Índice de Capítulo

    — Como está de pé!? Eu o acertei em cheio!

    — E-eu não sei, eu… — Atordoado, Akemi procurava a solução nas mãos.

    — Até suas roupas estão ilesas! Que p#rra é essa!? — Antes que desse brecha à respostas, Nihara lançou três socos rápidos à frente, cada um gerou novas bolas de fogo que voaram em direção ao alvo.

    Wof! Wof! Wof!

    As chamas atingiram em sequência: ombro, peito e rosto.

    Mas quando o fogo baixou, o alvo continuava de pé, completamente ileso.

    Akemi tocou o próprio rosto; dores não foram encontradas. “As chamas não me feriram? Mas por quê?” Dicas de Sho sobre elementos áuricos foram resgatadas. “Fogo não é eficaz contra raio, mas isso que aconteceu não faz sentido.”

    Distinto das chamas, o calor que subia pelo corpo era familiar de outra fonte.

    “Estou quente, é o mesmo que senti quando a energia áurica percorre meu corpo. Mas por que agora? Por que aqui, do nada?”

    Enquanto o rapaz divagava, perdido em seus próprios pensamentos, uma sombra surgiu à frente.

    Com pupilas pequenas em modo de caça, Nihara estava adiante, impulsionado pelas chamas nas mãos em uma investida. Na distância que queria, ele estendeu a mão direita, agarrou o rosto de Akemi, e usando todos os requintes de crueldade, derrubou-o contra o chão como um boneco de pano descartável.

    Uma pequena cratera no chão se formou atrás da cabeça do derrubado; um pouco de sangue escorreu pela área atingida.

    — Contando carneiros enquanto enfrenta um Miyazaki!? Hum, definitivamente você nunca lutou na vida — esbanjando dominância, Nihara aproximou o rosto. — Entendi que você é à prova de fogo, mas não de uma boa mãozada. Veremos como reage a isso — ele retirou a mão e viu o que jamais esperava.

    De dentes cerrados na boca trêmula, Akemi demonstrava medo em lacrimejos. No fundo, havia outra coisa. Apesar da falta de palavras, uma fagulha de raiva queimava em suas íris castanhas. O nojo sobre aquele que friamente atacou alguém do mesmo país agoniava mais do que qualquer dor. Nojo da brutalidade, nojo da crueldade desnecessária… nojo de Nihara Miyazaki.

    — Ainda está vivo… Argh! Tenho que acabar logo com isso — uma mão em chamas preparou o soco final. — Achei que teria ao menos uma mísera diversão, mas a ASA não merece seres imundos feito você!

    O punho desceu, entretanto, faíscas surgiram do corpo do garoto caído.

    Fzzzt-BRAMMM!!!

    Uma explosão elétrica irrompeu entre os dois combatentes.

    Nihara foi lançado como um foguete, subindo a uma velocidade alucinante até o choque de cabeça contra o teto da redoma. A brutalidade do impacto deixou uma mancha de sangue na superfície transparente.

    O despenco destacou o corpo mole em provável inconsciência. Quando o solo foi atingido, ergueu-se no espaço uma densa fumaça formada pelo poder de fogo, dificultando a visão e aumentando a tensão na arena.

    A plateia na arquibancada testemunhava a cena, intrigada.

    No chão, Akemi também viu seu adversário sendo isolado pela fumaça. Com o corpo quente e cheio de energia, ele se levantou e notou que sua manifestação áurica amarelada emergiu de forma grandiosa. “Minha aura… ela está de volta… Ai!” Embora a dor atrás da cabeça, a eletricidade pulsava forte enquanto seu dono analisava os fatos. “Não consigo ver nada por causa dessa fumaça… E aquela mancha no teto… Eu… Eu o feri?” Por mais que Nihara não fosse o melhor exemplo de heroísmo, Akemi se sentiu mal pelo que fez. “Como eu poderia ferir uma pessoa?”

    À medida que o tempo avançava inexoravelmente, uma cena intrigante tomou o foco de todos. Dentre a densa névoa cinzenta envolvendo a arena, uma sombra humanoide se levantou. 

    Todos se impressionaram pela silhueta de pé entre as fumaças, avançando lentamente enquanto tomava do veneno da raiva e inveja.

    O que diabos é você? — rosnava o ígneo oculto — como um perdedor possui uma aura tão forte? Isso faz sentido!

    — Foi um acidente! Eu não queria te machucar!

    — Não queria me machucar!? OLHE SÓ O QUE VOCÊ FEEEZ!!!

    A fumaça diminuiu, desvendando Nihara em sua totalidade. Ao seu redor, uma manifestação rubra vibrava como uma chama em fúria, já na testa, sangue tapava seu olho azul direito com um forte tom vermelho escuro sob o cabelo desgrenhado em aparência selvagem.

    Cap-13-Scene-1

    “Ele tá vindo de novo”, Akemi trabalhava freneticamente para que encontrasse o melhor caminho da batalha. “Tenho a vantagem que as chamas não me ferem, mas ainda posso sofrer ataques físicos. Manter distância seria o essencial, mas parece impossível! Com certeza eu não acompanharia a velocidade de um Miyazaki… Minha única opção seria convencê-lo de que o que estamos fazendo é loucura, mas até parece que me escutaria.”

    Rangendo os dentes e com uma das mãos em chamas, Nihara representou a ira nos gestos. — Qual é!? Vai ficar calado!? Quer tirar sarro de um Miyazaki enquanto lutamos até a morte, é!? Te farei respeitar a mim, e principalmente, a minha família!

    O ígneo rapidamente lançou os braços para trás, inclinou o corpo para frente, fixou os olhos no chão, ergueu os calcanhares, e em questão de instantes, impulsionou-se na direção de Akemi, voando baixo a uma velocidade assustadora com o uso de poder de fogo.

    Ffu-woooofffff!

    Akemi via o punho flamejante se aproximando rapidamente, parecia o fim, pois um desvio seria complicado… Contudo, seu mundo desacelerou.

    Nihara, que voava a uma velocidade assustadora, moveu-se em câmera lenta; seu avanço tornou-se perfeitamente visível. O movimento das roupas, as chamas dançando em volta do punho, a expressão de ódio, tudo estava detalhado, nítido, e acompanhável.

    “O que… o que é isso?” Akemi analisava perfeitamente a trajetória de Nihara. “Ele está… lento? Ou é eu que estou mais veloz?” Mas quando tentou um movimento do corpo, percebeu que estava paralisado. “Não consigo me mover, somente meus olhos estão rápidos! Essa não.”

    O punho de Nihara se aproximava centímetro por centímetro.

    “Não vou conseguir desviar a tempo! Meu corpo não está preparado!”

    O contato deu-se como certo na mente dos dois combatentes, no entanto, uma batalha áurica nunca se resumiu a somente dois corpos lutando entre si. 

    Um instinto profundo além da consciência assumiu o controle de Akemi e reagiram instantaneamente, deslocando-o para o lado com uma velocidade que jamais teria naturalmente.

    Faíscas elétricas e chamas voavam pelos ares enquanto o ígneo passava direto.

    Durante a esquiva, Akemi via a lentidão dos estalos de eletricidade suspensos. “Meu corpo se mexeu sozinho? Mas… assim como naquela explosão, não fui eu quem fez isso. Será que a minha aura…”

    Nihara voltou rapidamente, e aproveitando o desequilíbrio do rival, tentou outro soco em chamas direcionado ao torso.

    Esquivas inconscientes não salvariam daquela vez, contudo, outras reações existiam:

    Quando o punho se aproximou da costela, uma pequena esfera de energia rompeu-se à frente da mão cerrada.

    — Arg! — Nihara cambaleou para trás, segurando a mão direita afetada. A determinação o manteve de pé. — Por que eu não consigo te acertar com fogo!?

    Estabilizado, Akemi observava as faíscas no corpo. “Minha aura me protege sozinha. Eu queria saber como, mas não há tempo pra pensar sobre.”

    Feroz, Nihara saltou com as mãos envoltas em chamas desferindo um soco flamejante.

    Guiado pelo instinto, Akemi ergueu os braços sobre o rosto; respondendo ao seu clamor, uma barreira elétrica amarelada emergiu ao seu redor.

    O soco atingiu a defesa, que mesmo trêmula, cintilou feito um campo de energia instável, cercando seu usuário em um casulo protetor.

    Subentendeu-se que a aura elétrica se defendia por conta própria, mas a verdadeira pergunta era: por quanto tempo?

    Ainda mais furioso, Nihara não interrompeu os ataques. — Argh! Chega desses seus truquezinhos! Me enfrente! — Socos em chamas, frenéticos e incessantes contra a barreira, liberavam ondas abrasadoras.

    O fogo encontrava a eletricidade, faíscas voavam em todas as direções.

    Sob a expressão odiosa e ataques de Nihara, Akemi sentia novidades. “Eu estou ficando mais forte. A cada ataque dele, sinto mais energia. É quase revigorante. Mas não posso confiar nessa barreira pra sempre. Preciso achar uma maneira de sair dessa sem causar mais dano desnecessário.”

    A barreira elétrica recém-formada absorvia os golpes flamejantes do garoto ígneo envolto por sua manifestação áurica avermelhada, e incrivelmente, se tornava mais nítida e firme a cada ataque. As chamas alimentavam a defesa elétrica num ciclo estranho e potencialmente simbiótico: o fogo que destruiria a barreira, na verdade, fortificava-a.

    Nihara parou e recuou um passo, ofegante. Seus olhos ardentes fixaram-se na barreira que cintilava cada vez mais, sólida. “Que diabos!” Sua frustração contorceu seus traços ensanguentados quando compreendeu o que estava acontecendo. — Então é assim que funciona… — a percepção amarga cravou-se em sua mente. As chamas que emanavam de seus punhos tremeram, e depois, se extinguiram completamente. — Você usa meu próprio fogo contra mim. Mas sem as chamas…

    A aura vermelha ao redor do Miyazaki entrou pelos braços e pernas, contraindo os músculos sob a pressão da energia áurica canalizada. Sem aviso, ele explodiu numa rajada de socos isentos de chamas, mas impulsionados por pura força bruta amplificada pela aura.

    Os punhos nus martelavam a barreira em uma velocidade alucinante.

    A barreira vibrou sob o novo modo de ataque, e pela primeira vez desde que a defesa se erguera, notou-se uma vulnerabilidade crescente.

    “Como ele consegue atacar tão rápido sem as chamas?” perguntou-se Akemi, mas sua dúvida tornou-se secundária quando a primeira rachadura surgiu na superfície elétrica.

    O ciclo que mantinha a barreira estável — fogo alimentando eletricidade, eletricidade gerando defesa — rompeu-se abruptamente. Sem as chamas de Nihara, não existiam fontes de energia externa conhecidas para a aura recém-descoberta.

    Sob os socos, a barreira optou pelo dreno exclusivo da energia áurica reserva de Akemi. Entretanto, o defeito do áurico retrator se encontrava no armazenamento finito de sua energia, ou seja, aquela situação trazia um grande problema.

    “Minha energia…” O garoto franzino notou a corrente áurica fluindo de suas veias direto para a estrutura defensiva, como se tubos invisíveis arrancassem a eletricidade de seu corpo a cada segundo.

    Outro soco. Outro dreno violento.

    As faíscas nos dedos enfraqueceram-se, o casulo protetor perdia opacidade e a estrutura elétrica tornava-se translúcida e frágil.

    “Não vai aguentar!” Akemi sentiu o vazio absoluto em suas veias. As faíscas se foram.

    Completamente consumido pela raiva, Nihara executou um ataque mais poderoso, um potente chute com a sola do pé direito com a força bruta canalizada. A barreira se estilhaçou feito vidro, desacelerando o mundo enquanto ele avançava em câmera lenta, propelido1 pelo poder áurico impulsionando internamente.

    “Ele está vindo… Tenho que desviar, me proteger, fazer alguma coisa!” Akemi tentou, mas nada aconteceu. “Por que não consigo me mover!?” Entregue a melancolia pós desespero, ele via o chute se aproximando de sua barriga. “Eu não tenho mais energia. Só posso… aceitar?”

    O tempo voltou à velocidade normal.

    WHAM!

    O chute atingiu sua barriga, expulsando o ar dos pulmões e curvando o alvo sem fôlego.

    Em um movimento rápido e certeiro, Nihara agarrou uma parte superior dos suspensórios de Akemi, assumindo nos dedos a firmeza de uma garra de aço apertando o material de couro. Com o rival erguido, ele girou no próprio eixo enquanto proclamava. — Você ousou me desafiar! Agora irá sofrer, seu verme!

    Akemi foi arremessado em direção à parede da arena; giros descontrolados transformaram sua visão em borrões indistintos de cores e formas até o choque devastador das costas contra o concreto. O som da batida ecoou pela arena, seguido pelo estalo agonizante de ossos se partindo além do limite. Quando o corpo deslizou ao chão, rachaduras serpenteadas na parede denunciaram brutalidade.

    A dor lancinante que irradiava pelas costas do garoto caído tirava-lhe gemidos de agonia. O pânico de qualquer inexperiente cresceria com a sensação dos próprios músculos e ossos paralisados e doloridos.

    A aura elétrica, antes uma manifestação de força interior e independente, foi-se embora, deixando para trás apenas a dor.

    Com a visão turva, Akemi mal discernia o adversário se aproximando. “Ele está vindo, tenho que me levantar… Agh! O quê? E-eu não… não consigo me mexer. Minhas pernas… não sinto minhas pernas!” O caos da confusão o mergulhava no medo, refletindo a impotência que dominava.

    Os passos lentos de Nihara ressoavam como o tic-tac de um relógio lento, cada passo trazia terror e desespero ao jovem caído, que tentava gritos, mas nenhum som escapava de sua garganta. 

    Com os olhos triunfantes ardendo em chamas ferozes, Nihara ergueu Akemi pelo colarinho. Seu sorriso ameaçador estampado no rosto ensanguentado e sombriamente aliviado anunciava o fim. — Finalmente te peguei.

    A camisa de Akemi estava chamuscada, a dor dilacerante dificultava a respiração.

    Vagarosamente, o punho livre de Nihara se levantava. O último golpe estava pronto, deixando claro que o alvo se via cara a cara com a temida morte.

    “Eu… tenho que reagir.” Akemi revidava segurando o braço do adversário com as duas mãos, mas não tinha forças; as tentativas eram inúteis pois estava completamente dominado.

    Contudo, por mais imponente que parecesse, o Miyazaki também estava exausto e ferido, detalhes que atrasavam o ataque… mas nunca o pararia. — MORRAAAAAA!!! — rugiu ele, movendo o punho envolto em energia áurica para o golpe derradeiro.

    — EU DESISTO!

    1. lançado para frente.[]
    Sabia que Shihais tem um servidor no Discord? Se quiser conhecer, clique no botão abaixo!

    Regras dos Comentários:

    • ‣ Seja respeitoso e gentil com os outros leitores.
    • ‣ Evite spoilers do capítulo ou da história.
    • ‣ Comentários ofensivos serão removidos.
    AVALIE ESTE CONTEÚDO
    Avaliação: 100% (5 votos)

    Nota