Índice de Capítulo

    Wooow, uma arena de combate!”

    A estrutura assemelhava-se a um moderno Coliseu de teto fechado. À primeira vista, o local apresentava uma ampla escadaria branca que circundava a área de combate. Espectadores sentados nos degraus aguardavam ansiosamente.

    Caminhando pelas arquibancadas, Akemi observava atentamente à sua volta, maravilhado com a grandiosidade.

    As paredes tinham uma tonalidade vinho, e o solo parecia feito de um material claro e liso. Todavia, o que impressionava era a transparente redoma levemente perceptível que envolvia o campo de batalha.

    “O que é isso? Uma… barreira? Que bruxaria é essa!? Não tenho a mínima ideia do que isso é feito, mas deve servir para proteger o exterior da arena.”

    Cap-10-Scene-1

    Akemi acompanhava o oficial até um ponto específico na seção oeste da arquibancada, bem em frente à porta pela qual entraram. Coincidentemente, Sho estava sentado por lá, observando a arena. “Ele também está aqui? Bom, vou sentar ao lado dele.”

    — Akemi? — Sho percebeu a aproximação do colega. Onde estava? Ouvi que te levariam para uma sala especial.

    — Sim — afirmou Akemi, sentado ao lado — era uma sala nos fundos do térreo.

    — Não me diga que…

    — Você sabia que é a sala do-?

    — Marechal Jin Ichikawa!? Sou um grande fã dele! Você o viu pessoalmente!? O que vocês conversaram?

    — Ele queria ver minhas habilidades.

    A resposta impressionou Sho. — Suas habilidades são tão incríveis assim!?

    Envergonhado, Akemi procurou explicações para o fracasso que experienciou. — É, não diria que são incríveis. Tentei usar meus poderes, mas… assim como você havia visto, falhei novamente.

    — Nossa, o que ele achou disso?

    — Ele me encorajou e garantiu certeza do meu potencial!

    — Hehe, que sorte. Vindo de uma figura dele, é de se imaginar o quão te motivou.

    — Definitivamente é muita sorte conversar com alguém daquele nível — Akemi voltou os olhos para a arena, relembrando dos breves momentos de graça que teve diante de Jin, um veterano glorificado pelos títulos de “Marechal do Exército Asahiano” e “O Dono da ASA”. Entretanto, a situação em que o garoto se encontrava estava esquisita demais para o seu gosto. — Sabe, Sho, sobre essa arena, ela é incrível, não acha? Você sabe por que estamos aqui?

    — Na verdade, em breve esta arena receberá batalhas entre jovens que disputarão um lugar na ASA.

    Akemi encarou o colega que expôs um fato assustador. Seu coração disparava e as pernas tremiam. — Ba-b-batalhas!? Tá dizendo que o teste é… uma luta?

    — Sim, vi seu nome na lista dos combatentes de hoje. Achei que sabia.

    — Como assim!? Eu assinei um contrato, mas nenhuma linha disse especificamente sobre lutas! — Akemi apertou os punhos sobre as coxas e respirou fundo para que se controlasse. — Lembro de ler sobre situações controladas, interações competitivas com outros candidatos… mas pensei que seria uma árdua prova escrita, assim como é em qualquer outra instituição de Asahi. Por que implementaram um teste de combate logo agora!?

    — Já é de conhecimento de todos que muitos jovens áuricos passaram a ter medo de se alistar após a última guerra, as próprias famílias recusam enviar seus filhos ao exército. Com isso, a ASA foi obrigada a sofrer alterações.

    — Que tipo de alterações?

    — A primeira é que, antes, ter um certificado de Formação Áurica Básica de lugares prestigiados, como Hoshizora ou Taira, era obrigatório, mas agora, qualquer áurico pode tentar, independente de onde veio ou estudou.

    “Hm, por isso pude participar mesmo nunca tendo pisado em um instituto áurico”, Akemi acalmou-se momentaneamente, mas a insegurança o fisgava. “Isso significa que estarei competindo com pessoas de qualquer natureza. Espero ter sorte e disputar contra alguém como eu… porém…” risos nervosos o atingiram, “he he he, é lógico que isso não vai acontecer tendo em vista que os outros combatentes certamente estão cientes do desafio. Tô ferrado.”

    As explicações de Sho continuavam. 

    — A segunda alteração foi acabar com o acesso via somente provas escritas. Agora, todas as vagas foram divididas igualmente para novas três formas de ingresso: exame escrito, combate áurico, e indicação.

    — Ingresso por indicação? — Akemi duvidou do que ouviu.

    — Acredito que criou-se um certo esquema entre algumas famílias nobres, entende? Conexões políticas, favores… os mesmos tipos de falcatrua que as organizações escondem.

    Akemi encaixava as peças uma a uma. A ASA estava faminta por shihais capazes, o que explicava a aceitação de alguém que mal controlava aura no teste de admissão… ou não, talvez só precisavam de números, competidores que preenchessem o evento e depois fossem descartados. “Meu avô estava certo sobre segredos na ASA, e eu achei que eram apenas preocupações exageradas de um velho. Agora me sinto uma isca em um mar de tubarões, que desastre.”

    — ATENÇÃO! — A voz de um locutor ressoou por alto-falantes — o primeiro combate acontecerá daqui dez minutos. Os competidores são Hikaru Sasaki e Kaiyo Satou. Peço que se preparem para a batalha.

    — É o primeiro combate da tarde… — comentou Sho.

    — Você vai lutar? — perguntou Akemi.

    — Eu? Claro que não! Já fiz o exame escrito semana passada e consegui passar.

    — Então você já é um aluno da ASA?

    — Praticamente sim, apenas vim aqui para conhecer o campus. O Coronel Kobayashi é o meu guia de hoje, porém me disse que precisava resolver algumas questões urgentes e me pediu pra aguardar nesta arquibancada. Ele me assegurou que me divertirei muito…

    — Como eu queria estar no seu lugar agora… — murmurava Akemi, desviando o olhar para a arena.

    — Minha irmã também passou e está aqui, só que com outro grupo. Fico pensando onde ela pode estar, é meio desastrada, sabe?

    Enquanto Sho falava, Akemi se perdia em reflexões sobre sua própria situação. Como ele enfrentaria alguém mais preparado, se jamais lutara? E mesmo que desejasse treinos de combate, o avô jamais o permitira antes dos dezoito. O aniversário chegara tarde demais, sem espaço para preparo algum. 

    “Irei mesmo enfrentar alguém que provavelmente treinou a vida inteira para isso?” O desespero subia pela garganta, mas Akemi queria raciocínios melhores. “Calma, entrar em pânico agora não vai ajudar. Preciso pensar estrategicamente. O que eu sei? O que eu posso fazer? O que eu preciso saber?”

    — Sho, você sabe as regras da luta?

    — Tecnicamente há poucas regras explícitas. A luta durará quinze minutos, se ninguém for nocauteado, os jurados dirão quem sairá vitorioso pela pontuação. O vencedor também pode ser declarado se um dos competidores se render, ou, na pior das hipóteses, morrer.

    — … Morrer…? TÁ FALANDO SÉRIO!?

    Pessoas em volta reprovaram a reação histérica de Akemi.

    Ei! Não precisa gritar — sussurrou Sho, constrangido — no final da luta ninguém sairá ferido, fique tranquilo!

    — P-perdão… Mas, como ninguém sairá ferido?

    — O Shihai do Tempo está aqui.

    Euforia.

    — Não acredito, verdade!? Dizem que ele pode retornar todo o espaço-tempo de uma área específica! Queria ter notícias dele em um campo de batalha, mas é tão valioso que o governo não arrisca perder os seus serviços de restauração. A ASA o contratou?

    — Sim, somente o Shihai do Tempo pode retroceder a arena, mas pelo seu limite de vinte minutos por ação, a luta dura no máximo quinze minutos, uma precaução de segurança — Sho apontou discretamente para uma estrutura elevada. — Ele aparecerá posicionado em uma ala especial acima da arena. Qualquer dano sofrido pelos combatentes será desfeito quando ele ativar sua aura e restaurar tudo ao estado inicial da luta.

    Akemi pensava na magnitude daquilo. “Ossos quebrados, órgãos perfurados, queimaduras de terceiro grau… morte… tudo pode ser revertido instantaneamente por apenas uma pessoa. Então, a ASA pode permitir lutas até a morte. Mas isso também significa…” um arrepio percorreu-lhe a espinha, “significa que eles esperam lutas brutais o suficiente pra precisar dele? Não, isso não seria nem um pouco correto.”

    Uma conclusão foi tirada.

    — Fico feliz por ter outro alguém tão emblemático aqui, Sho, só que, mesmo contando com uma aura desse tipo, uma luta até a morte ainda é insano demais.

    — Entendo sua indignação, mas como já está aqui, hehee, não adianta voltar atrás.

    Sho tinha razão, e Akemi assinou embaixo, assim como fez no contrato.

    A vista por dentro da ASA já representava um desejo e tanto, e naquele momento, tudo se tornara concreto. A chance enfim surgira, e o sonho de se tornar shihai dificilmente retornaria caso fosse desperdiçado naquele dia em questão do medo.

    “Eu sempre soube que seria difícil. Sempre soube que haveria perigos. Mas nunca imaginei que começaria assim…” Akemi apertou os punhos, sentindo a determinação crescendo pra cima do medo incessante. — Como os jurados avaliam as lutas, Sho?

    Sho satisfez-se da mudança de atitude do amigo. — Claro, como disso, se ninguém for incapacitado ou se render nos quinze minutos, os jurados declararão o vencedor pela pontuação. Eles avaliam técnica, criatividade no uso da aura, estratégia de combate, capacidade de adaptação, e lógico, dano causado.

    — Então há uma maneira de vencer além de nocautear o oponente — Akemi organizava planos. “Isso é bom. Significa que posso vencer mesmo se eu não conseguir derrotar completamente meu oponente. Só preciso impressionar os jurados.”

    — Lembre-se, se você tem uma aura elétrica, é dominante contra água e fogo. Contra vento ou gelo, a luta complica, mas nada é pior do que enfrentar uma aura desconhecida.

    — Pois é… quem dera eu ao menos tivesse minha aura funcionando pra que eu pudesse me preocupar com a do oponente.

    — Fique bem, vai dar certo. 

    Ambos calaram-se, esperando ansiosamente por qualquer sinal.

    [ 2 minutos depois… ]

    — ATENÇÃO! ATENÇÃO, ESPECTADORES! O primeiro combate está prestes a começar! Peço aos competidores que se dirijam ao centro da arena!

    Um jovem surgia do portão na parede leste da arena ao mesmo tempo que outro saía do oeste. Eram os dois competidores do confronto.

    Akemi se inclinou para frente. “Finalmente vou ver um combate áurico ao vivo! É tudo o que sempre sonhei!”

    — De um lado, temos Kaiyo Satou, com 1 metro e 81, portador da aura de água… — apresentava o locutor; de repente, seu entusiasmo cresceu — eeee do outro lado… está Hikaru Sasaki! Um prodígio de 1 metro e 64 que manipula sua aura de luz com maestria!

    Hikaru vestia um kimono branco e chinelos de madeira; seus longos cabelos negros, presos em rabo de cavalo, caíam sobre seus claros olhos amarelos. À direita da cintura, ele carregava uma katana embainhada cuja empunhadura era envolta por fitas pretas.

    “Sasaki… um clã samurai áurico histórico!” Akemi conhecia a história do sobrenome, surgido de um lendário espadachim que alcançou a perfeição técnica de um golpe duplo tão preciso que cortava uma andorinha em pleno voo; entretanto, quando o mesmo foi derrotado por seu rival, expôs a fragilidade da técnica perfeita dependente apenas da forma ideal. Desde então, o clã criou uma escola própria e treinou gerações de descendentes para que dominassem qualquer variação de aura focada no fio da lâmina, carregando a glória do corte perfeito, e o peso de ter falhado no momento decisivo.

    Akemi se virou para Sho. — Esse Sasaki… você sabe quem é?

    — Hikaru Sasaki, o garoto prodígio da aura luminosa. Mesmo que nunca tenha pisado em um instituto áurico, dizem que ele tem potencial para se tornar o shihai mais veloz que já existiu.

    — Nunca imaginei que veria um Sasaki lutando ao vivo.

    Uma sombra escureceu o rosto de Akemi.

    “Se um Sasaki está aqui, significa que a luta está num nível altíssimo. Porém, dois jovens do mesmo país lutando até a morte em troca de uma vaga na ASA em um evento sigiloso? Por mais atrativo que seja no papel, só pessoas insanas ou completamente despreocupadas achariam normal uma coisa dessas.”

    Observando os combatentes, um detalhe foi percebido.

    — Esse Sasaki tem a pele quase amarela. Será que ele está bem, Sho?

    — Ele parece até anêmico, né? Fora isso, eu não sabia que era permitido o uso de armas brancas. Isso não seria uma desvantagem para o oponente dele?

    Kaiyo Satou, um rapaz esbelto de olhos verdes e cabelo castanho médio, esbanjava elegância e vaidade com seu kimono ardósia.

    — Competidores prontos? Três! Dois! Um… COMECEM!

    Sabia que Shihais tem um servidor no Discord? Se quiser conhecer, clique no botão abaixo!

    Regras dos Comentários:

    • ‣ Seja respeitoso e gentil com os outros leitores.
    • ‣ Evite spoilers do capítulo ou da história.
    • ‣ Comentários ofensivos serão removidos.
    AVALIE ESTE CONTEÚDO
    Avaliação: 100% (3 votos)

    Nota