Capítulo 426: Que Respeitoso (4)
No entanto, Cale não ousou encarar Hannah, que estava emitindo uma vibração cruel.
“Meu corpo pode estar fraco, mas ainda dizer isso diretamente na minha cara?!”
O problema era que todas as pessoas ali tinham corpos extremamente fortes; mas a estrutura óssea de Cale era forte, se você não se importasse com sua pele pálida ou sua falta de músculos.
Seus braços e pernas eram longos e seus ombros eram largos; ele provavelmente teria se saído bem se tivesse treinado adequadamente.
Claro, o problema era que Cale escolheu o futuro de se tornar um preguiçoso em vez de fazer o treinamento difícil.
— Ei.
Hannah começou a falar novamente nesse momento.
— O que?
Ela ouviu a resposta quase automática e curta de Cale e continuou a falar.
— Eu também vou se você for ver Clopeh Sekka.
— Hum?
“Por que ela está mencionando Clopeh Sekka de repente?”
Hannah fez uma expressão desconfiada enquanto Cale ficou sentado ali, confuso.
Hannah veio direto do campo de treinamento depois de ouvir de Rosalyn que Cale havia acordado e imediatamente pensou em Clopeh Sekka assim que ele mencionou ir para o Norte.
— Ele está escrevendo uma lenda.
— Sacrifícios são necessários para lendas.
— Estou decepcionado por não poder assistir a esta grande batalha na íntegra.
Ela se lembrou das coisas que Clopeh havia dito. Ele olhou para Cale, que ia lutar, com uma intensidade quase estranha de paixão, mas seus olhos estavam estranhamente frios.
Eles estavam quentes de paixão, mas frios ao mesmo tempo.
Isso a fez se sentir desconfiada.
Ela não era uma boa pessoa para Cale Henituse nem para o grupo dele. O primeiro encontro deles foi o pior possível, e também não havia chance de camaradagem se desenvolver no meio. Era por isso que suas ações agora poderiam estar fora da linha, mas ela precisava resolver essa dúvida.
Ela debateu um pouco antes de mal conseguir falar.
— Clopeh Sekka. Aquele cara é muito estranho.
— Eu sei.
Os olhos de Hannah se arregalaram depois de ouvir a resposta imediata.
— Ei. Não estou falando de estranheza no sentido daquela loucura que você sempre fala…!
— Eu sei.
“Ele sabe?”
Hannah podia ver os cantos dos lábios de Cale começarem a subir lentamente.
— Ele pode estar louco, mas sua cabeça está bem.
“Isso não significa que ele é perigoso?”
Hannah achou que acabaria expressando seus pensamentos. No entanto, não conseguiu dizer nada depois de ver o sorriso de Cale, que se tornava cada vez maior. Ele continuou sorrindo enquanto quase sussurrava para Hannah.
— Você sabe por que aquele desgraçado sempre diz essas bobagens sobre lendas a meu respeito?
— …Porque ele é louco?
Cale sorriu ao responder.
— Estou além do alcance dele.
Poder e influência atuais, bem como condição física. Cale tinha tudo o que Clopeh Sekka tinha.
O bastardo que veio para destruir Cale e o território Henituse, que estavam cuidando da própria vida, foi capturado por Cale.
Ele então ficou do lado de Cale e do Reino Roan e, embora agora tivesse menos força física, tinha mais comando do território do Norte do que nunca.
O Clopeh atual não conseguiu alcançar Cale. Foi por isso que esse espertinho que tentou destruir o território Henituse considerou Cale uma lenda.
— Ele também sabe disso.
Foi por isso que ele acabou virando um louco desgraçado que fala bobagens sobre lendas. Cale explicou calmamente a Hannah, que parecia ter cometido um erro.
— Hannah, eu não sou uma boa pessoa.
Cale acreditava que era uma pessoa má e egoísta. Clopeh Sekka era igual.
Ele estava planejando trabalhar com aquele bastardo louco e esperto para encenar uma peça para enganar alguém.
— Vamos para o norte imediatamente.
Cale se levantou da cama.
On, Hong e Raon se aproximaram dele. O resto do grupo estava ocupado preparando os círculos mágicos de teletransporte, fazendo as malas e contatando as pessoas.
Cale olhou para as crianças, que tinham em média nove anos, e pegou On e Hong. Conseguiu ver seus rabos estranhamente abaixados e sussurrou furtivamente para elas, para que os outros não pudessem ouvir.
— Eu conto para vocês dois depois também. Mas vocês têm que manter segredo.
As caudas de On e Hong começaram a abanar depois de ouvir sua voz calma enquanto Raon batia suas asas.
Cale suspirou e balançou a cabeça diante daquela resposta.
{Ah! Humano! Vamos tentar fazer gochujang e doenjang da próxima vez! Ele disse que são os molhos mais importantes! Beacrox pareceu muito interessado! O Vovô Ron também estava interessado, pois achava que a pousada precisava de novidades no cardápio!}
As pupilas de Cale começaram a tremer. Raon riu baixinho enquanto continuava a falar.
{Não contamos a eles sobre a sua história! Não precisa se preocupar! Só dissemos que era comida da terra natal do Choi Han! Tenho certeza de que eles vão descobrir logo, já que o vovô Ron e o grande chef Beacrox estão trabalhando juntos!}
“Merda.”
Ron se aproximou dele e começou a falar enquanto Cale começou a franzir a testa.
— Jovem mestre-nim, você deve se preparar para partir.
— …Sim.
Cale conteve as lágrimas e começou a seguir para o norte em busca de sua futura vida de preguiçoso, embora imaginasse um futuro terrível, onde poderia receber gochujang-jjigae em vez de chá de limão e água com gochujang em vez de limonada.
***
*Tap* *Tap* *Tap*
Um amassado apareceu e a mesa continuou a quebrar lentamente enquanto o dedo indicador coberto de calos batia nela.
— Mm.
A pessoa que assistia com o coração nervoso bateu no braço da outra. A Baleia Paseton espiou Archie, que bateu no braço dele enquanto Archie gesticulava com a boca.
“Que tal destruirmos tudo?”
Paseton começou a franzir a testa e decidiu ignorar Archie. Archie pareceu frustrado com a resposta de Paseton, no entanto…
*Tap* *Tap* *Tap*
Ele ficou de boca fechada depois de ver o dedo indicador continuar destruindo a mesa. Seria uma perda para ele se abrisse a boca agora e acabasse tendo que “treinar” com Witira.
— Agora mesmo.
Algo aconteceu na área silenciosa. Witira, a Futura Rainha Baleia, começou a falar.
— Devo matar todos eles?
“Guh!”
Archie engasgou.
Sua voz era fria e sem nenhuma emoção.
— Eles são irritantes.
*Creck*
Os restos de madeira da mesa quebrada voaram pelo ar. Archie fechou os olhos e compartilhou seus pensamentos.
— Devo ir destruir tudo para você? Sou muito bom em destruir coisas.
— Haaaa.
Witira suspirou e fingiu não ouvir Archie. Preferiu olhar para as pessoas sentadas ao redor da mesa redonda com ela.
A pessoa com quem ela fez contato visual começou a falar.
— Mm, antes de mais nada, o texto ancestral está quase completo, no entanto…
Taylor Stan, uma poderosa figura da região noroeste do Reino Roan, olhou para o velho pergaminho dentro de uma caixa de vidro transparente. Cage, a antiga sacerdotisa do Deus da Morte, estava ao lado dele.
— Nós forjamos este texto ancestral conforme o jovem mestre Cale solicitou, mas deixamos as partes referentes à localização e outros detalhes importantes em branco.
Ele tocou a caixa de vidro com o item que ele criou dentro com uma expressão preocupada.
Taylor e Cage chegaram ao Palácio Imperial da capital Mogoru após se comunicarem com Cale. Eles encontraram Tasha, que veio do Reino Caro para lá, e Clopeh Sekka.
Os dois logo foram se encontrar com Cale enquanto Taylor e Cage permaneceram na capital. Embora a criação da falsificação tivesse sido interrompida por um tempo, eles se concentraram em como obteriam os ingredientes furtivamente, bem como em como criariam este texto ancestral.
A batalha na capital aconteceu pouco tempo depois e Cale Henituse desmaiou.
Quão preocupado ele estava naquele momento?
Ele tinha certeza de que o jovem mestre Cale Henituse os teria chamado porque algo precisava mudar, no entanto, eles ainda não tinham conseguido ouvir os detalhes.
Foi por isso que ver Clopeh Sekka e Tasha se tornou uma pista para ele. Ele estava arrastando alguém do Reino Caro para um plano que aconteceria no Norte. Os dois concluíram que havia um motivo para isso e adiaram a falsificação das partes sobre o local, bem como outros detalhes importantes.
Três semanas se passaram desde então e ele estava atualmente hospedado em uma residência secreta na costa mais ao norte do Reino de Paerun, que Clopeh havia preparado para eles.
Ele cautelosamente fez uma pergunta a Witira.
— …Você ainda consegue sentir os olhares dos magos negros?
A futura Rainha Baleia lançou um olhar frio antes de piscar.
As existências irritantes. Aquelas que ela queria matar.
— Está piorando lentamente. Há mais olhos espionando furtivamente a geleira onde vive a tribo das Baleias. Parece haver outras facções além dos magos negros também.
Ela mordeu os lábios.
— Acalmou por alguns dias quando Cale Henituse desmaiou. Mas agora piorou.
Witira estava com dor de cabeça. Ela fingia não notar os magos negros espiões, pois Cale lhe contou com antecedência sobre um plano.
No entanto, ela estava com dificuldades internas, pois as Baleias não eram uma tribo que gostasse de espionar os outros nem de ser espionada por outros.
— O que você pensa sobre tudo isso?
Witira se virou para olhar para outra pessoa.
— Sir Clopeh, estou curioso para saber o que pensa o homem que ficou quieto por tanto tempo.
Clopeh começou a sorrir ao ouvir o comentário de Witira. Era um sorriso nobre e majestoso.
— Witira-nim, veja bem, lendas…
“Ah, essa bobagem de novo.”
Archie começou a franzir a testa depois de ouvir a palavra lenda. Ele parecia pronto para calar Clopeh a qualquer momento.
Clopeh continuou falando com uma expressão calma.
— Tem sempre um personagem principal.
— …Eu entendi.
Witira assentiu e concordou.
“O que ela quer dizer com ‘entendi’?”
Archie olhou para as costas de Witira, frustrado. Witira começou a falar num tom de dor, como se estivesse respondendo à frustração de Archie.
— No entanto… É muito irritante deixar os magos negros continuarem nos espionando.
Foi nesse momento.
*Click*
A porta se abriu.
— Se eles são irritantes, por que você não lhes dá uma lição?
Archie se virou. Eles estavam no escritório no centro da residência secreta. Alguém estava entrando no escritório com um bastão dourado na mão.
— Jovem mestre Cale.
Cale entrou no escritório no momento em que Witira o chamou. Os outros o seguiram, mas Cale não se importou. Em vez disso, concentrou-se no centro da mesa redonda em que Witira e os outros estavam sentados. Olhou para baixo enquanto começava a falar.
— Este é um mapa muito bom.
Era um mapa que marcava o extremo norte do Reino Paerun e a terra da tribo das Baleias.
— Nosso plano é simples.
A pele de Cale estava mais pálida do que antes, mas seu olhar ardente os impedia de olhar para sua pele.
— O Estrela Branca busca encontrar um tesouro importante na terra da tribo das Baleias. Eu planejava usar isso a meu favor. O texto ancestral forjado pelo Marquês Taylor-nim também era para isso.
Clopeh, que estava quieto, começou a falar.
— Que tipo de tesouro é esse?
— Por quê? Você quer?
— Sim, Cale-nim.
Cale olhou calmamente para Clopeh, que respondeu com sinceridade. Clopeh era alguém que valorizava a vida acima de tudo. Ele respondeu brincando a Clopeh, que o olhava como se fosse um herói.
— Eu também não sei. É algo que nenhum de nós precisa saber.
— Eu entendo.
Cale levantou a mão depois de ver Clopeh calar a boca sem dizer mais nada.
— Choi Han.
— Sim, Cale-nim.
Choi Han deu um passo à frente e abriu um pano em cima da mesa.
*Chhhhhhh*
O mapa desenhado nele foi revelado.
— …Um mapa do continente ocidental.
O dedo de Cale parecia estar dançando no mapa enquanto Taylor dizia isso.
— O Estrela Branca encontrará o texto ancestral forjado na terra da tribo das Baleias. Então, seguindo as informações do texto…
*Tap*
Seu dedo parou na porção oeste do continente ocidental.
— Nós o faremos ir para a Terra da Morte do Reino Caro.
E então…
Cale pensou internamente sobre a outra grande parte do plano que ele não havia contado a eles.
“E eu irei para o Reino Roan para tomar o outro poder ancestral da Terra.”
Ele ouviu a voz de Taylor naquele momento.
— Jovem mestre-nim, então eu só preciso colocar a Terra da Morte no lugar vazio como local?
— Não, Taylor-nim.
Ele balançou a cabeça.
— A Terra da Morte é uma Área Proibida que foi criada depois dos tempos ancestrais.
— Então o que devo colocar?
Sorriso.
Cale começou a sorrir.
— Eu vou te contar isso separadamente, Taylor-nim.
Choi Jung Gun, o primeiro Matador de Dragões. Havia uma frase que ele usava para descrever a área ao redor da Terra da Morte. O Estrela Branca se enganaria se usasse exatamente essas palavras.
Cale olhou para as pessoas que executariam esse plano com ele e continuou a falar.
— O cerne deste plano é a crença do Estrela Branca de que este texto ancestral é real. Então, Witira, ataque os magos negros.
Cale continuou falando enquanto Witira se encolheu.
— Você sabe por que eles têm sido mais abertos sobre a espionagem nas últimas três semanas? Tão abertos que a tribo das baleias notaria.
A razão pela qual o Estrela Branca estava aumentando o nível de sua espionagem aos poucos.
— Ele acha isso estranho. A tribo das Baleias normalmente agiria imediatamente para capturá-los e matá-los, especialmente depois do problema com as sereias.
Mas a tribo das Baleias estava quieta. Quem não pensaria que algo estava estranho? Os magos negros encarregados da espionagem provavelmente agiam abertamente, mesmo sabendo que isso poderia levá-los à morte.
Eles estavam pensando que algo devia estar acontecendo porque não houve resposta.
— Ah!
Witira respirou antes de começar a falar com uma expressão rígida.
— …Então você acha que eles perceberam que estamos tentando enganá-los?
— Eu não faço ideia.
Isso era algo que nem Cale conseguia saber. Como ele saberia o que eles estavam pensando?
— É por isso que temos que preparar uma armadilha.
Cale olhou para Clopeh.
— A primeira armadilha. Você é a primeira armadilha.
Os cantos dos lábios de Clopeh começaram a subir.
“Mm.”
Witira conteve um gemido. Um sorriso cheio de ganância e desejo, longe de ser nobre e majestoso, cobria o rosto de Clopeh. Ela também podia ver um sorriso no rosto de Cale, igualmente cheio de desejo. Os dois pareciam semelhantes, pelo menos naquele momento.
Cale se aproximou de Clopeh.
*Pat*
Ele então colocou a mão no ombro de Clopeh e começou a falar quase num sussurro.
— Cavaleiro Guardião Clopeh Sekka, é hora de você liderar a Brigada dos Cavaleiros Wyvern mais uma vez.
O ombro de Clopeh começou a tremer. Tremia de expectativa e desejo. Clopeh se virou ligeiramente e olhou para cima. Fez contato visual com Cale.
— Você recriará a lenda do Norte.
O sorriso de Cale se refletiu nos olhos de Clopeh, que estavam cheios de êxtase.

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