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    Um pilar, uma referência, alguém com quem se podia depender. O homem liderava marchas, exércitos, era bem-sucedido em missões. Sua personalidade era um pouco difícil devido aos traumas passados, mas ele era definitivamente alguém em quem se podia apoiar-se.

    O Bibliotecário

    — Você por acaso finalmente ficou insano? — A voz grave e velha o perguntou. — O que pensa que está fazendo?

    Li, que estava deitado caído no chão, abriu os olhos. Sentando-se, olhou para os lados.

    — O que aconteceu? Onde estou?

    — Você realmente está louco? — A voz perguntou, com um tom de surpresa.

    Virando-se na direção de onde o som estava vindo, Li se localizou.

    — Ah, é você, Nasháh.

    — O que? Não está feliz em me ver?

    — Eu não disse isso — respondeu. — Aliás, você poderia ser um pouco menos ranzinza.

    O Nasháh em questão não estava com a aparência de Li, mas com sua própria, acabado, velho, cansado. O cenário também não era o espaço branco, mas o castelo em ruínas da última vez que o havia visto.

    — E você pode ser menos insuportável.

    — Pelo menos não tenho essa cara de acabado…

    — Ora, seu!

    Pronto para brigar com o jovem, ele mesmo se parou.

    “Por que estou perdendo meu tempo com esse moleque novamente…” Respirando fundo, ele disse.

    — Como eu ia dizendo, o que você pensa que está fazendo?

    Li notou que o homem estava agindo diferente de antes.

    — Para ser sincero, não sei ao certo.

    — Não sabe… tem ideia de que se eu não tivesse te interrompido agora, você poderia ter ficado aleijado, ou até mesmo morrido.

    Percebendo a gravidade da situação, Jihan se ajeitou.

    — Mesmo assim, de acordo com a sacerdotisa, as essências do meu corpo estão em desarmonia e vão me matar eventualmente. Não é melhor que eu tente alguma coisa?

    — Em desarmonia?

    Esticando a mão na direção do outro, Nasháh puxou seu corpo para perto como se estivesse o atraindo gravitacionalmente.

    “Estão realmente em desarmonia… será minha culpa?” Pensou.

    Ahhh!

    Subitamente, um ser escamoso saiu de dentro do peito de Li e mordeu a mão do homem fazendo com que Jihan, que estava sendo levitado, caísse no chão.

    — Que coisa é…

    Nasháh foi pego de surpresa, mas um olhar fixo ao pequeno dragão o fez congelar em seu lugar.

    — Ei, cuidado comigo!

    — Isso é… um dragão… um vivo?

    Li surpreendeu-se, imaginava que o outro já sabia da existência de Vivi, afinal, ele sempre sabia tudo que acontecia ao redor dele.

    “Talvez ele realmente estivesse afastado”, pensou.

    Estendendo o braço, Nasháh esticou a mão para que o dragão pousasse em sua palma, assim ela o fez.

    —  Qual o seu nome, pequena? — perguntou tão gentilmente que Li até se sentiu injustiçado.

    — Não acho que ela possa te entender ainda…

    — Vittoria? Vivi…

    Uma onda de ódio em um instante percorreu todo o salão, mas foi contida imediatamente.

    — Você está zombando de mim, moleque!?

    — Consegue conversar com ela?

    — É claro que consigo, dragões são seres abençoados com o saber e a magia, até mesmo o mais tolo de nós é equiparado ao mais inteligente de vocês! — exclamou. — Sua mente não consegue compreender as palavras de um dragão, pois você é patético! Novamente, como ousa colocar o nome da minha falecida filha!

    — Espere um momento, não foi…

    — Eu vou obliterar a sua exis…

    Ah!

    — Não posso? Por que você está do lado dele!

    Ahhh!

    — Não serei comandado por uma criança!

    Grrrrr!

    — O que? Por que?

    Grrrrr!

    — Está bem, está bem… me desculpe.

    “O que está acontecendo entre esses dois…” Pensou Li, completamente incrédulo com a cena diante dos seus olhos. Um velho extremamente poderoso se rendendo a um pequeno animal quase do tamanho de sua mão.

    — Nasháh, acha que consegue me ensinar a conversar com ela?

    — Te ensinar? — questionou. — Primeiramente, me fale, como ela nasceu? Aliás, por que ela está aqui? Deveria ser impossível para você trazer algo de fora para o seu plano mental.

    — Sobre isso… não tenho certeza…

    — Você realmente não sabe de nada…

    — Bem, era um ovo que estava nos cofres do imperador, ele meio que sumiu e me disseram que precisava de sangue de dragão para chocá-lo… da próxima vez que me dei conta, ela nasceu.

    “Sangue de dragão… poderia ser um ovo que não foi fertilizado… mas… espere um segundo…” Nasháh rapidamente analisou a estrutura mágica e física do filhote. “Estranho… existem traços de meu DNA nessa criança, mas não somente meus e do dragão que produziu esse ovo… também existem traços humanos…”

    — Como foi que você a manteve viva? Tenho certeza de que qualquer humano consciente teria a matado no ato de seu nascimento.

    — Não tive que fazer muito, ela consegue se esconder dentro de mim, então ela só o fez.

    “Uma mutação…” pensou, cerrando a vista. “Mas, surpreendentemente, o ponto humano não é do menino… de quem seria isso?

    — E sobre o ensino?

    — Garoto, vamos fazer um acordo, traga-a contigo sempre que vier e te ensinarei uma coisa ou outra… duvido que conseguiria utilizar a força da linguagem draconiana, mas definitivamente conseguiria se comunicar com ela.

    — Afinal, como consigo te entender e não a ela?

    — Tolice, tenho mais que algumas centenas de anos de idade, acha mesmo que não conseguiria aprender qualquer um desses idiomas rupestres que vocês humanos falam?

    — Você tem um ponto… Além disso, e sobre meu problema?

    — Vou te ajudar com isso, pode pedir a súcubos para continuar o que estavam fazendo, vou controlar o seu sistema para que não colapse… só lembre-se de dizer a ela para que vá com calma, se ela tentar consumir muito de uma vez, a energia vai incinerá-la de dentro para fora.

    — In… cinera-la…

    — Sim, esteja avisado — disse. — Temos um acordo?

    — Ela não consegue ficar aqui sem minha presença?

    — Creio que sim, mas duvido que ela gostaria.

    — Vi… Vittoria?

    Ah…

    — Ela disse que está confortável se for de sua vontade.

    — Então estamos acordados.

    — Perfeito.

    — Só uma coisa, Nasháh, não acha que ela parece um pouco com a sua filha… digo, as escamas e tal…

    TSK

    Em um estalar de dedos, Li foi mandado para fora do plano mental.

    Grrrr!

    — O que? Foi ele que começou!

    Hmpf!

    — Desculpe, desculpe…

    “Igual, né…” Subitamente, os olhos de Nasháh se arregalaram. “Igual… como… como ela se parecia mesmo?”


    — Li!

    Abrindo os olhos no sofá, Jihan viu Matheus, Lisa e Glória ao redor de si.

    — Eu desmaiei?

    — Sim!

    — Eu diria que você parecia mais morto do que desmaiado… — Fynn, do corredor, comentou.

    — Ah, chegaram em casa? — perguntou.

    — Sim, Hans já foi dormir!

    Virando-se para Matheus, ele continuou.

    — Por quanto tempo apaguei?

    — Pouco menos de uma hora.

    — Me perdoa, Li… — pediu Lisa, que estava ajoelhada ao seu lado.

    — Não se preocupe — respondeu, acariciando a cabeça da menina. — Seu plano meio que deu certo, obrigado.

    — Sério?

    — Sim.

    — Aliás, o que vocês estavam fazendo? — perguntou Matheus.

    — Lisa estava me ajudando a melhorar meu controle de Prana, disse que meu interior estava meio desalinhado… mas acho que eu fiz alguma coisa no caminho e a atrapalhei…

    Percebendo que Li estava mentindo pelo seu bem, Lisa apenas concordou com ele e pediu desculpas novamente.

    — De qualquer forma… acho melhor todos irmos dormir — disse Glória. — Jihan, você não tem que se apresentar para Lorena daqui a algumas horas?

    — Ah, é mesmo!

    Com todos se despedindo e indo dormir, a noite terminou de passar rapidamente.

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