Enquanto Kelly guiava Noah, que não enxergava nada, em direção das celas, ela tranquilizou Noah.

    — O que vai acontecer agora? — perguntou Noah, ligeiramente tenso.

    — Relaxa, se não tivessem o mínimo interesse em você, eles já teriam te descartado há muito tempo, você não teria chegado nem perto deles — explicou. — Isso o que chamamos de “julgamento”, está mais para uma entrevista.

    — Se é assim, então para que estão me mandando para a “prisão”? Eu esperaria bem quietinho em uma sala qualquer.

    — Não posso dar muitos detalhes sobre isso, só o que posso te dizer é que eles ainda querem te observar mais antes de tomarem uma decisão, descobrir mais sobre você e a sua vida, além de ser uma medida de segurança.

    — Acho que entendi.

    — Fica tranquilo, vai dar tudo certo.

    — Quanto tempo terei que ficar esperando?

    — O tempo que precisar.

    — Isso não foi muito útil — falou, inconformado, enquanto ela soltava seus pulsos.

    — Mas é verdade — disse removendo o saco da cabeça dele.

    Em seguida, ele entrou na sua cela e ela o trancou ali dentro, apenas dizendo antes de ir embora: “Nos vemos mais tarde”.

    O lugar não era tão ruim quanto imaginou ao longo do caminho, esperava que fosse igual ao do exército, um lugar todo acabado que fizesse o indivíduo se sentir humilhado, mas, ao invés disso, era até que bem aconchegante, tinha um ar condicionado no corredor que não o deixava morrer de calor, uma cama de madeira presa à parede, uma almofada que era até que bem macia, uma pia que funcionava e uma privada com tampa, além do lugar estar totalmente limpo.

    — Se isso for algum tipo de teste, então acho que não tenho com o que me incomodar — sussurrou, estando bem calmo, enquanto se espreguiçava.

    A única coisa que lhe incomodava de ficar ali era o fato de não ter nada para fazer, algo que fizesse o tempo passar mais rápido, fazendo com que cada segundo o parecesse levar uma eternidade para passarem.

    A coisa mais intrigante que ele encontrou para poder fazer, foi ficar vendo a luz do sol se mover lentamente no chão da cela até quase desaparecer.

    — Não sei como você aguenta ficar tão calmo, eu já teria enlouquecido se tivesse que ficar tanto tempo parada, sem nada para poder fazer — comentou a estranha mulher se escorando nas grades da cela.

    Era uma mulher jovem e relativamente bonita, ela tinha uma aparência bem comum para os padrões, não era alguém que se destacaria pelo seu rosto, tamanho e nem pelas roupas que usava. Seus olhos eram castanhos, o nariz, talvez a coisa mais chamativa em todo seu rosto, era um pouco pequeno e côncavo, o cabelo era ondulado, preto e relativamente curto e os seus lábios eram finos e discretos.

    Certamente, se não fosse pela sua personalidade forte, que o lembrava a de um gato agitado, ela seria alguém facilmente esquecível.

    — Quem é você? — perguntou, ignorando completamente o que ela falou.

    — Não se lembra de mim!? Agora fiquei chateada, eu até te desejei boa sorte.

    — Você é a garota que me deu um tapinha nas costas.

    — Isso! Você lembrou.

    — Eu quero saber qual é o seu nome e porque está aqui — explicou.

    — Ah, é claro… Eu me chamo Sophia, estou em treinamento para me tornar recruta. E eu vim aqui porque fiquei curiosa sobre quem era o cara por debaixo daquele saco de pão — contou. — Você não é tão bonito como eu estava esperando, mas também não é de se jogar fora.

    — Isso vale o mesmo para você — rebateu, confuso, não acreditando no que ela disse.

    — Você é de onde?

    — Não vai te causar problemas estar aqui embaixo? — contestou, ignorando a pergunta dela.

    — Se ninguém me descobrir aqui, não vai dar em nada — respondeu, não gostando de ter sido ignorada. — Agora, para de se fazer de marrento e me conte algo sobre você. Eu disse o meu nome, agora me diga qual é o seu?

    — É Noah.

    — Muito prazer, Noah.

    — Você tem quantos anos menina?

    — Todo mundo acha que sou menor de idade quando me veem, mas já tenho os meus dezoito anos.

    “PAM—PAM—PAM…”

    — Acho que tem alguém vindo — disse Noah, ao ouvir o que lhe pareciam passos.

    — É melhor eu ir então. Se tudo der certo para você, espero nos darmos bem, Noah.

    — Tchau… estranha.

    Quando Kelly apareceu, o Vice-Diretor a acompanhava. Ao sair da cela, andou entre eles, sem amarras e vendo tudo à sua volta. O andar subterrâneo era onde estava preso, um lugar pequeno com cinco compactas celas, nas quais ele não tinha a menor ideia de como é que a luz do sol entrava ali. O pequeno presídio ficava escondido atrás de uma estante de livros falsa no primeiro andar e era preciso descer uma escadaria em espiral para chegar lá.

    Aquele lugar se parecia com uma pequena agência à primeira vista. O primeiro andar era um escritório repleto de pessoas trabalhando nos computadores e mexendo com muita panelada, a tecnologia e os materiais eram de primeira linha, importados do exterior, deixando o ambiente bonito e agradável, mesmo estando repleto de divisórias que criavam um pequeno espaço particular para cada um ali.

    Já o segundo e último andar, ao se abrirem as portas do elevador, se deparou com várias portas e um corredor, o qual levava a mais dois corredores, um de cada lado no meio do lugar, mas andaram até o final do mesmo, onde, no completo oposto do elevador, se encontrava a sala do Diretor.

    — Foi bem difícil convencê-los — disse o Vice-Diretor, ao ficar de frente com a sala do Diretor. — Então vê se não estraga tudo.

    Calado, Noah passou sozinho pela porta, ficando diante dos quatro Diretores, onde cada um deles deu a sua visão sobre ele.

    A Capixaba, que o achava um inútil, tinha baixíssimas esperanças sobre ele.

    O Carioca, que cresceu em uma situação parecida com a dele, sentia empatia sobre ele, queria ver como que o Noah faria para dar a volta por cima na vida.

    Já o Mineiro tinha grandes expectativas.

    E o Paulista, o Diretor, tendo fé na sua amiga, mesmo que incerto, por conta de todo o histórico dele, decidiu lhe dar uma chance de mostrar mais sobre quem ele era, batendo o martelo e dando boas vindas a ele…

    Então, Noah assinou os papéis que oficializaram tudo, apertou a mão do Diretor e, no fim, tirou a foto que usariam no seu registro e histórico.

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