Capítulo 12 - De frente com os Miyazaki
Desesperado pela luta próxima contra um Miyazaki, Akemi congelou, à beira de um colapso emocional.
Sho puxou a base da camisa do colega. — Ei, relaxa. Você precisa se concentrar agora.
— Terei mesmo que lutar contra um Miyazaki?
— É, você teve muito azar. É nesses momentos que não gostaria de estar no seu lugar, hehee.
— Eu vou mesmo morrer…
Sho deu leves tapas motivadores nas costas do outro. — Só posso te desejar boa sorte.
— Obrigado, amigo.
De repente, outra voz se aproximou dos jovens. — Tu és Akemi Aburaya, de fato?
Os dois rapazes perceberam que, apesar da voz anasalada e esnobe de linguajar curioso, a figura que se apresentava era um homem adulto vestido de farda azul-escura. Como de costume, o quepe escondia os olhos, contudo, um distintivo indicava o cargo de inspetor.
— Sim… s-sou eu — respondeu Akemi, receoso.
— Se faças o favor e siga-me imediatamente.
Akemi obedeceu às ordens e foi conduzido até uma escadaria na parte oeste das arquibancadas, cuja descida levava ao acesso da arena.
Quando desceu das escadas, viu-se uma sala escura, onde apenas um feixe de luz escapava pela fresta de uma porta fechada e destrancada.
— Permaneças perto da porta e aguardes o chamado do emissor — instruiu o instrutor, subindo as escadas e deixando o rapaz sozinho com os próprios pensamentos.
“… Ai… agora já era! Vou realmente enfrentar um Miyazaki!? O nome… era? Ni… Nihara…? Caramba, será que é aquela garota!?”
Em tumulto, Akemi andava de um lado para o outro enquanto via-se diante do momento mais marcante de sua vida. “Acalme-se, Akemi! Mantenha o foco! Pera… Minha aura!” Ele tentou uma canalização. Mais uma vez, nada.
“É… fud#u.”
— ATENÇÃO! ATENÇÃO, ESPECTADORES! O combate começará em instantes! Por favor, combatentes, dirijam-se à arena!
Akemi paralisou com o anúncio: seu nervosismo retornou com força total e incapacitou seus movimentos.
Vindos de cima, comentários de um trio de mulheres na arquibancada foram escutados.
— Onde está o outro competidor?
— Não sei, acho que desistiu antes de entrar.
— Ha-ha-ha! Deve estar tremendo por causa da última luta. Esses jovens de hoje em dia são tão frágeis.
— ATENÇÃO! Se o próximo combatente não se apresentar em 30 segundos, será desclassificado por desistência.
O anúncio forçava reações, mas Akemi encarava a porta, lutando contra a própria paralisia.
Segundos passaram, e uma contagem regressiva e alta contagiou a plateia.
— 5!!!
“Preciso me mover…”
— 4!!!
“Não posso ficar parado aqui…”
— 3!!!
“Eu cheguei tão longe…”
— 2!!!
“Eu não vou desistir agora!”
— 1!!!
Por um milagre, Akemi fez um esforço súbito e abriu a porta com toda a força do mundo no último segundo.
As luzes das grandes luminárias no teto iluminaram diretamente seu rosto, ofuscando sua visão. A proteção dos olhos era essencial no acesso à área de combate.
À medida que o atrasado se acostumava com a intensa luminosidade, o silêncio repentino da plateia destacava a atmosfera.
— Finalmente! Nosso combatente apareceu! Então, vamos às apresentações! De um lado, temos Nihara Miyazaki, com 1 metro e 74 e a aura ígnea única de sua linhagem!
Akemi percebeu que Nihara, na verdade, era um garoto cujo arrojo se destacava nos cabelos negros bagunçados, olhos azuis e sorriso predatório como de um tubarão. Sua camisa preta de gola alta com detalhes em chamas amarelas nas bordas combinavam perfeitamente os dotes da calça colada, além de botas e luvas escuras que querendo ou não davam um ar vil.
O anúncio foi saudado pelas palmas dos familiares, vibrando junto à plateia; porém, a garota no trono vista anteriormente permaneceu sentada com um descontentamento evidente no rosto.
“Ufa, não terei que lutar contra ela. Que alívio!”
Os Miyazaki, reunidos no lado leste da arena, observavam com atenção o jovem Aburaya, que por sua vez, não ignorava o brilho das vestes vermelhas que dominavam as arquibancadas atrás de Nihara.
“Toda essa atenção tá me deixando extremamente desconfortável… É muita pressão! E onde diabos tá o Sho? Ele não está mais onde estávamos! Tsc, tenho certeza de que ele tá num lugar mais seguro do que eu neste exato momento…”
— Eee… do lado oposto, apresentamos Akemi Aburaya, informações sobre sua estatura estão indisponíveis, mas sua aura é interessantíssima! Senhoras e senhores, mais uma vez testemunhamos um jovem com a rara aura elétrica em Asahi!
O interesse da plateia cresceu, mas para aqueles dentro da arena, as agitações externas não passavam de um cenário distante.
“Não consigo ouvir nada vindo das arquibancadas, será que essa estrutura bloqueia os sons externos? Se é assim, como estou ouvindo o locutor!? Alto-falantes escondidos…? Arg, por que tô pensando nisso!? Concentre-se no adversário!” Akemi trocou olhares com Nihara. “Então, aquele ali é um Miyazaki. Ele tem a mesma altura que eu, e pela cara, não parece nada amigável.”
Certa análise, Nihara estava por um fio da falta de paciência. — Hm, finalmente decidiu aparecer? Pera lá… você… é um cara!? Haha! Pelo seu nome achei que fosse uma garota, que ridículo! E que tipo de roupas são essas? Você trabalha em alguma fábrica ou algo assim? — zombou, com voz dominante.
Akemi não recebeu bem os comentários perante seu nome, por sorte, aquele tipo de zoação já era o maior dos costumes. Desconcertado e amedrontado, ele tentou um contra-ataque de forma amigável. — O-oi! Hehe… E-eu espero que possamos… nos divertir?
— Divertir!? Hahaha! Não me faça rir, está tremendo de medo! Como espera me derrotar assim? Sua fraqueza é visível até do alto de uma montanha! — Nihara assumiu uma postura de combate inicial, como um pugilista. — Você é patético! Prepare-se para sofrer! — Sua insolência era clara, cada momento era aproveitado com provocações.
A multidão aguardava ansiosamente pelo confronto dos dois competidores.
— Combatentes prontos? Três! Dois! Um… COMECEM!
Pronto para o ataque, Nihara sorriu com superioridade. — Vamos, Akemi! Me mostre do que é capaz! — Com socos rápidos no ar, ele criou bolas de fogo que voaram em direção ao jovem Aburaya.
Um calor intenso tomou conta da arena, como se o inferno se manifestasse diante dos olhos dos espectadores.
Apesar do pânico crescente, Akemi entrou em alerta máximo. Com as bolas de fogo se aproximando rapidamente, algo inesperado aconteceu: a energia elétrica, sorrateiramente, fluiu pelas veias.
Era impossível, inacreditável. Por que aquilo estava acontecendo? Havia explicação lógica para tal?
Depois de dias de falhas, de tentativas frustradas e desespero com a falta de sua aura… ela estava de volta, bem no pior momento possível, ou talvez, no único momento em que realmente importava.
Seu coração acelerava e sua pele formigava intensamente, cada centímetro do corpo despertava feito uma máquina sendo religada após anos adormecida.
Os músculos imploraram por movimento, vibrando com uma força que ele nunca havia sentido antes.
As chamas se aproximavam, mortais e inevitáveis.
Mas pela primeira vez desde que entrara naquela arena, Akemi sentiu algo além do medo:
Poder…
Em certo ponto, as chamas pareciam maiores do que nunca para Akemi, que mesmo sentindo sua energia elétrica voltando, travou-se diante da inexperiência em combate, pois apesar de tudo, pensamentos sobre superação eram uma coisa, mas na prática, o mundo áurico se mostrava ainda mais cruel quando se olhava de perto.
“Não tem pra onde ir, e-eu vou…”, a hesitação tornou o fogo inevitável “… morrer?”
Wooffff!
As chamas acertaram Akemi diretamente, cobrindo-o por completo.
Talvez muitos soubessem o resultado que aquela incineração traria, principalmente Nihara, que com seu sorriso confiante e estralando o punho, dava a luta como encerrada.
Entretanto…
— Uh? É O QUÊÊÊ!!!??? — gritou Nihara, furioso e incrédulo com o que via.
No momento em que o fogaréu se dissipou, para a surpresa de todos, o atingido surgiu ainda de pé, com os braços protegendo o rosto.
Absolutamente ninguém sabia o que aconteceu por trás do véu das chamas, todavia, alguém sabia que o futuro de um sonho manchado por mentiras estava em jogo.
Não havia espaço para desistência.

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