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    Alexander nunca tinha visto qualquer {Dragão} na vida, mas não tinha dúvidas de que a energia que sentira era de um… Um com uma energia ainda mais pura que a dos núcleos que absorvera.

    O interessante era que, mesmo sendo extremamente pura, a energia também era muito, muito mais fraca que a dele, ou mesmo a de Diana.

    — Mudança de planos — disse Alexander ao grupo depois de perfurar e destruir o que restava da masmorra com seu |Sopro do Dragão|. — Acabei de sentir algo muito interessante.

    Sem esperar resposta, voou na direção em que sentira a energia, para não perder o rastro.

    Não muito depois de se aprofundar na floresta, encontrou um comboio de três carruagens fechadas.

    A caravana era, no mínimo, suspeita.

    A primeira carruagem estava cheia de pessoas feridas que não poderiam estar mais felizes. Falavam sobre como o lucro que obtiveram com o filhote de urso não seria nada comparado ao que conseguiriam desta vez.

    Enquanto isso, as demais carruagens tremiam bem além do normal; principalmente a última, que parecia querer ceder a qualquer momento.

    Não era preciso ser um gênio para entender o que estava acontecendo ao juntar todos os fatos. E por mais triste e cruel que fosse esse tráfico, não era exatamente um problema pelo qual ele colocaria Diana e Ocean em perigo.

    Contudo, as pessoas da caravana não ficaram nada felizes em vê-lo pairando no céu olhando para elas. Isso assustou seus animais, fazendo-os parar.

    Alguns deles até começaram a sacar suas armas enquanto observavam cada movimento dele.

    Após pensar um pouco no assunto, decidiu descer, mantendo alguma distância, para tentar negociar.

    — Não é que eu queira dificultar as coisas para vocês, pois posso ver que são aventureiros assim como eu, mas a criatura na carruagem do meio está me chamando — explicou o dragonoid. — Foi assim que encontrei vocês.

    — Não querem negociar comigo? — ofereceu, calmante. — Vendam-me a que está no vagão do meio por um preço justo, e todos poderemos seguir nosso destino de maneira tranquila e realizada.

    Ao ver que os “aventureiros” ponderavam sobre o que fazer, Alexander tentou incentivá-los: — Digam-me. Quanto vocês querem por esse drag-

    Antes que pudesse terminar, um dos “aventureiros” tentou cortar sua cabeça, achando ter visto uma abertura. Tudo o que restou dele foi um corpo rasgado e mutilado pela energia espacial que emanou dos chifres do dragonoid.

    — Mo-Mon-Monstro! — gritou um dos “aventureiros”.

    — Eu não queria problemas e estava sendo razoável, mas vocês não só não aceitaram a proposta, como também tentaram me matar… Bom, bom, muito bom — disse o dragonoid num tom mortalmente calmo, mas infinitamente sombrio. — Agora que me forçaram a chegar a este ponto e viram o que viram, quero ver como vão sair daqui vivos.

    Deixando todas as reservas de lado e liberando seu poder, começou a atacar os “aventureiros”. Nenhum deles sairia vivo.

    Ele não sabia se algum deles tinha ideia do que vira, mas o fato era que viram. Não correria o risco de se expor assim.

    — Ele quer mesmo matar todos nós! — gritou um dos “aventureiros” para seus companheiros. — Soltem aquela coisa! Ela vai nos dar algum tempo para fugir!

    Desesperado por uma chance de escapar, um dos “aventureiros” abriu a terceira carruagem do comboio sem pensar muito nas consequências.

    O resultado dessa ação desesperada foi que uma criatura que se assemelhava muito a um gigante mastim tibetano preto, medindo cerca de dois metros e meio de altura, saiu da carruagem e o dilacerou.

    O plano deles, no entanto, funcionou até certo ponto. O mastim identificou Alexander como a maior ameaça e o atacou.

    Os instintos do mastim estavam certos: o dragonoid era mesmo a maior ameaça potencial na região. Mas atacá-lo foi um erro.

    Até aquele momento, não era intenção dele se opor ao animal.

    Como não podia perder tempo com aquela dor de cabeça — precisava caçar os “aventureiros” fugitivos —, Alexander ficou furioso. Felizmente, podia sentir que reforços estavam chegando.

    — Cuide desse cachorro — disse Alexander em voz alta, como se estivesse falando com o vento. — Mas tenha cuidado. Ele também é uma criatura de terceira evolução.

    Sem sequer se preocupar em dar outra olhada no cão, Alexander levantou voo e disparou em direção aos “aventureiros”.

    Furioso por ter sido menosprezado, o mastim pulou e preparou-se para atacá-lo.

    No entanto, antes que pudesse completar o movimento, Ocean saltou da vegetação. Ela o deteve com um jogo de corpo ao chocar seu próprio corpo da cor da lua contra o grande cão negro.

    Após garantir que ninguém saíra vivo — o que acabou sendo mais fácil do que deveria, pois já estavam feridos —, o dragonoid voltou para onde encontrara o comboio e ficou ao lado de Diana.

    A demi estava à margem da situação, assistindo à luta entre Ocean e o mastim.

    — Você precisa de ajuda, Ocean? — perguntou ele abertamente.

    — Ela disse que não quer ajuda — informou Diana. — Mas está realmente tudo bem? Ela está em clara desvantagem.

    — É o que parece… — disse Alexander com um sorriso dúbio. — Me diga: quem você acha que é mais forte?

    Diana já parecia ter sua resposta, mas não queria dizer que Ocean era mais fraca e iria perder.

    — Não precisa ter vergonha. Se nos focarmos apenas na força, aquele canídeo é claramente mais forte — confirmou o dragonoid calmamente. — A questão é que isso não significa que ele vai vencer.

    — A partir da terceira evolução, esse não é mais o ponto principal que decide o combate — explicou enquanto assistia à luta.

    — Não? — perguntou Diana, surpresa. — Então o que vai decidir essa luta?

    — Físico, aprimoramentos e habilidades, principalmente as especiais — explicou ele. — Quando a luta é minimamente equilibrada, é isso que decide o resultado.

    — Esta forma em que estou é o resultado do uso de uma habilidade especial chamada |Natureza Selvagem| — acrescentou, ainda calmo. — Cada criatura de terceira evolução obtém uma habilidade semelhante a esta. E quando se entra nessa forma, o físico e todos os poderes, exceto a capacidade de pensar, se intensificam muito.

    — O que quero dizer é que ela tem um físico comparativamente melhor, bem como mais aprimoramentos e habilidades. Assim, Ocean DEVE vencer — concluiu.

    Exatamente como Alexander havia explicado, quando a luta se intensificou e ambas as criaturas usaram suas habilidades freneticamente, a luta tornou-se favorável a Ocean — ainda que de forma menos favorável do que ele esperava.

    A resistência, defesa e vigor do canídeo superaram em muito suas estimativas.

    Se Ocean não tivesse veneno à disposição, ele realmente não saberia dizer quem teria vantagem.

    — Esse mastim é bem forte — pensou Alexander consigo mesmo. — Talvez seja uma boa ideia torná-lo um dos meus familiares.

    Entretanto, logo desconsiderou a opção após usar |Identificar| nele.

    [{Cão Negro Infernal} – Besta Mágica – 3ª Evolução]

    — (Mate-o apenas se achar necessário, Ocean) — pediu Alexander mentalmente à loba.

    Ocean não respondeu e permaneceu focada na luta, lançando vários espinhos de gelo em sucessão contra o cão, mas ele não se importou nem a culpou. Sabia o quanto era difícil lutar nesse nível de igualdade em termos de força e poder.

    Inesperadamente, quando todos pensavam que a luta havia acabado, o mastim finalmente mostrou por que também era uma besta mágica. Usou seu trunfo: uma baforada mágica de fogo extremamente quente.

    Se fosse qualquer outra criatura de gelo comparável em nível nas circunstâncias de Ocean, esse certamente seria o momento em que a luta seria decidida. O mastim venceria.

    No entanto, Ocean era diferente. Bem diferente.

    Ela não só tinha seu aprimoramento (Bênção do Gelo Verdadeiro), que negava a vulnerabilidade natural ao fogo e ao calor que deveria ter, como ainda usou seu domínio gélido para reduzir o dano ao sentir o perigo.

    Sem essas vantagens, Ocean provavelmente teria perdido. Mas como não perdeu, o {Cão Negro Infernal} teve que sofrer a fúria quase descontrolada da vingança dela.

    A retaliação foi maligna. Regada a seu sopro congelante e com toques de crueldade quase macabra de veneno.

    — (Agora ele é seu, líder) — disse Ocean quando terminou.

    — (Obrigado por se lembrar de deixá-lo vivo) — disse Alexander fracamente ao olhar para o mastim. O sujeito retornara à sua forma normal e mal conseguia mover a ponta da pata.

    Aproximando-se do mastim, que não parecia muito conformado com a derrota, e avaliando seu estado, o dragonoid percebeu que a criatura não gostou de ser avaliada.

    No entanto, como o animal não tinha forças para resistir, ou mesmo rosnar, ele apenas abriu um sorriso torto e deu seu ultimato: — (Submissão ou morte.)

    A criatura pareceu surpresa por um momento ao ouvi-lo em sua mente, mas logo respondeu: — (Prefiro a morte… Não vou me submeter a você.)

    — (E quem disse que quero você? Eu já tenho a loba que te derrotou ao meu lado) — rebateu Alexander com certo desdém no tom. — (Mas você quer mesmo morrer sabendo que perdeu para alguém que considerava mais fraco? Sem nunca ter a chance de superá-la? Se sim, basta dizer que quer morrer de novo.)

    — (…) — Mastim.

    Ao ver que suas palavras atingiram o orgulho da criatura, Alexander apontou para Diana e disse: — (Submeta-se àquela mulher. Talvez goste mais dela do que de mim… Mas se não gostar, pelo menos estará vivo para tentar se tornar mais forte que a minha Ocean; embora eu mesmo ache que isso nunca vá acontecer.)

    Sem esperar resposta, Alexander encerrou a comunicação mental e foi até Diana, que curava Ocean.

    — Deixe-me cuidar disso — disse ele, emitindo seu poder da luz. — Você deve tentar tornar aquele cão seu familiar.

    — O quê? Torná-lo meu familiar? — surpreendeu-se Diana.

    — Sim. É uma boa combinação para você — garantiu o dragonoid, sério. — Ele pode protegê-la durante as lutas, e você pode curá-lo enquanto ele a protege.

    — Acho que vale pelo menos tentar — incentivou. — Mas não se esqueça de liberar toda a sua energia enquanto pensa em pressioná-lo com sua aura para aumentar as chances de sucesso.

    — Tudo bem — concordou Diana por fim. — Vou tentar o meu melhor.

    Em outras circunstâncias, Alexander nunca teria deixado aquele cão chegar perto dela. Mas como o mastim estava bem debilitado pelos ferimentos e pelo veneno correndo em suas veias, além de enfraquecido após desativar sua habilidade frenética, ela não deveria ter problemas para fazer a tentativa.

    Nota: Trecho referente aos acontecimentos dos capítulos 087, 088 e 089.

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