Índice de Capítulo

    O mundo estava lento.

    Ou talvez…

    Fosse só a mente dele tentando acompanhar.

    Kaede Shizuma respirava pesado.

    Cada puxada de ar queimava.

    O corpo doía.

    Os músculos gritavam.

    Mas ele ainda estava de pé.

    À frente—

    Genjiro Okabe.

    Imenso.

    Estável.

    Inabalável.

    Como uma parede viva.

    — Já cansou? — Genjiro perguntou, girando o machado com tranquilidade.

    Kaede cuspiu sangue.

    — Nem comecei.

    Mentira.

    Ele sabia.

    O corpo já tava no limite.

    Mas ele avançou.

    Velocidade máxima.

    Raios vermelhos explodindo ao redor do corpo.

    Um vulto.

    Um corte.

    Um impacto.

    Genjiro bloqueou.

    Sem esforço.

    O braço nem tremeu.

    — Fraco.

    Resposta seca.

    Direta.

    Genjiro girou o corpo.

    Contra-ataque.

    O machado desceu.

    Kaede tentou desviar—

    Pegou de raspão.

    Mas foi o suficiente.

    O impacto atravessou.

    O corpo foi lançado.

    Bateu no chão.

    Rolou.

    Parou.

    Silêncio.

    Kaede tentou levantar.

    O braço falhou.

    Caiu de novo.

    — Levanta.

    A voz de Genjiro veio calma.

    Sem pressa.

    — Ou acabou?

    Kaede rangeu os dentes.

    E levantou.

    Devagar.

    Mas levantou.

    Os olhos… queimando.

    Não de dor.

    De algo pior.

    — …Você aguenta.

    Genjiro deu um passo à frente.

    — Mas não passa disso.

    Kaede ficou em silêncio.

    Respiração irregular.

    Coração acelerado.

    Genjiro continuou:

    — Você e o Naki…

    Pausa.

    Olhar frio.

    — são só sombra do Ryuji.

    O mundo parou.

    Não o campo.

    Não a luta.

    Mas Kaede.

    Por dentro.

    Algo travou.

    Algo rachou.

    Algo… explodiu.

    Flash.

    Treinos.

    Derrotas.

    Comparações.

    Ryuji sempre à frente.

    Ryuji sempre evoluindo.

    Ryuji sempre sendo o centro.

    Os olhos de Kaede tremeram.

    Por um segundo.

    Só um.

    E então—

    raiva.

    Pura.

    — Cala a boca.

    Baixo.

    Mas pesado.

    Os raios vermelhos explodiram.

    Muito mais densos.

    Muito mais violentos.

    — EU NÃO SOU SOMBRA DE NINGUÉM!

    Kaede sumiu.

    Velocidade absurda.

    Acima do que tinha mostrado até agora.

    Ele apareceu na frente de Genjiro—

    Golpe direto.

    Outro.

    Mais um.

    Sequência brutal.

    Sem parar.

    Sem pensar.

    Só avançando.

    Só esmagando.

    Só tentando provar.

    Genjiro bloqueou.

    Todos.

    Sem sair do lugar.

    — É isso?

    Kaede rugiu.

    Aumentando ainda mais.

    Forçando mais.

    Ignorando o corpo.

    Ignorando a dor.

    Ignorando tudo.

    — EU NÃO FICO ATRÁS DE NINGUÉM!

    Golpe final.

    Com tudo.

    Sem reserva.

    Genjiro soltou o machado.

    E segurou o ataque com a mão.

    Parou.

    Simples assim.

    Silêncio.

    Os olhos de Kaede arregalaram.

    — …Como—

    Tarde.

    Genjiro moveu o corpo.

    Curto.

    Direto.

    Um soco.

    Limpo.

    No estômago.

    O ar sumiu.

    O corpo travou.

    Outro golpe.

    Mais pesado.

    Mais fundo.

    Kaede cuspiu sangue.

    Genjiro segurou ele pelo pescoço.

    Ergueu.

    Sem esforço.

    — Raiva não é força.

    A voz veio baixa.

    Mas esmagadora.

    — É só barulho.

    Kaede tentou reagir.

    O corpo não respondeu.

    Tentou levantar o braço—

    Falhou.

    Genjiro jogou ele no chão.

    Sem cerimônia.

    Impacto seco.

    O corpo não levantou.

    Dessa vez…

    não.

    Silêncio.

    O campo seguiu.

    A luta continuava.

    Mas pra Kaede…

    o mundo ficou distante.

    Borrado.

    Pesado.

    E pela primeira vez…

    a dúvida apareceu.

    — …Eu…

    A voz falhou.

    Baixa.

    Quase inexistente.

    — …sou só isso?

    E essa pergunta…

    doeu mais que qualquer golpe.

    O som voltou.

    Primeiro abafado.

    Depois… violento.

    Impactos.

    Explosões.

    O campo ainda em guerra.

    Kaede Shizuma estava de joelhos.

    Respiração falhando.

    Corpo pesado.

    Mas consciente.

    Sentindo tudo.

    E isso… era pior.

    — Kaede!

    A voz cortou o caos.

    Ryuji Arata apareceu na frente dele.

    Raios ainda ativos.

    Olhar afiado.

    — Que porra foi aquela!?

    Direto.

    Sem filtro.

    Kaede levantou o rosto devagar.

    Os olhos ainda queimando.

    Mas agora…

    não era só dor.

    — Eu tava lutando.

    Ryuji respondeu na hora:

    — Não, você saiu da sincronia!

    Silêncio.

    Curto.

    Mas pesado.

    — Você quebrou o ritmo todo!

    — A gente tava controlando a luta!

    — E você foi sozinho pra cima—

    — EU NÃO PRECISO FICAR PRESO EM RITMO!

    Kaede explodiu.

    Se levantando na marra.

    Mesmo ferrado.

    Mesmo sem estabilidade.

    Mas de pé.

    — Eu não sou suporte de ninguém!

    Os dois se encararam.

    A tensão subiu.

    Instantânea.

    Ryuji respondeu frio:

    — Isso não é sobre ego.

    — É sobre vencer.

    Kaede riu.

    Mas não foi de humor.

    — Engraçado…

    Ele apontou pro peito de Ryuji.

    — Porque tudo gira em volta de você.

    Silêncio.

    O campo continuava.

    Mas ali…

    o mundo travou.

    — Plano do Ryuji.

    — Ritmo do Ryuji.

    — Movimento do Ryuji.

    A voz dele subiu.

    — E a gente?

    — A gente faz o quê? Segue?

    Ryuji deu um passo à frente.

    — A gente ganha.

    Kaede respondeu na lata:

    — Você ganha.

    Aquilo bateu.

    Forte.

    Mas antes de qualquer resposta—

    Saka apareceu.

    — Conversa bonita.

    Golpe direto.

    Ryuji desviou por instinto.

    Mas já era tarde.

    Genjiro Okabe entrou pelo lado.

    Impacto brutal.

    Kaede tentou reagir—

    O corpo não acompanhou.

    Foi atingido em cheio.

    Lançado.

    Tsubasa Hayashi surgiu atrás de Ryuji.

    Velocidade absurda.

    Golpe limpo.

    Ryuji bloqueou—

    Mas sentiu.

    O corpo cedeu meio passo.

    E isso…

    era tudo que eles precisavam.

    — Agora.

    Saka falou baixo.

    E o trio avançou.

    Sem espaço.

    Sem pausa.

    Sem erro.

    A pressão caiu como uma avalanche.

    Ryuji tentou reorganizar—

    Mas Kaede não estava no ritmo.

    Naki tentou entrar—

    Mas o timing quebrou.

    Tudo ficou atrasado.

    Desalinhado.

    Errado.

    Genjiro esmagava na força.

    Saka controlava o fluxo.

    Tsubasa quebrava o tempo.

    Perfeito.

    Coordenado.

    Implacável.

    Ryuji foi atingido.

    Uma vez.

    Duas.

    Três.

    Kaede tentou voltar—

    Mas entrou tarde.

    Tomou outro golpe.

    Caiu de novo.

    Naki tentou estabilizar—

    Mas foi pressionado por dois ao mesmo tempo.

    — Vocês quebraram — Saka disse, desviando e contra-atacando no mesmo movimento.

    — E agora acabou.

    Ryuji cerrou os dentes.

    Tentou forçar o ritmo de volta—

    Mas não dava.

    Porque faltava algo.

    Não era força.

    Não era técnica.

    Era conexão.

    E sem isso—

    eles estavam perdendo.

    Kaede, no chão, tentou levantar.

    De novo.

    Mas agora…

    não era só o corpo.

    Era a cabeça.

    Confusa.

    Pesada.

    Cheia.

    — …Droga…

    Ryuji recuou meio passo.

    Respiração pesada.

    Olhar tenso.

    E pela primeira vez desde o início do round—

    ele não tinha resposta imediata.

    Porque não era mais uma luta de três contra três.

    Era três contra dois…

    e meio.

    E o pior inimigo naquele momento…

    não era o outro time.

    Era a falha entre eles.

    O mundo ficou distante.

    Som abafado.

    Impactos ecoando longe.

    Kaede Shizuma estava de joelhos.

    Sem levantar.

    Sem reagir.

    Só… olhando.

    À frente—

    Ryuji Arata sendo pressionado.

    Golpe após golpe.

    Tentando segurar sozinho.

    Do outro lado—

    Naki sendo empurrado.

    Quebrando o próprio ritmo pra tentar compensar.

    E falhando.

    Tudo… desmoronando.

    Por causa de um erro.

    Por causa dele.

    Silêncio.

    Dentro da mente.

    — Ryuji é o centro…

    A voz dele ecoou.

    Fraca.

    Mas clara.

    — Tudo gira em volta dele…

    Flash.

    Vitórias.

    Planos.

    Ordens.

    Execuções.

    Ryuji na frente.

    Sempre.

    — Ele é o protagonista…

    Os dedos de Kaede tremeram.

    Levemente.

    — O cara que carrega tudo.

    O peito apertou.

    — O cara que decide tudo.

    A respiração ficou irregular.

    — O cara que vence no final.

    Silêncio.

    Longo.

    Pesado.

    E então—

    uma ideia.

    Fria.

    Simples.

    Errada.

    Perfeita.

    — …Então e se…

    Os olhos dele começaram a escurecer.

    — esse papel não estiver disponível?

    O som do campo voltou de uma vez.

    Violento.

    Real.

    Mas Kaede não olhava mais pra luta.

    Ele olhava pra dentro.

    — Se o protagonista falhar…

    Os raios começaram a surgir.

    Vermelhos.

    Mas não só.

    Algo mais escuro se misturava.

    Mais pesado.

    Mais… errado.

    — a história não para.

    A parte branca dos olhos dele…

    escureceu.

    Engolida.

    Virando preto absoluto.

    A íris—

    vermelha.

    Brilhando.

    — Ela só muda de dono.

    O corpo dele se levantou.

    Devagar.

    Mas firme.

    A aura explodiu.

    Raios vermelhos e negros rasgando o ar.

    Densos.

    Instáveis.

    Violentos.

    O campo inteiro sentiu.

    Até quem estava lutando—

    parou por um segundo.

    Saka virou o rosto.

    — …O que—

    Tarde.

    Kaede sumiu.

    Não foi velocidade comum.

    Foi ruptura.

    Ele apareceu na frente de Saka.

    Punho fechado.

    Sem técnica refinada.

    Sem cálculo perfeito.

    Só intenção pura.

    Impacto.

    O ar explodiu.

    O corpo de Saka foi lançado.

    Rasgando o campo.

    Batendo longe.

    Arrastando pedra.

    Silêncio.

    Pesado.

    Genjiro travou.

    Tsubasa parou.

    Ryuji…

    olhou.

    E viu.

    De verdade.

    Kaede estava de pé.

    Mas não era o mesmo.

    A aura pulsava como um coração descontrolado.

    Os raios gritavam.

    O espaço ao redor distorcia levemente.

    E o olhar…

    não era de aliado.

    Era de ameaça.

    Kaede inclinou o pescoço.

    Devagar.

    Como se estivesse se acostumando.

    Com o próprio poder.

    Com a própria decisão.

    Ele olhou pra frente.

    Depois—

    pra Ryuji.

    E sorriu.

    Mas não foi um sorriso de companheiro.

    Foi algo mais fundo.

    Mais perigoso.

    — Entendi agora…

    A voz saiu mais grave.

    Mais pesada.

    — Se o protagonista não consegue carregar tudo…

    Ele deu um passo à frente.

    O chão rachou.

    — então alguém precisa destruir ele.

    Silêncio.

    Total.

    Ninguém se mexeu.

    Porque todo mundo sentiu.

    Aquilo… não era só força.

    Era decisão.

    Kaede levantou o braço.

    Raios negros se misturando aos vermelhos.

    Violência pura.

    — Eu vou matar você, Ryuji.

    Sem grito.

    Sem raiva descontrolada.

    Pior.

    Convicção.

    — E depois disso…

    Ele sorriu.

    Os olhos vermelhos brilhando.

    — eu me torno o Rei.

    O campo inteiro congelou.

    Porque naquele momento—

    não existiam mais dois times.

    Existia um monstro novo.

    E ele…

    tinha escolhido o próprio papel.

    O campo… não era mais o mesmo.

    O ar estava pesado.

    Denso.

    Carregado.

    Como se a própria arena soubesse—

    algo saiu do controle.

    No centro—

    Kaede Shizuma respirava devagar.

    Mas a aura ao redor dele…

    era tudo menos calma.

    Raios vermelhos.

    Misturados com negro.

    Se contorcendo como criaturas vivas.

    Instáveis.

    Violentos.

    Famintos.

    À frente—

    Ryuji Arata não avançou.

    Não ainda.

    Ele só observava.

    Analisando.

    Mas pela primeira vez…

    sem resposta imediata.

    Do outro lado—

    Saka se levantava com dificuldade.

    Genjiro Okabe ajustava a postura.

    Tsubasa Hayashi estreitava os olhos.

    Todos sentiram.

    Aquilo…

    não era só poder.

    Era ruptura.

    Kaede deu um passo à frente.

    O chão rachou.

    — Já entendi como isso funciona…

    A voz saiu baixa.

    Mas ecoou.

    — Não é sobre ser mais forte…

    Os raios começaram a girar ao redor da perna dele.

    Condensando.

    Comprimindo.

    Ganhos de forma.

    Algo… tomando forma.

    — É sobre quem decide o fim.

    Genjiro avançou primeiro.

    Sem medo.

    Machado erguido.

    — Então vem decidir comigo!

    Kaede não desviou.

    Não recuou.

    Ele girou o corpo—

    E chutou.

    Mas não foi um chute comum.

    No instante do impacto—

    os raios explodiram.

    E tomaram forma.

    Um leão colossal.

    Feito de eletricidade vermelha e negra.

    Olhos brilhando como brasas vivas.

    Mandíbula aberta em um rugido silencioso—

    mas que fez o ar tremer.

    — Raijū: Rei da Ruína Carmesim.

    O leão avançou.

    Não correndo.

    Dominando.

    Onde passava—

    o chão se desfazia.

    O ar rasgava.

    O espaço… cedia.

    Genjiro tentou cortar—

    O machado atravessou energia.

    Mas não parou nada.

    O impacto veio.

    Direto.

    Brutal.

    Ele foi engolido.

    Lançado.

    Sem defesa possível.

    Saka tentou sair do alcance—

    Tarde.

    O leão virou.

    Instantâneo.

    Engoliu o espaço ao redor.

    Explosão.

    Tsubasa avançou em velocidade—

    Tentando escapar pelo alto—

    Mas o rugido subiu.

    Alcançou.

    Engoliu.

    O campo inteiro tremeu.

    Uma explosão absurda tomou conta da arena.

    Luz vermelha.

    Negra.

    Violenta.

    E então—

    silêncio.

    Lento.

    Pesado.

    A poeira começou a baixar.

    O campo…

    destruído.

    Rachado.

    Queimado.

    No centro—

    Kaede.

    De pé.

    A aura ainda pulsando.

    Mas está mais estável agora.

    Como se tivesse aceitado o próprio poder.

    À frente—

    Genjiro caído.

    Saka imóvel.

    Tsubasa de joelhos.

    Sem resposta imediata.

    Sem reação.

    Sem tempo.

    O sistema do campo ecoou:

    — Fim do Sétimo Round.

    — Vitória: Time de Ryuji Arata, Kaede Shizuma e Naki Senrou.

    — Placar: 4 a 3.

    Silêncio.

    Mas ninguém comemorou.

    Porque aquilo…

    não pareceu vitória.

    Pareceu outra coisa.

    Ryuji Arata olhava.

    Fixo.

    Sério.

    Sem sorrir.

    Sem falar.

    Porque ele entendeu.

    Não foi o time que venceu.

    Foi Kaede.

    E o jeito que ele venceu…

    Não foi normal.

    Kaede virou o rosto.

    Lentamente.

    E olhou direto para Ryuji.

    Os olhos ainda estavam vermelhos.

    Profundos.

    Perigosos.

    — Viu?

    A voz saiu calma.

    Mas carregada.

    — Eu não sou sua sombra.

    Silêncio.

    Total.

    E naquele momento—

    ficou claro pra todo mundo:

    O problema não era mais ganhar a luta.

    Era o que fazer…

    com o monstro que acabou de nascer.

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