Prólogo
— Então é isso? É agora que o futuro nos esmaga e nos substitui?
Do centro da arena, Shymphony observa o céu azul se rasgar.
— Se eles são os arautos da evolução… — A voz rouca continua inabalável. — …os farei lembrar, que esse mundo resistirá.
Naves de diversos tamanhos, vão passando pelo portal. Tomando o céu e a coragem de todos que ali testemunham tal anormalidade.
Ao lançar um olhar longínquo para Méter, tudo que vê, é uma silhueta ao lado da árvore.
— Então essa é sua resposta?
Ela sente o silêncio ensurdecedor que tomou conta de sua Mãe.
— Que seja, eu sei exatamente o que vou fazer!
Shymphony volta seu olhar mais uma vez para o portal. Enquanto várias naves de pequeno porte começam a se aproximar do solo por toda Atlântis.
Antes mesmo do metal tocar o solo, eles despencam.
Androides.
Animais e humanos, correm em desespero. Alguns se escondem, outros se jogam nas correntezas.
Shymphony deixa a arena, em direção a uma das naves que está ali por perto.
— Ei, espera, o que você vai fazer?
— Sarah, com sua adaga na mão, a encontra em meio a toda aquela correria.
— Não tenho tempo para explicar. Mas lhe peço mais uma vez, dance por mim!
Sem entender muito, Sarah aceita tal pedido, e corre atrás de Shymphony mais uma vez.
Ao chegarem próximo a nave, vários androides se põem no caminho. Sarah toma a dianteira. Sua adaga brilha intensamente, os raios começam a tomar conta do local. Quando o primeiro Androide é atingido e cai duro no chão, os demais se veem obrigados a desviar quase como se dançassem, enquanto partem para o embate.
Um Androide após o outro, todos ali, vão sucumbindo. E com uma descarga centralizada de energia, Sarah mira para o alto e acerta a nave que cai desligada.
— Não mais! — Sussurros ecoam quase que inaudíveis de sua boca.
— Bom trabalho, agora preciso chegar lá! — Shymphony aponta seu punho e seu escudo para o rasgo no céu.
Sarah começa a entender o que precisa ser feito. E vê a nave como sua resposta. Após decolarem, elas se aproximam do portal. Shymphony em pé, acima da nave, vibra seu punho com tanta força que gera um campo de energia, e a cada segundo, vai ficando mais intenso.
— Foi muito bom te conhecer Sarah. Espero que um dia, você alcance seu objetivo. Como eu queria poder vê-la dançar mais vezes. — Lagrimas escorrem dos olhos de Shymphony.
O olhar de Sarah, não desvia nem por um instante dela. Seu punho serrado, se abre e busca inutilmente agarrar ela.
— Mais uma vez… — Novamente, sussurros.
— Sarah… — Shymphony começa a falar, mas se interrompe por um momento. — …você sabe o que precisa ser feito, conto com você.
Somente o silêncio, físico e mental ecoa naquele caos ascendente. Todos os Androides, em suas naves e no solo, observam aquela estrela cadente desafiar o céu. Até os animais, humanos e não humanos param seu desespero para observar tal insolência.
Próximo do rasgo no céu, a nave começa a se despedaçar. Ao chegar perto o suficiente. Shymphony da um ultimo impulso, saltando em direção ao portal e fazendo a nave já em pedaços, mudar de trajetória, rumo ao norte.
— Sobreviva!
— Sobreviva!
Um último pedido mental ecoa das duas no mesmo instante, antes de tudo colapsar.

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