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    Shymphony e Adão ficam constrangidos por um tempo, e desviando o olhar para onde é possível.

    Repentinamente um barulho vindo do rio corta todo o clima. Todos olham juntos e veem que ela pegou mais. O peixe dessa vez é mais achatado e prateado, ele ainda se debate um pouco com a adaga fincada na lateral. Então ela o lança para fora do rio, caindo em cima da sua túnica.

    — Caramba! Ela pegou mesmo. — Shymphony até se esquece do que se passou a instantes.

    — É que você não viu quando ela pegou aquele maior lá. Quase foi junto rio adentro. — Helvetia a entrega ao vento já sentada e recomposta.

    — Por isso ela está! Toda molhada — Shymphony sorri ao ver os fios negros brilharem a distância.

    — Pelo visto vai dar certo! — Adão se levanta e pega um pouco de galhos e folhas do mote. — Onde eu faço o buraco? — Ele olha para Helvetia.

     Ela por sua vez vasculha o ambiente que é cheio de vegetação rasteira e grandes pedras em uma pequena clareira.

    — Ali é um bom lugar não? — Shymphony aponta para seu escudo fincado em um canto onde à terra se expõe por alguns centímetros entre algumas pedras.

    — Ali é perfeito! — Helvetia faz um sinal de positivo com a mão esquerda. E com a direita termina de guardar alguns saquinhos, deixando dois para fora e bem amarrados.

    Adão vai até o local e começa a cavar depois dela tirar o escudo de lá. Alguns minutos são o suficiente para terminar esse serviço. Então deposita primeiro algumas folhas no fundo, depois quebra alguns galhos e joga por cima, cobrindo mais folhas depois.

    Shymphony vem se aproximando com algumas pedras pequenas, e uma a uma vai colocando-as enfileiradas em círculo em volta do buraco.

    Adão lança um novo olhar para Sarah, e a vê já fora da água, de costas para cá. Ele não pôde evitar em reparar nos músculos definidos das costas nuas dela enquanto torce seu top preto. Ele primeiro desvia o olhar para baixo, e depois observa que Helvetia também está olhando olha até com certa atenção, depois repara em Shymphony também está olhando e seu rosto está até meio corada.

    Ele não vê outra alternativa a não ser dar um forte tossida enquanto vaga o olhar entre às duas. Shymphony se vira para ele envergonhada e sem saber onde esconder o rosto. Helvetia dá de ombros com se não se importasse em ser pega fazendo isso.

    Enquanto esboça uma reação negativa com a cabeça, volta a olhar para Sarah que já está vestida novamente, e se aproximando deles com os peixes fincados pelas guelras no galho que usou durante o caminho.

    — O que foi? — Sarah indaga ao vento, ao reparar que Shymphony evita olhar para ela com uma leve expressão de culpa enquanto faz um bico com a boca para o lado.

    — Nada não! — Adão a responde no lugar.

    — Ei Sarah, traz eles aqui! Está na hora dos temperos! — Helvetia exclama confiante.

    Enquanto Sarah vai abrindo-os e retirando as entranhas e cabeça. Helvetia vai riscando a carne por dentro e salpicando um pouco do tempero verde seco, e depois o outro que é verde-escuro.

    — Adão! Se lembra daquelas folhas compridas que vimos um pouco antes de chegarmos aqui? — Helvetia o indaga.

    — Aquelas que a Sarah ficou revirando? — Ele responde enquanto finca alguns galhos em formato de V na ponta em volta do buraco.

    — Quem deram que fossem mesmo. — Sarah murmura para ela mesma.

    — Essas mesmas. — Helvetia fala enquanto se levanta com uma faca em uma mão e a barra de metal na outra. — Corre lá e pega algumas para gente. —

    Ela nem termina de falar e ele já está se transformando enquanto deixa sua túnica de lado.

    Agora na luz do dia, Helvetia observa mais atentamente as pequenas partes da armadura dele se encaixarem perfeitamente na forma de felino. Mal consegue esconder a admiração no olhar.

    As faíscas despencam com brutalidade da barra de metal que está em atrito com a faca. E no intervalo antes de outra rabiscada, Helvetia assopra com força algumas folhas que estão virando brasa. Ela repete tão ação algumas vezes até que o fogo se espalhe e a fogueira em fim ganhe vida.

    Sarah e Shymphony observam ela atentamente, admiradas com tal maestria.

    Quando Adão volta com as folhas, às três sentadas em volta da fogueira conversando descontraídas. Ele sorri ao ver tal cena, e se aproxima do bornal. Helvetia se levanta ao vê-lo. Apressada, já vai enrolando alguns com as folhas, e amarrando elas cuidadosamente com algumas linhas finas que tinha em um dos bolsos.

    Adão encara a linha por um momento com o olhar vago.

    — Desde aquela primavera, ele nunca mais apareceu — Shymphony solta as palavras ao ar enquanto se aproxima e olha para ele.

    Helvetia e Sarah que vem junto, se pegam perdidas em meio a essa última fala.

    — Tomara que nunca mais volte. — Ele desvia o olhar para o lado por um momento, então suspira enquanto fecha os olhos. — Acho que está na hora que colocar essas maravilhas para assar. — Ele se recompõe, com duas folhas bem gordas, uma em cada mão e a boca salivando.

    Sem saber o que pensar ou dizer, às duas só se entregam a situação e cada uma pega uma das folhas também. Shymphony prefere eles desenrolados e fincados mais no alto.

    Alguns animais até se aproximam por causa do cheiro, mas ao verem eles sentados ali em volta da origem. Desistem e retomam seu caminho enquanto a voz deles vai ficando distante.

    Quando Adão lasca a primeira mordida, ele quase desmaia de felicidade com o sabor, até se ajoelha para fazer uma reverência para Helvetia que fica envergonhada. Sarah e Shymphony riem da cena, mas também agradecem pela comida saborosa que ela proporcionou.

    Shymphony até levanta o punha para o alto e bate firme com a mão onde devia estar o escudo afirmando que agora podia enfrentar até os Arctopan.

    Helvetia se admira com o que uma pessoa de barriga cheia acredita ser capaz. Mas ao ver que Adão e Sarah entram na pilha dela. Começa a olhar eles com mais seriedade. Se deixando levar pelo momento, ela também começa a explanar que com as armadilhas certas e bem preparada, também acha que pode derrotar alguns.

    Ali, naquele pequeno espaço em meio àquela floresta repleta de medo e sobrevivência. Eles parecem ter reencontrado algo que pareciam ter perdido na noite anterior.


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