Índice de Capítulo

    O portão se abriu lentamente.

    O som metálico ecoou pelo espaço como um anúncio inevitável, arrastado, pesado — como se até a própria arena soubesse que aquilo não era só mais uma luta. O campo de batalha se revelou aos poucos, amplo, marcado por confrontos anteriores, mas ainda intacto o suficiente para receber algo maior.

    Algo decisivo.

    Os dois times entraram.

    Sem pressa.

    Mas também sem hesitação.

    De um lado, Ryuji Arata liderava o avanço, o olhar firme, completamente focado. A aura ao redor dele já não era instável como antes — havia controle ali, mas também algo mais profundo, algo que ainda não tinha sido totalmente revelado. Atrás dele, Naki Senrou caminhava em silêncio, atento a cada detalhe, enquanto Tsubasa Hayashi analisava o campo como se já estivesse lutando mentalmente. Kaede Shizuma vinha por último, mas não menos presente — a aura dele pulsava de forma irregular, carregada de algo mais instintivo, mais perigoso.

    Do outro lado—

    San Ryoshi entrou primeiro.

    Sem aura explosiva.

    Sem demonstração exagerada.

    Mas com uma presença que distorcia o ambiente ao redor, como se o próprio campo se ajustasse à existência dele. Ao seu lado, Renji Asakura mantinha o olhar fixo em Ryuji, silencioso, mas claramente preparado. Karaku Sabito observava com interesse calculado, enquanto Sander Shimo mantinha uma postura mais relaxada — perigosa exatamente por isso.

    Os dois grupos avançaram até o centro.

    E pararam.

    O espaço entre eles não era grande.

    Mas parecia infinito.

    O vento cruzou o campo.

    Leve.

    Quase inexistente.

    Mas suficiente para carregar a tensão de um lado ao outro.

    Ninguém falou.

    Ninguém se moveu.

    Mas tudo ali já estava acontecendo.

    Os olhos de Ryuji travaram nos de San Ryoshi.

    Sem desvio.

    Sem medo.

    Sem respeito cego.

    Só reconhecimento.

    Do outro lado, San Ryoshi observava.

    Calmo.

    Mas atento.

    Como alguém que já tinha visto aquele tipo de chama antes… mas queria confirmar se ela realmente queimava.

    Renji deu um passo à frente.

    Quase imperceptível.

    Mas intencional.

    Ryuji percebeu.

    E sorriu de leve.

    Kaede estalou o pescoço.

    Naki ajustou a respiração.

    Tsubasa já tinha lido três possíveis aberturas de combate.

    O campo…

    respirou.

    E então—

    a voz ecoou.

    Fria.

    Imparcial.

    Dominante.

    — Lutadores…

    O som se espalhou por toda a arena, preenchendo cada espaço vazio, como uma sentença inevitável.

    — Preparem-se.

    Uma pausa.

    Pesada.

    Calculada.

    — Início do Primeiro Round.

    Silêncio.

    Um único segundo.

    Mas suficiente.

    Porque naquele instante—

    ninguém mais estava se segurando.

    E o campo…

    finalmente entendeu.

    A guerra começou.

    O silêncio que existia um segundo antes… morreu.

    No instante em que o round começou, o campo deixou de ser espaço e virou conflito. A tensão acumulada simplesmente explodiu, e o primeiro a se mover foi Ryuji Arata.

    Sem aviso.

    Sem leitura prolongada.

    Só decisão.

    O chão rachou sob seus pés no momento em que ele avançou, o corpo disparando em linha reta como um projétil vivo, a aura comprimida ao redor dele vibrando em intensidade crescente. O alvo era claro.

    San Ryoshi.

    Direto.

    Sem rodeio.

    Mas—

    no meio do trajeto—

    algo entrou no caminho.

    Rápido.

    Bruto.

    Inegável.

    Renji Asakura surgiu à frente, interceptando o avanço com um único passo firme, a pressão da presença dele colidindo de frente com a de Ryuji.

    O impacto não chegou a acontecer.

    Mas o ar entre os dois distorceu.

    — O teu alvo… — Renji começou, a voz carregada, os olhos travados — é comigo.

    Ryuji nem diminuiu.

    — Sai.

    Simples.

    Frio.

    Mas antes que o confronto se concretizasse—

    um corte de velocidade atravessou o espaço.

    Tsubasa Hayashi apareceu como um borrão lateral, entrando na linha de colisão com precisão absurda. Um único movimento foi o suficiente pra quebrar o equilíbrio de Renji, desviando ele da rota com força suficiente pra abrir espaço.

    Ryuji passou.

    Sem parar.

    Sem olhar.

    Tsubasa girou o corpo, já ficando frente a frente com Renji, um leve sorriso surgindo no rosto.

    — De nada, Ryuji.

    Renji estabilizou a postura no mesmo instante, os pés afundando levemente no chão ao recuperar o equilíbrio. Os olhos dele agora estavam completamente focados.

    — Então você quer brincar…

    A aura dele subiu.

    Densa.

    Violenta.

    — Eu aceito.

    Do outro lado do campo—

    o impacto já tinha começado.

    Kaede Shizuma e Sander Shimo colidiram como duas forças incompatíveis.

    Raios explodiram.

    Vermelhos.

    Negros.

    Se cruzando no ar como serpentes violentas, rasgando o espaço ao redor com estalos elétricos constantes. Cada troca de golpe era uma descarga absurda, cada impacto iluminava o campo com flashes intensos que desapareciam tão rápido quanto surgiam.

    Kaede avançava sem freio.

    Instinto puro.

    Raiva direcionada.

    Sander sorria.

    — Finalmente…

    Ele desviou de um golpe por centímetros, contra-atacando com uma descarga negra que raspou o ombro de Kaede.

    — Eu tava esperando isso.

    Kaede respondeu com um avanço ainda mais agressivo, o corpo envolto em raios vermelhos que pulsavam como um coração em colapso.

    — Dessa vez… eu não vou parar.

    Sander riu.

    — Ótimo.

    Os dois desapareceram num novo choque.

    E o campo tremeu.

    Mais afastado—

    o combate já tinha outro ritmo.

    Karaku Sabito não avançou.

    Ele não precisava.

    Com um movimento tranquilo, quase casual, ele puxou algo da lateral do corpo.

    Uma arma.

    Uma pistola.

    Mas não comum.

    O brilho na estrutura denunciava.

    Energia.

    Pura.

    Sem aviso—

    ele atirou.

    O primeiro disparo cortou o ar em linha reta, rápido demais pra um desvio comum.

    Naki Senrou reagiu no reflexo.

    Uma chama surgiu na frente dele, absorvendo o impacto no instante exato em que o projétil atingiu.

    Mas não parou.

    Outro disparo.

    E outro.

    E mais.

    Uma sequência contínua.

    Karaku não estava atacando.

    Ele estava fuzilando.

    Os tiros de energia cruzavam o campo em rajadas precisas, cada um buscando um ponto vital diferente, sem padrão óbvio, sem repetição clara.

    Naki recuou um passo.

    Depois outro.

    As chamas começaram a girar ao redor dele, formando uma defesa dinâmica, consumindo impacto após impacto enquanto ele analisava o ritmo.

    — Não é só força… — ele murmurou.

    — É leitura.

    Mais disparos vieram.

    Mais rápidos.

    Mais precisos.

    Karaku sorriu levemente, ajustando a mira.

    — Vamos ver quanto tempo você aguenta.

    Naki ergueu o olhar.

    As chamas responderam.

    E cresceram.

    No centro—

    o caos já estava completo.

    Quatro combates.

    Quatro ritmos.

    Quatro intenções.

    E no meio de tudo isso—

    Ryuji Arata finalmente se aproximava.

    Do alvo.

    San Ryoshi.

    Sem interrupções.

    Sem barreiras.

    Sem distrações.

    Agora—

    Era só ele.

    E o topo.

    O mundo ao redor desapareceu.

    Não literalmente.

    Mas pra eles… sim.

    O caos dos outros combates virou ruído distante no instante em que Ryuji Arata parou diante de San Ryoshi.

    Sem pressa.

    Sem movimento desnecessário.

    Dois olhares.

    Duas presenças.

    E uma certeza silenciosa:

    isso aqui… decide muita coisa.

    Ryuji não falou.

    Não provocou.

    Não testou.

    Ele só respirou.

    E agiu.

    O sangue respondeu.

    Instantaneamente.

    Subindo pelo braço dele como uma corrente viva, se comprimindo, se moldando, se refinando em tempo real até assumir uma forma sólida — densa, escura, pulsante.

    Uma luva.

    Mas não comum.

    Espinhos surgiram.

    Longos.

    Afiados.

    Carregados de intenção.

    Cada um vibrando com Sen comprimido e… algo a mais.

    Algo venenoso.

    Algo que não estava ali antes.

    San Ryoshi observou.

    Sem se mover.

    Sem sequer erguer a guarda.

    Os olhos dele acompanharam o processo inteiro.

    Analisando.

    Calculando.

    Mas não reagindo.

    — …

    Ryuji avançou.

    Explosão de velocidade.

    O chão cedeu sob o impulso, o corpo dele cortando o espaço em linha reta, sem hesitação, sem ajuste no meio do caminho.

    Era tudo ou nada.

    O punho veio.

    Direto.

    Carregado.

    E—

    San Ryoshi não desviou.

    Não bloqueou.

    Não fez nada.

    Ele deixou.

    O impacto aconteceu.

    Seco.

    Pesado.

    O som ecoou pelo campo como uma batida surda que parecia carregar mais peso do que deveria.

    Mas não foi o impacto…

    que fez a diferença.

    Foram os espinhos.

    Eles cravaram.

    Afundaram no peito de San Ryoshi no mesmo instante do contato, atravessando a superfície da pele e se fixando com precisão brutal.

    Um segundo.

    Silêncio.

    E então—

    o efeito veio.

    San Ryoshi cuspiu sangue.

    Um jato curto.

    Escuro.

    Pesado.

    Os olhos dele se estreitaram levemente.

    O corpo não recuou.

    Mas reagiu.

    Internamente.

    O veneno correu.

    Não como algo caótico.

    Mas como uma assinatura.

    Controlada.

    Cirúrgica.

    Queimando por dentro.

    Desorganizando.

    Consumindo.

    Ryuji já estava recuando, puxando o braço de volta, o sangue se desfazendo e retornando ao fluxo ao redor dele, pronto para se moldar de novo.

    Mas ele não avançou de imediato.

    Ele esperou.

    Observando.

    Querendo ver.

    Se funcionou.

    San Ryoshi limpou o canto da boca com o polegar.

    O sangue ainda escorria.

    O peito… perfurado.

    Os espinhos tinham feito o trabalho.

    E o veneno…

    também.

    Por um breve instante—

    o silêncio voltou.

    Mas agora…

    carregado de algo diferente.

    Reconhecimento.

    San Ryoshi ergueu o olhar.

    Direto.

    Fixando em Ryuji.

    E então—

    um leve sorriso surgiu.

    Pequeno.

    Mas real.

    — Você evoluiu…

    Pausa.

    O ar ao redor dele pareceu pesar.

    — Arata.

    O sangue ainda escorria.

    Mas a presença dele…

    não diminuiu.

    Se fortaleceu.

    E naquele instante—

    ficou claro.

    Ryuji não tinha só acertado.

    Ele tinha despertado algo.

    E agora…

    a luta de verdade começava.

    O campo vibrava.

    Explosões de energia ao fundo.

    Raios rasgando o ar.

    Chamas consumindo espaço.

    Mas em um ponto específico—

    tudo parecia mais rápido.

    Mais denso.

    Mais perigoso.

    Tsubasa Hayashi e Renji Asakura.

    Sem distrações.

    Sem interferência.

    Só eles.

    Tsubasa avançou primeiro.

    Não com força.

    Mas com precisão absurda.

    O corpo dele cortou o espaço em ângulos impossíveis, cada passo calculado pra limitar as opções de reação de Renji. A lâmina veio limpa, direta, mirando pontos vitais com uma frieza quase clínica.

    Renji bloqueou.

    No reflexo.

    O impacto ecoou.

    Mas ele não recuou.

    Ele sorriu.

    — Isso…

    A voz saiu baixa.

    Pesada.

    — Isso é bom.

    Ele avançou de volta.

    Bruto.

    Sem refinamento.

    Mas com uma pressão absurda.

    O soco veio direto.

    Tsubasa desviou por milímetros, girando o corpo e respondendo com um corte horizontal que rasgou o ar… e acertou.

    Um traço de sangue surgiu no braço de Renji.

    Mas ele não reagiu.

    Nem sequer olhou.

    — Tá arranhando.

    Tsubasa estreitou os olhos.

    — E você tá ignorando dano.

    Ele reposicionou.

    Mais sério agora.

    Renji veio de novo.

    Mais rápido.

    Mais pesado.

    Os golpes começaram a se acumular.

    Impacto.

    Desvio.

    Contra-ataque.

    Os dois se moviam em ritmos completamente diferentes — Tsubasa controlava o espaço, manipulava ângulos, criava vantagem em cada micro movimento.

    Renji destruía isso.

    Na força.

    Na pressão.

    Na insistência.

    Um soco passou raspando.

    Outro acertou de leve.

    Tsubasa respondeu com três cortes consecutivos, forçando Renji a recuar pela primeira vez.

    Silêncio curto.

    Respirações pesadas.

    Tsubasa analisando.

    Renji… vibrando.

    — Você é bom pra caralho… — Renji murmurou, passando a mão pelo próprio sangue.

    — Mas falta uma coisa.

    Tsubasa não respondeu.

    Mas avançou.

    Mais rápido agora.

    Mais agressivo.

    A lâmina dançou no ar, uma sequência absurda de ataques que pressionava Renji de todos os lados. Um corte na perna. Outro no ombro. Um terceiro quase atingindo o pescoço.

    Renji bloqueou alguns.

    Aguentou outros.

    Mas começou a ser pressionado.

    O corpo dele recuou.

    Um passo.

    Dois.

    Três.

    O ritmo mudou.

    Tsubasa estava dominando.

    — Você é previsível quando luta só na força — Tsubasa disse, frio.

    — E isso te mata.

    Renji parou.

    Cabeça baixa.

    Respiração pesada.

    Silêncio.

    Por um segundo—

    pareceu que ele tinha sentido.

    Que tinha entendido.

    Mas então—

    ele começou a rir.

    Baixo.

    Crescendo.

    Errado.

    — Heh…

    — Hahah…

    Tsubasa franziu o cenho.

    Algo… mudou.

    O ar ficou pesado.

    Denso.

    Instável.

    Uma fumaça começou a subir.

    Do corpo de Renji.

    Escura.

    Espessa.

    Se espalhando lentamente, envolvendo ele por completo.

    — Então…

    A voz veio de dentro da fumaça.

    Mais grave.

    Mais distorcida.

    — Eu só preciso parar de lutar como humano.

    O chão ao redor dele começou a rachar.

    A pressão aumentou.

    O campo reagiu.

    Instintivamente.

    Tsubasa não avançou.

    Pela primeira vez—

    ele esperou.

    Observando.

    Analisando.

    A fumaça cresceu.

    Cobriu tudo.

    O corpo de Renji desapareceu dentro dela.

    Só a presença ficou.

    E ela…

    não era mais a mesma.

    Mais pesada.

    Mais selvagem.

    Mais… errada.

    Silêncio.

    Um segundo.

    Dois.

    E então—

    a fumaça começou a se dissipar.

    Lenta.

    Revelando.

    Primeiro—

    os olhos.

    Íris vermelha.

    Brilhando.

    Como sangue vivo.

    Depois—

    o rosto.

    Um sorriso.

    Sádico.

    Instável.

    As mãos surgiram.

    As unhas…

    não estavam mais lá.

    No lugar—

    garras.

    Afiadas.

    Naturais.

    Mas letais.

    A aura explodiu.

    Vermelha.

    Densa.

    Violenta.

    E quando a fumaça sumiu por completo—

    Renji Asakura já não era mais o mesmo.

    A postura mudou.

    O olhar mudou.

    A presença…

    se tornou esmagadora.

    Tsubasa encarou.

    Sem recuar.

    Mas agora—

    sabendo.

    Isso não era mais uma luta normal.

    Renji inclinou levemente a cabeça.

    O sorriso abrindo mais.

    — Agora sim…

    Pausa.

    A aura vibrou.

    O campo tremeu.

    — Vamos começar de verdade.

    Continua…

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