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    “A-aura? Eu?!” Akemi não acreditou no que ouviu. — Espera, espera, espera! Vo-vocês estão dizendo que… eu tenho uma aura!?

    — Pelos seus documentos, você é trivial — dizia o Dr. Asakusa, acariciando a barba grisalha — todavia, após alguns exames, parece que você tem a capacidade de manipular aura. Não posso negar que isso é muito suspeito.

    Imediatamente, Akemi viu-se diante de uma porta entreaberta que revelava um novo mundo que mal podia vislumbrar; uma onda de excitação e incredulidade percorria seu corpo, deixando-o eletrizado pela revelação. Com a mente acelerada, ele gesticulou. — E como eu uso isso!? Qual é o elemento dela!? É essa tal eletricidade que estava em mim!?

    Juntamente de uma risada peculiar, o doutor comentava: — Hii huhu! Mantenha a calma, meu jovem. As coisas não funcionam assim.

    Akemi encarou as próprias mãos, o coração batia forte e descompassado.

    — Mas então, agora eu… posso realmente ser áurico!? Vocês têm certeza disso!?

    — Você esteve inconsciente por muito tempo — respondia Rowze — mas de alguma forma, seu corpo se manteve estável apesar da carga letal de eletricidade. Confesso que minha formação médica não é suficiente para entender sozinha o que aconteceu, por isso chamei o Dr. Asakusa e o Major Hasegawa.

    Em descansar, o militar ao lado, Major Hasegawa, um homem alto e esbelto, de queixo partido, corpo volumoso porém definido, e médios cabelos pretos com uma franja alta caída à direita, cuja farda azul-escura com detalhes reluzentes em cor de ouro realçavam sua elegância, mantinha o olhar anil concentrado feito o de um soldado bem treinado.

    A fivela dourada do grande cinto de couro indigo capturava suposições, já que um emblema circular, gravado com ondas marinhas em alto-relevo, referenciava uma aura fluida e poderosa.

    — Garoto — chamou o major — se você despertou uma aura e não sabe controlá-la, isso exige medidas especiais de monitoramento, dependendo do risco que ela possa representar.

    Bruscamente, Isao quebrou seu silêncio e encarou o militar. — O que pretendem fazer com meu neto?

    A autoridade amplificou-se.

    — Ainda precisamos descobrir a natureza da possível aura deste jovem, pode ser perigoso, especialmente se ela for destrutiva. Necessitamos de espaço para avaliar.

    — Ele não causará mal a ninguém! Deixem-o em paz!

    — Senhor. Entendemos essas preocupações, mas a segurança de todos em Asahi é nossa prioridade. Este rapaz é uma incógnita, devemos conferir as possibilidades e intenções dele.

    Com a voz embargada e cheia de incerteza, o idoso olhou para o neto, o nervosismo claramente estava estampado em sua expressão. Ele tentou, mas não escondeu a tristeza. — Akemi… você… realmente quer isso?

    “Desculpa vovô, mesmo que esteja preocupado e inseguro, eu não posso perder essa oportunidade!”

    — Eu quero tentar! Logo agora que posso até mesmo ser um shihai!

    O Major Hasegawa gostou da ideia. — Então temos um novo possível combatente? Excelente.

    Singela, Rowze aproximou-se do paciente. — Vamos tirar essas ataduras?

    Sentado na cama, Akemi abriu os braços para que a médica retirasse as faixas ao redor de seu torso…

    Após a remoção das ataduras, mudanças no corpo do garoto eram perceptíveis.

    Impressionado, o Dr. Asakusa comentava: — Hmmm, olha só essas marcas.

    Jogando as faixas na pequena lixeira ao lado da cama, a doutora relatava: — Realmente as cicatrizes de acidentes elétricos costumam ser bem diferentes. Chamamos de cicatrizes de Lichtenberg. Elas devem diminuir com o tempo, entretanto, não garanto que desaparecerão por completo.

    Enquanto se checava, o rapaz resmungou: — Já não bastava a na bochecha?

    Cicatrizes avermelhadas em forma bifurcada, reminiscentes de raízes, partiam de uma grande mancha redonda no canto inferior esquerdo de seu abdome e se estendiam por todo o tronco. Além daquilo, marcas evidentes do impiedoso fogo que consumira suas roupas deixaram linhas e manchas irregulares espalhadas predominantemente pelos braços.

    — Consegue se mexer melhor?

    — Claro, doutora! Até consigo sair da cama! — Akemi se descobriu do fino lençol, e com um pulo de alegria, ficou de pé no piso gelado. No entanto, uma leve brisa o fez notar que vestia apenas uma cueca branca; aquilo o deixou mais vermelho que um tomate maduro. — AH! É… onde estão as minhas roupas? — Num instante de puro constrangimento, ele cobriu suas “partes”, escondendo um segredo que o vento descobriu.

    — Elas estavam rasgadas e queimadas — respondia Rowze — portanto, continue assim. Faremos algumas verificações em você agora, okay?

    Os médicos iniciaram diversos exames físicos, testando reflexos, visão e força, avaliando coordenação e equilíbrio do paciente…

    Após os exames, chegaram a uma conclusão.

    — A julgar pelo que vejo, você está bem, sua cicatrização está fenomenal, isso é um bom sinal — relatou Asakusa.

    — Garotinho — chamou a doutora — seu avô trouxe outras vestimentas suas aqui, estão neste cômodo ao lado. Vamos te dar privacidade para que se troque, esperaremos ali.

    Os dois médicos, o major e Isao, saíram do local, deixando o garoto sozinho na área fechada por cortinas verdes em volta da cama.

    Dentro da gaveta do cômodo, encontrou-se uma camisa branca com mangas curtas e uma calça azul escura.

    “Uma roupa de baixo, que alívio!”

    De novas vestes, Akemi puxou a cortina, cheio de expectativa nos seus próximos passos em questão ao provável despertar áurico, mas…

    — COMO O SISTEMA DESSA MALDITA CAPITAL É DESPREZÍVEL! VOCÊS SÃO DESTRUIDORES DE FAMÍLIAS! — Isao estava em ira, sua indignação batia e voltava pelas paredes.

    “Ah, fala sério! Ele está discutindo com aquelas pessoas!?”

    Rowze queria ordem: — Shhh! Senhor, por favor, se controle! Estamos em um hospital!

    Olhares confusos e preocupados dos médicos presentes na sala se voltaram para Isao.

    — Não quero saber! Vocês não podem sair por aí levando jovens!

    “Do que ele está falando? Ele está ficando louco!?”

    Atento, o Major Hasegawa justificava: — Senhor, caso seja verdade, ele deve ter a oportunidade de treinar e controlar aura. Saber o poder que tem é importante.

    — Sei disso! E tenho plena consciência de que esses lugares não passam a mínima segurança! — Isao ampliou a feição irada e apontou para o militar. — VOCÊS NÃO LEVARÃO O MEU NETO!

    “A paciência dele não durará muito tempo, preciso intervir agora!”

    Akemi agiu rapidamente e colocou uma mão reconfortante no ombro de Isao.

    — Vovô, o que está acontecendo? Você está estranho desde que acordei.

    Alguns médicos e o major contemplavam com cautela o clima pesado entre avô e neto.

    Isao percebeu o ambiente problemático que criava, e triste, desabafou seu cansaço ao jovem: — Olha, preciso ir trabalhar. Já são quase oito da manhã, tenho que abrir os setores. Passei noites sem dormir preocupado com você, eu chorei muito, estou exausto.

    Reconhecendo o sacrifício do avô, Akemi gentilmente colocou a outra mão nos ombros do idoso. A compaixão aumentou. — Me desculpe por toda essa confusão que causei.

    — Não importa agora, preciso ir. Você não deve ir à usina esta semana, não sei o que o futuro reserva, mas você precisa se recuperar.

    — Não se preocupe, ficarei bem.

    Isao abraçou com força. — Quando receber alta, volte para casa e me espere lá.

    Akemi devolveu o aperto, transmitindo conforto. — Fique tranquilo, estarei de volta em breve.

    Os dois cessaram o abraço.

    Anteriormente emotivo, Isao ajeitou-se e modulou a voz perante aqueles que encaravam. — Bem… hum… estou partindo. Peço desculpas pelo constrangimento. Cuidem bem do meu neto — de cabeça baixa, Isao se foi pela saída.

    Rowze aliviou-se com a partida. — Ufa, finalmente… Bem, precisamos ir para um lugar mais calmo. Sigam-me.

    Os quatro dirigiram-se à área externa do hospital, um local espaçoso com um extenso gramado onde diversos pacientes se movimentavam, alguns com o auxílio de bengalas e outros em cadeiras de rodas.

    A paisagem fascinava.

    “Wow, olha só esse lugar! Que tranquilidade.”

    Apontando os arredores, Rowze tomou a frente. — Este é o campo de reabilitação do Hospital Áurico de Toryu, alguns pacientes áuricos vêm aqui para serem avaliados, já que algumas doenças e lesões podem prejudicar no uso da aura. Dr. Asakusa, Major Hasegawa, deixarei este garoto aos seus cuidados. Boa sorte na consultaaa~ — cantarolou ela, distanciando-se.

    Naquele momento, Akemi estava diante do dia em que veria sua vida mudando, do tédio absoluto, à empolgação infinita.

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