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    Ryruka observava o companheiro paralisado. Com medo estampado no rosto, ela se preparava cautelosamente para invocar sua Relíquia. Qual era o efeito daquela Manifestação? Precisaria agir com cuidado redobrado dali em diante.

    — Yujiro?! O que aconteceu? Por que você está parado feito uma estátua? Ei, Yujiro! Está me ouvindo? O que você fez com ele, velho maldito?! — ela enfim invocou sua Relíquia e se preparou para atirar. Com um sorriso cínico, Navaro deixou Yujiro à sua frente. — Desgraçado! Pretende usá-lo como escudo humano? Acha que isso vai me impedir de te matar? Isso só me deixa com muito mais vontade!

    — E mataria seu amigo no processo? Você é mesmo perigosa. Fico cada vez mais interessado em saber qual é seu medo. — ele fitou Yujiro, lhe deu dois tapinhas no ombro e olhou para Ryruka. — Muito bem, você será a próxima. Já descobri o medo do seu amigo. Quem diria que seria algo banal.

    Navaro jogou o rapaz contra ela, os lançando contra uma parede e a destruindo. Contemplar a destruição do templo o alegrava tanto quanto abusar do seu poder.

    — O grande medo do seu amigo é a perda. Quem diria que um Nomura teria um medo desses… E eu sei exatamente o motivo e o que ele tem medo de perder.

    — Não interessa o que você descobriu, eu irei acabar com você. — comentou Ryruka, enquanto colocava Yujiro escorado numa parede — Você vai sofrer por ter mexido na cabeça do Yujiro. Dane-se se você é Nomura ou não.

    Num movimento rápido, ela invocou o arco e disparou inúmeras flechas. Navaro, com enorme naturalidade, desviava de todas.

    — Você é mesmo rápido, eu confesso. Mas em algum momento vai se descuidar e, quando isso acontecer, você não terá escapatória!

    — Não, Ryruka. Você não é páreo para ele. Se ele te pegar com aquela Manifestação, estaremos em desvantagem. — afirmou Yujiro, se levantando com dificuldades.

    Seu olhar era carregado de raiva, a imagem do inimigo o fazia apertar o chicote com força. Yujiro avançou enquanto várias pedras atacavam Navaro.

    — Como punição por invadir minha cabeça, mostrarei a técnica secreta de Yusuke Nomura!

    — Esse é o olhar que eu queria ver! O olhar de medo! Medo de perder seus amigos, medo de perder a garota que você ama! Me mostre o que você tem, Yujiro!

    Ele lançou um olhar rápido para Ryruka, que o encarava com surpresa. Em suas mãos, surgiu uma lupa, e com ela Navaro desvendou os mistérios sobre a jovem loira. Yujiro não chegou a tempo de impedir.

    — Interessante. Você teme não conseguir a aprovação daqueles que admira, por isso se esforça tanto para esconder seu medo! Nesse caso, eu não pegarei leve!

    — Você não será páreo para nós dois, Navaro! Esse é o erro que eu disse que você cometeria! Você foi um tolo, e agora acabará morto! — ela disparou mais flechas, pensando que seria o suficiente para amedrontá-lo.

    Navaro riu e não se moveu, apenas se preparava para avançar sem medo.

    — Não sei se você é corajoso ou louco para ficar tão calmo! — ela disse, perplexa.

    Navaro avançou, desviando de ambos os ataques. Seria fácil alcançar Ryruka, se não fosse aquele chicote. Agarrado pela perna direita, foi arremessado para fora do templo e colidiu contra uma parede de rochas. Yujiro o imobilizou, fazendo a parede conter braços e pernas do inimigo. Flechas de gelo o congelaram parcialmente e pedregulhos se chocaram contra a parede, levantando uma cortina de poeira e fumaça. Ryruka e Yujiro se aproximaram.

    Navaro não estava ali.

    Por instinto, ambos assumiram posturas de combate, à espera do próximo ataque. Navaro tentou atacar Yujiro pelas costas, sem sucesso, e começaram a trocar golpes.

    Os golpes de Yujiro sempre eram complementados pela sua Relíquia e pela sua Manifestação, mas, nessa luta, isso não lhe deu vantagem alguma. Ryruka disparava flechas sem parar, apenas tendo com cuidado para não ferir o aliado. Enquanto isso, Yujiro dava início a uma onda de ataques mesclando Manifestação e golpes físicos. Usava botas e luvas de pedra para aumentar o impacto seus golpes, o que também fazia com que a terra acompanhasse seus ataques.

    Sempre que ele dava um soco, um enorme punho de pedra surgia para ajudá-lo. Ryruka então modificou as flechas — agora eram maiores e mais finas. As disparou em pontos específicos do local, transformando-as em torretas de flechas de gelo. Navaro precisou mudar o alvo; agora, era Ryruka. Ela continuou disparando, sem se preocupar com o avanço inimigo.

    Ele vacilou. Pisou onde não deveria, e o foi corpo sugado pela terra até a cintura.

    — Vocês lutaram em perfeita harmonia. Então essa é a técnica do Mestre Yusuke? Algo tão banal e comum foi capaz de me vencer… Eu fui tolo. — ele tentava se soltar, a terra o apertava com mais força. Ao ver Yujiro se aproximando, ele riu. — Você não me mataria, rapaz. Precisa de mim se pretende obter informações sobre o império. Sou mais valioso vivo do que morto. Pense bem, Nomura.

    — Eu já pensei, e é o fim da linha para você, Navaro. Bloody Rock Dance!!!

    Yujiro pisou no chão com bastante força, fazendo Navaro subir. Em seguida, girou o chicote de espinhos ao redor do alvo, sem lhe dar chance de reagir.

    — Ainda não é o bastante! Stone Coffin!!!

    — Pare, Yujiro! Isso é exagero! — Ryruka correu. Estava prestes a ver o amigo tirar uma vida. O impediu com um abraço que jogou ambos para o chão. — Pare, idiota! Se o matar, não conseguiremos informações sobre o império e sobre o Imperador!

    Bem a tempo. O caixão de pedra estava pronto para ceifar a vida de Navaro. Com o amigo sob controle, ela o fitou no fundo dos olhos.

    — Já chega, Yujiro. Você precisa parar de ser assim. Sempre está se culpando ou achando que é responsável por tudo e por todos. Foi assim no passado, com o Kamito e com o Rinoceronte. Não suje suas mãos, por favor.

    — Ryruka, eu… — ele desviou o olhar. — Me desculpe, eu me deixei levar pela raiva. Você está certa, eu não irei matá-lo, agora. Primeiro, precisamos das informações.

    Ela concordou e, contrariando a lógica, o surpreendeu com um beijo. Nem mesmo as melhores análises do jovem Nomura o prepararam para tal cenário.

    — Parece que não é só a Akane que faz isso no meio das lutas. — ele riu. — Mas se foi para que eu voltasse a pensar, funcionou muito bem.

    — Idiota, foi apenas uma recompensa por você ter me ouvido. Você é inteligente o suficiente para que possa raciocinar sem ajuda. O beijo… Isso ainda continua sendo algo daqueles dois. Eles sim precisam um do outro mais do que tudo. — ela deu um sorriso discreto, se levantou e olhou para o caixão de pedra. — Hora de descobrir o que ele sabe. Tenho certeza de que ele conhece os nomes dos Capitães.

    — Certo. Irei alterar o formato do caixão para facilitar a comunicação, mas não espere que ele vá dizer tudo de bom grado. E tenha cuidado para não ser pega pelo olhar dele, você não vai gostar do que tem lá. — ele remodelou o caixão, deixando-o num formato de X e expondo Navaro, inconsciente e ensanguentado. — Pare de fingir que está dormindo, esse truque não vai funcionar. Fale antes que eu te prenda de novo.

    Com Navaro capturado, eles poderiam conseguir informações sobre o império diretamente de um dos capitães. Yujiro e Ryruka o encaravam seriamente enquanto ele finalmente abria os olhos e os encarava de volta. Sua única opção era cooperar.

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