Índice de Capítulo

    Sarah e Helvetia continuam a conversar enquanto ainda procuram deixar o local o mais parecido possível de como estava antes.

    — Então existe mais guildas sem ser a dos pescadores? — Helvetia indaga enquanto observa as brasas começarem a sumir embaixo da terra.

    — As legais são as dos Pescadores, Caçadores e Arqueólogos. As ilegais são as de Mercenários e Piratas. Essas são as guildas conhecidas por todos. — Sarah se vira para terminar de ajudá-la a aterrar o buraco.

    — Guilda para todo mundo em.

    — Elas dão bastante dinheiro, e mesmos as “ilegais”, tem seu lucro.

    — Você fala como se ilegal fosse só um nome vazio.

    — Sim, os Mercenários costumam assaltar as expedições fora da fronteira, e grupos com mais dinheiro, aceitam tudo pela recompensa certa. Os piratas navegam além das fronteiras, saqueando e roubando o que puderem.

    — Agora entendi. — Helvetia se levanta ao ver o serviço terminado, e percebe que Adão e Shymphony estão se preparando.

    — A maioria dos humanos vive segregada da realeza, e presa em uma porção de terra. Essas guildas são as que mais vão contra isso. Muitos veem nelas uma forma de expressar sua revolta contra tudo isso. — Sarah ainda continua abaixada com olhar vago e distante.

    — Faz sentido, se eu não pudesse sair da cidade para se aventurar, eu ficaria maluca também. — Helvetia também começa a se preparar.

    Após alguns minutos eles já se encontram novamente em formação e descendo o rio.

    — E as outras guildas? Elas não saem dessa fronteira? — Helvetia até acerta os passos para andar lado a lado enquanto ajeita o chapéu.

    — Sim, mas não são todos. Enquanto as guildas ilegais aceitam qualquer um, e permitem que todos vão para onde quiser desde que paguem as taxas. As legais têm regulamentos internos mais rígidos.

    — Por exemplo?

    Shymphony e Adão escutam a conversa em silêncio, pedras, galhos, raízes e pequenas teias de aranham vão ficando pelo caminho.

    — A guilda dos caçadores tem uma divisão interna de vários níveis. No primeiro além de não poder caçar sozinho, não pode sair da fronteira. Conforme se ganha experiência e prova ser capaz, sobe de níveis e ganha mais liberdade e reconhecimento.

    — É um bom sistema para diminuir mortes certas. — Helvetia solta as palavras ao ar dando um passo mais largo por cima de um córrego bem fino de água.

    — Esse é um dos objetivos. — Sarah também passa por ele, e ainda da uma última olhada para trás para ver Adão também passar com tranquilidade. — Mas elas são bem mais complexas que isso por dentro. Eu não sei muito sobre, só se tornando membro de uma para entender melhor.

    — Ferreiros não tem uma também não? — Helvetia até procura olhar mais para Sarah nesse momento.

    — Eles trabalham mais por conta, cada um em seu estabelecimento e com seus segredos. — Sarah observa Shymphony olhar traz e dar uma disfarçada.

    — Somos uma profissão bem desunida de fato. — Helvetia até suspira e volta a se concentrar no caminho a frente.

    — Muitos reclamam das regras impostas pelas guildas, mas são elas que mantém a própria existência. Sem isso, seriam respeitadas e vistas como um lugar sério para quem quer ganhar a vida de tal forma. — Sarah até consegue perceber a inquietação de Shymphony a frente.

    — A guilda dos pescadores é bem simples com regras, mas eles são chatos quanto a taxas e peixes pegos. — Helvetia se perde por um momento olhando para ao rio que começa a se estreitar um pouco.

    — Não sei dizer se isso muda no futuro, nunca fui muito de pescar. — Sarah largas as palavras ao vento enquanto passa agachada por baixo de um galho grosso que se alonga até a beira da água.

    — Pescar é muito bom, ainda mais quando se pega uns monstros daquele. — Nesse momento Helvetia para por um momento e volta a caminhar. — Então é isso! A diferença de animais para monstros.

    Sarah fica em silêncio com um semblante feliz ao vê-la falando consigo mesma.

    — Animais são os mais normais que não representam tanto perigo, os monstros são aqueles bem incomuns e que com certeza representam risco de vida. — Helvetia ainda fala para ela mesma.

    — Normais; Raros; Épicos; Lendários; Arautos e Místicos. — Essas são as classificações tanto de monstros como animais. — Sarah se intromete no monólogo dela.

    — Quê? — Ela encara a Sarah por um momento. — Arautos não são o nível mais alto? Existe mesmo coisas mais perigosas por aí?

    Adão sente até um arrepio subir pelas costas.

    — Não necessariamente. Místico se refere aos que são considerados lendas ou mitos, encontrados até então só em relatos antigos ou que não foram vistos a mais de cem primaveras. — Sarah termina a fala observando que a mata se afasta do rio mais à frente.

    — Você sabe bastante sobre eles em! — Helvetia larga essa ao vento também olhando para a frente, e vendo que o terreno se inclina levemente para baixo a partir dali. O rio até ganha algumas corredeiras.

    — Eu tinha um amigo que queria entrar para guilda dos caçadores. E na escola a gente aprendia o básico também.

    — Escola? — Shymphony finalmente se manifesta.

    Primeiro Sarah sorri e solta uma bufa de ar.

    — É um lugar onde crianças e jovens vão para aprender coisas como ler, escrever, e varias coisas que ajudam elas a fazerem parte da sociedade com mais autonomia. — Ela faz uma breve e pausa, e retoma falando um pouco mais baixo. — Pelo menos era para ser assim.

    — Nem tudo no mundo é perfeito. — Helvetia fala olhando para ela. — E nem todas as pessoas são boas.

    Sarah por um momento se pega observando Helvetia de um jeito diferente enquanto ela se vira para olhar onde pisa com mais cuidado. O que não dura muito, pois também precisa olhar por onde pisa.

    — É tipo oque fizemos com aquelas pragas. — Shymphony murmura já prestando mais atenção para frente.

    Adão olha para o escudo dela, mas de repente a vê olhando para ele com um olhar ligeiro, então desvia o seu para o lado mais ligeiro ainda.

    — Eles eram tão bagunceiros assim? — Sarah indaga na direção de Shymphony, agora mais relaxada com o terreno menos irregular.

    — Para você ter ideia, uma vez, eles colocaram fogo na mãe, se acredita? — Ela reclama olhando para trás por um momento e gesticulando de forma mais acentuada com uma das mãos.

    Sarah então lança um olhar para Adão, e o vê todo sem jeito olhando para onde dá, menos para frente.

    — Depois derrubaram uma das torres do castelo, quebraram uma ponte, comeram as flores do jardim. — Shymphony até busca controlar a respiração um pouco.

    — Caramba! Tocaram o terror mesmo. — Helvetia fala com um olhar de surpresa voltado para Shymphony.

    — Assim que é ter filhos? — Sarah indaga ao vento.

    — Isso não é nem um terço do que fizeram. — Mais calma, Shymphony retoma. — Foram tempos bem agitados, mas às vezes sinto falta da barulheira toda. — Ela esboça um semblante de felicidade escondido para frente.

    — Me lembro da vez juntamos em uma dúzia, e derrubamos você na base das cócegas. — Adão solta as palavras esperando a reação.

    — Aquilo foi jogo sujo! Como que não ri com penas e pelos para todo lado? — Ela responde olhando por cima do ombro.

    — Realmente é jogo sujo. — Sarah soltas as palavras em direção ao rio que aparenta estar mais raso, com várias pedras expostas em meio as corredeiras.

    — Não consigo me imaginar vencendo algo assim — Helvetia murmura com olhar distante e a mão no queixo. — A única coisa a se fazer seria vingança. — No momento que termina de falar, ela para de andar, já no terreno plano. Junto dela, Shymphony e Sarah param também.

    Adão observa o cenário ficar sombrio e as expressões malignas tomarem conta delas. Então Shymphony é a primeira a dar um paço em sua direção, e às duas a acompanham em seguida.

    Temendo por sua vida, ele olhara para os dois lados, e decide pular no rio e sair correndo até o outro lado. A água suja não passa da canela.

    Às três riem de forma controlada da situação.

    E se preparam para se lançar para dentro do rio também.

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