

    O ambiente é baixo, mas largo o suficiente para até haver alguma folga entre eles.

    — No centro? — Ele indaga ainda recuperando o ar já com o saco em mão. A única luz do ambiente, é a que entra pela abertura.

    — Por favor! — Helvetia nem olha para ele de tão concentrada que está.

    Ele começa se transforma em animal e começa a cavar com agilidade, e alguns minutos depois, finaliza o serviço. Mas ele não volta a se transformar, pois, percebeu que assim, fica mais confortável.

    Shymphony o observa deitar ao lado dela como um gato faz quando quer dormir. O semblante dela até fica mais leve, e um pequeno sorrido desponta nos cantos da boca.

    Helvetia está ao lado de Sarah, cavando um pequeno buraco inclinado para o fundo da toca, na direção oposta da abertura.

    — Nunca ouvi falar de animais capazes de fazer armadilhas tão complexas. — Shymphony fala tão baixo que quase sai como sussurro.

    — Eles não chegam a ser inteligentes como um humano, mas são capazes de aprender enquanto observam os mesmos a fazer uma. — Helvetia explana enquanto pega uma vela curta em um dos bolsos.

    — Mas como você sabe que são eles e não só humanos? — Shymphony volta a indagar, olhando para o tecido grosso a sua frente.

    — Quando desviamos da trilha, acabamos indo mais para sudoeste por causa daquelas serpentes desgraçadas. — Helvetia até faz uma careta enquanto vai passando com cuidado por cima de Sarah.

    — Serpentes do tamanho de uma árvore. Um lago infestado de sanguessugas maiores que meu escudo. Sem contar aquelas teias de aranhas que cobriam toda a mata depois do lago. — Shymphony se perde em pensamentos enquanto olha para o chão em meio aos pés. — É sério que as teias eram paralisantes?

    — Aquelas aranhas lá, não são venenosas, mas as teias são tem pequenos espinhos quase invisíveis, que vão entrando na pele e anestesiando a vítima. — Helvetia está colocando a vela no buraco.

    — Parece que essa floresta quis que a gente viesse para cá. — Shymphony lança um novo olhar para Adão que observa uma hora ela, outra hora Sarah.

    — Eu pensei a mesma coisa na primeira vez que passei por aqui. — Agora ela pega uma pequena faca presa em um canto do pano e uma barra alongada de metal toda talhada com riscos.

    — Quantas vezes? — Shymphony a observa riscar a faca na barra, que emite umas faíscas que ao entrar em contato com o topo da vela, a acendendo. A luz é fraca e difusa.

    — Cinzo vezes! A última já faz alguns anos. — Helvetia vendo seu trabalho concluído, se senta um pouco entre a Sarah e o pano.

    — Você já tentou contornar a floresta alguma vez?

    — Segundo os irmãos, seria preciso navegar a centenas de quilômetros, tanto para o norte quando para o sul para encontrar terra firme o suficiente para atracar. A areia é tão mole e fofa antes disso, que se pisar nela, vai se atolar em poucos metros. — Helvetia vagueia o olhar entre Shymphony e Adão.

    — O desvio seria muito grande então.

    — Sim! Perderíamos dias contornando. — Helvetia deixa a cabeça cair um pouco para o lado enquanto lança um olhar para vela. — Mais do que isso, eu quero evitar o máximo que conseguir o deserto.

    Shymphony fica em silêncio por um momento enquanto observa o olhar dela brilhar refletindo a pequena chama.

    — Pelo menos aqui, temos onde se esconder, e é mais fácil de correr e montar armadilhas. — Helvetia termina de falar voltando o olhar para o curativo na testa de Sarah.

    — Os animais lá são tão perigosos quanto aqui? — Shymphony observa novamente o pano esticado com várias estacas repousando por cima.

    — São piores. — Helvetia olha diretamente para ela — Camuflagens perfeitas, patas adaptadas para correr mais que alguém que não é de lá. Hábitos noturnos. — Ela respira um pouco e volta a falar. — O perigo não vem só de baixo. Tem aves tão grandes, que fazem Orpheus na forma humanoide dela, ficar pequena. — Agora ela olha para as estacas ao lado. — Essas lanças não são de nada perto que realmente preciso para tentar sobreviver lá.

    — Esse pano, como se chama? Ele é bem versátil. — Shymphony a indaga observando mais atentamente cada bolso costurado por cima daquele pano.

    — Uma mistura de bornal com um estojo. — A voz de Sarah ecoa meio falha enquanto ela vai levando a mão na testa.

    O olhar dos três se vira em sua direção. Helvetia segura a mão dela antes que possa tocar o curativo.

    — Como está se sentindo. — Helvetia a indaga.

    — Tirando a dor de cabeça, estou bem. — Sarah relaxa o braço o deixando cair ao lado.

    — Que bom! Uma pancada daquelas… — Helvetia relaxa novamente vagando o olhar entre a vela e ela.

    — Onde estamos? — Sarah solta suas palavras enquanto observa de canto a vela, e depois a abertura.

    — Se escondendo. — Shymphony também olha para a abertura e repara que a luz do dia está quase se extinguindo.

    — Como que é isso de bornal? — Helvetia indaga olhando para Sarah.

    Mas antes que ela possa responder, uma vibração ecoa pelo chão. Seguida de outra e outra.

    Passos.

    Passos mais pesados do que gostariam de fossem.

    O silêncio é ensurdecedor.

    A respiração parece ter deixado de existir.

    Os corações sincronizam no mesmo ritmo acelerado.

    Violeta, laranja, castanho, amarelo. Não importa a cor, todos estão voltados paro o mesmo lugar.

    A vibração para por um instante.

    Então uma nova surge, tão próxima que parece querer espremer aquela rocha sobre eles. Junto dela, a luz crepuscular desaparece tapada por uma pata peluda tão larga que fazem Sarah, Adão e Shymphony duvidarem do que veem.

    Quando ela se move libertando a luz para entrar novamente.

    Ao fundo uma segunda criatura surge.

    Seus pequenos olhos amarelos, brilham em meio a uma cara grande e sombria.

    Direcionados diretamente para eles.


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