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    Enquanto no outro lado do império ocorre uma corrida, o desejo de chegar rápido em outro ponto é o mesmo de Hiro, que arruma suas malas apressado durante a manhã com pressa.

    — Filho, estou preocupado que você não esteja estudando o suficiente com essas viagens — ressalta a mãe preocupada com seu filho.

    — Como assim mãe, são aulas práticas — responde Hiro, despreocupado apenas continua arrumar as malas para a viagem.

    — É, mas a teoria é muito importante, eu gosto de você estar tendo aulas especiais, mas eu tenho tanto medo de deixar você saindo assim filhinho, sua mamãe zela tanto por você! — lamenta a mãe, e se joga em cima do filho o dando um abraço apertado. — Ai se a Saikyo não fosse, eu nem deixaria você ir!

    — Obrigado mãe —  diz o garoto sem jeito, enquanto pensa “Será que a Saikyo passa por este mesmo problema?’’

    Enquanto isso, Saikyo se despede de sua mãe.

    — Tchau mãe estou indo!

    — Joga duro filha, e não esquece de tirar uma foto em cada lugar que passar, eu quero fazer um álbum lindo seu, ai, ai, seu pai ficaria tão orgulhoso de ver a garota linda que você se tornou! — Amai não poupa elogios e incentivos a sua filha.

    — Que nada, ele ficaria orgulhoso por quem vou me tornar, isso é certeza! — afirma a garota.

    — Boa sorte!

    Prontos para a viagem, Hiro e Saikyo se encontram na estação de trem de Mu, à espera novamente do trem marrom. Os jovens estão vestidos de forma casual, Hiro usa camisa vermelha, shorts azuis e tenis pretos, já a garota utiliza camisa rosa com desenhos de sorvete, uma calça preta de moletom e tenis brancos. Os dois se encontram com o mestre Li Han, que já começa com suas reflexões.

    — Meus queridos alunos, temos uma viagem surpresa, nela eu vou aproveitar para explicar para vocês novas coisas sobre a vida!

    — A vida? — questiona Hiro desta vez confuso.

    — É tipo isso, eu não tenho sinônimo melhor para isso, espero que estejam preparados — ressalta o mestre.

    — Sensei, você nunca fala para onde vamos, mas dessa vez, você nos chamou de última hora, nem para avisar com antecedência — reclama Saikyo, sem ser grosseira apenas chamando a atenção, mas desta vez isto surte efeito e deixa Li Han envergonhado, o que faz a garota saltar os olhos.

    — Vamos ir de trem apenas até a ponta da região de Fujita, passando pela beirada, e então vamos pelo vale dos ventos nublados, vamos nos camuflar, para ir até a província de Khan — explica Li Han de forma enfática, erguendo a mão e apontando o dedo para cima, tentando inspirar seus alunos, pois sabe que o caminho que ele acaba de descrever carrega grandes dificuldades.

    — Província de Khan, o que vamos fazer lá? — questiona Hiro, já curioso para ter todas as respostas antes se quer embarcar para a viagem.

    — O legal da aventura, é descobrir as coisas novas no meio do caminho — afirma o mestre, tentando desviar o foco das perguntas de forma clara e até suspeita, adotando uma pose incomum de estufar o peito e colocar os punhos em volta da cintura de maneira heróica.

    A curiosidade de Hiro vinha por parte de seu conhecimento prévio sobre província de Khan, uma das quatro províncias que faz fronteira com a província real, onde fica a região proibida, onde vive o imperador, a região de Mu e a região de Fujita, que fica ao norte, está é a mais próxima a província de Khan das três mencionadas, e a com menor segurança. A pequena região dos campos gramados é conhecida por boas terras, mas é uma exceção dentro da região de Fujita, que apesar das boas terras, é assolada por ventanias que rondam a região, com tempestades constantes e vendavais rotineiros. As ventanias ocorrem por Fujita ser uma região de baixa pressão, os ventos que os atingem vem de regiões mais altas, as vindas da província de Khan.

    Khan tem uma reputação lendária, ela foi conquistada a centenas de anos, em épocas onde o império de Yu, ainda não tinha se formado como hoje, e foi divida em dois, Khan e Monjalia, mas as tradições do povo de Khan se mantiveram. As terras selvagens, com intermináveis vales e pradarias, se mantém sem chuvas e ventanias, pois são bloqueados por enormes montanhas, com terrenos de planaltos acidentados, secos na maior parte do ano, mais em breve momentos, lindas paisagens esverdeadas. Como é verão, o que se espera é o clima escaldante, este é o destino dos aventureiros desta vez. 

    Um pouco após a saída do trem marrom se percebe uma movimentação estranha na torre celeste, que chama a atenção dos habitantes da cidade, uma pilastra desce até a torre celeste. Os militares ficam de prontidão para recepcionar quem desce dela.

    No prédio das crianças de preto, perto do fim do expediente, os membros vão se reunindo para entregar os relatórios para Kiti. Raikou desta vez é quem vai entregar pelo seu trio, Akuto aguarda bebendo chá sentado no sofá, enquanto Barke fica na poltrona lendo um jornal sobre um evento internacional de lutas, até que a atenção de Raikou é quebrada, ele derruba os papéis, pois consegue sentir uma presença poderosa se aproximando, ele se vira olhando para a entrada.

    — Quem está aí!? — indaga Raikou sendo o primeiro a sentir aquela presença esmagadora, o Nelphli consegue compreender o tamanho 

    — O que foi Raikou, algum problema? — questiona Akuto, o jovem sente algo raro em si, é visível em seu rosto o incômodo, pois ele sabe que há algo acontecendo, mas ele não sente.

    — Eu não sei!

    — É, eu sinto também Raikou, de repente eu tenho vontade de me esconder em algum lugar, é assustador! — comenta Barke, demonstrando sentir a mesma coisa que seu colega. 

    Akuto observa os dois e fica se perguntando “O que está havendo, por que eu não sinto também!? O que é que esses dois têm? Algo que eu não sei!’’, isto o irrita profundamente, algo que ele não está acostumado a sentir sem conseguir esconder em seu rosto.

    Pórem as atenções de todos se focam na capitã, que saiu imediatamente de seu escritório preocupada  para recepcionar o homem que chega ali, alguém que está a muitas posições acima dela. Ela presta continência logo na chegada e curva sua cabeça para ele, e todos seguem a capitã sem precisar receber nenhuma ordem.

    Parece ser um executivo que se aproxima, mas é um homem que com certeza detém poderio apenas com sua presença. O conjunto de sua vestimenta, um terno de jaqueta preta, camisa branca, gravata longa são simplórios, nem se quer indicam algum tipo de status, e não há nada em sua vestimenta que indique algum cargo. Seu rosto deixa claro que é um senhor, alto, de cabelos e barba branca, ambos curtos, pele clara e enrugada. O corpo vai contra ao que o rosto demonstra, apesar de ser um senhor, é alto e mesmo com o corpo coberto é possível perceber seus músculos, nos rostos não há nenhuma indício de algo sofrido nestes anos, já as mãos grossas e cheias de cicatrizes, revelam que este é um combatente.

    — Prazer em receber senhor, pronta para mostrar serviço! — diz Kiti, prestando continência ao oficial.

    — Eu vim para saber sobre Li Han, foi informado que você esteve com ele. Por que ele está se retirando da cidade, logo antes de termos dado o trabalho para ele? — pergunta o senhor, ignorando completamente a reverência voltada para ele.

    — Senhor, eu não sabia que tinham algo para ele, se não eu não o teria informado, eu juro! Eu nunca teria mencionado sobre Milana Manara! — garanti Kiti, demonstrando medo diante a autoridade superior.

    — Ele foi atrás dela sem mencionar nada, não é do feitio dele, ele quer evitar, ele quer salva-la, para ser preso e ter que responder na justiça, tudo isso para evitar trabalhar para o princípe, hahaha, mais o maldito vai acabar cumprindo seu dever mais cedo ou mais tarde — diz o oficial, rangendo os dentes e fechando os punhos, se retirando. 

    Os alunos de Kiti ficam espantados, ao verem sua líder pela primeira vez demonstrar submissão a alguém, a posição havia invertido, aquela acostumada a submeter constantemente seus alunos, era menosprezada na frente deles.

    — O que estão olhando, pra já, de volta às suas funções! — ordena Kiti, que esconde a própria vergonha repreendendo seus alunos.

    Na província onde o mestre errante queria chegar, há aqueles que estão interessados na mesma pessoa que ele, o rosto da mulher procurada por Li Han está cravada em cartazes de recompensas junto com o valor incluído por sua captura. 

    Em meio aos montes entre as estepes, um grupo largo de mercenários se escondem, próximos a áreas desprotegidas, pois fogem da vigília da maior muralha do império, cuja a extensão é tanta, que o contingente de guardas faz com que a patrulha em volta do local seja limitada, pois a própria muralha cobre a maior parte da fronteira. Apesar da muralha indicar uma barreira, a vigília é mais por conta de ser um monumento histórico, visto que parte da fronteira é entre províncias que fazem parte do Império de Yu.  

    Por isso a noite o caminho está livre, e o grupo por conhecerem as entradas preferidas para foragidos, já cobrem a área, esperando o alvo. O líder segura o cartaz de recompensa em suas mãos, e fica admirando o rosto que vê, retira o seus óculos para ver melhor, e logo em seguida esmaga o papel com a mão.

    — Difícil acreditar que uma mulher pode ser tão perigosa! — observa o mercenário. — Isso aí homens, estamos a frente dos acampamentos de soldados, vamos pegar essa vadia primeiro, nós sabemos os caminhos dos bandidos, pois somos bandidos também, só que temos a lei! Ela está vindo, subindo pela estrada da colina, vamos dar boas vindas!  

    O grupo segue descendo as estradas da colina, rumo ao seu alvo, a moça vinda de um continente distante, que vive como foragida saltando entre as províncias do Império, vem buscar sua vingança, trazendo consigo o terror de um ataque biológico e ambiental, na aparência de uma simples mulher de pele morena com olhar sensual, rosto delicado, corpo curvilíneo e cabelos pretos cacheados e longos. Utiliza calça de tecido grosso, botas e utiliza camisa de manga longa marrom com o mesmo tecido da calça, carregando nas costas um saco que serve como mochila.

    — É necessário tantos homens para lidar comigo? — questiona a foragida.

    — Eu quero que eles testemunhem seus gritos e a impeçam de fugir, eu mesma vou educá-la, pensei que da onde você vinha as boas maneiras das mulheres ainda tinham sido preservadas! — afirma o mercenário, demonstrando saber sobre com quem fala.

    — O que mais foi preservado foi a desgraça dos homens, a selvageria, que os leva ao inferno, e do inferno, eu não trago o que atrai a luxúria seu porco, eu vim com a penitência, causada pela barbárie de seres inescrupulosos como vocês! — discursa a foragida, com rancor revelado em seu tom de voz.

    — Hahaha, você tem que ser entregue viva, até lá teremos uma longa jornada juntos, a uma coisa dentro das leis, procurados não tem os mesmos direitos hehehe! — ameaça o mercenário, tentando intimidar a fugitiva.

    O mercenário detém um corpo desproporcional, sua altura supera a de todos do seu grupo com facilidade, por volta frequentemente dos três metros de altura, ele esconde parte do seu corpo por um manto marrom, pode se ver que ele usa armadura feita de placas de metal, um conjunto compostos por ombreira, joelheira, caneleiras, cotoveleiras, botas com ponta de aço, braceletes, e uma calça com tecido resistente, pórem seu torço e boa parte de seus braços ficam descobertos, e tem uma estrutura deformado.

    As partes expostas de seu corpo não estão descobertas atoa, seu rosto é desprotegido pois dificilmente um capacete seria útil em suas batalhas, e para impor respeito seu rosto precisa ficar exposto, com uma enorme cicatriz indo do lado direito da testa atravessando o nariz até a lateral esquerda do seu lábio, cria uma visão pavorosa, somada aos seus dentes pontiagudos que por se próprios serviriam como arma, não só seus dentes são pontiagudos, como seus cabelos arrepiados parecem ser espetados também. Já o seu torço e braços, são deformados, descobertos pois estes quando o seu trunfo, quando eles os estica, revela partes mais volumosas, orifícios dos quais saem láminas em direção a mulher, as láminas não a acertam, são cravadas no chão como forma de a cercar e a deixar sem saída.

    — Renda-se, eu quero preservar seu rosto, e feridas não me agradam em mulheres! — debocha o mercenário.

    Os aliados do mercenário se mantém confiante, até o momento em que começam a agonizar no chão, de repente o caminhar daquela mulher, que parecia ser decorrente de uma total falta de noção de perigo, se torna uma marcha da morte, que pune impiedosamente que ousa estar diante a sua presença.

    Os efeitos nas vítimas tendem a ser o mesmo, a pele ressecar, os lábios racharem, a voz se perder por conta da garganta secar, as veias começando a dilatar, até que fervam e o sangue salte em meio à ebulição, até que o corpo esteja sem vida soltando vapor feitos de suor. 

    O efeito é avassalador, atingem diversos de forma fatal, os que ficam de pé não são acertados diretamente pela nuvem de fumaça de areias vermelhas brilhantes, que aparece em volta deles, os que não são acertados ainda sim são acometidos pelo calor extremo, dificultando o raciocínio. 

    O líder revive, e levanta sacando sua espada, que está fumegante, a moça se vira olhando para ele, saca uma pequena faca, que seria pouco ameaçadora diante ao mercenário que tem o dobro do tamanho da moça, mais naquela situação, o fio da pequena navalha é onde ele vê sua morte, de tal forma que o frio e letal mercenário, vê como única alternativa saltar do desfiladeiro, a atitude desesperada o distancia mais da morte do que está perto daquela mulher.

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