Capítulo 5 - Manifestações áuricas
O campo de reabilitação abrigava diversas pessoas distantes umas das outras, algumas delas faziam gestos incompletos, cuidadosamente manipulando suas auras enquanto contavam com a presença de médicos.
Akemi cativou-se por uma agitação vivaz à direita.
Uma garotinha de curtos cabelos negros, vestida em uma saia amarela, saltitava de felicidade com um sorriso que poderia iluminar até o céu mais nublado. Entre suas pequeninas mãos, repousava uma grande bolha d’água que refletia as cores do arco-íris sob a luz do sol.
“Aquela criança está em meados dos cinco anos de idade… provavelmente, ela acabou de despertar uma aura. Isso é o que me espera?”
Adiante, um determinado idoso magro de fios grisalhos levantava as mãos lentamente. O comando erguia uma fina parede de pedra, transformando o foco do velho em pura alegria.
Em um canto isolado à esquerda do gramado, um menino de cabelos claros vestido em um kimono branco enfrentava desafios únicos devido a falta de seu braço esquerdo.
Com o braço direito estendido lateralmente, ele iniciou rodopios graciosos, aumentando a velocidade a cada volta em si. O movimento criava uma roda de vento, e após alguns segundos girando com o braço estendido, parou bruscamente, liberando uma rajada tão forte que lançou folhas e galhos à frente.
Concluído seu feito, o menino abaixou o braço e serenou o vento. As folhas assentaram-se suavemente de volta ao solo.
Um alívio sutil pela conquista foi revelado.
“Essas pessoas lutando para recuperar o que é delas por direito… tudo isso me enche de inspiração!”
Repentinamente, o Dr. Asakusa se aproximou para que orientasse seu paciente. — Você passará por testes aqui para determinar a natureza da sua possível aura e o nível de controle que tem.
Mesmo nervoso, o jovem estava animado; a descoberta de seus poderes o impulsionava. — Mal posso esperar para começar!
— Excelente! Vamos ver do que é capaz! — exclamou o Major Hasegawa…
Akemi foi guiado até uma área isolada do campo hospitalar, longe de pacientes.
“A grama daqui é tão fresca, é viva.”
O Dr. Asakusa iniciou as tutorias. — Jovem, antes de tudo, você sabe o que é aura?
— Claro!
— Me explique o que sabe.
— Ah! É…
“Ai, caramba! Fui pego de surpresa dessa vez! Até achei que sabia, mas não tenho ideia de como explicar!”
Desconfortável pelo branco, o rapaz calou-se.
— Hii huhu! Sabia que você não saberia, era de se esperar.
— Perdão, doutor.
— Tudo bem, explicarei um pouco, mas serei direto, ok?
O garoto balançou a cabeça positivamente, empolgado. — Ok!
— Pois bem, a aura é uma extensão da energia vital, uma manifestação física e visual que pode dar poderes fantásticos.
— E agora eu posso me juntar aos áuricos!?
— Para ver se você corresponde a eles, vamos começar com algo simples. Conhece a posição de lótus?
— Sim!
— Perfeito, sente-se nessa posição, feche os olhos e respire fundo. Quero que você se desligue de tudo ao redor.
“Entendi, posição de lótus… fechar os olhos… e… respirar…”
— Ssss… haaa… ssss… haaa… Assim?
— Exatamente, sinta o ar preenchendo seus pulmões e trazendo energia para o seu corpo. Libere todas as tensões e preocupações, a limpeza de sua mente e corpo é o primeiro passo para liberar sua aura de forma segura.
Respirações lentas encontravam o frescor do ambiente.
— Agora, imagine que há uma chama no centro do seu peito, ela representará a sua energia vital. Com calma, veja essa chama se tornando maior e mais forte.
Akemi se esforçava, concentrou-se na visualização e sensação daquilo que Asakusa descreveu.
— Quando se sentir pronto, quero que empurre a chama para fora, expandindo-a para além da pele.
As respirações se tornaram mais profundas. O ambiente esquentou.
— Perfeito! Continue assim, mantenha a calma.
“Eu preciso ver o que está acontecendo!” De olhos abertos, o jovem viu algo familiar. “Wooooah!”
A mesma chama amarela observada em seu acidente apareceu novamente.
“Essa coisa em volta de mim… eu lembro disso, mas… o que é?” Com o coração palpitando forte no peito, Akemi olhava para suas mãos banhadas em um resplendor dourado. Uma alegria controlada o dominava.
O major interessou-se. — Hmmm, pensei que seria azul, mas na verdade é amarela.
— Essa… é a minha aura?
— Manifestação áurica, a forma visual da aura — informou Asakusa — por você ainda não a ter sob controle, isso acontecerá às vezes até que você a domine.
— Incrível… — Entre tantas alegrias, um fato animava ainda mais. “Como eu tenho experiência com energia elétrica da usina, talvez eu consiga aplicar esse conhecimento aqui…! Não, pera, melhor não me empolgar. Devo esperar um comando.”
— Entendi! Estou pronto para o próximo passo!
O Major Hasegawa assumiu o comando. — Excelente! Agora, se levante e tente emitir essa energia de suas mãos.
— Certo! — Akemi se levantou rapidamente, mas hesitou. — É… então… como eu faço isso exatamente?
— Pois bem, provavelmente está sentindo algo fluindo em você, concentre-se nisso. Permita que isso o percorra feito a corrente de um rio seguindo seu curso natural. Geralmente, os poderes recém-descobertos são liberados pelas mãos, portanto, tente direcionar a sua energia até as palmas.
O garoto apontou a mão direita na direção de uma parede isolada e distante; após segundos de concentração, uma forte corrente de energia partiu lentamente até a palma aberta. “Que sensação esquisita… é quase um choque. Literalmente um choque.”
Mantendo a mão estendida, a aproximação de um evento iminente preocupava.
— Espera! E-e se eu quebrar alguma coisa!? E se eu machucar alguém!?
— Fique tranquilo, é muito improvável que você derrube algo deste hospital, e eu tenho o controle da situação, confie em mim — assegurou o major.
“Se é assim, tudo bem, vamos lá!”
zzzZap!
Uma descarga elétrica pulsante foi disparada da palma da mão de Akemi.
Feito um pequeno relâmpago silencioso, o fino feixe de energia emitiu uma luz amarelada que iluminou seu caminho até o muro branco do hospital.
Para o desespero de Akemi, o impacto ricocheteou o raio ruma à uma criança que brancava com bonecos de terra.
“Essa não!”
Por sorte, um homem treinado estava pelas redondezas.
Com movimentos rápidos, Hasegawa gerou uma bolha da água que antecipou o trajeto do raio. A energia foi absorvida pelo azul transparente da bola líquida.
Akemi ficou boqueaberto. — Caaaramba!
Aquilo animou o militar. — Ha haha! Como suspeitávamos! Eletricidade! Uma aura rara e poderosa.
Todos olharam para Akemi, que aparentemente foi atingido por uma onda de emoção controlada. — Eu sabia que tinha algo especial em mim — murmurou ele, contidamente radiante com o que saiu de sua mão estendida. “Eletricidade… Isso abre tantas possibilidades.”
— Ainda não terminamos, precisamos explorar outras variáveis! — O major iniciou uma série de testes no campo de reabilitação. — Canalize a energia nos pés.
Focando nas partes inferiores, Akemi viu os próprios pés brilhando tão intensamente quanto as mãos. As faíscas tornaram-se mais visíveis em suas pernas.
— Me sinto mais leve. Meu corpo parece implorar por movimento.
— E o que você está esperando? Movimente-se!
Seguindo as ordens, Akemi começou com passos leves. Parecia que estava andando pela primeira vez. “Interessante… sinto a eletricidade estimulando meus músculos, aumentando a velocidade de contração. Seria eu um bioelétrico?”
— Vamos, garoto! Suas pernas não estão quebradas, você pode fazer melhor!
“Realmente, mas… é muito estranho, não sinto o chão em passo algum, parece que estou voando. De qualquer modo, vou tentar correr!” De olhos no horizonte, o jovem respirou fundo e largou em uma corrida em linha reta. De maneira impressionante, a cada passo dado, as leis do próprio corpo eram desafiadas, trazendo mais velocidade e agilidade, e transformando-se em uma figura imparável na corrida ao mesmo tempo que o vento esvoaçava seus cabelos.
— Ha haha! O moleque aprende que é uma beleza! Excelente!
“Incrível! É como estar flutuando…! Ainda bem que ao menos eu me destacava como corredor na escola. Essas pernas finas finalmente serviram pra algo!”
Akemi parou para o teste uma nova técnica: deslizes das solas dos pés sobre o gramado. “Haha, isso funciona! É feito usar patins… só que turbinados!” Conforme passava velozmente pelo amplo espaço, o garoto desviava de pessoas, arbustos e árvores com uma facilidade impressionante; seus pés deixavam rastros escuros na grama, uma evidência da intensa energia que transbordava.
De longe, o Major Hasegawa aprovava. — Muito bem! Agora vamos testar o quanto você consegue controlar essa energia! Tente reduzir a intensidade da descarga em seus pés!
Akemi parou e concentrou-se novamente. “Reduzir a intensidade? Ah! Como diminuir a voltagem em um circuito! Preciso controlar o fluxo.”
Segundos passados, e as faíscas sumiram. — Funcionou!
— Excelente! Agora aumente gradualmente!
Akemi obedeceu, aumentou a intensidade aos poucos, observou as faíscas crescerem e diminuírem conforme seu controle mental. “É uma questão de foco e intenção. Quanto mais eu entendo o princípio, mais fácil fica.”
— Bom! Agora, venha até aqui. Temos uma informação pertinente a você.

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