Capítulo 8.3: Poder comprado
Poder comprado✓✓
Confiante, Lozar se mantém firme no lugar à espera do impacto, mas quando ele vem, é mais forte do que esperava, o fazendo perder o equilíbrio e cair no chão.
O javali vendo a oportunidade, se aproveita para avançar mais uma vez, mirando as vestes de couro na barrida do homem que ainda tenta se levantar.
Quase perto de levar o impacto direto, ele consegue colocar o escudo e se proteger mais uma vez. Mas para seu azar, o escudo caiu de seu braço, o deixando vulnerável. E em uma nova investida, o javali agora sente o gosto da vitória junto da saliva que escorre pela lateral da boca.
Lozar não vê outra alternativa a não ser partir para ofensiva apontando a espada diretamente no meio da testa do animal. Em segundos tudo foi decidido, um grito de dor selvagem foi a última coisa fez antes que cair morto com a espada fincada no meio da testa. Logo o sangue começa a formar uma poça ao seu redor em meio ao mato ralo do lugar.
— Conseguiram ver? — Miriane e os alunos estão no topo de colina não muito distante. Ela usa binóculos para acompanhar dali toda a ação.
— Mesmo um javali é tão forte assim? — Sebastian indaga ao vento, ele usa uma armadura de couro e duas manoplas também de couro. Pequenas garras metálicas estão presas as manoplas. Um par de binóculos é o que usa para ver a cena.
— É por isso que o javali está prestes a ser reclassificado como monstro. Pois, além se serem fortes, representam riscos reais a vida de um ser humano. — Miriane deixa as palavras escaparem enquanto observa de canto primeiro Sarah que está deitada bem próximo e empunhando um fuzil preto de precisão enquanto observa a ação pela mira da arma. Sua armadura de couro também se faz notar em seu corpo.
Ao lado dela, Bernardo está usando uma armadura metálica e escura, a viseira do elmo está aberta enquanto também observa a cena com binóculos. Em sua cintura uma espada longa repousa pronta para a ação.
Iris está mais ao fundo e toda encapuzada com um manto verto escuro. Em sua cintura o cabo branco de um florete que é dela mesma se exibe timidamente. Ela está em uma pose centrada, e não usa nada para observar.
— Tudo certo aí atrás? — Miriane indaga ao vento sem se virar.
— Sim, nada de anormal. — Miguel responde com seu arco em uma mão e a flecha na outra.
— Por aqui também não! — Um convidado extra, um menino chamado Lafral que faz parte da mesma turma de Bernardo, está em um canto, também usando um arco, só que mais longo que o de Miguel, ele é preto e a corda prateada. As flechas que repouso na aljava em sua cintura são enfeitadas com penas brancas. Seu cabelo ralo, quase raspado, e sua pele tão escura quanto chocolate se destaca dos demais.
Enquanto o homem aprecia sei feito, e já até sorri esperando ser aprovado, um outro homem surge vindo em meio ao milharal.
— E não é que você conseguiu mesmo? — Draus, um homem jovem, segurando uma submetralhadora e usando uma armadura de couro sai do meio do milharal a passos lentos.
— Você viu? Não vai demorar para eu ganhar um anel igual o seu. — Lozar começa a limpar o sangue da espada na própria pele do animal.
— Não se você continuar displicente assim. — Draus fala enquanto olha para o escudo abandonado. — Você sabe por que mesmo tendo armas tão modernas como essa em minha mão, a maioria ainda usa espadas e escudos?
— Por causa da afinidade? — Lozar solta as palavras ao vento enquanto observa de canto de olho a arma na mão dele e o anel dourado refletir a luz do sol.
— É uma boa resposta, mas não! — Draus caminha até o escudo e o pega, então retorna até perto do javali e o coloca ao lado do corpo morto. — Primeira lição, pólvora é um material bem escasso. Logo, fabricar muitas munições é inviável. Por isso, cada tiro deve ser dado com a certeza que cumprir seu objetivo. — Ele pausa sua explicação para abaixar e passar a mão na pele em meio aos pelos do animal.
— Segunda lição, os projeteis sempre vão retos e são muito previsíveis, já dardos e flechas poder ter trajetórias curvas e personalizadas, seja através da construção da mesma, ou da habilidade do arqueiro. — Ele já está de pé e dá alguns passos para trás. — Por favor se afaste um pouco.
Então Duras aperta um botão na arma em sua mão e mira primeiro no animal, executando um único disparo bem na barriga dele. A bala amortece, amassa e cai não muito longe dali.
— Terceira lição, a pele da maioria dos animais e monstros são muito duras, impossibilitando um simples projetil perfura-los. Por isso se deve mirar sempre nos pontos vulneráveis, e para isso é necessário conhecer sua presa. — Ele se vira para Draus e continua. — Sua espada é feita de um metal muito afiado e resistente, uma arma que deve estar no mínimo na grade D, com certeza um ferreiro de excelência deve ter a forjado. Sem contar que deve ser bem cara.
— De fato, só pude compra-la graças ao dinheiro da minha família. — Lozar até olha mais atentamente sua espada de lâmina branca e adornada com um núcleo mágico em sua base próxima ao cabo que é feito de madeira negra e a empunhadura envolta com couro.
— Javalis tem um crânio bem duro também sabia? Se sua espada fosse de uma grade inferior ou feita por um ferreiro menos qualificado, provavelmente teria quebrado e você não teria nem arma, nem escudo. — Draus o chama com a mão e caminha até perto do escudo. — Seu escudo é outra peça do mesmo nível da espada, provavelmente foram compradas em conjunto no mesmo lugar. Tente perfurar ele com sua espada.
Lozar então da alguns passos a frente e desfere um golpe no escudo que amortece o impacto e faz a espada vibrar um pouco em sua mão, tirando dele um grunhido de dor.
— Escamas de Oroborus da grande floresta. Esse escudo jamais seria perfurado pelas presas do Javali. Poderia simplesmente ficar se defendendo até cansá-lo e aproveitar brechas para perfurar o olho ou cortar uma das patas. — Draus olha para o anel negro no dedo de Lozar. — Volte daqui a seis meses para uma nova avaliação, até lá, procure melhorar seu condicionamento físico e conhecimento.
Lozar abaixa a cabeça com olhar vago para o chão.
Nesse momento, Draus escuta um barulho bem suave em meio ao milharal.
— Ultima lição, armas de fogo foram feitas para matar humanos e não animais. — Ele aperta novamente o botão da arma e assume uma postura pronto para atirar enquanto mira para o milharal. — Pegue seu escudo, rápido!
Sem entender muito o que está acontecendo, Lozar pega seu escudo enquanto começa sentir seu coração disparar ao perceber a expressão séria do avaliador.
— Mias javalis? — Miriane se indaga em voz alta enquanto ainda observa.
— O quê? — Miguel também indaga, mas ele o faz olhando diretamente para ela. Então caminha até Sarah e pega o binoculo que ela não está usando.
— Era para ter só um javali nessa missão. — Miguel solta as palavras ao ar já procurando observar o que está acontecendo. — Merda!
— São pelo menos seis! — Sarah fala em um tom neutro e concentrado.
— Onde? — Bernardo a indaga enquanto procura pela paisagem em volta.
— Três no milharal bem próximos deles, e mais um escondido naquela árvore a esquerda. — Sarah o responde. Fazendo ele ficar de pelos arrepiados ao conseguir ver alguns pés de milho se mexerem de forma artificial.
— E mais dois na floresta abaixo de nós. — Iris complementa a fala olhando para baixo com olhar sério enquanto segura o cabo da sua espada com firmeza.
— Seis Javalis? Mas isso é uma vara praticamente. — Sebastian também sente seu coração bater mais acelerado enquanto em sua mente os pensamentos vão a milhão.
— Não são javalis! São Mercenários! — As palavras de Miriane cortam o ar e fazem os corações travarem por um ínfimo momento.
— E aqueles dois ali estão de olho na gente. — Miguel está com o punho serrado enquanto olha para o pé da colina entre algumas árvores.
Nesse momento, as palavras proferidas por Lafral, fazendo Miguel e Miriane tremerem.
— Tem mais três se aproximando por trás.

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