Capítulo 8.2: Lendas e Mitos
Mais tarde na casa de Marcela
— Ei Sarah, você vai mesmo? — Bernardo, sentado no chão da cozinha indaga para o alto olhando para Sarah que está sentada em uma cadeira de pernas cruzadas
— Quero ver do que esses caçadores são capazes, quem sabe eu não mude de ideia sobre entrar na guilda. — Ela explana com um livro na mão que está escrito na capa “monstros e animais”.
— Poxa! Estou com inveja de vocês. — Marcela que também está sentada à mesa, se debruça sobre um livro aberto igual ao de Sarah. — Tudo que eu sei fazer é colher sementes e identificar plantas.
— Aliás, você é muito boa nisso, até recebeu o convite para estágio da guilda dos coletores não? — Bernardo também folheia o mesmo livro que elas enquanto fala.
— Você acha? — Ela sorri enquanto olha para ela ainda com a cabeça deitada e o rosto escondido pelos fios dourados.
— Marcela, pode parar aí mesmo! Tenha mais confiança. Eu ainda quero ver você prantar seus próprios maracujás. — Sarah coloca o livro sobre e faz carinho na cabeça dela.
— Não dá para simplesmente plantar as sementes dele? — Bernardo até para de folhear enquanto olha para às duas.
— Não, aquelas sementes são inférteis. As verdadeiras que são usadas para plantio, são extremamente raras e caras, até por isso o preço do quilo é tão absurdo. — Marcela começa a se recompor na cadeira enquanto encara o livro com olhar distante.
— Minha mãe disse que só dá para encontrar essas sementes no mercado negro. — Sarah deixa as palavras ao ar enquanto observa a figura de javali em uma página.
— Isso acontece porque os grandes produtores de maracujá monopolizam as sementes. São recorrentes os casos de mercenários contratados para matar quem consegue algumas e tenta vender por conta. — Marcela explana ainda com olhar vago.
— Mas você não vai vender, vai dá-los para mim certo? — Sarah a encara com olhar fixo.
Marcela não resiste e começa a rir de leve.
— Óbvio né, serei sua fornecedora particular. — Ela sai do riso para um olhar confiante voltado para Sarah e depois para o livro. — Mas agora eu preciso aprender a distinguir os níveis dos animais e monstros, se não vou me lascar na prova prática.
— Eu já te disse não? Os animais normais são aqueles que são vistos com facilidade no cotidiano e em lugares de fácil acesso. Os raros são aqueles que demora grandes intervalos de tempo para serem vistos e geralmente ficam em lugares mais difíceis de serem acessados. Os épicos geralmente ficam em lugares isolados e são bem ariscos quando sentem presenças incomuns, por isso poucas vezes alguém consegue ver um. — Bernardo até levanta o queixo enquanto fala.
Marcela aproveita para complementar.
— Esses são aqueles que geralmente são vistos quando algum caçador está rastreando um em específico correto? — Ela já está folheando algumas páginas até encontrar o setor que fala deles.
— Isso mesmo! Muito bem! — Bernardo sorri enquanto olha no rosto dela toda concentrada.
Sarah os observa em silêncio e até deixa o livro de lado para isso.
— Lendários são os que demoram anos para se ver um, moram em lugares hostis e com alto risco de vida. Já os Arautos… — Ele é interrompido por Marcela.
— Criaturas que se vê uma vez na vida, habitam os ambientes mais hostis e secretos. E mesmo assim ainda é difícil afirmar que realmente existam, só aqueles com provas concretas são considerados reais. — Ela corre o dedo pelas linhas do livro enquanto lê.
— Ainda bem que não vou precisar fazer essa prova, eu iria errar tudo as categorias — Sarah deixa as palavras escaparem enquanto olha para o teto.
— Lá vem você de novo com essas desculpas esfarrapadas. — Marcela aproveita e taca uma meia na cada de Sarah.
— Se não toma banho não? — Sarah dá uma cheirada de leve na meia e solta as palavras de proposito enquanto força uma careta.
— Você vai ver o banho. — Marcela está com uma caneca cheia de água na mão.
— Não se esqueçam dos Místicos em! Os meus favoritos. — O pai de Marcela fala lá da sala em voz alta, interrompendo-as.
— Seres que não se tem relatos de sua existência a não ser em contos, lendas e mitos. São poucos aqueles que foram comprovados suas existências. — Bernardo finaliza.
— Por que você gosta deles pai? — Marcela ela a voz.
— Quando era criança, escutei a lenda do Anhangá, um cervo branco e peludo que dizem ter uma aparência tão divina que só de serem vistos já faz a pessoa se tornar mais saudável e viver mais. — O pai termina a fala já na cozinha, encostado na geladeira e com olhar distante. Seu cabelo curto e loiro, contrasta com a camisa preta e o short verde.
— Seu Cláudio, você está com chulé — Bernardo fala colocando a mão no nariz.
— Ei, não é por que está namorando minha filha que pode inventar mentiras assim!
— Mas é verdade pai! — A voz de Marcela sai até fanha.
Quando ele vê que às duas também estão com a mão no nariz, se dá ao trabalho de cheirar com mais atenção e realmente constata o obvio.
— Vocês venceram, vou tomar um banho. Aliás, preciso levar vocês de volta para casa. Fiquem prontos! — Ele termina a fala se virando em direção a sala.
Então eles arrumam a bagunça e continuam conversando sobre alguns temas das provas e algumas provocações bobas.
Já de noite, Sarah se pega pensativa sobre qual arma vai usar e se lembra vagamente daqueles sonhos. Até pode ouvir o barulho do vidro quebrando em sua mente. Mas não demora e deixa a escolha para o outro dia, se entregando ao sono e a noite.
No outro dia
O sol já está no ápice de seu poder quando a ação finalmente começa.
Em uma área mais aberta em meio a uma plantação de milho, um javali de pelo negro dispara vorazmente com suas presas afiadas prontas para perfurar o que seja que esteja na frente.
Mais adiante na direção que ele está indo, Lozar, um homem de estatura média e um pouco franzino, empunha uma espada curta enquanto um escudo negro e redondo feito das escamas de algum animal está preso ao braço direito.

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