Capítulo 13: Aliança Franz-Dracula
O palácio imperial de Hofburg se estende diante de mim em toda sua majestade, na verdade, chamar isso de palácio até soa errado, é como uma cidade dentro de outra.
Há um grande campo aberto que leva até a entrada principal do palácio, com uma estátua do príncipe Eugénio de Saboia montando seu cavalo.
O lugar está bem conservado, devem ter reformado recentemente, mas ainda é possível notar o visual medieval do palácio, afinal, este lugar tem séculos de idade.
Atravesso o vasto campo sem pressa, tenho certeza de que aqui seria muito mais bonito de dia, ainda mais considerando as inúmeras estátuas de mármore habilmente esculpidas.
Quando finalmente chego na grande porta principal, ela se abre e, de dentro, o candidato a futuro imperador aparece.
— Meu caro Dracula, venha, estive aguardando-te desde que recebi sua carta.
O sorriso de Franz é confiante, orgulhoso.
O sigo para dentro, e o lugar é simplesmente imenso, como um labirinto.
Há todo tipo de arte para todo lado, pinturas no teto, nas paredes, estátuas, vasos…
Tudo está completamente limpo, posso ver meu reflexo no chão polido, e como esperado, os móveis são da mais alta qualidade.
Passamos por vários corredores e salas, avisto no caminho servos e outras pessoas, ou melhor, vampiros, de alta importância, que me olham como se me subestimassem.
Hmpf, por enquanto suportarei esta falta de educação, mas terão o que merecem mais tarde.
Logo chegamos em um aposento menor — embora ainda grande —, é como uma sala de estar, há sofás e cadeiras com estofados aveludados e vermelhos.
— Sente-se, meu caro. — Me sento em uma cadeira, deve ser a almofada mais confortável e macia que já senti. — Gostaria de um aperitivo?
— Agradeço, mas não vim para abusar da vossa hospitalidade.
— Ora, tua ilustre presença é tudo menos abusiva. — Ele se senta diante de mim, mantendo sua postura ereta e elegante. — Disseste que gostaria de conversar, correto? Por acaso é sobre minha proposta?
Apesar de eu ter recusado o aperitivo, logo um empregado aparece e põe sobre a mesa diante de nós um chá e alguns biscoitos.
De maneira indiferente, pego o chá e o bebo em silêncio.
Então, com certa lentidão, ponho a xícara na mesa novamente.
— Exatamente, sobre a aliança. — Espero em silêncio, mas ele apenas me encara com um pequeno aceno.
Tsk, posso bem imaginar no que está pensando, que já sabe como as coisas correrão em breve, se acha melhor que eu apenas por ser um candidato a imperador?
Pigarreio… Não importa, está enganado se pensa que vai me usar, farei questão de explorá-lo também.
— Decidi que apoiarei tu, vossos ideais se alinham aos meus, portanto emprestar-te-ei minha força.
— Mesmo? Ora, essa é uma ótima notícia. Posso perguntar-te o que fez mudar de ideia?
— Um dos caçadores que matou os pais de Joseph era alguém que havia assassinado minha filha, isso me fez perceber que os caçadores devem ser exterminados o quanto antes.
— Sinto muito pela sua perda, sempre tento dizer a Lodron que os caçadores não pararão até que sejamos exterminados… quantos de nós perdemos entes queridos? — Ele se levanta e se aproxima lentamente de mim. — Mas não te preocupes Dracula, com seu poder e nome, a aliança Lodron-Proserpina finalmente deixará de ser aquela tomando as decisões.
Ele estende sua mão, me levanto e a aperto com força.
— Qual o próximo passo?
— Bem, primeiro precisamos realizar uma cerimônia para oficializar esta aliança, convidarei os vampiros mais influentes do Sacro-Império, tenho certeza de que muitos se aliarão a nós, afinal, tu és o único vampiro que Proserpina conseguiu transformar, e acredite, Lodron não teria tantos aliados se não fosse por ela.
Quanto mais velho um vampiro é, mais poderoso é, e também mais difícil de vampirizar um humano devido ao poder de seu sangue e a quantidade absurda de memórias a serem recebidas…
Ou seja, meu valor está atrelado à Perséfone, sou apenas visto como o vampiro que ela criou.
— Depois, precisarei de vossa ajuda para que eu me torne imperador, isso não deve demorar, as políticas de meu tio têm sido bem controversas.
Ah, sim, José II… suas decisões de abolir a escravidão, seus gastos com hospitais, asilos e orfanatos… antes, como um humano, o julgava um bom imperador, mas agora, como vampiro, ele está desperdiçando fundos com humanos, destruindo o império e nossa última chance de contra-atacar.
— Seu pai, Leopold, se tornará imperador antes.
— Ora, não se preocupe, me certificarei que seu reinado será curto, sei o que fazer. — Ele se afasta. — Deixe a parte da política comigo, quanto a ti, vampiros mais novos, como nós, certamente te admirarão se repetires aquilo que fizeste semana passada, na verdade, já tem se espalhado as notícias por todo o império.
Ah, compreendo exatamente o que ele quer dizer, e isso me anima profundamente.
— Significa que minha pequena caçada atraíra vampiros ao nosso lado?
— E tenho certeza de que atrairá mais, então o que me diz, Dracula? Com minha influência limitada, dar-te-ei uma mansão digna de ti e farei seu nome como compositor famoso, além disso, ajudar-te-ei na criação de grupos de vampiros corajosos como tu para limpar a sujeira do império.
Mansão, compositor, caça… está me oferecendo exatamente o que desejo agora, por que hesitei tanto antes?
— Então temos um acordo, me certificarei de acabar com os invasores no império.
Nos encaramos profundamente e sorrimos, uma troca nada menos que justa, ele ganha influência, aliados, enquanto eu recebo a oportunidade de exterminar os caçadores e ainda me tornar um compositor famoso.
— Vá até este endereço. — Ele rapidamente escreve em um pedaço de papel, coloca em uma carta, sela em cera e me entrega.
Aceito e o guardo no meu bolso.
— Bem, esta foi uma ótima, porém curta, conversa, Dracula, teremos uma oportunidade de nos conhecermos melhor futuramente.
Concordo com um aceno, me viro e caminho lentamente até a entrada.
***
A mansão se apresenta diante de mim, um muro a cerca, mas do portão principal posso ver o corredor que leva até a entrada, com árvores que ofereceriam sombras pela passarela, se já não estivesse de noite.
Também posso sentir a fraca essência de sangue de vampiro, apesar de parecer vazio, sem luzes acesas, há alguém aqui.
Bem, que seja, hora de pegar o que é meu.
Dou um salto por cima do muro e pouso do outro lado, o lugar está bem cuidado.
Caminho calma e confiantemente, admirando a brisa fresca, o cheiro das folhas das árvores, o som da fonte…
Não me preocupo com mais nada, afinal, aquele lugar é meu agora.
Conforme me aproximo da grande porta dupla de madeira, posso ouvir sutis sons de movimento dentro da mansão.
Subo o curto lance de escadas e estendo minha mão até a porta, meus dedos se fecham ao redor da maçaneta dourada, porém, antes que pudesse a abrir, uma forte mão agarra meu pulso.
— O que pensa que está fazendo? Quem és tu? — Vejo um homem vestido de mordomo, com cabelo branco preso em um rabo de cavalo, olhos amarelos e óculos redondos. — És um apoiador de Lodron?
Seu olhar é afiado, sua voz é elegante, mas com um tom frio.
— Vlad Dracula. — Puxo meu braço para me soltar. — Deves saber sobre mim.
Seu olhar se torna mais cuidadoso.
— O que a cria de Proserpina deseja aqui?
Do bolso da minha túnica, retiro a carta de Franz e a apresento sem dizer nada.
O mordomo a pega, investiga o selo ao tocar a cera e analisá-la… então, quebra o selo e retira a carta, vejo seus olhos se movendo de um lado para o outro conforme a lê.
— Hm, entendo… — Ele ajusta seus óculos e posiciona o punho fechado diante da boca brevemente, pigarreando. — Neste caso, senhor Dracula, entre, apresentar-te-ei vossa mansão.
Ele abre e mantém a porta aberta, passo por ele e entro, me deparando com uma sala escura.
A porta se fecha e o mordomo se move ao redor, acendendo velas e finalmente iluminando o local.
Me lembra um pouco a moradia de Joseph, é um pouco maior e igualmente luxuoso.
— No momento, apenas eu estou presente para servi-lo, senhor Dracula, as outras empregadas estarão aqui amanhã, entretanto. — Após acender a última vela, se vira. — Chamo-me Manfred, à sua disposição vinte e quatro horas por dia.
Ele posiciona a mão direita no seu peito e realiza uma reverência.
— Agora, senhor Dracula, mostrar-te-ei a mansão, siga-me.
Passamos a próxima hora entrando em cada aposento para conhecer o local, a cozinha, a adega, os quartos, há até mesmo uma sala dedicada à música, com um belo piano de cauda no centro e isolamento acústico.
— Isto é tudo, senhor Dracula. — Terminamos no meu quarto. — Alguma dúvida?
— Negativo. — Balanço a cabeça e caminho até a janela.
— Entendido, sempre que precisar de meus serviços, basta tocar o sino ao lado de vossa cama, virei imediatamente. Com sua licença…
Ele fecha a porta com cuidado e parte.
Ah, isso é simplesmente perfeito… uma mansão, servos… Apenas o mínimo que alguém como eu merece.
O sol começa a nascer, fecho as cortinas da janela e me dirijo até a enorme cama, me deitando e sentindo sua macies.
Tenho certeza de que Lodron nem seria capaz de me dar algo assim… Até Perséfone é forçada a viver em um quarto pequeno, fingindo ser uma assistente…
Este é apenas o começo… por hora, descanso, mas amanhã, eu caço…

Regras dos Comentários:
Para receber notificações por e-mail quando seu comentário for respondido, ative o sininho ao lado do botão de Publicar Comentário.