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    Enquanto o império se movia, a Ordem atravessava a floresta por aquela mesma estrada. Horas tinham se passado, e alguns se perguntavam onde encontrariam as gêmeas. Os pés de alguns doíam, outros estavam com fome. Apesar dos motivos para se queixar, Kamito olhava para a Akane e para os demais, pensando que essa era sua primeira missão ao lado de todos os Cavaleiros Brancos. A natureza local, ainda que desconhecida, lhe trazia tranquilidade.

    — Por quanto tempo vamos ter que ficar andando?! Já estou de saco cheio disso. Eu poderia muito bem usar minha Manifestação e deixar vocês aí. — Solum chutava algumas pedras pelo caminho, descontente.

    Raishi não lhe deu resposta. Coruja, por sua vez, estendendo o braço esquerdo na direção de uma pequena coruja de energia.

    — Estamos perto. As gêmeas estão numa pequena cidade logo à frente. Sejam discretos, entenderam? Não sabemos se há espiões do império por lá. — ele explicou enquanto a coruja que repousava em seu braço desaparecia.

    — Ótimo! Eu não aguento mais andar. Meus pés estão doendo muito. Nunca andei tanto na vida! Espero que possamos descansar depois disso. — Camily se queixava.

    As reclamações provocaram uma breve risada em Yujiro. Camily não parecia tensa com o que estava por vir; estava mais preocupada com o tempo de caminhada.

    — Para a sua alegria, Camily, a cidade está bem ali. Vamos encontrá-las e ir direto para a casa da conhecida que eu mencionei antes. Assim, vocês poderão descansar. Isso deixa você mais animada? — perguntou Raishi, sem olhar para trás.

    Quando chegaram na cidade, o cenário foi muito distinto do que alguns haviam imaginado. Era pequeno e pacato, as casas modestas e humildes. Raishi seguiu até uma pequena fonte, onde duas garotas — bem entediadas — esperavam sentadas.

    — Desculpem-me por deixá-las esperando, Pombo, Harpia. A caminhada foi maior e mais demorada que o esperado. Já podemos ir?

    — Seu desgraçado! — Harpia se levantou, furiosa, e o agarrou pela gola da camisa. — Você está quatro horas atrasado! Onde esteve esse tempo todo?! Graças a você, Pombo gastou todas as nossas economias e não temos mais onde ficar! Eu deveria fazer você pagar por isso!

    Ruby e Pombo tentaram separá-los, mas não evitaram atrair a atenção de alguns guardas. Não foi problema, o olhar de Harpia os espantou — deram meia-volta e fingiram que não viram nada.

    — Não importa mais, não podemos ficar nessa cidade. Pombo usou sua Manifestação aqui. Embora esse lugar pareça calmo, está repleto de guardas e apoiadores do império. Devemos sair o quanto antes.

    — Parece só que há um Manifestador além de nós. A energia é bem sutil, mas não devemos brincar com a sorte. — pontuou Yujiro, rastreando a área com cautela.

    Ele e Pombo eram os melhores rastreadores do grupo. Enquanto a Manifestação da Pombo era própria para rastreamento, Yujiro desenvolveu um método próprio que detectava inimigos por meio de vibrações terrestres.

    — Sua amiga fica longe daqui? Estou cansada de ficar andando por aí. Precisamos criar logo uma estratégia. Não estamos aqui para passear. — Ryruka se aproximava do irmão; o olhar exigia respostas satisfatórias.

    — Hoje vocês tiraram o dia para tentarem me irritar, uma pena não conseguirem. Ela não deve estar longe, eu diria que ao leste daqui. Que tal alugarmos um veículo? — Raishi ajeitava a gola com naturalidade, os olhos atentos aos aliados e aos arredores. Não demorou para avistar um grupo de guardas se aproximando. — Melhor sairmos daqui. Esse tumulto chamou a atenção de alguns convidados indesejados. Vamos pelos becos para não chamarmos mais atenção. E lá se vai a ideia do veículo…

    — Eles devem ter percebido que somos Manifestadores… Os guardas imperiais são muito opressores com o povo, principalmente com Manifestadores. Vamos por aquele beco, ele nos leva para uma das saídas! — apontou Pombo, já começando a correr.

    Assim que ela entrou no beco à direita do grupo, os guardas ordenaram para os demais não se moverem — claro que correram para o mesmo local.

    — Pela esquerda agora! Se não conseguirmos despistá-los pelos becos, teremos que ser muito mais rápidos para não sermos pegos por eles!

    — Nós andamos por horas e agora temos que fugir dos guardas dessa cidade? Acho que entendi o motivo das pessoas odiarem tanto esses caras. Eu pensei que eram guardas normais! — Kamito comentou enquanto atravessava os becos.

    Ele apertava a mão de Akane; se separar dela era impensável. Ao espiar por cima do ombro, percebeu que os guardas se aproximavam.

    — Isso é ruim! Isso é muito ruim! Por que não lutamos contra eles?!

    — Quer nos revelar para o império?! Se eles souberem de novos Manifestadores no Extra-Mundo, irão deduzir que somos nós! — disse Solum, atravessando o beco.

    Ao sair do beco, esbarrou numa garota de cabelos brancos e olhos vermelhos. O vestido vermelho com longas mangas brancas balançou ao vento. Era alguém que ele conhecia, e que queria muito reencontrar.

    — H-Helenae?! O que faz aqui?! D-digo, você está bem? Se machucou?

    — E-eu estou bem… — ela se levantava um pouco zonza, sem olhar para o rapaz. — Você deveria prestar mais atenção enquanto anda! Seu grosso! Eu poderia ter me machucado! Vocês não têm respeito nenhum?

    Mas quando seus percebeu quem era, suas bochechas coraram e ela recuou.

    — S-Solum?! É você?! O que está fazendo aqui? E-eu pensei que você tinha deixado o Extra-Mundo. Onde está o Coruja? Por que você voltou?

    — É-É complicado… Bom… — ele desviava o olhar vez ou outra, estava nervoso e agitado — O Coruja também está aqui… Eu ainda não posso te dizer o motivo de estarmos no Extra-Mundo, mas é algo muito importante.

    Ele queria contar tudo, mas não houve tempo; os outros já saíam do beco com os guardas logo atrás. Helenae estava assustada, Solum a puxou pelo braço por instinto.

    — Eu prometo te explicar tudo quando estivermos num lugar seguro! Até lá, preciso que você venha comigo e confie em mim, Helenae!

    — E-eu…! Espera aí, Solum! Por que você está com essas pessoas?! E por que vocês estão fugindo dos guardas imperiais?! Para onde você está me levando?!

    Ela tentava acompanhá-los, sem entender o motivo da correria e da perseguição. Alguns olhares confusos foram lançados ao Solum. Por que ele trazia a garota?

    — Está bem, eu vou com você! Quero entender o que está acontecendo e quem são essas pessoas! Eu quero saber toda a verdade, ouviu?!

    — Quem diria que o Solum tinha uma namorada?! Agora eu entendi o motivo de ele ter tanta raiva e vontade de lutar. No fim das contas, era só saudade. — Kamito riu.

    Os olhares de Akane e Solum o forçaram a parar de rir. Sem graça, ele desviou o olhar. Logo à frente, um muro. Passar por ele os levaria para fora da cidade.

    — Só quatro horas aqui e já somos procurados! Definitivamente, o Extra-Mundo não é um bom local para se viver. Agora eu sei por qual motivo vocês foram para a Terra, pessoal! Se eu vivesse aqui, eu também fugiria.

    — Há alguns veículos na beira da estrada! — apontou Coruja.

    Os veículos eram parecidos com os da Terra, mas tinham suas particularidades e estranhezas. Estes pertenciam ao império — não faria falta se um fosse roubado.

    No caminho, Solum explicou para Helenae o que houve nos últimos anos e sobre a nova Ordem. Ao mesmo tempo que ela parecia surpresa, também entendia com perfeição. Uma de suas primeiras atitudes foi agradecer Kamito por ter entendido o Solum e não tê-lo matado. Sua gratidão foi recebida com entusiasmo pelo rapaz, que afirmava ter sentido, desde o começo, que o Coiote da Ordem era alguém bom.

    Ambos voltaram a conversar, mas em nenhum momento Solum disse o motivo da estar no Extra-Mundo. Ele sabia que, se contasse, Helenae iria querer ajudá-lo.

    As conversas paralelas continuaram por algum tempo até Ruby os informar de que estavam chegando ao destino. Ao contrário dos outros, Ryruka não disse nada durante o trajeto. Yujiro, por sua vez, admirava aquele mundo enquanto as irmãs gêmeas conversavam com Camily sobre o que fizeram enquanto estavam sozinhas. Akane dormia com a cabeça encostada no ombro direito do namorado, o qual não parava de pensar sobre quais surpresas ainda os esperavam.

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