Capítulo 92: Aquele maldito sorriso
Quando Sirin chega em forma de coruja ao fundo. Sarah o observa e perde todo o foco em meio a lembranças antigas. Sua aura então se desfaz, junto do brilho da adaga e tudo mais. O ambiente retoma a paz e o silêncio. Sarah procura esconder seu rosto enquanto os três vem se aproximando. E em um gesto rápido, ela passa a parte de cima do pulso em seus olhos. Apollo que está acordando aos poucos presencia tal cena. A observa em silêncio.
Depois de recobrar a consciência por completo, ele se levanta ao mesmo momento que todos chegam ali.
— Você está bem? — Shymphony o examina de cima a baixo.
— Estou sim. — Ele responde sem jeito. — Estávamos ajudando a Sarah em seu treinamento, e aproveitando para melhorar um pouco.
Ele volta seu olhar para Sarah por um momento, e repara que ela já se recompôs.
— Dessa vez demos um trabalhão para ela. Acho que na próxima temos chance! — Pietro serra os punhos, e esboça um sorriso de confiança.
— Ohhhh. Vocês estão se empenhando mesmo. — Shymphony aparenta estar mais aliviada.
— Ei, esse é o… — Apollo vai se aproximando de Sirin.
— Sou eu mesmo. A quanto tempo. — Sirin estende a mão para um comprimento que é retribuído.
Pietro olha para Sirin com olhar brilhando como de alguém que sabe o quer.
— Ei Pietro. Amanhã cedo. Bora? — Sirin nem precisa ouvir pra saber o que ele quer.
— Você é o melhor. Irmã, faz logo com o Sirin, aquilo que os humanos fazem. — Pietro olha de forma ousada para Shymphony.
Shymphony olha para ele e para Sirin sem entender oque ele disse, Sirin também demonstra não entender.
— Ele se refere a casamento. — Apollo já caminhando para a saída da caverna, solta palavras ao ar despretensiosamente.
Shymphony fica tão vermelha que aparenta querer explodir a qualquer instante. Sirin por sua vez, ainda demonstra o mesmo desentendimento.
—Huummm… então esse aqui que é seu namorado? — Sarah aparece repentinamente pelas costas de Sirin, e já vai apalpando o cabelo loiro dele, e as penas das asas.
Shymphony, ao observar tal cena, serra o olhar, e vibra o punho instantaneamente. E no segundo seguinte, já está entre Sarah e ele com o olhar centrado.
Sirin a observa por trás, e esboça um sorriso de boca fechada.
— Não imaginava que você era ciumenta. — Sarah retribui o olhar centrado, mas logo o desfaz enquanto segue pelo mesmo caminho de Apollo.
— Você é muito fofa sabia. — Sirin passa a mão na cabeça dela por cima. — Vamos! — Ele a chama, já seguindo para fora também.
— Se quiser, eu mesmo arrumo aquilo de colocar no dedo para vocês. — Pietro fala baixinho enquanto passa do lado dela já seguindo os demais.
Shymphony os observa se distanciando, e olha para o próprio punho ainda cerrado, mas já sem vibração. Percebe que acabou de agir sem pensar, e reflete sobre as palavras de Pietro e de Sarah.
— Talvez eu devesse tentar. — Mais um sussurro para si mesma do que uma fala, ela solta no ar e começa a caminhar na mesma direção deles.
Já no túnel, eles caminham todos juntos.
— Me desculpa, acho que exagerei um pouco. — Sarah fala após olhar rapidamente para Pietro e Apollo.
— Não se preocupe. A gente também pegou pesado com você. Eu realmente queria te acertar com tudo. — Apollo fecha os punhos, mas logo o relaxa. — Mas ainda sou muito fraco.
— Sobre isso. — Shymphony olha para a lateral do rosto de Sarah enquanto fala. — Quando foi que você aprendeu aquele truque? Fiquei impressionada.
— Não faz muito tempo, ainda estou aprimorando. Mas sinto que estou no caminho certo. — Sarah sorri de leve enquanto observa a adaga.
Shymphony relembra a sensação que teve naquele momento, seus pelos até se arrepiam.
— Me desculpe por ter passado a mão no seu namorado mais cedo. Ele me lembrou uma coruja esfomeada que tinha na frente da minha casa. — Sarah volta a olhar para Sirin, que também está olhando-a. Quando seus olhares se cruzam, eles os desviam rapidamente.
— Então era isso. Achei que você tinha se interessado nele. — Shymphony sorri com tais palavras, sorriso que logo se esvai ao lembrar de tudo que ela disse que passou.
— Nããão. Meu gosto é bem diferente. — Sarah se perde em pensamentos e lembrança.
— Eu pensei que teria que te desafiar para um duelo de vida ou morte por ele. — Shymphony olha para frente enquanto fala.
— Ei! Virei um troféu agora? — Sirin demonstra sua indignação, e vai se transformando em coruja. Ele pousa na cabeça de Shymphony e começa a bicar de leve.
Todos ali sorriem com a cena de forma descontrolada. Algumas lagrimas de riso aparecem nos olhos de Sarah enquanto ela repara o quanto ele realmente é parecido com aquela coruja.
— Ah. Sarah, Pollos e Nova me pediram para te passar um recado.
— Qual? Tem batata pra comer? — A saliva até começa a se acumular.
— Sua armadura está pronta.
— Como será que ela é? — A imaginação de Sarah já se perde nas imagens de guerreiros nos livros. Até se coloca no lugar deles.
— Você vai ter que experimentar pra saber. Alias, mesmo agora, bem provável que eles façam alguns ajustes ainda para se adaptar melhor com seu corpo. — Shymphony olha para seu braço e relembra seu antigo escudo.
— Quem sabe eu não peça uma para mim também. — Sirin já em forma humana, começa a imaginar que tipo seria bom pra ele.
— Boa ideia. — Shymphony volta seu olhar violeta para ele. — Por que se continuar assim, vai morrer rapidinho. — Ela da um leve soco do lado da barrida dele, por cima das ataduras.
Ele sente mais dor do que o esperado. E até coloca a mão sobre o loca.
— Essa ultima viagem me mostrou como os perigos lá fora podem ser mortais. Devo me preparar melhor. — Ele olha para o chão de forma vaga.
— Ainda bem que eu não preciso de armaduras. Apesar que ficaria bem em uma. — A voz de Pietro até carrega um pouco de soberba.
— Sobre as batatas. Acho que da pra dar uma passada no anel externo antes.
As palavras de Shymphony saem em um tom divino aos ouvidos de Sarah. Ela até pode ver uma luz caindo do nada e iluminando tal divindade.
— Está decidido, vamos todos fazer um banquete hoje.
— Eu tive uma ideia melhor.
Essas palavras de Sarah, saem em um tom calmo, junto de um sorriso de olhos fechados.
Sirin ainda não sabia. Mas aquele sorriso, um dia, seria o motivo de seu sofrimento.
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