CAPÍTULO 17: A SENTENÇA (5/5)
Enquanto Kelly guiava Noah, que não enxergava nada, em direção das celas, ela tranquilizou Noah.
— O que vai acontecer agora? — perguntou Noah, ligeiramente tenso.
— Relaxa, se não tivessem o mínimo interesse em você, eles já teriam te descartado há muito tempo, você não teria chegado nem perto deles — explicou. — Isso o que chamamos de “julgamento”, está mais para uma entrevista.
— Se é assim, então para que estão me mandando para a “prisão”? Eu esperaria bem quietinho em uma sala qualquer.
— Não posso dar muitos detalhes sobre isso, só o que posso te dizer é que eles ainda querem te observar mais antes de tomarem uma decisão, descobrir mais sobre você e a sua vida, além de ser uma medida de segurança.
— Acho que entendi.
— Fica tranquilo, vai dar tudo certo.
— Quanto tempo terei que ficar esperando?
— O tempo que precisar.
— Isso não foi muito útil — falou, inconformado, enquanto ela soltava seus pulsos.
— Mas é verdade — disse removendo o saco da cabeça dele.
Em seguida, ele entrou na sua cela e ela o trancou ali dentro, apenas dizendo antes de ir embora: “Nos vemos mais tarde”.
O lugar não era tão ruim quanto imaginou ao longo do caminho, esperava que fosse igual ao do exército, um lugar todo acabado que fizesse o indivíduo se sentir humilhado, mas, ao invés disso, era até que bem aconchegante, tinha um ar condicionado no corredor que não o deixava morrer de calor, uma cama de madeira presa à parede, uma almofada que era até que bem macia, uma pia que funcionava e uma privada com tampa, além do lugar estar totalmente limpo.
— Se isso for algum tipo de teste, então acho que não tenho com o que me incomodar — sussurrou, estando bem calmo, enquanto se espreguiçava.
A única coisa que lhe incomodava de ficar ali era o fato de não ter nada para fazer, algo que fizesse o tempo passar mais rápido, fazendo com que cada segundo o parecesse levar uma eternidade para passarem.
A coisa mais intrigante que ele encontrou para poder fazer, foi ficar vendo a luz do sol se mover lentamente no chão da cela até quase desaparecer.
— Não sei como você aguenta ficar tão calmo, eu já teria enlouquecido se tivesse que ficar tanto tempo parada, sem nada para poder fazer — comentou a estranha mulher se escorando nas grades da cela.
Era uma mulher jovem e relativamente bonita, ela tinha uma aparência bem comum para os padrões, não era alguém que se destacaria pelo seu rosto, tamanho e nem pelas roupas que usava. Seus olhos eram castanhos, o nariz, talvez a coisa mais chamativa em todo seu rosto, era um pouco pequeno e côncavo, o cabelo era ondulado, preto e relativamente curto e os seus lábios eram finos e discretos.
Certamente, se não fosse pela sua personalidade forte, que o lembrava a de um gato agitado, ela seria alguém facilmente esquecível.
— Quem é você? — perguntou, ignorando completamente o que ela falou.
— Não se lembra de mim!? Agora fiquei chateada, eu até te desejei boa sorte.
— Você é a garota que me deu um tapinha nas costas.
— Isso! Você lembrou.
— Eu quero saber qual é o seu nome e porque está aqui — explicou.
— Ah, é claro… Eu me chamo Sophia, estou em treinamento para me tornar recruta. E eu vim aqui porque fiquei curiosa sobre quem era o cara por debaixo daquele saco de pão — contou. — Você não é tão bonito como eu estava esperando, mas também não é de se jogar fora.
— Isso vale o mesmo para você — rebateu, confuso, não acreditando no que ela disse.
— Você é de onde?
— Não vai te causar problemas estar aqui embaixo? — contestou, ignorando a pergunta dela.
— Se ninguém me descobrir aqui, não vai dar em nada — respondeu, não gostando de ter sido ignorada. — Agora, para de se fazer de marrento e me conte algo sobre você. Eu disse o meu nome, agora me diga qual é o seu?
— É Noah.
— Muito prazer, Noah.
— Você tem quantos anos menina?
— Todo mundo acha que sou menor de idade quando me veem, mas já tenho os meus dezoito anos.
“PAM—PAM—PAM…”
— Acho que tem alguém vindo — disse Noah, ao ouvir o que lhe pareciam passos.
— É melhor eu ir então. Se tudo der certo para você, espero nos darmos bem, Noah.
— Tchau… estranha.
Quando Kelly apareceu, o Vice-Diretor a acompanhava. Ao sair da cela, andou entre eles, sem amarras e vendo tudo à sua volta. O andar subterrâneo era onde estava preso, um lugar pequeno com cinco compactas celas, nas quais ele não tinha a menor ideia de como é que a luz do sol entrava ali. O pequeno presídio ficava escondido atrás de uma estante de livros falsa no primeiro andar e era preciso descer uma escadaria em espiral para chegar lá.
Aquele lugar se parecia com uma pequena agência à primeira vista. O primeiro andar era um escritório repleto de pessoas trabalhando nos computadores e mexendo com muita panelada, a tecnologia e os materiais eram de primeira linha, importados do exterior, deixando o ambiente bonito e agradável, mesmo estando repleto de divisórias que criavam um pequeno espaço particular para cada um ali.
Já o segundo e último andar, ao se abrirem as portas do elevador, se deparou com várias portas e um corredor, o qual levava a mais dois corredores, um de cada lado no meio do lugar, mas andaram até o final do mesmo, onde, no completo oposto do elevador, se encontrava a sala do Diretor.
— Foi bem difícil convencê-los — disse o Vice-Diretor, ao ficar de frente com a sala do Diretor. — Então vê se não estraga tudo.
Calado, Noah passou sozinho pela porta, ficando diante dos quatro Diretores, onde cada um deles deu a sua visão sobre ele.
A Capixaba, que o achava um inútil, tinha baixíssimas esperanças sobre ele.
O Carioca, que cresceu em uma situação parecida com a dele, sentia empatia sobre ele, queria ver como que o Noah faria para dar a volta por cima na vida.
Já o Mineiro tinha grandes expectativas.
E o Paulista, o Diretor, tendo fé na sua amiga, mesmo que incerto, por conta de todo o histórico dele, decidiu lhe dar uma chance de mostrar mais sobre quem ele era, batendo o martelo e dando boas vindas a ele…
Então, Noah assinou os papéis que oficializaram tudo, apertou a mão do Diretor e, no fim, tirou a foto que usariam no seu registro e histórico.

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